quarta-feira, 21 de outubro de 2026

 244) Escrever? Por que?

Sim, por que escrever? Ouvi essa pergunta algumas vezes e nunca pude validar convicto da razão clara na minha iniciação, se fui de fato Iniciado. Mas como tudo na vida, alguma coisa nos motiva a iniciar algo e esse é o ponto nevrálgico de minha proposta, num passado de histórias e estórias vividas e contadas. Nas estórias muitas vezes resultado de ter “lubrificando” um fato a torna-lo mais atraente, as vezes engraçado. Um dia alguém me disse: - “Escreva isso”! Assim escrevia primeira crônica!

Inicialmente e isso tem mais de vinte nos, fui ao computador e teclei tantas vezes até o momento de juntar uns dez textos, e adotei chamá-los de crônicas. Lembrando: Crônica relata fato, sem a “lubrificação”. É algo real, verdadeiro. Achei melhor adotar predominância ao humor focando momentos até constrangedores por mim vividos. Por assim ser, ao juntá-las dei o nome de “Crônicas de um RIdículo”! Assim mesmo, ênfase à primeira sílaba com o RI, sinalizando o propósito de rir, na verdade a fonte da alegria de todos é sinalizada no riso. Isso é possível – sendo escrita bem produzida – faz rir até de tragédia. Mas sem apelo ao Humor Negro, além de tétrico causa muitas vezes um mal-estar desnecessário...

Tendo em mim mesmo como personagem me senti muito à vontade para “chamá-lo” de ridículo, afinal de contas, autoacusação não gera risco de processo difamatório... Essas crônicas ficaram hibernadas no “word” por duas décadas quando meu amigo Dirceo Stona, Escritor consagrado já com três livros publicados e lançando mais um na próxima Feiras do Livros de Porto Alegre. Foi ele a me incentivar. Motivou e ainda superou minha resistência de ir a público com minhas escritas, quando por fim, com um “golpe fatal”, criou um “blog” em meu nome. Com esse vigoroso canal de comunicação, lá fui eu a publicar toda quinta-feira uma crônica de cada vez.

Foi melhorando a redação, corrigindo erros de ortografia, concordância etc... Daí ele, o Dirceo, fazia e faz o “convite” para eu enviá-los aos endereços disponíveis e assim se iniciaram, há uns sete anos atrás, essas publicações semanais... Eram umas vinte crônicas prontas. Quando encerrei depois de vinte semanas, reportei orgulhoso: “OK meu amigo, missão cumprida, todas publicadas!” Imediatamente respondeu: - “Não senhor, escreva mais uma, depois outra, te vira meu...” Vejam só, com essa de hoje, são duzentas e quarenta e quatro Crônicas!

Incansável, em 24 de novembro de 2023, foi meu Padrinho na Academia de Letras dos Municípios do Rio Grande do Sul ao me conferiram o Diploma de Acadêmico, ocupando a Honrosa Cadeira Vinte e Três. Sei, ele não gosta, mas cabe aqui uma referência e reverência com fraternais cumprimentos pela sua persistência e leal parceria me fazendo escrever e publicar crônicas! Muito obrigado Dirceo!

Como resultado disso tudo, devo relatar da importância desse hábito de escrita, pois sei de muitos “pensadores” com uma experiência enorme a trocar, a doar Conhecimento e Saber. Podem, devem colocar na escrita um algo de suas experiências de Vida ajudando, impulsionando o crescimento de alguém, ou ainda como faço, se divertindo um pouco através dessas “mal traçadas linhas!”

O resultado pessoal é fantástico. Lembrar de acontecimentos passados força num exercício exuberante de busca na memória. O cérebro responde com incrível fidelidade trazendo de um passado de longo alcance a colocar no presente perpetuado no papel! Fatos de mais de Meio Século vem à mente com uma imensa riqueza de detalhes e posso afirmar, surpreende sobremaneira! Daí minha entusiasmada recomendação aos que leem minhas Crônicas: Escrevam! Sem preocupação de superar Machado de Assis ou outra Autoridade da Escrita! Apenas escrevam – e escondam se não houver coragem de publicar, essa virá impulsionada por algum amigo generoso e sintam o prazer do refrescamento da memória a valer a pena, eu garanto! Encerro aproveitando uma “chamada” de outro velho amigo, o Fernando Zanini: - “Aquele que não sabe contar sua história, não merece tê-la vivido. Aquele que não tem história para contar, não merece ter nascido”!


Fausto Marchiori Diefenbach.

Cadeira 23.

Porto Alegre, 22 de outubro de 2026 

 

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

 243) Paraquedismo, agora sim: O MAIS Emocionante!


O meu conhecido entusiasmo ao paraquedismo veio desde o primeiro salto em meados de 1995 aqui registrado na última quinta-feira, somado a tantas histórias de aventuras e fortes emoções vividas nesse fascinante esporte, de elite eu sei, pois, cada salto envolve um custo razoável desde o investimento inicial em um equipamento completo, próximo aos cinco mil dólares americanos, mais o valor pago a cada decolagem como despesa de “passagem de ida aos altos céus!" O retorno, é um voo sem custo adicional e como já escrevi, é bem rápido, de até 250km por hora! Mas faz valer toda a ritualística, garanto!

Já abandonei o esporte por razões práticas e financeiras. Na prática foi ao perder o ritmo de saltar que era de pelo menos uma vez por semana e ao acidentar – paraquedas no Estádio Olímpico – interrompi por razões de recuperação física por três anos, consequentemente ausente do aeródromo de Sapiranga-RS para saltar. Na sequência, se foi a parceria com os amigos mais próximos no esporte. Com a desistência de alguns daqueles amigos, abandonei também. Hoje, ao ouvir o ronco de um Cessna, ainda sinto emocionada aceleração cardíaca...

Esse salto a contar agora, foi o quinto e último durante o Festival de Balonismo em Torres. Com quatro colegas convidados para saltos de demonstração, aquele belo domingo ensolarado de poucas nuvens e céu azul, marcou muito aquele domingo! Esse era da minha a responsabilidade como “Mestre de Salto” e nessa posição, a hierarquia a bordo pertence a esse paraquedista, ficando inclusive o Piloto à suas ordens de rota, altura e o Ponto de Saída, o “PS”, a ser feito sobre o alvo na área de pouso.

Próximo a esse ponto, abre-se a porta afixando-a acima numa presilha contra a asa e com a identificação clara, precisa do PS, dá-se a ordem de corte na rotação do motor e se faz o lançamento dos paraquedistas, sendo o Mestre de Salto o último a sair. Éramos cinco, com duas passadas sobre o alvo no mesmo voo. Dois lançamentos na primeira, mais uma rota de trezentos e sessenta graus e saída dos últimos e a aeronave toma seu rumo.

Entretanto nesse momento, do segundo lançamento, o piloto errou o retorno ficando distante do PS. Ordem de nova circunferência. Com óbvio acréscimo no gasto em combustível provocou no piloto muita contrariedade. Também me estressei. Foi minha vez de cometer o erro ao deixar a porta aberta suspensa na asa durante todo aquela nova volta! Com a forte vibração natural em voo, rompeu-se a porta ao meio com seu pedaço maior sair perigosamente batendo contra a carenagem do avião num barulho apavorante! Começou com um susto horroroso a todos! Bem maior foi do Piloto, pois os paraquedistas estariam “voando fora” e ele seguir seu voo!

O jovem piloto gritava desesperado, pois ficaria a bordo até seu pouso, sabe-se lá como... A porta poderia ter atingido e danificado o profundor da aeronave, aquela parte onde fica a “asa traseira” com o leme do avião. Lancei rápido o último colega e fiquei com o piloto. Assegurei convicto: Vou lá fora verificar os "estragos e já volto" ... Ele muito assustado, pálido concordou só com um aceno da cabeça! Fui...

Inesquecível – ao lembrar, sudorese nas mãos - a maior de todas emoções vividas em mais de trezentos saltos! Lá fui eu porta fora do avião em pleno voo a quatro mil pés de altura, me segurando com as unhas nas raras saliências e entrâncias da carenagem, até ter uma visão razoável dos componentes do profundor. "Pareceram inteiros"! Opinião de um neófito mas única disponível naquele momento dramático, voltei para dentro da aeronave, afirmei estar tudo inteiro, aceita pelo Piloto então dei um ”tchauzinho” e voei porta afora... Soube na sequência ter pousado bem no seu aeroporto de destino. Com ele, nunca mais me encontrei! Acho ter ficado bem obrigado! Resolvi não investigar... 

Fausto Diefenbach.

CBQp 20225 - Categoria “C”

Porto Alegre, 15 de outubro de 2026.

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

242) Paraquedismo: O Salto mais Emocionante!

De fato, o salto a se perpetuar em nossas mentes foi e sempre será, o primeiro deles! Tudo é dúvida, tudo é medo e sinceramente um medo nos limites do tolerável. É comum entre os principiantes – o “manicaca” na linguagem divertida do paraquedista – é o desistir do curso após a parte teórica. Alegação: -  “Compromisso de última hora”, não consegue ir à Área de Saltos para a aula prática, o salto! O Italiano diria: - “Paura”!

No Primeiro Salto, não há a queda livre. O atleta "salta enganchado". Consiste em uma fita de sete metros com uma ponta ancorada no interior da aeronave a outra presa ao contêiner onde está dobrado o velame principal do equipamento. O atleta já lá fora da aeronave, solta-se do montante – barra metálica afixada sobre o trem de pouso – e inicia sua queda. Ao esticar aquela fita, ela arranca o velame para fora do container e pela ação do forte vento se abre. Lindo, colorido, maravilhoso sobre a cabeça! Aleluia! O equipamento funcionou e se inicia o voo de descida navegando até seu pouso próximo ao alvo, em terra firme!

A abertura se dá logo na saída com um surpreendente choque na redução abrupta na velocidade de queda e o voo se inicia aos quatro mil pés de altura. É de uma beleza indescritível com uma vista deslumbrante! A sensação de segurança é real e a saída de dentro da aeronave com a porta aberta e muito barulho do motor roncando e o vento forte. Subitamente silêncio. Um suave chiado resultado do encontro da borda de ataque do velame ao ar, é reconfortante. Paz e euforia se cruzam em nossas mentes!

Na saída, a adrenalina toma conta do nosso sistema até se soltar ao espaço vazio. A fatídica saída e se converte em endorfina a provocar incrível sensação de prazer, alegria e euforia! A paisagem privilegiadíssima se descortina aos nossos olhos. É glorioso a quem curte voar e apreciar pela minúscula janela do Boeing o lindo Mundo azul e verde deslumbrante lá debaixo. No paraquedismo inicial, é aos quatro mil pés a saída, pouco mais de um mil e trezentos metros de altura. Sim, é muito alto! Não se distingue um automóvel de um ônibus...

O delicioso voo com as mudanças de direção, são mais fáceis do que dirigir bicicleta na “segurança da terra firme”. Exercitar curvas - orientadas pelo Instrutor em terra, falando pelo alto-falante do seu capacete – torna aqueles seis a sete minutos de navegação seguros e absurdamente prazerosos!

Uma curiosidade chama atenção é dos sons captados pelos nossos ouvidos lá do alto: São os latidos e – meu primeiro salto foi ao entardecer – o cantar de galos! Nada mais se ouve, nem o ruído da rodovia lá em baixo, sejam caminhões etc. Silêncio brindado por esses sons curiosos e mágicos. Resta o suave chiado do vento pelo velame avançando (média) cinco metros para cada um metro de queda real.

A emoção toda não se encerra no pouso brando e tranquilo! São as horas na sequência absorvendo a emoção concentrada naqueles breves momentos desde a saída até o pouso. “Viaja-se” num sonho acordado, entorpecido e aos poucos a memória dá conta de tudo o que se passou e raro é o caso de ali se encerrar a aventura. O desejo de voltar a voar fica latente e ainda mais desafiador pois conhecendo todas etapas, um novo medo aparece desafiador no segundo salto. Curiosamente mais agudo, superável só quando voltamos a voar e desfrutar a  mais excitante das aventuras!

Corrigindo o título: - Abri essa Crônica a escrever o “Salto mais Emocionante”. Excitado contei do meu primeiro salto mas aguardem o realmente mais emocionante, também não foi o do acidente em 1999, tantas vezes aqui contado, mas será outro no Festival de Balonismo de Torres-RS! Aguardem  para a próxima quinta-feira. !


Fausto Diefenbach.

CBQp 20225 - Categoria “C”

Porto Alegre, 08 de outubro de 2026. 

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

 241) “Gasshuku” no Equador!

É, antes de qualquer coisa devo informar desse tal de Gasshuku (idioma japonês): - Trata-se de um retiro, acampamento ou acantonamento de treino intensivo em imersão, onde praticantes de artes marciais se reúnem para treino e convívio sob o mesmo teto por um determinado período, orientados por um Mestre no assunto dominante.

Primeiro a lembrar de como e a razão desta minha participação, tão longe de casa. Numa época de querer gastar pouco dinheiro, aproveitei milhas de uma cia. aérea existente na época, a saudosa VARIG, fui com ela até Lima, no Peru. De avião era o mais próximo disponível naqueles dias. Dali, tomei um confortável ônibus leito - fabricação brasileira, Marcopolo – e por vinte e quatro horas viajei mil e quinhentos quilômetros na famosa Travessia Pan-americana. Nesse trecho árido de uma rodovia em linha reta o tempo todo, só não se torna enfadonho por terem filmes disponíveis e ainda, ver o quão diferente é o Oeste da nossa América do Sul, Região do Oceano Pacífico.

Algumas vilas de profunda pobreza se passa ao longo dessa viagem. Percebe-se aproximação, pela mudança do visual multicolorido da paisagem. Nada romântico, aridez sem uma planta sequer, nada de árvores, aspecto desértico o tempo todo e subitamente esse colorido surpreendente, mas lamentavelmente resultado de milhões de “pets” espalhados ao nada. Lixo de garrafas plásticas em quantidade inimaginável. Ao cruzar propriamente a vila, antecede uma imensa montanha desse descarte todo, por óbvio se espalha por quilômetros pela ação do vento constante. Paisagem triste, desconcertante, mas real e sem perspectiva de melhorias dado a visível castigada pobreza reinante.

Voltamos ao Gasshuku: - Foi em 2004 a convite do Mestre Takeo Suzuki – Orientador - vindo de Tóquio, para  em Guayaquil, no Equador a participar do Encontro realizado na Região Montanhosa de Montalvo. Evento muito bem organizado pelo dedicado Professor local, Raúl Aveiga, em um preservado Mosteiro em meio a uma autêntica selva tropical, mas com conforto de ótimas instalações, bem adequadas aos fins daquele Encontro, onde por base foi a prática do Karatê somado a momentos de Meditação – Zazen – do Zen Budista.

Durante três dias inteiros e intensos se pratica o karatê no Estilo Wadô-Ryu – estilo genuinamente japonês – onde o aperfeiçoamento das técnicas é exaustivamente praticado concentrando na luta contra o grande inimigo: - O próprio Ego! Segundo a linha de orientação do Mestre Suzuki, não se trata de um estilo esportivo, de competição e sim de autodomínio. Embora ainda nesse Estilo, são muitos os campeonatos ativos em todo o mundo.

O resultado na participação de um encontro dessa magnitude é simplesmente fantástico, a exaustão física leva ao aperfeiçoamento técnico do karatê e a elevação intelectual é um fato. São duas práticas milenares vindas do Oriente, cuja Sabedoria inunda nossas mentes de conhecimento nos tornado melhores em todo o sentido. A capacidade de atingir um relaxamento físico na sequência é fantástica, real! Claro a “dor no corpo” por algum excesso é real, mas amplamente compensado pelo Estado de Espírito alcançado.

De volta para casa com saudades da cama e do travesseiro, mas com a mente em inenarrável paz, mais uma rica e efetiva restituição do bom sono! 

 

Fausto Diefenbach

Primeiro Dan

Porto Alegre, 01 de outubro de 2026 

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

240) E o Misterioso Espelho Sumiu do Estádio Olímpico!


Milagres acontecem, fenômenos extraterrenos e espíritas também. Pois tomei conhecimento de um desses acontecimentos a nos levar a profunda meditação e tentativa de entendimento da frase do Dramaturgo Inglês William Shakespeare, dita na Peça Hamlet, a qual se encaixa perfeitamente nessa curiosa situação: “Há muita coisa entre o Céu e a Terra, que nossa vã filosofia não entende!”

O espelho: - Vamos ao caminho histórico de uma relíquia, alvo desse mistério não desvendado totalmente: - Dr. Fernando Kroef, Patrono do Grêmio, ofereceu ao Clube em seu aniversário de 15 de setembro de 1952 um imenso espelho de cristal caprichosamente emoldurado em madeira de lei, com um colossal tamanho de seus quatro metros de altura por uns dois de largura.

Essa joia, decoração primorosa do mais puro e elevado bom gosto, ficou exposta no Salão Nobre do Grêmio no Estádio Olímpico, por mais de meio Século a encantar os visitantes daquele elegante e seleto local. Um presente de tamanha magnitude tomou vida e apreciação em tempo superior até ao próprio Estádio de estrutura em aço e cimento. Tornou-se uma Arte, eterno aos olhos de quem um dia o avistou e admirou!

Na segunda década dos anos dois mil, o Estádio Olímpico sucumbiu com o surgimento e construção da Majestosa Arena, local evidentemente apropriado aos novos tempos e merecedor da nova casa ao reverenciado presente do Dr. Fernando Kroef! Uma peça exuberante de colossal tamanho e peso, exigia apurada técnica profissional e segura para seu transporte, afinal de contas, são doze quilômetros e meio entre um bairro e outro. Era seu novo local de destino e devia estar presente na inauguração da Arena em oito de dezembro de dois mil e doze. Tudo bem planejado e definido a coroar sua devida importância sentimental e material! 

Equipamentos, técnicos e veículo contratados com profissional planejamento e na data estabelecida com esmerada dedicação, lá se foi a equipe executar o delicado transporte. Em lá chegando o espelho tinha simplesmente SUMIDO! Desapareceu do local onde se exibia por sessenta anos! Mistério absoluto, ninguém viu, nem sabe como aconteceu com aquela joia tão reverenciada e apreciada.

Investigação por anos sem a menor pista do destino desse tesouro. Angústia e perplexidade atingiu do primeiro ao mais alto escalão do Clube cuja indignação castigava tanto os Corações Tricolores!

Num dia qualquer, numa dessas mensagens comuns das redes sociais (Ah! Essas redes sociais!), aparece uma foto de aniversário de uma menina, num salão de festas de um condomínio do Litoral Norte do RS.  Ao fundo, lá está aquele exuberante espelho! Bingo!

A Mesa do Conselho Deliberativo entra em ação: - Nada “policialesco”. Como Sherlock Holmes de afiada perspicácia e dedicação descobriram o curioso destino e chegaram ao endereço!

Muito bem recebidos pelo síndico, a devolução aconteceu na mais perfeita relação de cordialidade e justiça! O famoso espelho foi finalmente encaminhado ao seu justo e merecido destino. Agora, lá está ele postado no Auditório do Conselho Deliberativo. Como um “idoso”, apoiado em um cavalete de madeira inclinado, pois sua altura ficou além do pé-direito do local, para o júbilo e alegria de todos os apreciadores de valiosas e espetaculares raridades!

Belíssimo e merecido presente ao Grêmio, a comemorar seus cento e vinte e três anos de fundação! Parabéns persistentes, gloriosos e dedicados envolvidos em tamanha investigação e resgate!

 

Fausto Diefenbach

Conselheiro

Porto Alegre, 24 de setembro de 2026.  

terça-feira, 15 de setembro de 2026

 239) As Apaixonadas Tradições Gaúchas!

De fato, o Povo do Rio Grande do Sul é apaixonado e orgulhoso de suas tradições. São muitas as nossas razões, mas evidentemente com alguns exageros bairristas a exceder o bom senso a se fazer alvo para brincadeiras de outras Regiões e gozações as vezes também sem medida. Como dizia um velho e hábil político: “Falem mal, mas falem de mim”. Concluímos com uma convivência pacífica com todas brincadeiras!

Nosso Território é geograficamente posicionado no extremo Sul, vizinho de único Estado Brasileiro, o de Santa Catarina e fronteiriço com dois Países, Argentina e Uruguai, mais uma “quase fronteira” com Paraguai. Pois foi precisamente em guerra com esse Paraguai nossa maior luta para permanecermos Brasil, fiéis à Coroa de Dom Pedro II. Como todo o sofrimento, uma guerra fortalece os sentimentos de cidadania e pertencimento! Brasileiro então por opção, com luta feroz de espada e sangue, nos desenvolveu forte sentimento e dose de orgulho com gloriosa vitória! Sem muita modéstia, incluímos em nosso Hino o “Sirvam nossas façanhas de modelo à toda Terra”!

Orgulhoso, marrento – como dizem os cariocas – temos uma relação de carinho com todo o País, deixamos marcas indeléveis do nosso folclore em cada cidade onde o espírito desbravador do Gaúcho coloca sua bandeira: Elas são os “CTG’s”! Conheci alguns Galpões – nome dado às suas rústicas sedes – e por lá exultando sua Cultura através da música, dança, culinária, indumentária, enfim, marcando sua missão maior através do “Centro de Tradições Gaúchas”!

O Gaúcho tem coragem até de celebrar no Vinte de Setembro um dos mais tristes episódios de nossa História, quando da “Revolução Farroupilha”. Foi através do Nobre General Bento Gonçalves (*) muito de nosso sangue derramado na tentativa de isolamento ao resto do País criando uma nova Pátria a ser governada como República Piratini! Foi uma guerra em busca de libertação de pesada carga tributária imposta pela Coroa. E se aqui eu fosse descrever de forma completa e rica, exigiria muito mais de um livro, e esses, já são muitos os publicados e disponíveis pelas bibliotecas do Mundo inteiro...

Em Porto Alegre e muitas outras cidades no Estado, nesses dias a anteceder aquela fatídica data, são montadas pequenas “Cidades Gaudérias”! Na Capital, é no Parque Harmonia onde são dezenas de Gaúchos, Empresas Gaúchas e muitas Instituições a montar seus “Piquetes” com rústicos galpões de madeira em costaneiras ali montadas onde ficam “pilchados” (**) de plantão os seus leais Peões até a Magna Data, o Vinte de Setembro! Tudo isso acontece numa celebração gastronômica de dar inveja e bem aproveitadas por todo o visitante! Seus churrascos com costela de doze horas e carreteiros são os pratos mais disputados e há muito mais em seus maravilhosos cardápios.

Essa semana estive com a “patroa” visitando o Recanto do Pafúncio, onde a costela espetacular, de doze horas assada pelo tempo indicado no seu título, vale a pena! Seu sabor é adquirido nesse paciencioso tempo de fogo lento com fumaça, preferencialmente de lenhaque a torna uma iguaria difícil de descrever e audaciosamente me dou o direito de chamá-lo o Rei dos Churrascos! Deve ser experimentado e é lá no Parque Harmonia, pois raramente um restaurante se dispõe a um assado tão caprichoso e tão demorado!

O título de "Gaúcho" não é exclusividade nossa, é também usado no Uruguai e Argentina, identificando o homem ligado às lides campeiras. São os “peões” os operadores profissionais a cuidar do gado em suas pastagens e seu necessário engorde, bem como do rígido controle vacinal, banho a eliminar eventuais pragas a ameaçar a saúde do animal. A marcação –  registro de propriedade - mais a cruel, mas absolutamente necessária castração dos machos, é tarefa deles. Sem castrar o boi, ele se torna um touro, territorialista e um feroz animal de impossível convívio com outros animais no mesmo campo, no mesmo rebanho.

É na fazenda a morada definitiva dos verdadeiros Gaúchos. Uma sede, a fazenda é composta pela casa do patrão – o dono de tudo – e nas cercanias da casa principal, um rústico galpão onde vivem os trabalhadores, os Gaúchos. Vida simples, mas não há solidão dado a fraternidade tradicional entre os eles. Daí a Tradição Gaúcha fazer precisamente do galpão seu Templo Gauchesco, palco de um estilo de Vida e permanente celebração a um passado já um tanto distante, mas jamais olvidado!


(*) Bento Gonçalves, estancieiro e político brasileiro líder na Revolução Farroupilha, tinha o posto de Coronel de Estado-Maior do Império do Brasil em 1829.

(**) Pilchado: Vestido a caráter com a pilcha: - Homens: Bombacha, camisa, lenço, guaiaca (cinto lago com bolsas) chapéu e botas!


Fausto Diefenbach. 

Porto Alegre, 17/set/2026.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

 238) E a Culinária de Acampamento?!

Fui iniciado na Rústica Culinária de Acampamento, no meio da ilha do Rio Jaguari, enquanto ainda adolescente, despertei uma verdadeira paixão por aquele prato, ou melhor, por aquela panela de ferro assentada sobre uma trempe também de ferro, mais uma "cambona" de água fervente, sob o fogo de lenha colhida ao redor do rudimentar acampamento na areia, cercado por árvores nativas com predominância ao “Salso Chorão” de sombra rala, mas acolhedora.

Local absolutamente sem recursos de conforto ou tecnologia, apetrechos como uma mesa, sequer cadeiras. Juntávamos uma molecada de uns quatro a cinco guris ao redor daquele “prato único”, onde por raríssimas vezes se tratava do tão desejado arroz com galinha. Raro porque a matéria prima – a galinha – não tínhamos acesso fácil, a menos de contarmos com algum corajoso piá do grupo a se dispor ao furto de uma "penosa viva", certamente de seus próprios pais... Caso contrário, e sempre era um “caso contrário”, recorríamos a carne de gado, carne de porco cortado em pequenos cubos e linguiça.

No Verão, frequentávamos aquela ilhar todos os dias, onde tinha o banho mais maravilhoso em águas claras de temperatura reconfortadora. Geralmente a alternativa declinava do caprichado arroz na panela, para simples espigas de milho verde assadas diretamente na brasa. O sabor e cheiro dessa maravilha, se irradiava por toda ilha – onde se juntavam centenas de Jaguarienses ao banho no rio – causando inveja declarada daquele lanche ao meio tarde. Cabe aqui sinceras, talvez tardias desculpas ao dono da lavoura de milho situada na outra margem do rio, um gentil agricultor a nos ceder involuntariamente a matéria prima daquela delícia suprema, as espigas de milho verde!

Passado o Verão, não frequentávamos mais a Ilha, por razões óbvias. A salvação estava por conta do galpão garagem da minha casa. Não tinha luz elétrica, os trabalhos eram iluminados por um lampião a querosene, exalando seu tradicional cheiro, mas sem afetar o apetite de ninguém. “Chão batido” onde se estacionavam uma Ford F1 e um caminhãozinho Opel, eu tirava-os para fora e reeditávamos o fogo de chão da ilha. Isso garantia espaço protegido para o resto do ano. Nem a chuva nos impedia... Muito antes pelo contrário, o barulho da chuva em um forro de zinco, tornava o recinto único!

No entanto, a dificuldade financeira não se abrandava, até mesmo para as alternativas de “exclusão galinácea” já citadas. Mas como é de conhecimento de todos, é justamente a dificuldade a desenvolver criatividade, qual seja para essa dolorosa situação? A milagrosa e barata salsicha! Lembro, nessa época havia da indústria uma lata maior com quinhentos gramas. Perfeito! Apesar de ser a alternativa mais barata disponível na Época, não era tão fácil como o de apenas pegar na prateleira ou do armário de casa de algum dos nossos leais – sempre os mesmos – comensais!

A alternativa de custo acessível, não encontrava resistência econômico financeira suficiente, graças a ter no grupo o Gordo, Luiz Emílio. Ele fazia visita estratégica ao armazém onde seu pai era sócio e obtinha, nem imagino como, uma dessas preciosas embalagens trazendo – curiosamente às escondidas – uma lata para elaboração do requintado jantar!

Tudo resolvido! Os jantares do arroz com salsicha não se deixavam espaçar por muito tempo, e como era bom, gostoso demais! A frequência, dependia da atitude do motivador dos encontros: Luiz Fernando> Vinha a mim e questionava:

- “Está na hora de fazeres um arroz com qualquer coisa!”

A solução era imediata, quase espontânea: - O "arroz com qualquer coisa" era disparado ao acionar o Gordo a nos disponibilizar a salsicha! E tudo se resolvia. Na sequência o Cauby solucionando a parte líquida do jantar. Como a dificuldade na “capacidade de compra” era a mesma, essa muitas vezes se resumia ao litrão de Pepsi ou até mesmo uma jarra de limonada! Como a prioridade era o da panela de ferro cheia, era só agradecimentos!

Até hoje com alguma frequência, mais espaçada daquela época, faço para eu e Elaine aquele tradicional arroz com salsicha. Na primeira garfada a volta ao passado de meio Século é instantânea, maravilhosa! Fechando os olhos, me sinto na ilha. Vem à mente o ruído da água do rio na cachoeira com nitidez! Até o cheiro da fumaça! Isso tudo me reforça a convicção de quão bom é lembrar dos bons momentos do passado. Traz felicidade de volta, mesmo por alguns momentos, afinal de contas, a Vida é construída por momentos e ao elevar nossos pensamentos, as ações de hoje, nos retorna a esses maravilhosos encontros com a felicidade da Juventude, com muita alegria!

 

Porto Alegre, 10/set/2026.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

 237) Prossigo e Encerro o "Vocabulário Gauchesco"!

Sem querer abusar de outras Regiões do Brasil, mas pelos caminhos por mim já trilhados, tudo indica, é o Rio Grande do Sul o Estado com maior volume de gírias e vocabulário diferenciado. Um pouco herança do Prata, onde influência desde o Paraguai, Uruguai e Argentina moldam nosso linguajar as vezes campeiro, outras agrestes e muitas vezes considerada agressiva, provocante, briguenta...

Por aqui, muitas palavras foram inseridas no vocabulário através de músicas do folclore e graças a alguns cantores, atravessou o rio Mampituba (*) e subiu ao País inteiro. Não é exagero, há coisa de meio século, tivemos no Teixeirinha, um músico, cantor e compositor atingindo sucesso absurdo nas rádios e teatros onde se apresentou. Até difícil entender o tamanho do sucesso. Há indicativo de ter vendido a marca acima de cento e vinte milhões de discos! Surreal para músicas tão simples, pueris! Talvez até pela simplicidade de seus versos cantados, identificava e aproximava as pessoas mais simples, de que nosso País é ricamente habitado!

Quando escrevi sobre o termo “tchê”, na última Crônica, expliquei da equivalência a “cara” ou você, servindo para iniciar uma frase com ênfase. Pois foram muitos a ler e a me lembrar da chamada para uma exclamação tipicamente nossa: “Mas BAH!” Essa muito bem lembrada, eu também uso de forma automática sem ao menos me dar conta da exclusividade do linguajar gaudério (estilo de conversa própria aos Homens do Campo, fortemente adaptado ao linguajar alvo dessa Crônica) e faço uso no meu dia-a-dia com muita frequência e das vezes em que fiz, fora das minhas Fronteiras Nativas, me dando conta, traduzi, confesso com um bom grau de cábula real!  

Então vamos à tradução do BAH: - Interjeição típica do Rio Grande do Sul, usada para demonstrar surpresa, espanto, admiração ou até incredulidade! Trata-se de uma provável abreviação da palavra barbaridade! Entendimento simples, afinal de cotas se trata, como afirmei, de uma abreviação também muito comum em diversas palavras entre nós, os gaúchos! Já não tenho recursos intelectuais suficientes para explicar o “mas” antecedendo o BAH! Afinal de contas, aparece presentemente em colóquio normal, como uma simples palavra, mas visivelmente inadequada, entretanto no vocabulário regional, tudo se explica, talvez, como diria Caetano Veloso, “se explica, ou não! ”

Hoje inicialmente chamei ao meu Estado, seu uso abundante de um vocabulário seu, exclusivo. Entretanto, basta ler ou ouvir, vindo especialmente do Nordeste uma riqueza fantástica de outros termos não incluídos no VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa), mas divertido o suficiente para validar uma comunicação eficiente.

No Livro “Jubiabá” de Jorge Amado, há uma fonte inesgotável de termos próprios da Região, mas pela Arte do bem escrever do Autor, se faz entender facilmente! É “Jagunço, Sinhá, cabrocha” e por aí vai! Com uma habilidade ímpar, dá um colorido especial aos seus romanceados contos! O importante é ele, Jorge Amado, não abusa de suas gírias, afinal de contas ao contrário de ser lido unicamente no Nordeste, é lido e conhecido no País inteiro como fora do Brasil!

Voltando ao “Gauchês”: É muito amplo para expor em apenas algumas crônicas, então como conclusão não deixo de lado nossos principais xingamentos, adequados para discussões entre “guris”, mas com expressões populares que misturam linguagens rurais, bom humor e influências hispânicas a funcionar mais como broncas a ofensas pesadas. Aí vem o “chinelão, Jaguara, boca aberta, e mais alguns milhares...

Até para elogiar as virtudes e beleza de uma Mulher Gaúcha, tem termo próprio com carinho tratando-a como companheira linda, com o elogio máximo: Prenda!


Porto Alegre, 03 de setembro de 2026.

(*) Rio Mampituba, faz a Divisa entre o Estado do Rio Grande do Sul comSanta Catarina!

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

 236) Por que o Gaúcho fala “TCHÊ?

Nasci no Interior do Rio Grande do Sul – Jaguari – onde vivi até meus vinte anos, para então buscar a Capital, Porto Alegre na busca de mais estudos, um curso Superior, a sonhada Faculdade. Minha mãe me pressionava afirmando com todas letras e a mais profunda convicção de estar o sucesso profissional, de qualquer pessoa, como resultado da dedicação à evolução do conhecimento, em outras palavras, estudar. Ela tinha uma profunda dor de seus Pais terem negado essa hipótese de ir à Escola, se já estava alfabetizado. Foi assim firme comigo e meus três irmãos e a única irmã, a Eleonora. E foi precisamente ela, a irmã, a que foi mais longe: - Odontologia e um Mestrado de dois anos em Histologia e Embriologia no Rio de Janeiro!

Também rodei bastante. Faculdade de Administração, Economia mais um pós-graduação em Marketing e Mestrando em Educação. Essa preparação me deu oportunidade a trabalhar como Instrutor na IBM do Rio de Janeiro por três anos.

Aqui começa a briga de sotaque no meu linguajar chulo. Mesmo muito ocupado em tentar manter uma dicção neutra e mais bem articulada possível, o escorregão às origens era inevitável! Ah! Era muito chato na medida em que era abruptamente interrompido por algum participante, a se deixar levar por um “ruído” nesse meu linguajar. De “doce lembrança”, um aluno a perguntar com um bom grau de jocosidade:

- És gaúcho? Sabes daquela piada em que um gaúcho foi...”

Pronto! Desmoronava toda a linha de raciocínio e segurança. Derretia a matéria em desenvolvimento! Tinha de interromper a sequência da aula para receber educadamente a piadinha. Bem. Na verdade, ao passar do tempo e a repetição daquele padrão de interrupção, algo corroeu a paciência e gerou uma dose oxidante de mau humor e a resposta foi: - Sim, conheço. Podes conta-la, só me perdoa se não rir, pois já ouvi por pelo menos cem vezes! O “deixa para lá” era imediato, assegurando contar outra hora...

Por óbvio o fato se alastrou – lógico, profissionalmente muito pegou mal – mas o conceito se espalhou de o “gaúcho é meio nervoso”, e curiosamente nunca mais se ofereceram o brinde com tal graciosa piada...

O silêncio a tais detalhes e interrupções me trouxe muita paz por um lado, mas de aguçada atenção para me cuidar com termos a provocar no meu público tal tipo de curiosidade. Mesmo assim, jamais esquecerei um dia ao natural e involuntário, proferi em plena Sala-de-aluas um sonoro e grave “tchê”! Nossa Mãe! A casa caiu! Essas quatro letrinhas detonaram com qualquer proteção de idioma. Tragédia! Minha vida pública longe do Rio Grande do Sul acabou!

Qual nada. Ninguém percebeu. Só eu me dei conta de tamanho “escorregão de vocabulário”! Tive uma pequena crise de tosse e o calor de incêndio nas faces, certamente rosadas como uma melancia, mas ninguém dando sinal de indignação... Então, passou desapercebido por todos! Menos por mim...

Mas afinal, de onde vem essa partícula tão ameaçadora: - A expressão “tchê” é falada principalmente pelos gaúchos, os moradores do Rio Grande do Sul, no Brasil, porém também muito usada em países vizinhos da América do Sul, como na Argentina, no Uruguai e no Paraguai, onde a forma original é escrita “che”! Serve para se dirigir a alguém de maneira informal. Expressa surpresa, admiração ou inconformismo. Funciona para uma pausa natural na conversa ou ênfase para qualquer sentimento.

Há raiz Indígena onde estudo aponta ligação com termos de Povos Originários do Guarani e Quéchua, equivalendo a amigo, pessoa, gente! Também compartilha a raiz hispânica usada nas Nações jáa citadas, sendo nossa herança ainda da colonização do Prata e dos Pampas!

No futuro, talvez terei de dar conta no termo "Bah"! Então se me permitem agora, vou encerrar essa “charla” por aqui mesmo tchê!

 

Porto Alegre, 20/ago/2026.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

 233) Quantos Dentes eu Extrai Durante o Serviço Militar?

Prestei o Serviço Militar obrigatório em 1967, isso já escrevi algumas vezes nesse canal. Servi no Quarto Regimento de Cavalaria do Exército, cidade de Santiago do Boqueirão, distante quarenta e seis quilômetros da minha Terra Natal Jaguari, onde vivia até então.

Adorei, apesar de ter sido o ano com mais “trabalhos pesados” de toda minha vida, principalmente no período de Soldado. Promovido Cabo, tudo mudou e passei a curtir cada minuto da Caserna. Da solidariedade entre Soldados, da amizade comprometida e das saudáveis – nem sempre tão saudáveis – brincadeiras entre os menos espertos...

Ruim era o dia de domingo na ausência de atividade – mas pior quando de Serviço, com atividade – o dia se arrastava chato e muito longo. Não me queixo chorosamente, pois foram poucos naquele ano de não ir para casa. De Jaguari, retornava "muito bem alimentado" e com um saco de algodão branco enorme cheio de perfumadas bolachas caseiras feitas pela Eni, a querida Assistente Doméstica do meu Lar Materno!

O complicado do final de semana, foi ter nos primeiros meses expediente aos sábado pela manhã. Isso atrapalhava a fuga para casa, pois ônibus só à noite para voltar no domingo à tarde. Com a pressão na contenção de gastos, uma passagem de ônibus para um período tão curto, tornava o final de semana caro, fora dos “padrões” de um Soldado.

Era no sábado à noite a grande curtição com meus amigos a validar a pequena viagem. Junto deles e com a Família, era onde tinha reconhecimento social e local para as festas tradicionais de um recém saído da puberdade. Na cidade do Quartel eu era apenas um “milico” pobre e com rasa expressão, isto é, entre as garotas não conseguia sequer “um olhar de piedade”. Lá, eu era ninguém!  Então durante o final de semana em Santiago, não punha o nariz para fora dos muros do Quartel. A alternativa era depressão (nessa época nem se conhecia esse termo...) ou uns bons goles de cachaça com butiá e outras frutas coloridas, sempre disponível nos armários dos colegas! Às vezes tínhamos companhia de um colega “rico” com a preciosa propriedade de um rádio portátil! Alegria! Tínhamos música no alojamento!

Minha salvação para os finais de semanas com liberdade a viajar, se estabeleceu através do bom relacionamento com o Cabo assistente do Dentista do Quartel: Garantiu-me para plena alegria: - “Arranca um dente na quinta-feira, daí tu tens dois dias de dispensa!”

Acreditando na prescrição de crime, envergonhado confesso: - O tal Cabo me “arrumou” por pelo menos uns cinco finais de semana estratégicos com atestados de extração de dentes! Sem medo de ser feliz, lá estava eu em plena quinta-feira indo para casa! Melhor nem contar para ninguém. Na doce ingenuidade de um menino de dezoito anos, não me dava cona do risco de tal atitude... Meu custo adicional era voltar com um garrafão de Vinho Jaguari a presentear ao querido Cabo de tão conveniente amizade!

Minha vontade ao aceitar essa estratégia, ficava por conta de estar deprimido em uma cidade – de vida social rica – e a obrigatoriedade de uso permanente da Farda de Passeio quando fora do Quartel. Sinceramente, era feia uma barbaridade e andar pela cidade “à Paisana", absurdamente arriscado, pois havia no Quartel General um Primeiro Tenente a comandar a PE (Polícia do Exército) absurdamente rigoroso. Caçava e prendia a quem ousasse não cumprir essa Regra. Época difícil, pois os outros jovens civis a competir na “paquera”, andavam até com botinhas à moda Roberto Carlos! Então raríssimas vezes arrisquei. Quando o fiz, avistando aqueles capacetes verdes de borda branca, pânico letal!

Em oito de dezembro daquele ano, dei “Baixa” e voltei à vida civil e pasmem, com frequentes sonhos de ainda estar no Exército e confesso, com uma saudade imensa. Saudades da fraternidade, do companheirismo, da disciplina militar, onde o respeito mútuo sempre manteve sua hierarquia sólida e muito bem estruturada.

Muita coisa acontece na vida de todos nós, com alguns fatos ocasionando giros fortes nos rumos da nossa Caminhada Terrena. Hoje afirmo convicto, aconteceu de janeiro a dezembro daquele saudoso 1967 o período da mais expressiva e rica Escola de Vida da minha Existência! Repetiria feliz todos os dias, todos os passos naquela maravilhosa oportunidade de verdadeiro crescimento e maturação. Mesmo com suor e lágrimas, sofrendo aquela série de “extrações de dentes fake", eu era muito feliz!

 

Porto Alegre, 13/ago/2026.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

235) Onde Andam os Pardais?

Pois é, afinal de contas, onde andam os nossos Pardais? Em épocas não muito distantes víamos centenas desse pequeno – sete centímetros - e arisco pássaro nas ruas a ciscar nos calçamentos de paralelepípedos, a empoleirarem os fios de luz, galhos de árvores e em suas belas exibições de revoadas de grandes grupos pelos nossos ares. Eles nunca foram exclusividades do nosso Estado nem do nosso País, curiosamente se trata de um pássaro habitante de todo o Planeta.

Coitado do singelo passarinho, cedeu seu nome até para o antipático controlador eletrônico a medir velocidade e aplicar multas nas vias públicas. Seu apelido surgiu nos anos noventa pela sua aparência física das caixas cinzas nos postes. A lente redonda parecia o seu olho e ao seu comportamento silencioso e atento vigiando a todos nós! Não é, seguramente o equipamento mais amado do Brasil...

Voltamos ao pássaro: - O Pardal é uma das espécies de aves originárias da Ásia e Europa, entretanto, é muito comum encontrar eles vivendo em praticamente todas as partes do mundo. Aqui no Brasil, chegaram por volta de 1906 com o objetivo de controlar a população de insetos. Na sequência, considerado praga por reproduzir muito rapidamente e competir expulsando agressivamente as aves nativas por comida e espaço.

Sua vinda para o Brasil, foi uma revolucionária iniciativa do comerciante Antônio Bento Ribeiro, com o aval e autorização direta do então Prefeito do Rio de Janeiro, Francisco Pereira Passos em 1903. A ação aconteceu para apoiar a histórica campanha de saneamento e higienização urbana liderada por Dr. Oswaldo Cruz. Com cerca de duzentos exemplares da espécie “Passer Domesticu” da família Passeridae, algumas das aves comuns no Mundo, trazidos de Portugal. O projeto previa serem essas aves exóticas, vorazes e eficientes no combate aos mosquitos transmissores de epidemias como a febre amarela e a peste bubônica então assolando a Capital Federal.

No Campo de Santana no Rio de Janeiro, foi em pomposa solenidade celebrada a soltura, constatado anos depois como um erro ecológico, pois eles, os Pardais, consomem insetos só na fase de reprodução a alimentar de seus filhotes, voltando depois a sua base alimentar através de grãos, sementes e comida orgânica. O controle falhou e a espécie invasora acabou se proliferando desordenadamente pelas cidades de todo o Brasil.

Fui provocado pelo amigo o Vedoi a buscar informações desse tipo de migração e o resultado foi nada alentador: - Não é migração. Eles estão simplesmente sumindo dos grandes centros urbanos do Mundo todo, cuja justificativa lida é devido a “falta de alimentos expostos, concorrência por outras espécies e mudanças na arquitetura urbana, pois no passado faziam seus ninhos em buracos nas rochas e a adaptação às cidades se deu em beirais de telhados de casas, entretanto hoje as casas estão sendo substituídas por prédios imensos, sem os beirais!”

Algumas respostas vêm com a liberdade das Redes Sociais de hoje, a publicar qualquer coisa, vez por outra surgem algumas loucuras, mas umas com algum crédito, a exemplo de uma opinião recente dando conta da força dos ventos, algumas fazem até cinzas vulcânicas atravessarem oceanos, e gera um curioso questionamento: - Como se posicionaria hoje a guerra entre Rússia e Croácia a gerar para todo o Planeta seus resíduo de suas bombas a afetar a população mundial com seus amaldiçoados componentes secretos matando um pouco de cada um de todos nós! 

Pareceu exagero? Mas não é. Creiam, há uma publicação recente afirmando, ter o deserto do Saara a despejar 17,7 milhões de toneladas de sua poeira sobre a Amazônia todo ano. Talvez aí, a frágil Pomba Juriti e o Pardal a pagarem sua quota! Sabe-se lá!

Dessas tantas respostas, só não aceito como verdadeira a da “concorrência por outras espécies”, pois reincidiria na pergunta inicial aumentando o sujeito da questão: Onde estão as pombas Juritis, etc.? Aí está, eu acredito, a mais cruel e chocante resposta responsabilizando naturalmente aquele animal bípede, que lhe é atribuído a capacidade de pensar, é o soberano Predador de tudo e de todos. Predador de aves, animais, peixes e vegetais. Sim, até as árvores. São muitas as árvores catalogadas em extinção. Predador até mesmo do seu próprio Semelhante! Nem preciso escrever qual bicho é. Preciso?


Porto Alegre, 06/ago/2026.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

 234) Gaúcho: -  Churrasco no Domingo, Sempre!

Para entender nosso hábito alimentar, a primeira coisa é de nos darmos conta de ser o Rio Grande do Sul Cultua historicamente de uma forte Dedicação Pecuária com Séculos de história e tradição. Tanto é verdade, a provocar na Revolução Farroupilha contestação ao Poder central na Capital, Rio de Janeiro, em função de abuso na carga tributária nas Charqueadas, fonte vigorosa de proteína animal para todo o Brasil. Essas produziam através do charque, grande parte do consumo nacional de carne de gado bovino.

Gaúcho, carnívoro ao extremo, foi desenvolvendo formas de preparo e sem dúvida foi no churrasco onde se estabeleceu o melhor prato! É tradição nas mesas dos almoços de domingo, o encontro em Família para o festejado assado com – preferencialmente – uma costela gorda na churrasqueira. Já teve picanha e outras peças, mas definitivamente é na costela a de melhor sabor e facilidade no seu preparo, pois o “Gaúcho Raiz”, praticamente sem exceção sabe “pilotar uma churrasqueira” e ao assar a tal costela, afirmo convicto: Basta cinco minutos de teoria e não tem como errar! O maior segredo, está lá no supermercado na hora de escolher a carne... Aí, se exige um especialista!!!

Aos domingos em especial, para quem mora em bairro mais residencial de Porto Alegre, o perfume exalado pelas dezenas de churrasqueiras em fogo, provoca um apetite renovado e muito especial. Muitas vezes comentei, esse cheiro a inundar nossas casas torna compulsório, até em “legítima defesa gastronômica”, de tratarmos de juntar o carvão – eu prefiro lenha – a produzir aquela brasa bem vermelha e forte, espetos na mão e fazer o melhor de todos almoços para esse dia!

Acompanhamento? Qualquer um, não falte  a cerveja, cachaça ou vinho por perto, porque depois do chimarrão, alguma bebida alcoólica merece ser degustada. Particularmente gosto de uma mandioca. Em algumas Pátrias mais distantes das nossas fronteiras, chamam de aipim, é o melhor de todos complementos. Depois vem a batata-doce, moranga, maionese salada verde e talvez – eu escrevi talvez – até arroz...

Para um evento mais “chique”, aí vem obrigatoriamente a salada verde. Exigência dos comensais mais bem-comportados e controladores de peso. Folhas, também são bem-vindas, mas nesse caso a exigência de tempero com vinagre tinto é fundamental. Ainda na presença desse padrão de convidados e sendo uma costela rica na cobertura de gordura, tudo se resolve com uma boa farinha de mandioca, pois muitos afirmam (claro que é mentira) evita de engordar, pode comer à vontade!

Depois desse almoço, já meio enjoado pelos excessos, sem jamais acusar a cerveja como principal culpada, um café traz toda a paz de espírito de volta. Nos resta esperar a digestão trabalhar um pouco, para lá pelo meio da tarde, dando preferência ao Sol de Inverno, a hora de comer algumas – não mais de umas trinta – Bergamotas! Fruta, também conhecidas em outras Praças como tangerinas! Aqui seu nome é diferente, importamos o "vergamota" do Vêneto esse bom nome italiano!

Muitas vezes os convidados vêm de longe e vão ficando... Uma olhada às sobras na “gamela”, aguardam novo destino! Estou falando no improvisado “Carreteiro” a encerrar definitivamente a comilança dominical. Quando se trata desse prato feito com charque (tipo carne de Sol), aí se trata de uma nova celebração gastronômica a merecer atenção de um jantar exclusivo! A regra para o Carreteiro de Charque, é de uma rigorosa simplicidade: Charque, arroz e ponto final! Eu faço – mesmo escondido – com preparação de tomate e cebola! Saio um pouco da regra básica mas fica muito bom. É tipo de um prato único, mas se alguém tiver a boa vontade de fatiar um repolho bem fininho, eu aprecio muito sem abrir mão daquele mesmo vinagre tinto, sal, pimenta preta moída na hora e azeite de oliva.

Não me perguntem se há sobremesa. Não sei fazer tampouco tento fazer. Doces não estão na minha área de labor culinário, mas... A tradição reserva espaço para um sagu com creme, um pudim de leite condensado e a trabalhosa ambrosia! Dispenso a todos, mas “tendo”, como com entusiasmo infantil!

Ah! Não vamos esquecer: - Toda costela ou qualquer rejeito do churrasco, depois de aproveitado naquelas peças para o carreteiro de encerramento, guarde-os, porque sempre tem um amigo dono de um cachorro a finalizá-los. Creiam-me, isso solidifica a terna amizade com aquele animal considerado o “melhor amigo do Homem”! Cachorro adora roer uma costela!

  

Porto Alegre,30 /jul/2026.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

 232) Liderança, Influência &Poder.

Liderança, Influência e Poder. Eis um tema desafiador a qualificar a tantas responsabilidades assumidas durante toda nossa vida. Atividades profissionais, sociais, de amigos ou em Família! Não há uma regra simples, orientadora, apesar de tantos livros já escritos sobre o assunto. Mas são eles, os Livros a nos dar uma perspectiva com visão dos caminhos menos espinhosos a percorrer nessa exigente atividade.

Livros: “O Príncipe” (1513) e “Os Pensadores” de Maquiavel, mais o “Arte da Guerra” de Sun Tzu são de uma riqueza fantástica na abordagem da Arte de Liderar. Esses trazem exemplos claros de como agir em momentos de pressão, necessidade de assumir posições claras. Todas com o provocante desgaste natural de um fardo pesado e desconfortável na área de liderar, gerenciar e o de ser Papai/Mamãe.

Óbvio, mandar fazer é muito mais fácil ao motivar a fazer e é aí onde reside a diferença brutal entre elas quando se mede o resultado de cada uma. Quando o poder de uma autoridade é claro, tudo se define numa hierarquia estabelecida com regra aceita pelos liderados, mas nem sempre isso acontece, daí a gerar reações contrárias e o “cortar cabeças” se impõe necessário. No segundo livro, já citado de Sun Tzu, o medo eleva significativamente o poder do líder, enquanto o amor, pouco adiciona. Está lá, escrito no livro dele...

Entretanto, sempre tem algum reparo. Uma das melhores experiências já por mim vividas, me pegou num período com pouca experiência, melhor, com zero experiência – quesito muito vivo em qualquer responsabilidade – ainda muito jovem, recém-chegado aos dezoito anos de idade durante o Serviço Militar, um fato chegando às raias do hilário:

- Fui Cabo no Exército, ano de 1967, época de grande respeito à Instituição e reconhecida como a melhor linha de respeito hierárquico. Havia uma forte carência de recursos humanos em todas áreas. No Quarto Regimento de Cavalaria, onde eu cumpria o Serviço, o Comandante era um Tenente Coronel, quando deveria ser um Coronel e assim a maioria dos Postos eram responsabilizados.

Nesse formato, mesmo sendo Cabo, num determinado dia na Escala de Serviço, ocupei a responsabilidade do “Sargento da Guarda”. Uma das tarefas, era o de conduzir o Serviço da Guarda ao Rancho nos horários previstos. Para o almoço nesse dia, os Soldados da Guarda em Ordem Unida cercavam os Praças que cumpriam prisão. A formação compunha com os apenados ao centro, cercados pelos Soldados em Serviço, obrigatoriamente “marchando” em compasso ditado pelo Sargento da Guarda, eu no caso...

O percurso era algo de uns seiscentos metros da Guarda ao Rancho e por óbvio a totalidade dos apenados, meninos como eu, cumpriam castigo por Indisciplina Militar, previsto na Quarta parte, Justiça & Disciplina... Um dos apenados fora condenado por deserção, na nossa visão à época, a pior das infrações!

Pois foi esse Soldado quem me deu a “melhor das lições”: O pelotão todo marchava em concentrado e orgulhoso ritmo como se estivessem indo para a Guerra! Ele, somente ele, caminhava numa displicência de dar inveja a um carnavalesco de ressaca voltando para casa na Quarta-feira de Cinzas! Era só preguiça, arrastava os coturnos na maior sonolência de desafiadora má vontade! Olhando para as nuvens e assobiando alguma música, talvez alguma rancheira do Teixerinha!

Pois foi quando o “Cabo Fausto” num exacerbado e rigoroso comando de ALTO, fez parar aquele pelotão de uns vinte guerreiros, com um forte estalar de suas esporas em uma rigorosa Posição de Sentido! A tempestade estava anunciada e em tom de forte trovoada com o mais alto rigor, lhe chamei atenção sob severa advertência! Confesso, fiquei orgulhoso de posicionamento com tão forte Posição Militar! Já o atingido por tamanha reprimenda, responde no mesmo entusiasmo de sua “caminhada” em direção ao rancho:

- “E daí Cabo! Que qui tu vai fazê? Vai me botá na cadeia?”

Prender um preso? Sem resposta, toda minha autoridade se desmontou derretida! Resmunguei alguma coisa ininteligível, língua enrolada e tom de voz bem mais moderado da anterior e me restou seguir em frente rumo ao Rancho, como se nada tivesse acontecido. Voltamos do almoço, ele exatamente como fora e cada um retomou seus postos e os presos em suas celas! Mantive-me sem resposta naquele caso. Como fazer para prender alguém já preso? É. Liderança sem um poder claramente definido, é melhor ficar calado!

Porto Alegre, 23/jul/2026.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

 231 ) Solidão!

Eis uma palavra chocante, assustadora, sempre à espreita de todos nós na aproximação de idades mais avançadas, mas na verdade, ameaça presente em todas etapas de nossas Vidas! Desde bebezinhos a choradeira no afastamento da Mamãe é presente e vigoroso! Nascemos para viver em Sociedade e o isolamento de menor tempo possível, nos coloca em absurda falta de segurança

Então, não é na velhice a origem desse sentimento a nos agredir sobremaneira. Em todas idades, mas a da velhice claro, se trata da mais cruel e geralmente irreversível. Somos esquecidos? Não é bem isso, mas o Mundo nos impõe a todos, atividades cada vez mais envolventes em nosso dia-a-dia, a ponto de certa forma abandonarmos nossos entes queridos naquela triste situação. Abrigo? É. Resolve. Mas resolve somente a acalentar um pouco o sentimento de abandono por nós decretados aos nossos velhinhos queridos. Já em caso de não tem recursos financeiros suficientes – esses abrigos são caríssimos – o abandono se materializa muito depressa.

Na idade intermediária estamos livres? Não. Definitivamente não. Na modernidade os casamentos jurados “até que a morte os separe”, não passa de uma frase protocolar, quase vazia imposta no cerimonial. O amor se dissolve? Não. A danada da rotina esgota os prazeres da união rapidamente e a dissolução se apresenta. É nessa faze de muitos casais se focarem em demasia ao trabalho e a razão do casamento toma valores sem expressão. Não há uma fórmula mágica para superação dessa fase, se existe, desconheço totalmente e é daí a fase sofrida ainda na juventude por matrimônios a se derreterem. Pior: - Muitas vezes convertida em “ódio sincero!”

Uma coisa é certa, a solidão também serve para cicatrizar feridas das mágoas provocadas nesse tipo de rompimento. O amor sublime amor, se converte em um ódio irrefreável, daí refiro ao aceitar a solidão como período de recuperação. O Italiano Sergio Endrigo e mais, compuseram “Canzone Per Te”. Canção maravilhosa quando chamou Roberto Carlos a interpretá-la, conquistando o Prêmio Maior no Festival de San Remo em 1968. Tem na letra um trecho espetacular a saudar romanticamente essa ameaçadora solidão: “La solitudine che tu mi hai regalato io la coltivo come um fiori”! 

Românticos poetas saúdam a dor com uma reverência especial, tratando-a como um mal necessário e eu creio ser de fato. Mas a verdade é única, a saudade gerada nessa solidão, muitas vezes nos arrasam, serve de base para mais adiante nos solidificar, nos amadurecer. Importante não recebermos como um mero castigo reservado a pagar por erros cometidos. A Religião Cristã Prega - e eu Creio – Cristo veio para nos perdoar. Perdoado, deu. Chega. Muito mais de uma Crença Religiosa é a Direção a nós concedida e nos dá à superação de nossos erros e defeitos. Arrependimentos mil não nos leva a absolutamente nada. É apenas autotortura. Vital o aprendizado com a lição e repetir os erros do passado. Como passado, merece ser sepultado – via de regra dificílimo – mas como diz um adágio popular: “Bola prá frente!”

 Se apreendi, significa cresci intelectual e espiritualmente, assim nós vamos nos tornando melhores Seres Humanos. Eu sei, muitos nem assim evoluem! Mas como tudo na Vida, não sei exatamente a razão, mas “erva daninha” também faz parte do contexto da nossas Vidas! Momento de exercitar a tolerância e dar pouco valor aos tropeços de todos nós e talvez, virar o rosto a todo o contorno que nos circunscreve.

 

Fausto Diefenbach.                Porto Alegre, 16 de julho de 2026.

 

quarta-feira, 8 de julho de 2026

 230) A Copa do Mundo de Futebol – FIFA.

Nessa semana leio “No País do Carnaval”, livro de Jorge Amado. Com o acontecimento futebolístico no domingo passado nos EUA, com nossa Seleção Brasileira de Futebol, estou convencido do Carnaval estar aos poucos saindo fora do contexto brasileiro, mas é claro, ainda com alguns grandes eventos, shows – predominantemente comercial – mas futebol é definitivamente nossa louca paixão. Conhecimento e argumento de futebol não é meu forte. Jornais, rádios e TVs, já esgotaram o assunto desse imenso e horroroso fiasco, diante da Noruega!

Respeitando a paixão, minha também, vamos a algumas considerações para aliviar a dolorida ressaca cantando: “Oh! Quanta alegria, mais de mil palha...”

Com a eliminação também precoce da Alemanha, teremos garantido por mais quatro anos o privilégio de continuar sendo a única seleção Pentacampeã na História: Conquistou em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002! Chama atenção aos nossos olhos, é de ter em cada uma das conquistas, pelo menos uma Estrela a brilhar no escrete!

O primeiro foi na Suécia, região metropolitana de Estocolmo em 29/jun/1958. Um menino de dezessete anos brilhou e brilhou muito. Nascia o Rei do Futebol, Sua Majestade o Rei Pelé! Eu, morando no interior, aos nove anos de idade, vibrava em consonância a uma galera na minha casa a festejar o Brasil novamente em uma final. Quase na hora do jogo, “cai a energia elétrica”. Não havia rádio à pilha, nem rádio em automóveis naquela época. Lembro do desespero de meus irmãos correndo em busca de alguém com rádio à bateria. Não encontraram. Como num milagre a luz voltou e ouvimos ensandecidos com muitos foguetes aquele massacre de 5X2! Brasil Campeão Mundial de Futebol! A alegria era absurda pois oito anos antes, deixamos escapar na final para o Uruguai em Pleno Maracanã!

No Chile, quatro anos depois, em 17/jun/1962, nova final. Alguns jogos antes, covardemente quebraram Pelé. Amarildo substitui o Rei. Mas a Estrela Brilhante foi Garrincha! Seus dribles desconcertantes lá pela direita do ataque, onde ninguém conseguia pará-lo, sequer entendê-lo, pois mesmo com repetição idêntica de dribles, conseguia enganar o defensor de forma espetacular. Vencemos a Tchecoslováquia “de virada” por 3X1! Gols de Amarildo, Zito e Vavá! Adolescente, eu já tinha permissão a foguetes e rojões!

México, 21/jun/1970, A primeira Copa transmitida em cores pela TV, bem como primeiro televisionamento ao vivo via satélite para o Mundo todo. Brasil conquista invicto o Tricampeonato sob comando de Zagallo derrotando a Itália no Estádio Azteca por 4X1 na final, obtendo a posse definitiva da taça Jules Rimet (para anos depois ser roubada!). A imprensa cogitava: “Pelé está velho!” Pois bem, o Velho foi espetacular, a Estrela Maior rodeada por Tostão, Rivelino, Gerson, Jairzinho e na lateral esquerda, o gaúcho Everaldo. Após o jogo a torcida mexicana invadiu o campo e em festa “massacrou” os atletas brasileiros arrancando camisas mesmo aos pedaços, calção, meias, chuteiras... Fãs enlouquecidos. Rivelino desmaia!

O Tetracampeonato foi nos EUA em 17/jul/1994, sob o Comando de Parreira, estádio Rose Bowl, amargávamos um hiato de vinte e quatro anos sem conquista de mundial – como é a situação de hoje, a se prolongar por mais quatro anos – com o brilho estelar de Romário, para mim, um dos melhores jogadores brasileiros em Seleção. Nessa Copa muito bem entrosado com Bebeto! Novamente a Itália a nos desafiar e foi um desafio pesado, a vitória só aconteceu na cobrança dos pênaltis, com erros italianos. Roberto Baggio, a Estrela Italiana chuta a bola para fora e o Brasil ganha a Copa! A vitória ficou em um 3X2 chorado!

O Brasil em 2002, apesar de não ser o grande favorito no Japão e Coreia do Sul é pentacampeão invicto com seis vitórias, nenhum empate! Felipão é o técnico e há uma tríade de craques sob seu comando, de alta capacidade Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e Ronaldo Nazário. Ronaldo é a Grande Estrela como artilheiro da Copa com oito gols. A final em 30/jun/2002 foi no Japão no Estádio Internacional de Yokohama foi contra a Alemanha, derrotada por 2X0 com os dois gols do Ronaldo Fenômeno!

Um passado glorioso a nos orgulhar, faz desse esporte seja de fato fantástico pois não há lógica, há tendência e frequentemente gigantes sucumbem diante de seleções menores. Daí todo o brilho e o despertar, até perigoso, de fanatismos sem controle. 

Domingo passado, uma esperança da Estrela ser Neymar, mas esse, com histórico de lesões e fracassos sem explicação, não se fazia merecer a titularidade – fato muito contestado -  e muito menos aquela Estrela referida nas Seleções anteriores a desequilibrar um adversário. O Treinador é bom e fantástica a sua técnica com “chiclete”! Lembra um jacaré devorando uma capivara inteira! Resta-nos poucos capítulos a trazer de volta a confiança na Canarinho, de tantas alegrias entregues. Aguardemos pacientemente os quatro anos. Passa rápido, eu garanto!

 

Fausto Diefenbach.                                    Porto Alegre, 09 de julho de 2026.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

229) Etapa Final: - Longa Viagem Iniciada no Atlântico.


Prometido na semana passada, hoje será a última Crônica dessa viagem. Agora, é a saída de Marsella rumo a Paris. Foi num trem rápido cobrindo em 03hs34min. os seiscentos e sessenta quilômetros, metade do tempo, se for de automóvel. Passagem ao custo unitário de R$ 614,00, se comprado antecipadamente. Disponível oito horários para esse trecho direto, sem paradas e outras tantas com “escalas”. Muito conveniente a se considerar – vendo no mapa – quase uma travessia de Sul ao Norte da França.

No trem, encanta sentir os trezentos quilômetros por hora com baixo ruído e invejável estabilidade. Paisagens desfilam diante da janela com milhares de hortas e pomares. Lavouras? Não. Viagem muito rápida e traz a curiosa sensação dos postes de energia, ao longo da ferrovia, “passarem voando”!

Chegada em Paris na Gare de Lyon. Dali ao hotel em Montparnasse de metrô. Nessa Cidade, sempre de metrô, a qualquer lugar rápido e barato (2,55 Euros para ir e vir por duas horas), é o melhor meio de transporte e creio ser a melhor rede do Mundo. Toma-se no máximo dois trens, a qualquer destino, em especial aos dois aeroportos.

Escrever sobre Paris até é chato. Cai muito em “lugar comum”. Tudo já foi escrito, filmado e badalado! Mas cabe uma nota a um local no passado, de especial emoção, vibração: - Torre Eiffel!

Há muitos anos conheci Paris e a óbvia atração de subir na Torre de seus trezentos e trinta metros de altura e afirmam a absurda curiosidade – ninguém obrigado a acreditar - de ter altura variável de acordo com a temperatura... Em 1979, também usando metrô, inseguro de estar na direção correta, quando ao sair da estação subterrânea a imensa torre visível a quilômetros, desapareceu! Não estava onde eu desembarquei! Foram segundos de frustração, com orgulho abatido pela falta de noção geográfica, olhando para os lados um tanto “embasbacado”! Ao girar, às minhas costas ali estava ELA! Muito próxima. Imensa, pomposa, “cheirando as nuvens” com suas dimensões inacreditáveis. Fui tomado de uma emoção indescritível! Um choque! Pomposa ao extremo! Suspiro profundo. Quase um engasgue! Subi. Ver a Cidade de cima valeu cada centavo dos trinta e seis Euros – preço de hoje - cobrado pelo elevador! Lembrando: Na França nada é barato...

Seguindo viagem, a Lisboa rumo ao aeroporto, ao chegar na Estação Edgar Quinett, Elaine com duas bagagens de mão pesadas e eu com a mala grande, enorme, carga pesada de obrigação ao “Macho Alpha”, no primeiro lance de escada com degraus comuns, as escadas rolantes só mais adiante. Era cedo da manhã e quase ninguém circulando, apenas um menino de aspecto germânico descia junto. Olhos azuis, bem vestido, sorriso simpático, apressado, parecia interessado e ajuda-la, mas não. Não é simpático afirmar, mas verdadeiro ser a cordialidade um ponto a desejar nos parisienses. Aquele querido menino veio logo atrás de mim, não dei importância, mas senti um leve toque, carinhoso no meu bolso, estava a rica mãozinha daquele bom menino subtraindo suavemente minha carteira com tudo dentro, dinheiro, todos cartões e documentação!

Dei-lhe um vigoroso tapa no braço daquele FDP! Larguei a mala no chão e avancei aos berros em sua direção. Virou as costas disparando e decolou escada acima. Enlouquecido, berrando perdi a conta de tantos qualificativos para aquele ladrão ordinário, sem vergonha! A carteira ficou comigo...

Dia seguinte, voltando para casa! Encerramos programa de vinte e oito dias em Lisboa, onde recebidos por Renata, Márcio, Artur e Anita quando por mais de dez horas rodamos a garantir visita aos melhores pontos e restaurantes da Capital Lusitana. Encosta belíssima e muita Tradição Histórica na tão íntima relação com o Brasil! Cidade tão arborizada e bem cuidada que encanta. Na Europa, visita obrigatória!

Porto Alegre, 02 de julho de 2026.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

 228) Fogão à Lenha! Ah, que Maravilha!

Peço desculpas aos meus estimados Leitores, por desviar o rumo das últimas cinco Crônicas da Travessia do Atlântico, quando estava próximo a contar o destino terrestre até Paris, encerrando em Lisboa. Garanto, na próxima semana volto aquele tema e finalizo o período de férias em definitivo.

Essa semana, em dia vinte e um de junho, iniciou - no calendário - o nosso Inverno. Entretanto o frio está presente há dias com um rigor há muitos anos abandonado. Frio é muito bom e nos mantem, no Rio Grande do Sul, com o tradicional respeito às temperaturas e meteorologia caracterizando as Quatro Estações do Ano.

Gosto do muito Inverno – exceção ao horário do banho – cuja temperatura baixa nem precisava ser tão convincente como afirmei acima, em especialmente rejeitado quando vem com chuva, garoa, enfim, tudo aquilo a nos criar dificuldade em secar roupas e toalhas! Frio com sol claro nos inspira ao banho de sol nos jardins e praças e se for acompanhado de algumas bergamotas – em outras praças conhecidas como tangerina – fica bom demais! Para nós os Gaúchos, um chimarrão também é presente nesses momentos, como a melhor forma de hidratação, pois beber água a gente simplesmente esquece...

Na mesa ou no balcão: - Pinhão, sopa de capeletti, quentão, pipoca, amendoim, pé-de-moleque, batata doce assada, mocotó e nem precisa ser Festa Junina! Enquanto estiver frio assim, essa celebração é sempre muito bem-vinda! Vinho tinto? Claro que não esqueci, jamais deixaria de lado. De qualquer qualidade! Não. Não é bem assim. Esse de baixa qualidade a gente reserva para o quentão, afinal, com todas aquelas misturas de cravo, canela, gengibre, cachaça etc., sua origem barata nem é percebida! O importante é ter garantida a dor de cabeça no dia seguinte!!!

Vamos ao melhor no frio rigoroso: - Em casa, queimando lenha! Hoje em dia em residências de construção bem planejada, é previsto a construção de lareira. Maravilha! Se não houve, ainda há o recurso de instalar lareira de metal. “Quebra um galho” na medida! Lareira é um instrumento a se tornar o autêntico altar de reverência ao Inverno e a todos aqueles quitutes e bebidas já referidas! Não se tratar apenas de aquecimento ao frio reinante, mas de um toque romântico a provocar aproximação e carinho com quem a gente gosta de estar junto de verdade!

Mas tudo isso, não se compara a um passado nem tão recente, quando nossas cozinhas tinham sua majestade, o Fogão a Lenha! Ah, sinto saudades daqueles momentos tão aconchegantes, onde a Família se aglomerava ao seu redor a ouvir e contar histórias e estórias! Sem crítica furiosa ao telefone celular, mas época de aproximação verdadeira, sagrada onde a “conversa ao vivo” acontecia no melhor de todos os climas!

Havia conversa até sem o som de vozes! A menos tendo alguém cantarolando alguma canção! O silêncio abria espaço para meditação e a sensação de presença habitava, enchia nossos corações! O crepitar das lascas de lenha ao fogo, traziam junto aquele seu cheiro gostoso de madeira queimando! Houve uma época, até se podia queimar lenha de Angico com sua fragrância peculiar! A portinhola do fogão ficava sempre aberta, para podermos apreciar o milagroso espetáculo da dança das chamas amarelas com vermelho!

Saudemos essa fria Estação bem abrigados, afinal de contas a ameaça de constipação e doenças respiratórias está presente, não vamos “dar sorte ao azar”. Beba mais água e reforço em vitamina “C” e boa alimentação calórica ajudam na proteção! Paro aqui, antes de algum Médico me mandar eu calar! Tenham todos um “bom aquecimento!”

 

Fausto Diefenbach.                Porto Alegre, 25 de junho de 2026.