243) Paraquedismo, agora sim: O MAIS Emocionante!
O meu conhecido entusiasmo
ao paraquedismo veio desde o primeiro salto em meados de 1995 aqui registrado
na última quinta-feira, somado a tantas histórias de aventuras e fortes emoções
vividas nesse fascinante esporte, de elite eu sei, pois, cada salto envolve um
custo razoável desde o investimento inicial em um equipamento completo, próximo
aos cinco mil dólares americanos, mais o valor pago a cada decolagem como
despesa de “passagem de ida aos altos céus!" O retorno, é um voo sem custo
adicional e como já escrevi, é bem rápido, de até 250km por hora! Mas faz valer toda a ritualística, garanto!
Já abandonei o esporte por razões práticas
e financeiras. Na prática foi ao perder o ritmo de saltar que era de pelo menos uma vez
por semana e ao acidentar – paraquedas no Estádio Olímpico – interrompi por razões de recuperação física por três anos, consequentemente ausente do aeródromo de
Sapiranga-RS para saltar. Na sequência, se foi a parceria com os amigos mais
próximos no esporte. Com a desistência de alguns daqueles amigos, abandonei
também. Hoje, ao ouvir o ronco de um Cessna, ainda sinto emocionada aceleração
cardíaca...
Esse salto a contar agora, foi o quinto e último durante o Festival de Balonismo em Torres. Com quatro colegas convidados para saltos de demonstração, aquele belo domingo ensolarado de poucas nuvens e céu azul, marcou muito aquele domingo! Esse era da minha a responsabilidade como “Mestre de Salto” e nessa posição, a hierarquia a bordo pertence a esse paraquedista, ficando inclusive o Piloto à suas ordens de rota, altura e o Ponto de Saída, o “PS”, a ser feito sobre o alvo na área de pouso.
Próximo a esse ponto, abre-se a porta afixando-a acima numa presilha contra a asa e com a identificação clara, precisa do PS, dá-se a ordem de corte na rotação do motor e se faz o lançamento dos paraquedistas, sendo o Mestre de Salto o último a sair. Éramos cinco, com duas passadas sobre o alvo no mesmo voo. Dois lançamentos na primeira, mais uma rota de trezentos e sessenta graus e saída dos últimos e a aeronave toma seu rumo.
Entretanto nesse momento, do segundo lançamento, o piloto errou o retorno ficando distante do PS. Ordem de nova circunferência. Com óbvio acréscimo no gasto em combustível provocou no piloto muita contrariedade. Também me estressei. Foi minha vez de cometer o erro ao deixar a porta aberta suspensa na asa durante todo aquela nova volta! Com a forte vibração natural em voo, rompeu-se a porta ao meio com seu pedaço maior sair perigosamente batendo contra a carenagem do avião num barulho apavorante! Começou com um susto horroroso a todos! Bem maior foi do Piloto, pois os paraquedistas estariam “voando fora” e ele seguir seu voo!
O jovem piloto gritava desesperado,
pois ficaria a bordo até seu pouso, sabe-se lá como... A porta poderia ter
atingido e danificado o profundor da aeronave, aquela parte onde fica a “asa
traseira” com o leme do avião. Lancei rápido o último colega e fiquei com o
piloto. Assegurei convicto: Vou lá fora verificar os "estragos e já volto" ... Ele muito assustado,
pálido concordou só com um aceno da cabeça! Fui...
Inesquecível – ao lembrar, sudorese nas mãos - a maior de todas emoções vividas em mais de trezentos saltos! Lá fui eu porta fora do avião em pleno voo a quatro mil pés de altura, me segurando com as unhas nas raras saliências e entrâncias da carenagem, até ter uma visão razoável dos componentes do profundor. "Pareceram inteiros"! Opinião de um neófito mas única disponível naquele momento dramático, voltei para dentro da aeronave, afirmei estar tudo inteiro, aceita pelo Piloto então dei um ”tchauzinho” e voei porta afora... Soube na sequência ter pousado bem no seu aeroporto de destino. Com ele, nunca mais me encontrei! Acho ter ficado bem obrigado! Resolvi não investigar...
Fausto Diefenbach.
CBQp 20225 - Categoria “C”