235) Onde Andam os Pardais?
Pois é, afinal de contas, onde andam os nossos Pardais? Em épocas não muito distantes víamos centenas desse pequeno – sete centímetros - e arisco pássaro nas ruas a ciscar nos calçamentos de paralelepípedos, a empoleirarem os fios de luz, galhos de árvores e em suas belas exibições de revoadas de grandes grupos pelos nossos ares. Eles nunca foram exclusividades do nosso Estado nem do nosso País, curiosamente se trata de um pássaro habitante de todo o Planeta.
Coitado do singelo passarinho, cedeu seu nome até para o antipático controlador eletrônico a medir velocidade e aplicar multas nas vias públicas. Seu apelido surgiu nos anos noventa pela sua aparência física das caixas cinzas nos postes. A lente redonda parecia o seu olho e ao seu comportamento silencioso e atento vigiando a todos nós! Não é, seguramente o equipamento mais amado do Brasil...
Voltamos ao pássaro: - O Pardal é uma das espécies de aves originárias da Ásia e Europa, entretanto, é muito comum encontrar eles vivendo em praticamente todas as partes do mundo. Aqui no Brasil, chegaram por volta de 1906 com o objetivo de controlar a população de insetos. Na sequência, considerado praga por reproduzir muito rapidamente e competir expulsando agressivamente as aves nativas por comida e espaço.
Sua vinda para o Brasil, foi uma revolucionária iniciativa do comerciante Antônio Bento Ribeiro, com o aval e autorização direta do então Prefeito do Rio de Janeiro, Francisco Pereira Passos em 1903. A ação aconteceu para apoiar a histórica campanha de saneamento e higienização urbana liderada por Dr. Oswaldo Cruz. Com cerca de duzentos exemplares da espécie “Passer Domesticu” da família Passeridae, algumas das aves comuns no Mundo, trazidos de Portugal. O projeto previa serem essas aves exóticas, vorazes e eficientes no combate aos mosquitos transmissores de epidemias como a febre amarela e a peste bubônica então assolando a Capital Federal.
No Campo de Santana no Rio de Janeiro, foi em pomposa solenidade celebrada a soltura, constatado anos depois como um erro ecológico, pois eles, os Pardais, consomem insetos só na fase de reprodução a alimentar de seus filhotes, voltando depois a sua base alimentar através de grãos, sementes e comida orgânica. O controle falhou e a espécie invasora acabou se proliferando desordenadamente pelas cidades de todo o Brasil.
Fui provocado pelo amigo o Vedoi a buscar informações desse tipo de migração e o resultado foi nada alentador: - Não é migração. Eles estão simplesmente sumindo dos grandes centros urbanos do Mundo todo, cuja justificativa lida é devido a “falta de alimentos expostos, concorrência por outras espécies e mudanças na arquitetura urbana, pois no passado faziam seus ninhos em buracos nas rochas e a adaptação às cidades se deu em beirais de telhados de casas, entretanto hoje as casas estão sendo substituídas por prédios imensos, sem os beirais!”
Algumas respostas vêm com a liberdade das Redes Sociais de hoje, a publicar qualquer coisa, vez por outra surgem algumas loucuras, mas umas com algum crédito, a exemplo de uma opinião recente dando conta da força dos ventos, algumas fazem até cinzas vulcânicas atravessarem oceanos, e gera um curioso questionamento: - Como se posicionaria hoje a guerra entre Rússia e Croácia a gerar para todo o Planeta seus resíduo de suas bombas a afetar a população mundial com seus amaldiçoados componentes secretos matando um pouco de todos nós! Talvez aí, a frágil Pomba Juriti e o Pardal a pagarem sua quota! Sabe-se lá!
Dessas tantas respostas, só não aceito como verdadeira a da “concorrência por outras espécies”, pois reincidiria na pergunta inicial aumentando o sujeito da questão: Onde estão as pombas Juritis, etc.? Aí está, eu acredito, a mais cruel e chocante resposta responsabilizando naturalmente aquele animal bípede, que lhe é atribuído a capacidade de pensar, é o soberano Predador de tudo e de todos. Predador de aves, animais, peixes e vegetais. Sim, até as árvores. São muitas as árvores catalogadas em extinção. Predador até mesmo do seu próprio Semelhante! Nem preciso escrever qual bicho é. Preciso?
Porto Alegre, 06/ago/2026.