217) Punta Tombo na Argentina. Onde fica?
Aqui nesse “blog” já registrei minha clara predileção pelo transporte terrestre, em viagens a passeio de pequeno percurso, no entanto, em janeiro de 2004 fiz – sentado na poltrona número dois do andar de cima do ônibus, com imenso para-brisa a minha frente – por mais de onze mil quilômetros rodados rumo ao Ushuaia. Mesmo com tamanha viagem de cento e oitenta e seis horas a bordo, valeu a pena cada quilômetro percorrido! Sinceramente, nem pelo destino final, mas tudo a se ver e assistir nessa viagem. Não recomendo absolutamente viajar ao extremo das Américas de avião, pois veria apenas o destino final quando o melhor está na travessia!
Mil e duzentos quilômetros depois da primeira parada – hospedado em Buenos Aires – ao sul está a península de Punta Tombo da Província de Chubut na Patagônia Argentina. É a segunda parada. O plano é visitar no dia seguinte, em ônibus especial, uma colônia de pinguins. A estrada de “rípios”, é sem asfalto e piso complicado para veículos de suspensão mais sofisticada. Então em um ônibus bem comum, trepida-se entre pedregulhos e estrada ruim até lá!
Chamou-me especial atenção com acentuado grau de desconfiança na atração, em razão do anúncio de prevenção, dos agentes turísticos locais, contratados para esse evento, afirmando estarmos na época de os aproximadamente um milhão de aves deixarem a Região, voltando para a Antártida. Pior, eles se organizam para toda colônia partir no mesmo momento. O risco era de em lá chegando, a praia estar totalmente deserta. Desculpem-me, não se trata absolutamente de preconceito, mas já vivenciei algumas lorotas em peças pregadas a nós brasileiros por “eles”, dado nossa natural ingenuidade...
Algumas poucas horas daquele tráfego
complicado, chegamos! Tive um espanto foi glorioso! Duvidei de quem não
merecia! Lá estava toda aquela população em número completamente prometido! Uma
multidão espetacular nunca imaginada. São tantas pequenas aves a fazer uma algazarra
imensa, referido como um grito de exibição (display call) usado para sua
comunicação social e reconhecimento. Emitem sons variados, grasnidos, guinchos,
piados e um som semelhante a um zurro – como jumento – para atrair! São aves marinhas,
mas não voam, usam suas asas para locomoção com grande agilidade na água. Show
inesquecível!
Aos humanos visitantes, número limitado e muito bem controlado, cujas movimentações são feitas em corredores cercados e o resto da área composta de pequenos arbustos sobre a areia, onde eles transitam livremente sem dar a menor importância para nós. Eles são suficientemente “civilizados” para tolerar a nossa presença. O detalhe rigorosamente orientado de convívio, é de jamais tocá-los. Isso seria letal, pois no toque transmitimos “nosso cheiro” e dele resultará expulsão sumária da colônia. Muito sociais, irão morrer na solidão do abandono.
O período de estada deles naquela península, é sempre o mesmo, resultado da busca de um período em local mais quente para acasalamento. A reprodução deve acontecer quando de volta para casa, a Antártida. A organização e ordem é invejável, pois há uma liderança a comandar a partida de todos em um único e mesmo dia, criando uma verdadeira onda escura no Atlântico durante o flutuar de seu retorno. Há um interessante comentário local, de ter a NASA registrado uma “estranha visualização” de imensa mancha negra no Oceano Atlântico na costa Argentina, em lento deslocamento ao Sul...
Afirmam especialistas ao fato de sua unidade no retorno, garantir inibição e dificuldade de ataque de seus predadores naturais. Enquanto esse grupo na água é chamado de jangada, em terra firme de bando ou ninhal.
Resumindo: Paradas dessa jornada tornam o longo período em viagem extremamente interessante e posso garantir, embora lento se comparado com aviões, não causa nenhum tipo de cansaço ou estresse, até porque, pela empresa em que viajei, Galápagos Tour, são apenas duas noites a bordo, as demais em confortáveis hotéis a recuperar o período em poltronas e para um bom banho quente e um jantar com a boa comida argentina, das melhores carnes conheço! Boa viagem!
Porto Alegre, 12/mar/2026.