terça-feira, 25 de novembro de 2025

 205) Água Potável!

Preciosidade: - A água é o sangue da Terra. Insubstituível. Humano sem por três dias, morre. Nada é mais suave e, no entanto, nada a ela resiste! ”

Todos nós agraciamos e sabemos claramente a caracterização de um Planeta com hipótese de vida. Vida com a concepção por nós conhecida. Essa está diretamente vinculada à existência desse precioso líquido. Nela, sua composição inclui oxigênio e torna tudo muito claro. Água é sinônimo de vida, é sinônimo de Existência!

Na História recente da Humanidade, pelo menos em seus últimos quatro a cinco Séculos, esteve atrelada a algum produto de grande expressão a ponto de ditar como uma Era Econômica. Aconteceu a Era Dourada com o ouro sendo um símbolo de sucesso, na sequência a do Ouro Negro, crédito ao petróleo canalizando toda a energia econômica do Mundo e a expectativa de estar de certa forma a nos assombrar. Será a Era do “Ouro Transparente”, isto é, a Água, definindo esta sim, como determinante de continuarmos vivos ou não!

Como tudo na vida desde o bem mais precioso, quando em excesso colapsa com o restante. Refiro-me agora à dolorosa situação do meu Estado do Rio Grande do Sul, onde em maio de 2024, tamanho foi excesso a nos castigar severamente com suas chuvas torrenciais absurdamente acima de seu histórico. As cheias com rios transbordando e liquidando animais, aves e lavouras de existência básica do nosso Povo, esse com suas casas arrasadas com perdas totais de seus patrimônios e pior, muito pior, matando Gente, dilacerando Famílias inteiras impiedosamente.

Sofremos um longo e penoso luto, onde tivemos Famílias castigadas com perdas irreparáveis. A miséria se estabeleceu em bairros, cidades inteiras golpeadas num massacre real da revoltada e vingativa Natureza. Muito são os Profetas de plantão afirmando a dívida contraída com o Planeta e da fatalidade de sua resposta cruel e vingativa.

Cantava o querido Cantor Nelson Ned, voz de Tenor – na infância acometido de ananismo – Tudo passa, tudo passará! Sim. Verdadeiramente passou, entretanto aquilo ocorrido como na grande catástrofe vivida oitenta e três anos passados, nas reverenciadas cheias de 1941, se repetia de forma mais volumosa agora em 2024 e apenas quatorze meses passados, novamente com cheias assustadoras a castigar sem piedade os mesmos locais. Sem previsão concreta se chegaríamos ao mesmo nível de transbordamento. O medo se instaura em cada habitante ribeirinho e adjacências!  

Voltamos temerosos à chamada no início dessa crônica, encerrando com o “Nada é mais suave, no entanto, nada a ela resiste!”

terça-feira, 18 de novembro de 2025

 204) Termas de Aguas Calientes - Puehue, Chile!

 Escrevi “Aguas” sem acento no “A” a manter o nome original do local, identificando também seu País, porque com o mesmo nome e grafia, também há uma localidade Inca, no Peru, homônimo, ao lado de Machu Picchu, na Província de Urubamba. Idêntica característica de suas deliciosas águas minerais naturalmente aquecidas fazendo do banho de imersão único, uma maravilha!

 Em viagem ao Circuito Andino de dezembro de 2005, rodando acima de sete mil quilômetros no total, dirigia meu Mercedes Classe A, de suspensão dura gerando uma estafa muscular imensa. Dores diversas considerando uma média de oitocentos quilômetros rodados ao dia, é absolutamente justo a reclamação do corpo. No meu caso, “ele” reclama muito e relaxa só depois de um Dorflex!

 Ao acaso, um prêmio glorioso em mais ou menos na metade da viagem numa parada para descanso ao meio da tarde, sul do Chile, encontramos as Termas de Aguas Calientes, Puyehue. Fica a novecentos e trinta quilômetros ao sul de Santiago – Capital. A cidade é minúscula e a parada foi de um pernoite. Dia seguinte rumo a Villa La Angostura na Argentina, depois Bariloche, etc...

 Um descanso mui merecido: Hotel encontrado – sem reserva - tinha piscina semiolímpica com água quente e não era morna, um mergulho nela foi para repor a alegria e esquecer as dores lombares, nas pernas e naquela parte alta e mais gorda da perna chamada de bunda! Já na área externa do hotel, um riacho pedregoso de águas limpas, cristalinas e deliciosamente quentes. Diversas fontes vulcânicas entre as pedras das suas margens borbulhavam jorrando sua revigorante água em meio a um vapor que identificava sua temperatura! Foram horas de inesquecível e deliciosa imersão!

 Área toda do hotel era praticamente encostada em uma “parede” de rocha imensa típica dos Andes de uns cem metros de altura. Após aquela sequência de banhos quentes, voltamos à romântica cabana a nos preparar para o jantar. Elaine – nas horas vagas é minha esposa – grande parceira para viagens de longo curso, não deixa dar sono nunca!

 Ao sairmos da cabana em direção ao prédio do restaurante, a camareira toda sorridente perguntou se deveria acender a lareira. Trocamos um olhar curioso pela pergunta meio fora do tempo, ou fora de temperatura, pois estávamos num agradável clima de seus vinte e alguns graus, mesmo assim, julgando convenientemente romântico, concordamos!

Duas horas depois, de um jantar com salmão grelhado, coberto de alcaparras e um purê de batatas com farta manteiga, evidentemente harmonizado e com um bom “vinho branco, nacional”, retornamos - ao relento – de volta à cabana! Severo choque térmico. Estava próximo ao zero grau! Confirmado no dia seguinte com gramado ao redor na linda brancura de intensa geada! Fácil entender de quão adequado foi concordar com a lareira a crepitar!

Sul do Chile e Argentina, não é só a Região dos Lagos a encantar! Local para voltar mais vezes, seja no Outono, Primavera ou Verão! Inverno não? É. Talvez não, mas para quem já foi durante o Inverno ao Canadá, talvez curta! Não é absolutamente meu caso. Gosto de frio, mas não precisamos exagerar!


 

 

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

203) O Plano Cruzado!

 

Segunda metade da década de oitenta, nosso Brasil vivia uma inflação notável a ponto de ter alguns meses com percentual acima de oitenta por cento. As maquininhas de recolocação de preços no supermercado, chocalhavam (*) eufóricas aos nossos ouvidos com preço um pouco maior de ontem! Fenômeno aconteceu por alguns meses naquele doloroso período.

(*) Ruído do guizo da cobra cascavel...

Com ou sem crise severa, tive a paciência suficiente de não me abater em depressão. Afinal, não tinha o mínimo poder de mudar absolutamente nada. Sou, sempre fui um cidadão brasileiro comum, sem nenhum envolvimento político governamental. Apreendi ao largo dos anos vividos na atividade profissional de empresas privadas bem como Professor na PUCRS: - “Devemos desenvolver habilidades para transitar no caos, não para solucioná-lo!” Se não temos meios suficientes a debelá-los, seguir em frente aproveitando a Sabedoria da máxima: - “Se o estupro é inevitável, relaxe e aproveite!”

Fã entusiasta de viagens pelo Mundo afora - nesse canal já amplamente publicado - em meio àquela crise da inflação horrorosa, viajei a Orlando a curtir tudo aquilo tão encantador aos turistas de todo o Planeta. Seus exuberantes parques, ainda tão ricos a fazer da Disney apenas mais uma! Misto de diversão, entretenimento e uma boa dose de cultura, fizeram-me nessas viagens, excelentes momentos para esquecer problemas que não me pertenciam e curtir a vida!

Hábito antigo na qual preservo, enquanto no hotel, deixo a TV ligada a ouvir alguém enchendo os ouvidos do idioma local, nesse caso o inglês, oportunidade de desenvolvê-lo. Num daqueles dias, me preparando para o banho, volume bem alto quando num tom anasalado, “alguém falando português, sotaque nordestino. Raro se ouvir plenos Estados Unidos uma frase causando um susto enorme, de suspender a respiração: “Brasileiros e brasileiras, etc, etc... Sim. Era ele! Presidente José Sarney.

O ano era de 1986 e o cara anunciava o “Plano Cruzado”! Cruzado era um plano econômico – não confundir com um golpe letal do box – e esse foi o nome da nova Moeda Brasileira criada naquele momento, seguido de um severo congelamento de preços imposto a toda Nação Brasileira. Preços praticados naquele dia, estiveram proibidos a qualquer reajuste por tempo indeterminado e o próprio Presidente deu autoridade a todo Brasileiro, em nome da República, fiscalizar, interferir e até dar ordem de prisão a quem praticasse majoração de preços!

Foi um espetáculo político e vivemos os melhores momentos imagináveis do nosso Brasil, desde seu Descobrimento por Pedro Alvares Cabral, em 1.500! Economia estável, inflação zero, todo o mundo feliz! E uma felicidade consistente a durar bastante tempo. Não posso precisar, mas foi por uns bons quarenta a cinquenta dias! Uma semana a mais, uma semana a menos!

Como todo milagre com um Santo de poder intermediário, não dura para sempre! O Brasileiro eufórico começou a comprar sem medida. O Empresário do comércio vendia tudo e daí começou a ter dificuldade de reposição de estoque, o fabricante lhe faltando matéria prima e a euforia se derreteu na mesma proporção e velocidade da alegria.

Voltamos ao Brasil de sempre e para mim o mais marcante, foi o susto, estando tão longe de casa a ouvir “aquela voz”, clamando seus Patriotas à novidade com promessa de melhores dias. Quase interrompo minhas férias para voltar e viver esse novo Brasil! Mas não havia garantia em seu discurso de melhora perene. Seria temporária. Talvez de curto prazo! Bem curto! Muito curto! Por consequência, permaneci em território americano por mais uma semana talvez, concluindo minhas gloriosas férias! 

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

 202) Rir é o Melhor Remédio!

 

Voltando às minhas Crônicas[F1] , recorro às lembranças da razão de ter começado há tantos anos, e depois, muito depois, publicando-as somente lá por 2012 dando início a estas, já chegando a duzentas!

No início, registrava momentos dos mais ridículos por mim vividos e não propriamente hilários. Ria sozinho de passagens, algumas constrangedoras, mas como escrevia para um só leitor – eu mesmo – não censurava e rememorando fatos com total fidelidade e pureza de intenção! O título “Crônicas de um RIdículo!” Assim mesmo, com a primeira sílaba insinuando o propósito de rir!

Acreditei ao fazer auto gozação de divertir mais, sem debochar de outros. Convicto de quem assim procede, o tal gozador, não passa de um chato contando e rindo de “gafes alheias”! Quem não as comete? Se quiser ler ou revê-las, é só continuar nesse canal, onde encontrarão primeiro os da numeração de um a noventa e nove. Evitei numerar a centésima, para não parecer a mim mesmo de ter concluído alguma coisa! Deixei aquele número “pendente” para mais adiante – e isso aconteceu mais adiante – voltando a escrever a partir do cento e um, meses depois, repetir o critério para reiniciar agora sob o número duzentos e um, até chegar próximo ao trezentos! Se tiver leitores me prestigiando...

Minha atração por coisas engraçadas, vem de lembrança clara de quando menino, logo ao chegar pelo correio a assinatura do meu Pai na “Seleções Reader’s Digest”. Lia logo para coluna “Rir é o Melhor Remédio”! Tratava-se de um conjunto de piadas pueris, rápidos contos inocentes, puros, mas engraçados e daí minha atração a sua leitura.

Nunca fui um bom contador de anedotas. Assim era meu irmão Sérgio. Eu, sempre atento e pronto a ouvi-las do velho mano, para depois tentar contar adiante na busca de um riso, quando na melhor das hipóteses uma gargalhada!

Meu primeiro e fiel público, era uma pobre pedinte surda muda da minha cidade. Era conhecida apenas como a "Mudinha"! Morena escura de pequeno porte e com dificuldade de locomoção. Frequência diária ao balcão da loja do meu pai, onde eu passava o dia como atendente na venda de cigarros em atacado, para cigarrarias, restaurantes e botecos em geral! Meu velho representava a Cia. de Fumos Santa Cruz. Cigarros era o nosso negócio e essa pedinte adorava ganhar seu cigarrinho diário, sempre disponível a ela. Antes de qualquer coisa saibam, ela não entendia nada da minha fala e essa falta de entendimento era recíproco, daí se tornar mais interessante ainda nosso "diálogo"!

Logo da sua aproximação ao balcão onde ela tranquilamente se escorava, me olhava nos olhos com uma cara especial de quem aguardava bons momentos, além de seu cigarro é claro. Eu iniciava uma encenação de um "drama horrível", artisticamente encenado com caras e caretas até simular um choro copioso, incontrolável! Ela adorava, ria da minha palhaçada a se contorcer chegando às lágrimas... Todo meu “ato teatral”, não passava de cinco uns a seis minutos e encerrava meu show! Ela enxugava suas lágrimas e então ganhava o seu cigarrinho. Feliz, ainda sorridente se despedia ainda dando rizada! Dia seguinte, voltava para um novo mas exatamente o mesmo espetáculo!

Como esse “trabalho” me dava satisfação! Também só tinha coragem de executa-lo se não tivesse absolutamente ninguém por perto a ouvir ou ver... Ninguém podia assistir aquilo de um palhaço tão medíocre? Claro que não. Havia risco de me internarem a tratamento psiquiátrico!

O Mundo é cheio de tribulações. Doar um pequeno espaço de tempo para a descontração e riso, tem um valor inestimável! Eu ainda me dava o direito de ficar rindo sozinho por um bom tempo! Convicção absoluta em “rir é o melhor remédio”! Isso, herdei do tio Fidelis Marchiori. Não contava piada. Simplesmente fazia a gente rir!


 [F1]