quarta-feira, 21 de outubro de 2026

 244) Escrever? Por que?

Sim, por que escrever? Ouvi essa pergunta algumas vezes e nunca pude validar convicto da razão clara na minha iniciação, se fui de fato Iniciado. Mas como tudo na vida, alguma coisa nos motiva a iniciar algo e esse é o ponto nevrálgico de minha proposta, num passado de histórias e estórias vividas e contadas. Nas estórias muitas vezes resultado de ter “lubrificando” um fato a torna-lo mais atraente, as vezes engraçado. Um dia alguém me disse: - “Escreva isso”! Assim escrevia primeira crônica!

Inicialmente e isso tem mais de vinte nos, fui ao computador e teclei tantas vezes até o momento de juntar uns dez textos, e adotei chamá-los de crônicas. Lembrando: Crônica relata fato, sem a “lubrificação”. É algo real, verdadeiro. Achei melhor adotar predominância ao humor focando momentos até constrangedores por mim vividos. Por assim ser, ao juntá-las dei o nome de “Crônicas de um RIdículo”! Assim mesmo, ênfase à primeira sílaba com o RI, sinalizando o propósito de rir, na verdade a fonte da alegria de todos é sinalizada no riso. Isso é possível – sendo escrita bem produzida – faz rir até de tragédia. Mas sem apelo ao Humor Negro, além de tétrico causa muitas vezes um mal-estar desnecessário...

Tendo em mim mesmo como personagem me senti muito à vontade para “chamá-lo” de ridículo, afinal de contas, autoacusação não gera risco de processo difamatório... Essas crônicas ficaram hibernadas no “word” por duas décadas quando meu amigo Dirceo Stona, Escritor consagrado já com três livros publicados e lançando mais um na próxima Feiras do Livros de Porto Alegre. Foi ele a me incentivar. Motivou e ainda superou minha resistência de ir a público com minhas escritas, quando por fim, com um “golpe fatal”, criou um “blog” em meu nome. Com esse vigoroso canal de comunicação, lá fui eu a publicar toda quinta-feira uma crônica de cada vez.

Foi melhorando a redação, corrigindo erros de ortografia, concordância etc... Daí ele, o Dirceo, fazia e faz o “convite” para eu enviá-los aos endereços disponíveis e assim se iniciaram, há uns sete anos atrás, essas publicações semanais... Eram umas vinte crônicas prontas. Quando encerrei depois de vinte semanas, reportei orgulhoso: “OK meu amigo, missão cumprida, todas publicadas!” Imediatamente respondeu: - “Não senhor, escreva mais uma, depois outra, te vira meu...” Vejam só, com essa de hoje, são duzentas e quarenta e quatro Crônicas!

Incansável, em 24 de novembro de 2023, foi meu Padrinho na Academia de Letras dos Municípios do Rio Grande do Sul ao me conferiram o Diploma de Acadêmico, ocupando a Honrosa Cadeira Vinte e Três. Sei, ele não gosta, mas cabe aqui uma referência e reverência com fraternais cumprimentos pela sua persistência e leal parceria me fazendo escrever e publicar crônicas! Muito obrigado Dirceo!

Como resultado disso tudo, devo relatar da importância desse hábito de escrita, pois sei de muitos “pensadores” com uma experiência enorme a trocar, a doar Conhecimento e Saber. Podem, devem colocar na escrita um algo de suas experiências de Vida ajudando, impulsionando o crescimento de alguém, ou ainda como faço, se divertindo um pouco através dessas “mal traçadas linhas!”

O resultado pessoal é fantástico. Lembrar de acontecimentos passados força num exercício exuberante de busca na memória. O cérebro responde com incrível fidelidade trazendo de um passado de longo alcance a colocar no presente perpetuado no papel! Fatos de mais de Meio Século vem à mente com uma imensa riqueza de detalhes e posso afirmar, surpreende sobremaneira! Daí minha entusiasmada recomendação aos que leem minhas Crônicas: Escrevam! Sem preocupação de superar Machado de Assis ou outra Autoridade da Escrita! Apenas escrevam – e escondam se não houver coragem de publicar, essa virá impulsionada por algum amigo generoso e sintam o prazer do refrescamento da memória a valer a pena, eu garanto! Encerro aproveitando uma “chamada” de outro velho amigo, o Fernando Zanini: - “Aquele que não sabe contar sua história, não merece tê-la vivido. Aquele que não tem história para contar, não merece ter nascido”!


Fausto Marchiori Diefenbach.

Cadeira 23.

Porto Alegre, 22 de outubro de 2026 

 

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

 243) Paraquedismo, agora sim: O MAIS Emocionante!


O meu conhecido entusiasmo ao paraquedismo veio desde o primeiro salto em meados de 1995 aqui registrado na última quinta-feira, somado a tantas histórias de aventuras e fortes emoções vividas nesse fascinante esporte, de elite eu sei, pois, cada salto envolve um custo razoável desde o investimento inicial em um equipamento completo, próximo aos cinco mil dólares americanos, mais o valor pago a cada decolagem como despesa de “passagem de ida aos altos céus!" O retorno, é um voo sem custo adicional e como já escrevi, é bem rápido, de até 250km por hora! Mas faz valer toda a ritualística, garanto!

Já abandonei o esporte por razões práticas e financeiras. Na prática foi ao perder o ritmo de saltar que era de pelo menos uma vez por semana e ao acidentar – paraquedas no Estádio Olímpico – interrompi por razões de recuperação física por três anos, consequentemente ausente do aeródromo de Sapiranga-RS para saltar. Na sequência, se foi a parceria com os amigos mais próximos no esporte. Com a desistência de alguns daqueles amigos, abandonei também. Hoje, ao ouvir o ronco de um Cessna, ainda sinto emocionada aceleração cardíaca...

Esse salto a contar agora, foi o quinto e último durante o Festival de Balonismo em Torres. Com quatro colegas convidados para saltos de demonstração, aquele belo domingo ensolarado de poucas nuvens e céu azul, marcou muito aquele domingo! Esse era da minha a responsabilidade como “Mestre de Salto” e nessa posição, a hierarquia a bordo pertence a esse paraquedista, ficando inclusive o Piloto à suas ordens de rota, altura e o Ponto de Saída, o “PS”, a ser feito sobre o alvo na área de pouso.

Próximo a esse ponto, abre-se a porta afixando-a acima numa presilha contra a asa e com a identificação clara, precisa do PS, dá-se a ordem de corte na rotação do motor e se faz o lançamento dos paraquedistas, sendo o Mestre de Salto o último a sair. Éramos cinco, com duas passadas sobre o alvo no mesmo voo. Dois lançamentos na primeira, mais uma rota de trezentos e sessenta graus e saída dos últimos e a aeronave toma seu rumo.

Entretanto nesse momento, do segundo lançamento, o piloto errou o retorno ficando distante do PS. Ordem de nova circunferência. Com óbvio acréscimo no gasto em combustível provocou no piloto muita contrariedade. Também me estressei. Foi minha vez de cometer o erro ao deixar a porta aberta suspensa na asa durante todo aquela nova volta! Com a forte vibração natural em voo, rompeu-se a porta ao meio com seu pedaço maior sair perigosamente batendo contra a carenagem do avião num barulho apavorante! Começou com um susto horroroso a todos! Bem maior foi do Piloto, pois os paraquedistas estariam “voando fora” e ele seguir seu voo!

O jovem piloto gritava desesperado, pois ficaria a bordo até seu pouso, sabe-se lá como... A porta poderia ter atingido e danificado o profundor da aeronave, aquela parte onde fica a “asa traseira” com o leme do avião. Lancei rápido o último colega e fiquei com o piloto. Assegurei convicto: Vou lá fora verificar os "estragos e já volto" ... Ele muito assustado, pálido concordou só com um aceno da cabeça! Fui...

Inesquecível – ao lembrar, sudorese nas mãos - a maior de todas emoções vividas em mais de trezentos saltos! Lá fui eu porta fora do avião em pleno voo a quatro mil pés de altura, me segurando com as unhas nas raras saliências e entrâncias da carenagem, até ter uma visão razoável dos componentes do profundor. "Pareceram inteiros"! Opinião de um neófito mas única disponível naquele momento dramático, voltei para dentro da aeronave, afirmei estar tudo inteiro, aceita pelo Piloto então dei um ”tchauzinho” e voei porta afora... Soube na sequência ter pousado bem no seu aeroporto de destino. Com ele, nunca mais me encontrei! Acho ter ficado bem obrigado! Resolvi não investigar... 

Fausto Diefenbach.

CBQp 20225 - Categoria “C”

Porto Alegre, 15 de outubro de 2026.

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

242) Paraquedismo: O Salto mais Emocionante!

De fato, o salto a se perpetuar em nossas mentes foi e sempre será, o primeiro deles! Tudo é dúvida, tudo é medo e sinceramente um medo nos limites do tolerável. É comum entre os principiantes – o “manicaca” na linguagem divertida do paraquedista – é o desistir do curso após a parte teórica. Alegação: -  “Compromisso de última hora”, não consegue ir à Área de Saltos para a aula prática, o salto! O Italiano diria: - “Paura”!

No Primeiro Salto, não há a queda livre. O atleta "salta enganchado". Consiste em uma fita de sete metros com uma ponta ancorada no interior da aeronave a outra presa ao contêiner onde está dobrado o velame principal do equipamento. O atleta já lá fora da aeronave, solta-se do montante – barra metálica afixada sobre o trem de pouso – e inicia sua queda. Ao esticar aquela fita, ela arranca o velame para fora do container e pela ação do forte vento se abre. Lindo, colorido, maravilhoso sobre a cabeça! Aleluia! O equipamento funcionou e se inicia o voo de descida navegando até seu pouso próximo ao alvo, em terra firme!

A abertura se dá logo na saída com um surpreendente choque na redução abrupta na velocidade de queda e o voo se inicia aos quatro mil pés de altura. É de uma beleza indescritível com uma vista deslumbrante! A sensação de segurança é real e a saída de dentro da aeronave com a porta aberta e muito barulho do motor roncando e o vento forte. Subitamente silêncio. Um suave chiado resultado do encontro da borda de ataque do velame ao ar, é reconfortante. Paz e euforia se cruzam em nossas mentes!

Na saída, a adrenalina toma conta do nosso sistema até se soltar ao espaço vazio. A fatídica saída e se converte em endorfina a provocar incrível sensação de prazer, alegria e euforia! A paisagem privilegiadíssima se descortina aos nossos olhos. É glorioso a quem curte voar e apreciar pela minúscula janela do Boeing o lindo Mundo azul e verde deslumbrante lá debaixo. No paraquedismo inicial, é aos quatro mil pés a saída, pouco mais de um mil e trezentos metros de altura. Sim, é muito alto! Não se distingue um automóvel de um ônibus...

O delicioso voo com as mudanças de direção, são mais fáceis do que dirigir bicicleta na “segurança da terra firme”. Exercitar curvas - orientadas pelo Instrutor em terra, falando pelo alto-falante do seu capacete – torna aqueles seis a sete minutos de navegação seguros e absurdamente prazerosos!

Uma curiosidade chama atenção é dos sons captados pelos nossos ouvidos lá do alto: São os latidos e – meu primeiro salto foi ao entardecer – o cantar de galos! Nada mais se ouve, nem o ruído da rodovia lá em baixo, sejam caminhões etc. Silêncio brindado por esses sons curiosos e mágicos. Resta o suave chiado do vento pelo velame avançando (média) cinco metros para cada um metro de queda real.

A emoção toda não se encerra no pouso brando e tranquilo! São as horas na sequência absorvendo a emoção concentrada naqueles breves momentos desde a saída até o pouso. “Viaja-se” num sonho acordado, entorpecido e aos poucos a memória dá conta de tudo o que se passou e raro é o caso de ali se encerrar a aventura. O desejo de voltar a voar fica latente e ainda mais desafiador pois conhecendo todas etapas, um novo medo aparece desafiador no segundo salto. Curiosamente mais agudo, superável só quando voltamos a voar e desfrutar a  mais excitante das aventuras!

Corrigindo o título: - Abri essa Crônica a escrever o “Salto mais Emocionante”. Excitado contei do meu primeiro salto mas aguardem o realmente mais emocionante, também não foi o do acidente em 1999, tantas vezes aqui contado, mas será outro no Festival de Balonismo de Torres-RS! Aguardem  para a próxima quinta-feira. !


Fausto Diefenbach.

CBQp 20225 - Categoria “C”

Porto Alegre, 08 de outubro de 2026.