226) A Chegada ao Mediterrâneo!
Gibraltar com todas limitações territoriais, é basicamente uma enorme montanha de calcário com quatrocentos metros de altura, toda perfurada por inúmeros canais e cavernas, onde até durante a Segunda Guerra Mundial [tem túneis bem mais antigos.] a Inglaterra ficou postada naquele ponto estratégico, armazenou munição e víveres viabilizando sobrevivência de uma Força Tarefa no local a vigiar a “entrada na Europa”, por meses.
Essa cidade empresta seu nome ao estreito. Separa a Europa da África por apenas quatorze quilômetros, num mar profundo de variações drásticas entre 338 a 1.181 metros de profundidade. Afirmam, em dias claros – não tivemos esse privilégio – ser claramente visível dali a Marrocos, Região Africana. A travessia pode ser feita através de balsas e apesar da curta distância, a antiga e sonhada construção de uma ponte ou túnel são considerados o maior desafio de engenharia do mundo. A profundidade, fortes correntes, instabilidade do fundo marinho e a localização de falhas tectônicas ativas na área, dificultam demais, acima da capacidade atual da Engenharia e Arquitetura!
Gibraltar tem uma curiosidade história especialmente aos fãs – para mim, da maior Banda de Rock do Mundo, The Beatles – foi lá, em 20 de março de 1969 numa cerimônia de apenas dez minutos, se casou John Lennon e Oko Ono!
Voltamos a nossa viagem: - Não demos sorte nessa chegada, por um dia de mau tempo reinante. Com frio e garoa forte, nos reservamos ao interior do navio por horas. Do pouco visitado, com o uso desajeitado de um guarda-chuvas, meu lamento maior ficou por conta de não conhecer o aeroporto local, cuja pista é curiosamente partilhada com uma das avenidas mais movimentadas no meio da cidade. Quando há pouso ou decolagem, sinaleiras e cancelas são acionadas e a via pública se converte numa enorme pista, com capacidade de pouso e decolagem a grandes aeronaves!
Pela chuva e indisposição a sair sob essa intempérie, coincide com um resfriado a me fazer expirar como um “gato enfurecido”, fez frustrante o primeiro contato com a Europa. No entanto, avaliando os dezoito dias de viagem, foi o único momento de a meteorologia estar contra nosso passeio. Até saiu barato. Então, sem “chorumelas”, afinal de contas, nesse dia ao entardecer se repetia a nova partida agora rumo a cidade espanhola de Alicante, para depois Barcelona e Marselha, nosso destino final do cruzeiro.
Próximo porto será Alicante. Nenhuma expectativa. Melhor assim, pois a cada espaço, nova surpresa e assim foi a visita a essa glamorosa Alicante, cidade espanhola, com três mil anos de História! A caminhada do porto até a Esplanada de Espanha, foi de quinze minutos. Essa esplanada, avenida ou calçadão de mosaicos se percorre à beira mar de uma bela praia com suas areias brancas. A avenida é composta de duas pistas regulares mas estreitas, entretanto, seu canteiro central é rico em árvores e palmeiras seculares com um elegante ajardinamento muito florido! Muitos são os bares à beira da calçada, sempre repleto de turistas e múltiplas atrações.
O melhor mesmo, estava ali ao lado, o morro de Santa Bárbara com seu Castelo Medieval. Um túnel atravessa-o e ao meio toma-se um elevador a nos levar ao cume onde o brinde é uma vista fantástica da cidade. Curioso - por se tratar de Europa - um local limpo organizado, muita gente atendendo e NÃO cobram ingresso... É. São tantos templos religiosos com sua bilheteria ao lado, nesse caso, ao se deparar com um acesso “free”, a gente até desconfia...
A ritualística de despedida se repete e
ao entardecer lá vamos nós rumo a Barcelona, penúltimo porto de nossa viagem.
Por razões semelhantes a Maceió – estivemos aqui há alguns anos – optamos
apenas por uma leve e inexpressível caminhada ao redor do porto, alimentando a
expectativa de em mais um dia encerrar o Cruzeiro com a chegada à francesa
Marselha. Conto mais sobre a chegada na França na próxima quinta-feira!
Porto Alegre,
11/mai/2026.