202) Rir é o Melhor Remédio!
Voltando às minhas Crônicas[F1] , recorro às lembranças da razão de ter começado há tantos anos, e depois, muito depois, publicando-as somente lá por 2012 dando início a estas, já chegando a duzentas!
No início, registrava momentos dos mais ridículos por mim vividos e não propriamente hilários. Ria sozinho de passagens, algumas constrangedoras, mas como escrevia para um só leitor – eu mesmo – não censurava e rememorando fatos com total fidelidade e pureza de intenção! O título “Crônicas de um RIdículo!” Assim mesmo, com a primeira sílaba insinuando o propósito de rir!
Acreditei ao fazer auto gozação de divertir mais, sem debochar de outros. Convicto de quem assim procede, o tal gozador, não passa de um chato contando e rindo de “gafes alheias”! Quem não as comete? Se quiser ler ou revê-las, é só continuar nesse canal, onde encontrarão primeiro os da numeração de um a noventa e nove. Evitei numerar a centésima, para não parecer a mim mesmo de ter concluído alguma coisa! Deixei aquele número “pendente” para mais adiante – e isso aconteceu mais adiante – voltando a escrever a partir do cento e um, meses depois, repetir o critério para reiniciar agora sob o número duzentos e um, até chegar próximo ao trezentos! Se tiver leitores me prestigiando...
Minha atração por coisas engraçadas, vem de lembrança clara de quando menino, logo ao chegar pelo correio a assinatura do meu Pai na “Seleções Reader’s Digest”. Lia logo para coluna “Rir é o Melhor Remédio”! Tratava-se de um conjunto de piadas pueris, rápidos contos inocentes, puros, mas engraçados e daí minha atração a sua leitura.
Nunca fui um bom contador de anedotas. Assim era meu irmão Sérgio. Eu, sempre atento e pronto a ouvi-las do velho mano, para depois tentar contar adiante na busca de um riso, quando na melhor das hipóteses uma gargalhada!
Meu primeiro e fiel público, era uma pobre pedinte surda muda da minha cidade. Era conhecida apenas como a "Mudinha"! Morena escura de pequeno porte e com dificuldade de locomoção. Frequência diária ao balcão da loja do meu pai, onde eu passava o dia como atendente na venda de cigarros em atacado, para cigarrarias, restaurantes e botecos em geral! Meu velho representava a Cia. de Fumos Santa Cruz. Cigarros era o nosso negócio e essa pedinte adorava ganhar seu cigarrinho diário, sempre disponível a ela. Antes de qualquer coisa saibam, ela não entendia nada da minha fala e essa falta de entendimento era recíproco, daí se tornar mais interessante ainda nosso "diálogo"!
Logo da sua aproximação ao balcão onde ela tranquilamente se escorava, me olhava nos olhos com uma cara especial de quem aguardava bons momentos, além de seu cigarro é claro. Eu iniciava uma encenação de um "drama horrível", artisticamente encenado com caras e caretas até simular um choro copioso, incontrolável! Ela adorava, ria da minha palhaçada a se contorcer chegando às lágrimas... Todo meu “ato teatral”, não passava de cinco uns a seis minutos e encerrava meu show! Ela enxugava suas lágrimas e então ganhava o seu cigarrinho. Feliz, ainda sorridente se despedia ainda dando rizada! Dia seguinte, voltava para um novo mas exatamente o mesmo espetáculo!
Como esse “trabalho” me dava satisfação! Também só tinha coragem de executa-lo se não tivesse absolutamente ninguém por perto a ouvir ou ver... Ninguém podia assistir aquilo de um palhaço tão medíocre? Claro que não. Havia risco de me internarem a tratamento psiquiátrico!
O Mundo é cheio de tribulações. Doar um
pequeno espaço de tempo para a descontração e riso, tem um valor inestimável! Eu
ainda me dava o direito de ficar rindo sozinho por um bom tempo! Convicção
absoluta em “rir é o melhor remédio”! Isso, herdei do tio Fidelis Marchiori.
Não contava piada. Simplesmente fazia a gente rir!
Excelente, como sempre! Parabéns pelo trabalho, Fausto!
ResponderExcluirSempre bom rir. Abraço. Ricardo
ResponderExcluirAdorei! E como sempre entro dentro desse cenário q fez parte de minha infância, lembro até do cheiro da loja. Não lembro da "mudinha " mas ri sozinha agora imaginando a cena do "palhaço" meu primo... 😂
ResponderExcluirmuito bom meu caro Fausto. Esses momentos foram muito bem vividos também na minha Erechim. Tinhamos bar e restaurante e apareciam pessoas das mais diversas origens. Sempre foram brincadeiras sadias e que deixavam um sorriso no rosto pra tudo, sem ficar vermelho. Continues assim. É bom recordar e viver com alegria. Grande abraço
ResponderExcluirMuito bem titia!
ResponderExcluirMeu amigo vc sempre teve essa veia de gaiato fazendo as pessoas rirem. Lembro de vc imitando o nosso gerente, era hilario. Rir é muito bom! Excelente!
ResponderExcluirMuito bom!
ResponderExcluirFausto. Rir é o melhor remédio !
Ivan.
Bahhh Fausto!!!
ResponderExcluirViajei no tempo e voltei à minha infância na nossa querida Jaguari. Lembro perfeitamente da "Mudinha" que, apesar de surda-muda conseguia se comunicar com mestria. Também lembro dos meus tempos de leitura da "Seleções Reader's Digest", que minha mãe também tinha assinatura. Aliás era muito assinada em Jaguari. Foi das minhas primeiras leituras, junto com a coluna "Do Bric à Brac da Vida" do excelente, grande e volumoso "Correio do Povo".
Enfim...saudades!!!
Marcou-me o "RI dículo". Estás certo: ridículo é não ter a competência de rir.
Parabéns por mais uma excelente crônica. Aguardo a próxima.
Esqueci de me identificar: Tono
ResponderExcluirGosto muito ler tuas postagens!!
ResponderExcluirLuiz.
ResponderExcluirMais uma belíssima crônica! Parabéns! Rir é o melhor dos remédios! Abração. Bidart
ResponderExcluirParabéns Fausto...relembrar esses momentos e contos , de fato levam também a gente a rir...
ResponderExcluirImperdível. Leitura obrigatória pela pureza e parceria com quem não recebia muitas atenções. Abraço
ResponderExcluirFaustinho querido
ResponderExcluirAssim como muitos aqui tuas crônicas me levam pra dentro da loja, vejo o balcão com aquela madeira e o cheiro… amava aquele cheirinho!!!
Qto ao fazer rir e rir de si próprio tu deves realmente ter puxado ao meu pai né? Como gostava de rir, e sempre fazia uma piada!! Saudades ❤️❤️❤️❤️
Muito legal. Parabens.
ResponderExcluirFiquei imaginando tu e a Mudança.Muito boa !
ResponderExcluirRir e levar a vida com leveza sempre foi o melhor remédio para tudo. Tu sempre foi um cara muito espirituoso que tira o melhor de cada situação.
ResponderExcluirTida.
Maravilhosa crônica, meu estimado "Kayser" Fausto, assim o chamamos na nossa seleta Confraria aqui em Porto Alegre. Retornei um pouco à minha infância na nossa querida Jaguari, lembro muito bem da Loja do seu Valdemar, da muda, das anedotas da Seleções, e é claro desse querido e sempre simpático e educadíssimo amigo que nos brinda com divertidos textos literários ...Forte Abraço
ResponderExcluirAgradavel leitura. Não tenho lembranças da Mudinha. Mas lembrar desta faceta do primo Fidelis, fez recordar aqueles olhos sempre brilhantes. Era tudo tão natural. Uma figura inesquevivel.
ResponderExcluirE rir solto, de bobagens do dia a dia, como é bom...
ResponderExcluirFausto querido, andava me perguntando por onde andarias pois tuas cronicas haviam sumido deste nosso adorável espaço comum. Nao nos castigue com tuas ausências, vc é imprescindivel para manter viva a adorada lembranca da nossa infância e adolescência
ResponderExcluirMuito legal Fausto,eu tbm tinha um pouco disso d fazer os outros rirem!
ResponderExcluirAdora essa sessão da Reader's Digest.
ResponderExcluirLi todas tb