242) Paraquedismo: O Salto mais Emocionante!
De fato, o salto a se perpetuar em nossas mentes foi e sempre será, o primeiro deles! Tudo é dúvida, tudo é medo e sinceramente um medo nos limites do tolerável. É comum entre os principiantes – o “manicaca” na linguagem divertida do paraquedista – é o desistir do curso após a parte teórica. Alegação: - “Compromisso de última hora”, não consegue ir à Área de Saltos para a aula prática, o salto! O Italiano diria: - “Paura”!
No Primeiro Salto, não há a queda livre. O atleta "salta enganchado". Consiste em uma fita de sete metros com uma ponta ancorada no interior da aeronave a outra presa ao contêiner onde está dobrado o velame principal do equipamento. O atleta já lá fora da aeronave, solta-se do montante – barra metálica afixada sobre o trem de pouso – e inicia sua queda. Ao esticar aquela fita, ela arranca o velame para fora do container e pela ação do forte vento se abre. Lindo, colorido, maravilhoso sobre a cabeça! Aleluia! O equipamento funcionou e se inicia o voo de descida navegando até seu pouso próximo ao alvo, em terra firme!
A abertura se dá logo na saída com um surpreendente choque na redução abrupta na velocidade de queda e o voo se inicia aos quatro mil pés de altura. É de uma beleza indescritível com uma vista deslumbrante! A sensação de segurança é real e a saída de dentro da aeronave com a porta aberta e muito barulho do motor roncando e o vento forte. Subitamente silêncio. Um suave chiado resultado do encontro da borda de ataque do velame ao ar, é reconfortante. Paz e euforia se cruzam em nossas mentes!
Na saída, a adrenalina toma conta do nosso sistema até se soltar ao espaço vazio. A fatídica saída e se converte em endorfina a provocar incrível sensação de prazer, alegria e euforia! A paisagem privilegiadíssima se descortina aos nossos olhos. É glorioso a quem curte voar e apreciar pela minúscula janela do Boeing o lindo Mundo azul e verde deslumbrante lá debaixo. No paraquedismo inicial, é aos quatro mil pés a saída, pouco mais de um mil e trezentos metros de altura. Sim, é muito alto! Não se distingue um automóvel de um ônibus...
O delicioso voo com as mudanças de direção, são mais fáceis do que dirigir bicicleta na “segurança da terra firme”. Exercitar curvas - orientadas pelo Instrutor em terra, falando pelo alto-falante do seu capacete – torna aqueles seis a sete minutos de navegação seguros e absurdamente prazerosos!
Uma curiosidade chama atenção é dos sons captados pelos nossos ouvidos lá do alto: São os latidos e – meu primeiro salto foi ao entardecer – o cantar de galos! Nada mais se ouve, nem o ruído da rodovia lá em baixo, sejam caminhões etc. Silêncio brindado por esses sons curiosos e mágicos. Resta o suave chiado do vento pelo velame avançando (média) cinco metros para cada um metro de queda real.
A emoção toda não se encerra no pouso brando e tranquilo! São as horas na sequência absorvendo a emoção concentrada naqueles breves momentos desde a saída até o pouso. “Viaja-se” num sonho acordado, entorpecido e aos poucos a memória dá conta de tudo o que se passou e raro é o caso de ali se encerrar a aventura. O desejo de voltar a voar fica latente e ainda mais desafiador pois conhecendo todas etapas, um novo medo aparece desafiador no segundo salto. Curiosamente mais agudo, superável só quando voltamos a voar e desfrutar a mais excitante das aventuras!
Corrigindo o título: - Abri essa Crônica a escrever o “Salto mais Emocionante”. Excitado contei do meu primeiro salto mas aguardem o realmente mais emocionante, também não foi o do acidente em 1999, tantas vezes aqui contado, mas será outro no Festival de Balonismo de Torres-RS! Aguardem para a próxima quinta-feira. !
Fausto Diefenbach.
CBQp 20225 - Categoria “C”
Porto Alegre, 08 de outubro
de 2026.