quarta-feira, 12 de agosto de 2026

 233) Quantos Dentes eu Extrai Durante o Serviço Militar?

Prestei o Serviço Militar obrigatório em 1967, isso já escrevi algumas vezes nesse canal. Servi no Quarto Regimento de Cavalaria do Exército, cidade de Santiago do Boqueirão, distante quarenta e seis quilômetros da minha Terra Natal Jaguari, onde vivia até então.

Adorei, apesar de ter sido o ano com mais “trabalhos pesados” de toda minha vida, principalmente no período de Soldado. Promovido Cabo, tudo mudou e passei a curtir cada minuto da Caserna. Da solidariedade entre Soldados, da amizade comprometida e das saudáveis – nem sempre tão saudáveis – brincadeiras entre os menos espertos...

Ruim era o dia de domingo na ausência de atividade – mas pior quando de Serviço, com atividade – o dia se arrastava chato e muito longo. Não me queixo chorosamente, pois foram poucos naquele ano de não ir para casa. De Jaguari, retornava "muito bem alimentado" e com um saco de algodão branco enorme cheio de perfumadas bolachas caseiras feitas pela Eni, a querida Assistente Doméstica do meu Lar Materno!

O complicado do final de semana, foi ter nos primeiros meses expediente aos sábado pela manhã. Isso atrapalhava a fuga para casa, pois ônibus  à noite para só voltar no domingo à tarde. Com a pressão na contenção de gastos, uma passagem de ônibus para um período tão curto, tornava o final de semana caro, fora dos “padrões” de um Soldado.

Era no sábado à noite a grande curtição com meus amigos a validar a pequena viagem. Junto deles e com a Família, era onde tinha reconhecimento social e local para as festas tradicionais de um recém saído da puberdade. Na cidade do Quartel eu era apenas um “milico” pobre e com rasa expressão, isto é, entre as garotas não conseguia sequer “um olhar de piedade”. Lá, eu era ninguém!  Então durante o final de semana em Santiago, não punha o nariz para fora dos muros do Quartel. A alternativa era depressão (nessa época nem se conhecia esse termo...) ou uns bons goles de cachaça com butiá e outras frutas coloridas, sempre disponível nos armários dos colegas! Às vezes tínhamos companhia de um colega “rico” com a preciosidade propriedade de um rádio portátil! Alegria, música no alojamento!

Minha salvação para os finais de semanas com liberdade a viajar, se estabeleceu através do bom relacionamento com o Cabo assistente do Dentista do Quartel: Garantiu-me para plena alegria: - “Arranca um dente na quinta-feira, daí tu tens dois dias de dispensa!

Acreditando na prescrição de crime, envergonhado confesso: - O tal Cabo me “arrumou” por pelo menos uns cinco finais de semana estratégicos com atestados de extração de dentes! Sem medo de ser feliz, lá estava eu em plena quinta-feira indo para casa! Melhor nem contar para ninguém... Meu custo adicional era voltar com um garrafão de Vinho Jaguari a presentear ao querido Cabo de tão conveniente amizade!

Minha vontade ao aceitar essa estratégia, ficava por conta de estar deprimido em uma cidade – de vida social rica – e a obrigatoriedade de uso permanente da Farda de Passeio, quando fora do Quartel. Sinceramente, feia uma barbaridade e andar pela cidade “à Paisana", absurdamente arriscado, pois havia no Quartel General um Primeiro Tenente a comandar a PE (Polícia do Exército) absurdamente rigoroso. Caçava e prendia a quem ousasse não cumprir essa Regra. Época difícil, pois os outros jovens civis que competiam na “paquera”, andavam até com botinhas à moda Roberto Carlos! Então raríssimas vezes arrisquei. Quando o fiz, avistando aqueles capacetes verdes de borda branca, pânico letal!

Em oito de dezembro daquele ano, dei “Baixa” e voltei à vida civil e pasmem, com frequentes sonhos de ainda estar no Exército e confesso, com uma saudade imensa. Saudades da fraternidade, do companheirismo, da disciplina militar, onde o respeito mútuo sempre manteve sua hierarquia sólida e muito bem estruturada.

Muita coisa acontece na vida de todos nós, com alguns fatos ocasionando giros fortes nos rumos da nossa Caminhada Terrena. Hoje afirmo convicto, aconteceu de janeiro a dezembro daquele saudoso 1967, o período da mais expressiva e rica Escola de Vida da minha Existência! Repetiria feliz todos os dias, todos os passos naquela maravilhosa oportunidade de verdadeiro crescimento e maturação. Mesmo com suor e lágrimas, sofrendo aquela série de “extrações de dentes fake", era muito feliz!

 

Porto Alegre, 13/ago/2026.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

235) Onde Andam os Pardais?

Pois é, afinal de contas, onde andam os nossos Pardais? Em épocas não muito distantes víamos centenas desse pequeno – sete centímetros - e arisco pássaro nas ruas a ciscar nos calçamentos de paralelepípedos, a empoleirarem os fios de luz, galhos de árvores e em suas belas exibições de revoadas de grandes grupos pelos nossos ares. Eles nunca foram exclusividades do nosso Estado nem do nosso País, curiosamente se trata de um pássaro habitante de todo o Planeta.

Coitado do singelo passarinho, cedeu seu nome até para o antipático controlador eletrônico a medir velocidade e aplicar multas nas vias públicas. Seu apelido surgiu nos anos noventa pela sua aparência física das caixas cinzas nos postes. A lente redonda parecia o seu olho e ao seu comportamento silencioso e atento vigiando a todos nós! Não é, seguramente o equipamento mais amado do Brasil...

Voltamos ao pássaro: - O Pardal é uma das espécies de aves originárias da Ásia e Europa, entretanto, é muito comum encontrar eles vivendo em praticamente todas as partes do mundo. Aqui no Brasil, chegaram por volta de 1906 com o objetivo de controlar a população de insetos. Na sequência, considerado praga por reproduzir muito rapidamente e competir expulsando agressivamente as aves nativas por comida e espaço.

Sua vinda para o Brasil, foi uma revolucionária iniciativa do comerciante Antônio Bento Ribeiro, com o aval e autorização direta do então Prefeito do Rio de Janeiro, Francisco Pereira Passos em 1903. A ação aconteceu para apoiar a histórica campanha de saneamento e higienização urbana liderada por Dr. Oswaldo Cruz. Com cerca de duzentos exemplares da espécie “Passer Domesticu” da família Passeridae, algumas das aves comuns no Mundo, trazidos de Portugal. O projeto previa serem essas aves exóticas, vorazes e eficientes no combate aos mosquitos transmissores de epidemias como a febre amarela e a peste bubônica então assolando a Capital Federal.

No Campo de Santana no Rio de Janeiro, foi em pomposa solenidade celebrada a soltura, constatado anos depois como um erro ecológico, pois eles, os Pardais, consomem insetos só na fase de reprodução a alimentar de seus filhotes, voltando depois a sua base alimentar através de grãos, sementes e comida orgânica. O controle falhou e a espécie invasora acabou se proliferando desordenadamente pelas cidades de todo o Brasil.

Fui provocado pelo amigo o Vedoi a buscar informações desse tipo de migração e o resultado foi nada alentador: - Não é migração. Eles estão simplesmente sumindo dos grandes centros urbanos do Mundo todo, cuja justificativa lida é devido a “falta de alimentos expostos, concorrência por outras espécies e mudanças na arquitetura urbana, pois no passado faziam seus ninhos em buracos nas rochas e a adaptação às cidades se deu em beirais de telhados de casas, entretanto hoje as casas estão sendo substituídas por prédios imensos, sem os beirais!”

Algumas respostas vêm com a liberdade das Redes Sociais de hoje, a publicar qualquer coisa, vez por outra surgem algumas loucuras, mas umas com algum crédito, a exemplo de uma opinião recente dando conta da força dos ventos, algumas fazem até cinzas vulcânicas atravessarem oceanos, e gera um curioso questionamento: - Como se posicionaria hoje a guerra entre Rússia e Croácia a gerar para todo o Planeta seus resíduo de suas bombas a afetar a população mundial com seus amaldiçoados componentes secretos matando um pouco de cada um de todos nós! 

Pareceu exagero? Mas não é. Creiam, há uma publicação recente afirmando, ter o deserto do Saara a despejar 17,7 milhões de toneladas de sua poeira sobre a Amazônia todo ano. Talvez aí, a frágil Pomba Juriti e o Pardal a pagarem sua quota! Sabe-se lá!

Dessas tantas respostas, só não aceito como verdadeira a da “concorrência por outras espécies”, pois reincidiria na pergunta inicial aumentando o sujeito da questão: Onde estão as pombas Juritis, etc.? Aí está, eu acredito, a mais cruel e chocante resposta responsabilizando naturalmente aquele animal bípede, que lhe é atribuído a capacidade de pensar, é o soberano Predador de tudo e de todos. Predador de aves, animais, peixes e vegetais. Sim, até as árvores. São muitas as árvores catalogadas em extinção. Predador até mesmo do seu próprio Semelhante! Nem preciso escrever qual bicho é. Preciso?


Porto Alegre, 06/ago/2026.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

 234) Gaúcho: -  Churrasco no Domingo, Sempre!

Para entender nosso hábito alimentar, a primeira coisa é de nos darmos conta de ser o Rio Grande do Sul Cultua historicamente de uma forte Dedicação Pecuária com Séculos de história e tradição. Tanto é verdade, a provocar na Revolução Farroupilha contestação ao Poder central na Capital, Rio de Janeiro, em função de abuso na carga tributária nas Charqueadas, fonte vigorosa de proteína animal para todo o Brasil. Essas produziam através do charque, grande parte do consumo nacional de carne de gado bovino.

Gaúcho, carnívoro ao extremo, foi desenvolvendo formas de preparo e sem dúvida foi no churrasco onde se estabeleceu o melhor prato! É tradição nas mesas dos almoços de domingo, o encontro em Família para o festejado assado com – preferencialmente – uma costela gorda na churrasqueira. Já teve picanha e outras peças, mas definitivamente é na costela a de melhor sabor e facilidade no seu preparo, pois o “Gaúcho Raiz”, praticamente sem exceção sabe “pilotar uma churrasqueira” e ao assar a tal costela, afirmo convicto: Basta cinco minutos de teoria e não tem como errar! O maior segredo, está lá no supermercado na hora de escolher a carne... Aí, se exige um especialista!!!

Aos domingos em especial, para quem mora em bairro mais residencial de Porto Alegre, o perfume exalado pelas dezenas de churrasqueiras em fogo, provoca um apetite renovado e muito especial. Muitas vezes comentei, esse cheiro a inundar nossas casas torna compulsório, até em “legítima defesa gastronômica”, de tratarmos de juntar o carvão – eu prefiro lenha – a produzir aquela brasa bem vermelha e forte, espetos na mão e fazer o melhor de todos almoços para esse dia!

Acompanhamento? Qualquer um, não falte  a cerveja, cachaça ou vinho por perto, porque depois do chimarrão, alguma bebida alcoólica merece ser degustada. Particularmente gosto de uma mandioca. Em algumas Pátrias mais distantes das nossas fronteiras, chamam de aipim, é o melhor de todos complementos. Depois vem a batata-doce, moranga, maionese salada verde e talvez – eu escrevi talvez – até arroz...

Para um evento mais “chique”, aí vem obrigatoriamente a salada verde. Exigência dos comensais mais bem-comportados e controladores de peso. Folhas, também são bem-vindas, mas nesse caso a exigência de tempero com vinagre tinto é fundamental. Ainda na presença desse padrão de convidados e sendo uma costela rica na cobertura de gordura, tudo se resolve com uma boa farinha de mandioca, pois muitos afirmam (claro que é mentira) evita de engordar, pode comer à vontade!

Depois desse almoço, já meio enjoado pelos excessos, sem jamais acusar a cerveja como principal culpada, um café traz toda a paz de espírito de volta. Nos resta esperar a digestão trabalhar um pouco, para lá pelo meio da tarde, dando preferência ao Sol de Inverno, a hora de comer algumas – não mais de umas trinta – Bergamotas! Fruta, também conhecidas em outras Praças como tangerinas! Aqui seu nome é diferente, importamos o "vergamota" do Vêneto esse bom nome italiano!

Muitas vezes os convidados vêm de longe e vão ficando... Uma olhada às sobras na “gamela”, aguardam novo destino! Estou falando no improvisado “Carreteiro” a encerrar definitivamente a comilança dominical. Quando se trata desse prato feito com charque (tipo carne de Sol), aí se trata de uma nova celebração gastronômica a merecer atenção de um jantar exclusivo! A regra para o Carreteiro de Charque, é de uma rigorosa simplicidade: Charque, arroz e ponto final! Eu faço – mesmo escondido – com preparação de tomate e cebola! Saio um pouco da regra básica mas fica muito bom. É tipo de um prato único, mas se alguém tiver a boa vontade de fatiar um repolho bem fininho, eu aprecio muito sem abrir mão daquele mesmo vinagre tinto, sal, pimenta preta moída na hora e azeite de oliva.

Não me perguntem se há sobremesa. Não sei fazer tampouco tento fazer. Doces não estão na minha área de labor culinário, mas... A tradição reserva espaço para um sagu com creme, um pudim de leite condensado e a trabalhosa ambrosia! Dispenso a todos, mas “tendo”, como com entusiasmo infantil!

Ah! Não vamos esquecer: - Toda costela ou qualquer rejeito do churrasco, depois de aproveitado naquelas peças para o carreteiro de encerramento, guarde-os, porque sempre tem um amigo dono de um cachorro a finalizá-los. Creiam-me, isso solidifica a terna amizade com aquele animal considerado o “melhor amigo do Homem”! Cachorro adora roer uma costela!

  

Porto Alegre,30 /jul/2026.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

 232) Liderança, Influência &Poder.

Liderança, Influência e Poder. Eis um tema desafiador a qualificar a tantas responsabilidades assumidas durante toda nossa vida. Atividades profissionais, sociais, de amigos ou em Família! Não há uma regra simples, orientadora, apesar de tantos livros já escritos sobre o assunto. Mas são eles, os Livros a nos dar uma perspectiva com visão dos caminhos menos espinhosos a percorrer nessa exigente atividade.

Livros: “O Príncipe” (1513) e “Os Pensadores” de Maquiavel, mais o “Arte da Guerra” de Sun Tzu são de uma riqueza fantástica na abordagem da Arte de Liderar. Esses trazem exemplos claros de como agir em momentos de pressão, necessidade de assumir posições claras. Todas com o provocante desgaste natural de um fardo pesado e desconfortável na área de liderar, gerenciar e o de ser Papai/Mamãe.

Óbvio, mandar fazer é muito mais fácil ao motivar a fazer e é aí onde reside a diferença brutal entre elas quando se mede o resultado de cada uma. Quando o poder de uma autoridade é claro, tudo se define numa hierarquia estabelecida com regra aceita pelos liderados, mas nem sempre isso acontece, daí a gerar reações contrárias e o “cortar cabeças” se impõe necessário. No segundo livro, já citado de Sun Tzu, o medo eleva significativamente o poder do líder, enquanto o amor, pouco adiciona. Está lá, escrito no livro dele...

Entretanto, sempre tem algum reparo. Uma das melhores experiências já por mim vividas, me pegou num período com pouca experiência, melhor, com zero experiência – quesito muito vivo em qualquer responsabilidade – ainda muito jovem, recém-chegado aos dezoito anos de idade durante o Serviço Militar, um fato chegando às raias do hilário:

- Fui Cabo no Exército, ano de 1967, época de grande respeito à Instituição e reconhecida como a melhor linha de respeito hierárquico. Havia uma forte carência de recursos humanos em todas áreas. No Quarto Regimento de Cavalaria, onde eu cumpria o Serviço, o Comandante era um Tenente Coronel, quando deveria ser um Coronel e assim a maioria dos Postos eram responsabilizados.

Nesse formato, mesmo sendo Cabo, num determinado dia na Escala de Serviço, ocupei a responsabilidade do “Sargento da Guarda”. Uma das tarefas, era o de conduzir o Serviço da Guarda ao Rancho nos horários previstos. Para o almoço nesse dia, os Soldados da Guarda em Ordem Unida cercavam os Praças que cumpriam prisão. A formação compunha com os apenados ao centro, cercados pelos Soldados em Serviço, obrigatoriamente “marchando” em compasso ditado pelo Sargento da Guarda, eu no caso...

O percurso era algo de uns seiscentos metros da Guarda ao Rancho e por óbvio a totalidade dos apenados, meninos como eu, cumpriam castigo por Indisciplina Militar, previsto na Quarta parte, Justiça & Disciplina... Um dos apenados fora condenado por deserção, na nossa visão à época, a pior das infrações!

Pois foi esse Soldado quem me deu a “melhor das lições”: O pelotão todo marchava em concentrado e orgulhoso ritmo como se estivessem indo para a Guerra! Ele, somente ele, caminhava numa displicência de dar inveja a um carnavalesco de ressaca voltando para casa na Quarta-feira de Cinzas! Era só preguiça, arrastava os coturnos na maior sonolência de desafiadora má vontade! Olhando para as nuvens e assobiando alguma música, talvez alguma rancheira do Teixerinha!

Pois foi quando o “Cabo Fausto” num exacerbado e rigoroso comando de ALTO, fez parar aquele pelotão de uns vinte guerreiros, com um forte estalar de suas esporas em uma rigorosa Posição de Sentido! A tempestade estava anunciada e em tom de forte trovoada com o mais alto rigor, lhe chamei atenção sob severa advertência! Confesso, fiquei orgulhoso de posicionamento com tão forte Posição Militar! Já o atingido por tamanha reprimenda, responde no mesmo entusiasmo de sua “caminhada” em direção ao rancho:

- “E daí Cabo! Que qui tu vai fazê? Vai me botá na cadeia?”

Prender um preso? Sem resposta, toda minha autoridade se desmontou derretida! Resmunguei alguma coisa ininteligível, língua enrolada e tom de voz bem mais moderado da anterior e me restou seguir em frente rumo ao Rancho, como se nada tivesse acontecido. Voltamos do almoço, ele exatamente como fora e cada um retomou seus postos e os presos em suas celas! Mantive-me sem resposta naquele caso. Como fazer para prender alguém já preso? É. Liderança sem um poder claramente definido, é melhor ficar calado!

Porto Alegre, 23/jul/2026.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

 231 ) Solidão!

Eis uma palavra chocante, assustadora, sempre à espreita de todos nós na aproximação de idades mais avançadas, mas na verdade, ameaça presente em todas etapas de nossas Vidas! Desde bebezinhos a choradeira no afastamento da Mamãe é presente e vigoroso! Nascemos para viver em Sociedade e o isolamento de menor tempo possível, nos coloca em absurda falta de segurança

Então, não é na velhice a origem desse sentimento a nos agredir sobremaneira. Em todas idades, mas a da velhice claro, se trata da mais cruel e geralmente irreversível. Somos esquecidos? Não é bem isso, mas o Mundo nos impõe a todos, atividades cada vez mais envolventes em nosso dia-a-dia, a ponto de certa forma abandonarmos nossos entes queridos naquela triste situação. Abrigo? É. Resolve. Mas resolve somente a acalentar um pouco o sentimento de abandono por nós decretados aos nossos velhinhos queridos. Já em caso de não tem recursos financeiros suficientes – esses abrigos são caríssimos – o abandono se materializa muito depressa.

Na idade intermediária estamos livres? Não. Definitivamente não. Na modernidade os casamentos jurados “até que a morte os separe”, não passa de uma frase protocolar, quase vazia imposta no cerimonial. O amor se dissolve? Não. A danada da rotina esgota os prazeres da união rapidamente e a dissolução se apresenta. É nessa faze de muitos casais se focarem em demasia ao trabalho e a razão do casamento toma valores sem expressão. Não há uma fórmula mágica para superação dessa fase, se existe, desconheço totalmente e é daí a fase sofrida ainda na juventude por matrimônios a se derreterem. Pior: - Muitas vezes convertida em “ódio sincero!”

Uma coisa é certa, a solidão também serve para cicatrizar feridas das mágoas provocadas nesse tipo de rompimento. O amor sublime amor, se converte em um ódio irrefreável, daí refiro ao aceitar a solidão como período de recuperação. O Italiano Sergio Endrigo e mais, compuseram “Canzone Per Te”. Canção maravilhosa quando chamou Roberto Carlos a interpretá-la, conquistando o Prêmio Maior no Festival de San Remo em 1968. Tem na letra um trecho espetacular a saudar romanticamente essa ameaçadora solidão: “La solitudine che tu mi hai regalato io la coltivo come um fiori”! 

Românticos poetas saúdam a dor com uma reverência especial, tratando-a como um mal necessário e eu creio ser de fato. Mas a verdade é única, a saudade gerada nessa solidão, muitas vezes nos arrasam, serve de base para mais adiante nos solidificar, nos amadurecer. Importante não recebermos como um mero castigo reservado a pagar por erros cometidos. A Religião Cristã Prega - e eu Creio – Cristo veio para nos perdoar. Perdoado, deu. Chega. Muito mais de uma Crença Religiosa é a Direção a nós concedida e nos dá à superação de nossos erros e defeitos. Arrependimentos mil não nos leva a absolutamente nada. É apenas autotortura. Vital o aprendizado com a lição e repetir os erros do passado. Como passado, merece ser sepultado – via de regra dificílimo – mas como diz um adágio popular: “Bola prá frente!”

 Se apreendi, significa cresci intelectual e espiritualmente, assim nós vamos nos tornando melhores Seres Humanos. Eu sei, muitos nem assim evoluem! Mas como tudo na Vida, não sei exatamente a razão, mas “erva daninha” também faz parte do contexto da nossas Vidas! Momento de exercitar a tolerância e dar pouco valor aos tropeços de todos nós e talvez, virar o rosto a todo o contorno que nos circunscreve.

 

Fausto Diefenbach.                Porto Alegre, 16 de julho de 2026.

 

quarta-feira, 8 de julho de 2026

 230) A Copa do Mundo de Futebol – FIFA.

Nessa semana leio “No País do Carnaval”, livro de Jorge Amado. Com o acontecimento futebolístico no domingo passado nos EUA, com nossa Seleção Brasileira de Futebol, estou convencido do Carnaval estar aos poucos saindo fora do contexto brasileiro, mas é claro, ainda com alguns grandes eventos, shows – predominantemente comercial – mas futebol é definitivamente nossa louca paixão. Conhecimento e argumento de futebol não é meu forte. Jornais, rádios e TVs, já esgotaram o assunto desse imenso e horroroso fiasco, diante da Noruega!

Respeitando a paixão, minha também, vamos a algumas considerações para aliviar a dolorida ressaca cantando: “Oh! Quanta alegria, mais de mil palha...”

Com a eliminação também precoce da Alemanha, teremos garantido por mais quatro anos o privilégio de continuar sendo a única seleção Pentacampeã na História: Conquistou em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002! Chama atenção aos nossos olhos, é de ter em cada uma das conquistas, pelo menos uma Estrela a brilhar no escrete!

O primeiro foi na Suécia, região metropolitana de Estocolmo em 29/jun/1958. Um menino de dezessete anos brilhou e brilhou muito. Nascia o Rei do Futebol, Sua Majestade o Rei Pelé! Eu, morando no interior, aos nove anos de idade, vibrava em consonância a uma galera na minha casa a festejar o Brasil novamente em uma final. Quase na hora do jogo, “cai a energia elétrica”. Não havia rádio à pilha, nem rádio em automóveis naquela época. Lembro do desespero de meus irmãos correndo em busca de alguém com rádio à bateria. Não encontraram. Como num milagre a luz voltou e ouvimos ensandecidos com muitos foguetes aquele massacre de 5X2! Brasil Campeão Mundial de Futebol! A alegria era absurda pois oito anos antes, deixamos escapar na final para o Uruguai em Pleno Maracanã!

No Chile, quatro anos depois, em 17/jun/1962, nova final. Alguns jogos antes, covardemente quebraram Pelé. Amarildo substitui o Rei. Mas a Estrela Brilhante foi Garrincha! Seus dribles desconcertantes lá pela direita do ataque, onde ninguém conseguia pará-lo, sequer entendê-lo, pois mesmo com repetição idêntica de dribles, conseguia enganar o defensor de forma espetacular. Vencemos a Tchecoslováquia “de virada” por 3X1! Gols de Amarildo, Zito e Vavá! Adolescente, eu já tinha permissão a foguetes e rojões!

México, 21/jun/1970, A primeira Copa transmitida em cores pela TV, bem como primeiro televisionamento ao vivo via satélite para o Mundo todo. Brasil conquista invicto o Tricampeonato sob comando de Zagallo derrotando a Itália no Estádio Azteca por 4X1 na final, obtendo a posse definitiva da taça Jules Rimet (para anos depois ser roubada!). A imprensa cogitava: “Pelé está velho!” Pois bem, o Velho foi espetacular, a Estrela Maior rodeada por Tostão, Rivelino, Gerson, Jairzinho e na lateral esquerda, o gaúcho Everaldo. Após o jogo a torcida mexicana invadiu o campo e em festa “massacrou” os atletas brasileiros arrancando camisas mesmo aos pedaços, calção, meias, chuteiras... Fãs enlouquecidos. Rivelino desmaia!

O Tetracampeonato foi nos EUA em 17/jul/1994, sob o Comando de Parreira, estádio Rose Bowl, amargávamos um hiato de vinte e quatro anos sem conquista de mundial – como é a situação de hoje, a se prolongar por mais quatro anos – com o brilho estelar de Romário, para mim, um dos melhores jogadores brasileiros em Seleção. Nessa Copa muito bem entrosado com Bebeto! Novamente a Itália a nos desafiar e foi um desafio pesado, a vitória só aconteceu na cobrança dos pênaltis, com erros italianos. Roberto Baggio, a Estrela Italiana chuta a bola para fora e o Brasil ganha a Copa! A vitória ficou em um 3X2 chorado!

O Brasil em 2002, apesar de não ser o grande favorito no Japão e Coreia do Sul é pentacampeão invicto com seis vitórias, nenhum empate! Felipão é o técnico e há uma tríade de craques sob seu comando, de alta capacidade Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e Ronaldo Nazário. Ronaldo é a Grande Estrela como artilheiro da Copa com oito gols. A final em 30/jun/2002 foi no Japão no Estádio Internacional de Yokohama foi contra a Alemanha, derrotada por 2X0 com os dois gols do Ronaldo Fenômeno!

Um passado glorioso a nos orgulhar, faz desse esporte seja de fato fantástico pois não há lógica, há tendência e frequentemente gigantes sucumbem diante de seleções menores. Daí todo o brilho e o despertar, até perigoso, de fanatismos sem controle. 

Domingo passado, uma esperança da Estrela ser Neymar, mas esse, com histórico de lesões e fracassos sem explicação, não se fazia merecer a titularidade – fato muito contestado -  e muito menos aquela Estrela referida nas Seleções anteriores a desequilibrar um adversário. O Treinador é bom e fantástica a sua técnica com “chiclete”! Lembra um jacaré devorando uma capivara inteira! Resta-nos poucos capítulos a trazer de volta a confiança na Canarinho, de tantas alegrias entregues. Aguardemos pacientemente os quatro anos. Passa rápido, eu garanto!

 

Fausto Diefenbach.                                    Porto Alegre, 09 de julho de 2026.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

229) Etapa Final: - Longa Viagem Iniciada no Atlântico.


Prometido na semana passada, hoje será a última Crônica dessa viagem. Agora, é a saída de Marsella rumo a Paris. Foi num trem rápido cobrindo em 03hs34min. os seiscentos e sessenta quilômetros, metade do tempo, se for de automóvel. Passagem ao custo unitário de R$ 614,00, se comprado antecipadamente. Disponível oito horários para esse trecho direto, sem paradas e outras tantas com “escalas”. Muito conveniente a se considerar – vendo no mapa – quase uma travessia de Sul ao Norte da França.

No trem, encanta sentir os trezentos quilômetros por hora com baixo ruído e invejável estabilidade. Paisagens desfilam diante da janela com milhares de hortas e pomares. Lavouras? Não. Viagem muito rápida e traz a curiosa sensação dos postes de energia, ao longo da ferrovia, “passarem voando”!

Chegada em Paris na Gare de Lyon. Dali ao hotel em Montparnasse de metrô. Nessa Cidade, sempre de metrô, a qualquer lugar rápido e barato (2,55 Euros para ir e vir por duas horas), é o melhor meio de transporte e creio ser a melhor rede do Mundo. Toma-se no máximo dois trens, a qualquer destino, em especial aos dois aeroportos.

Escrever sobre Paris até é chato. Cai muito em “lugar comum”. Tudo já foi escrito, filmado e badalado! Mas cabe uma nota a um local no passado, de especial emoção, vibração: - Torre Eiffel!

Há muitos anos conheci Paris e a óbvia atração de subir na Torre de seus trezentos e trinta metros de altura e afirmam a absurda curiosidade – ninguém obrigado a acreditar - de ter altura variável de acordo com a temperatura... Em 1979, também usando metrô, inseguro de estar na direção correta, quando ao sair da estação subterrânea a imensa torre visível a quilômetros, desapareceu! Não estava onde eu desembarquei! Foram segundos de frustração, com orgulho abatido pela falta de noção geográfica, olhando para os lados um tanto “embasbacado”! Ao girar, às minhas costas ali estava ELA! Muito próxima. Imensa, pomposa, “cheirando as nuvens” com suas dimensões inacreditáveis. Fui tomado de uma emoção indescritível! Um choque! Pomposa ao extremo! Suspiro profundo. Quase um engasgue! Subi. Ver a Cidade de cima valeu cada centavo dos trinta e seis Euros – preço de hoje - cobrado pelo elevador! Lembrando: Na França nada é barato...

Seguindo viagem, a Lisboa rumo ao aeroporto, ao chegar na Estação Edgar Quinett, Elaine com duas bagagens de mão pesadas e eu com a mala grande, enorme, carga pesada de obrigação ao “Macho Alpha”, no primeiro lance de escada com degraus comuns, as escadas rolantes só mais adiante. Era cedo da manhã e quase ninguém circulando, apenas um menino de aspecto germânico descia junto. Olhos azuis, bem vestido, sorriso simpático, apressado, parecia interessado e ajuda-la, mas não. Não é simpático afirmar, mas verdadeiro ser a cordialidade um ponto a desejar nos parisienses. Aquele querido menino veio logo atrás de mim, não dei importância, mas senti um leve toque, carinhoso no meu bolso, estava a rica mãozinha daquele bom menino subtraindo suavemente minha carteira com tudo dentro, dinheiro, todos cartões e documentação!

Dei-lhe um vigoroso tapa no braço daquele FDP! Larguei a mala no chão e avancei aos berros em sua direção. Virou as costas disparando e decolou escada acima. Enlouquecido, berrando perdi a conta de tantos qualificativos para aquele ladrão ordinário, sem vergonha! A carteira ficou comigo...

Dia seguinte, voltando para casa! Encerramos programa de vinte e oito dias em Lisboa, onde recebidos por Renata, Márcio, Artur e Anita quando por mais de dez horas rodamos a garantir visita aos melhores pontos e restaurantes da Capital Lusitana. Encosta belíssima e muita Tradição Histórica na tão íntima relação com o Brasil! Cidade tão arborizada e bem cuidada que encanta. Na Europa, visita obrigatória!

Porto Alegre, 02 de julho de 2026.