quarta-feira, 28 de outubro de 2026

 245) E a Tristeza?!

Está aqui e agora um tema, sem nunca ter seu merecido espaço entre as linhas e colunas daqueles “dedicados à escrita”. Raramente, um tema em suas individualidades, analisa a razão dos delicados momentos de “baixa alegria”. Isso merece muito mais de nossa inteligência e se não for para ajudar alguém, ajudemos a nós mesmos!

Estava a lembrar de uma “tristeza engraçada”, pois se tratando de algo sem seriedade como o mergulhar no fanatismo de uma torcida de futebol e/ou qualquer disputa esportiva ou política, depois de passado o castigo da significativa derrota , se dá conta de se tratar apenas de um jogo e como tal, não merece a brancura extra em nossos cabelos, muito menos sua queda! 

Pois dessa feita foi do meu Irmão mais velho, o Sergio, mano que me ensinou ser Gremista, foi ele relatando – depois de ficar durante uma madrugada com seus filhos a assistir uma decisão de Grêmio X Ajax, no Japão e da sua derrota nos pênaltis – o dia amanheceu, segundo seu lacônico relato, um dia mais triste, nublado, frio extemporâneo, curioso para um mês de dezembro! Por óbvio, quando desse relato já passado alguns dias dessa melancólica catástrofe do nosso Time, rimos...

Acredito, de todas as tristezas a mais perigosa é a que leva o título – só o título pois é real – de “tristeza imotivada!” Esse status é muito enganador. Já vivenciei frustração profunda por falta de sensibilidade a não identificar em alguém - três vezes em amigo e uma em parente próximo - de seus sutis pedidos de socorro! É, não me dei conta a tempo, para depois amargar a dor de perder para sempre cada uma dessas pessoas queridas! Provavelmente não teria força ou competência para uma ação com resultado, um resultado salvador!

Para quem não é um Profissional da Saúde, se trata de uma situação complicada onde maioria das vezes a vítima em questão oculta de onde vem sua frustração e diagnosticar com precisão, simplesmente impossível.

Durante um compromisso onde estive criando um curso de Desenvolvimento de Pessoal dedicado a uma empresa multinacional, havia um módulo de Dicção & Oratória. A Empresa alocou mais um Profissional para o “trabalho à quatro mãos”, um experiente Psicanalista onde a troca de ideias, eu era muito beneficiado! Trocamos experiências muito perigosas no trato de apoio químico alcoólico a superar alguma forte tensão de um Orador enfrentando seu desafiador e desconhecido público. Perigoso em duas fronteiras: Se orientarmos um “alcoólatra” a usar, mesmo moderadamente, será um desastre! Se for um abstêmio, experiência nova, talvez o desastre ainda maior!

Então, recomendação com uma severa investigação dos hábitos e cultura antes de iniciar qualquer uma das arriscadas “medicações alcoólicas como lubrificante encefálico”! Hoje total e plenamente vetada em ambientes Institucionais. Mas não deixarei suspense no ar. Revelo junto à hipócrita recomendação de “jamais façam isso”:

1)   Responsável por um discurso (estamos tratando de Dicção & Oratória) de um grande público, extremamente formal, exigente, desconhecido de alto grau de tensão: - Um pequeno cálice, medida não superior à “dois dedos” de conhaque, uns dez minutos antes da nervosa apresentação! Excedendo a medida, será uma catástrofe... O relaxamento é notável!

2)   Um amigo em grande tristeza – não em cuidados Médicos por depressão – apenas com tristeza aparentemente controlável, dá-lhe um moderado “trago” de saquê! A alegria surge como mágica!

Medidas simples, mas de resultado eficiente! Não aceite como normal essa tal de tristeza a nos consumir! Como resolver? Não sei exatamente, mas é possível contornar!

Com certeza, se entregar ao consolo sob a alegação: - Devo passar por essa situação!” Nada disso, se trataria em um erro brutal. Apoie-se naquele samba que propõe em seus versos: - “Levanta sacode a poeira e dá a volta por cima!”

 

  Fausto Marchiori Diefenbach.

Porto Alegre, 29 de outubro de 2026 

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

 244) Escrever? Por que?

Sim, por que escrever? Ouvi essa pergunta algumas vezes e nunca pude validar convicto da razão clara na minha iniciação, se fui de fato Iniciado. Mas como tudo na vida, alguma coisa nos motiva a iniciar algo e esse é o ponto nevrálgico de minha proposta, num passado de histórias e estórias vividas e contadas. Nas estórias muitas vezes resultado de ter “lubrificando” um fato a torna-lo mais atraente, as vezes engraçado. Um dia alguém me disse: - “Escreva isso”! Assim escrevia primeira crônica!

Inicialmente e isso tem mais de vinte nos, fui ao computador e teclei tantas vezes até o momento de juntar uns dez textos, e adotei chamá-los de crônicas. Lembrando: Crônica relata fato, sem a “lubrificação”. É algo real, verdadeiro. Achei melhor adotar predominância ao humor focando momentos até constrangedores por mim vividos. Por assim ser, ao juntá-las dei o nome de “Crônicas de um RIdículo”! Assim mesmo, ênfase à primeira sílaba com o RI, sinalizando o propósito de rir, na verdade a fonte da alegria de todos é sinalizada no riso. Isso é possível – sendo escrita bem produzida – faz rir até de tragédia. Mas sem apelo ao Humor Negro, além de tétrico causa muitas vezes um mal-estar desnecessário...

Tendo em mim mesmo como personagem me senti muito à vontade para “chamá-lo” de ridículo, afinal de contas, autoacusação não gera risco de processo difamatório... Essas crônicas ficaram hibernadas no “word” por duas décadas quando meu amigo Dirceo Stona, Escritor consagrado já com três livros publicados e lançando mais um na próxima Feiras do Livros de Porto Alegre. Foi ele a me incentivar. Motivou e ainda superou minha resistência de ir a público com minhas escritas, quando por fim, com um “golpe fatal”, criou um “blog” em meu nome. Com esse vigoroso canal de comunicação, lá fui eu a publicar toda quinta-feira uma crônica de cada vez.

Foi melhorando a redação, corrigindo erros de ortografia, concordância etc... Daí ele, o Dirceo, fazia e faz o “convite” para eu enviá-los aos endereços disponíveis e assim se iniciaram, há uns sete anos atrás, essas publicações semanais... Eram umas vinte crônicas prontas. Quando encerrei depois de vinte semanas, reportei orgulhoso: “OK meu amigo, missão cumprida, todas publicadas!” Imediatamente respondeu: - “Não senhor, escreva mais uma, depois outra, te vira meu...” Vejam só, com essa de hoje, são duzentas e quarenta e quatro Crônicas!

Incansável, em 24 de novembro de 2023, foi meu Padrinho na Academia de Letras dos Municípios do Rio Grande do Sul ao me conferiram o Diploma de Acadêmico, ocupando a Honrosa Cadeira Vinte e Três. Sei, ele não gosta, mas cabe aqui uma referência e reverência com fraternais cumprimentos pela sua persistência e leal parceria me fazendo escrever e publicar crônicas! Muito obrigado Dirceo!

Como resultado disso tudo, devo relatar da importância desse hábito de escrita, pois sei de muitos “pensadores” com uma experiência enorme a trocar, a doar Conhecimento e Saber. Podem, devem colocar na escrita um algo de suas experiências de Vida ajudando, impulsionando o crescimento de alguém, ou ainda como faço, se divertindo um pouco através dessas “mal traçadas linhas!”

O resultado pessoal é fantástico. Lembrar de acontecimentos passados força num exercício exuberante de busca na memória. O cérebro responde com incrível fidelidade trazendo de um passado de longo alcance a colocar no presente perpetuado no papel! Fatos de mais de Meio Século vem à mente com uma imensa riqueza de detalhes e posso afirmar, surpreende sobremaneira! Daí minha entusiasmada recomendação aos que leem minhas Crônicas: Escrevam! Sem preocupação de superar Machado de Assis ou outra Autoridade da Escrita! Apenas escrevam – e escondam se não houver coragem de publicar, essa virá impulsionada por algum amigo generoso e sintam o prazer do refrescamento da memória a valer a pena, eu garanto! Encerro aproveitando uma “chamada” de outro velho amigo, o Fernando Zanini: - “Aquele que não sabe contar sua história, não merece tê-la vivido. Aquele que não tem história para contar, não merece ter nascido”!


Fausto Marchiori Diefenbach.

Cadeira 23.

Porto Alegre, 22 de outubro de 2026 

 

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

 243) Paraquedismo, agora sim: O MAIS Emocionante!


O meu conhecido entusiasmo ao paraquedismo veio desde o primeiro salto em meados de 1995 aqui registrado na última quinta-feira, somado a tantas histórias de aventuras e fortes emoções vividas nesse fascinante esporte, de elite eu sei, pois, cada salto envolve um custo razoável desde o investimento inicial em um equipamento completo, próximo aos cinco mil dólares americanos, mais o valor pago a cada decolagem como despesa de “passagem de ida aos altos céus!" O retorno, é um voo sem custo adicional e como já escrevi, é bem rápido, de até 250km por hora! Mas faz valer toda a ritualística, garanto!

Já abandonei o esporte por razões práticas e financeiras. Na prática foi ao perder o ritmo de saltar que era de pelo menos uma vez por semana e ao acidentar – paraquedas no Estádio Olímpico – interrompi por razões de recuperação física por três anos, consequentemente ausente do aeródromo de Sapiranga-RS para saltar. Na sequência, se foi a parceria com os amigos mais próximos no esporte. Com a desistência de alguns daqueles amigos, abandonei também. Hoje, ao ouvir o ronco de um Cessna, ainda sinto emocionada aceleração cardíaca...

Esse salto a contar agora, foi o quinto e último durante o Festival de Balonismo em Torres. Com quatro colegas convidados para saltos de demonstração, aquele belo domingo ensolarado de poucas nuvens e céu azul, marcou muito aquele domingo! Esse era da minha a responsabilidade como “Mestre de Salto” e nessa posição, a hierarquia a bordo pertence a esse paraquedista, ficando inclusive o Piloto à suas ordens de rota, altura e o Ponto de Saída, o “PS”, a ser feito sobre o alvo na área de pouso.

Próximo a esse ponto, abre-se a porta afixando-a acima numa presilha contra a asa e com a identificação clara, precisa do PS, dá-se a ordem de corte na rotação do motor e se faz o lançamento dos paraquedistas, sendo o Mestre de Salto o último a sair. Éramos cinco, com duas passadas sobre o alvo no mesmo voo. Dois lançamentos na primeira, mais uma rota de trezentos e sessenta graus e saída dos últimos e a aeronave toma seu rumo.

Entretanto nesse momento, do segundo lançamento, o piloto errou o retorno ficando distante do PS. Ordem de nova circunferência. Com óbvio acréscimo no gasto em combustível provocou no piloto muita contrariedade. Também me estressei. Foi minha vez de cometer o erro ao deixar a porta aberta suspensa na asa durante todo aquela nova volta! Com a forte vibração natural em voo, rompeu-se a porta ao meio com seu pedaço maior sair perigosamente batendo contra a carenagem do avião num barulho apavorante! Começou com um susto horroroso a todos! Bem maior foi do Piloto, pois os paraquedistas estariam “voando fora” e ele seguir seu voo!

O jovem piloto gritava desesperado, pois ficaria a bordo até seu pouso, sabe-se lá como... A porta poderia ter atingido e danificado o profundor da aeronave, aquela parte onde fica a “asa traseira” com o leme do avião. Lancei rápido o último colega e fiquei com o piloto. Assegurei convicto: Vou lá fora verificar os "estragos e já volto" ... Ele muito assustado, pálido concordou só com um aceno da cabeça! Fui...

Inesquecível – ao lembrar, sudorese nas mãos - a maior de todas emoções vividas em mais de trezentos saltos! Lá fui eu porta fora do avião em pleno voo a quatro mil pés de altura, me segurando com as unhas nas raras saliências e entrâncias da carenagem, até ter uma visão razoável dos componentes do profundor. "Pareceram inteiros"! Opinião de um neófito mas única disponível naquele momento dramático, voltei para dentro da aeronave, afirmei estar tudo inteiro, aceita pelo Piloto então dei um ”tchauzinho” e voei porta afora... Soube na sequência ter pousado bem no seu aeroporto de destino. Com ele, nunca mais me encontrei! Acho ter ficado bem obrigado! Resolvi não investigar... 

Fausto Diefenbach.

CBQp 20225 - Categoria “C”

Porto Alegre, 15 de outubro de 2026.

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

242) Paraquedismo: O Salto mais Emocionante!

De fato, o salto a se perpetuar em nossas mentes foi e sempre será, o primeiro deles! Tudo é dúvida, tudo é medo e sinceramente um medo nos limites do tolerável. É comum entre os principiantes – o “manicaca” na linguagem divertida do paraquedista – é o desistir do curso após a parte teórica. Alegação: -  “Compromisso de última hora”, não consegue ir à Área de Saltos para a aula prática, o salto! O Italiano diria: - “Paura”!

No Primeiro Salto, não há a queda livre. O atleta "salta enganchado". Consiste em uma fita de sete metros com uma ponta ancorada no interior da aeronave a outra presa ao contêiner onde está dobrado o velame principal do equipamento. O atleta já lá fora da aeronave, solta-se do montante – barra metálica afixada sobre o trem de pouso – e inicia sua queda. Ao esticar aquela fita, ela arranca o velame para fora do container e pela ação do forte vento se abre. Lindo, colorido, maravilhoso sobre a cabeça! Aleluia! O equipamento funcionou e se inicia o voo de descida navegando até seu pouso próximo ao alvo, em terra firme!

A abertura se dá logo na saída com um surpreendente choque na redução abrupta na velocidade de queda e o voo se inicia aos quatro mil pés de altura. É de uma beleza indescritível com uma vista deslumbrante! A sensação de segurança é real e a saída de dentro da aeronave com a porta aberta e muito barulho do motor roncando e o vento forte. Subitamente silêncio. Um suave chiado resultado do encontro da borda de ataque do velame ao ar, é reconfortante. Paz e euforia se cruzam em nossas mentes!

Na saída, a adrenalina toma conta do nosso sistema até se soltar ao espaço vazio. A fatídica saída e se converte em endorfina a provocar incrível sensação de prazer, alegria e euforia! A paisagem privilegiadíssima se descortina aos nossos olhos. É glorioso a quem curte voar e apreciar pela minúscula janela do Boeing o lindo Mundo azul e verde deslumbrante lá debaixo. No paraquedismo inicial, é aos quatro mil pés a saída, pouco mais de um mil e trezentos metros de altura. Sim, é muito alto! Não se distingue um automóvel de um ônibus...

O delicioso voo com as mudanças de direção, são mais fáceis do que dirigir bicicleta na “segurança da terra firme”. Exercitar curvas - orientadas pelo Instrutor em terra, falando pelo alto-falante do seu capacete – torna aqueles seis a sete minutos de navegação seguros e absurdamente prazerosos!

Uma curiosidade chama atenção é dos sons captados pelos nossos ouvidos lá do alto: São os latidos e – meu primeiro salto foi ao entardecer – o cantar de galos! Nada mais se ouve, nem o ruído da rodovia lá em baixo, sejam caminhões etc. Silêncio brindado por esses sons curiosos e mágicos. Resta o suave chiado do vento pelo velame avançando (média) cinco metros para cada um metro de queda real.

A emoção toda não se encerra no pouso brando e tranquilo! São as horas na sequência absorvendo a emoção concentrada naqueles breves momentos desde a saída até o pouso. “Viaja-se” num sonho acordado, entorpecido e aos poucos a memória dá conta de tudo o que se passou e raro é o caso de ali se encerrar a aventura. O desejo de voltar a voar fica latente e ainda mais desafiador pois conhecendo todas etapas, um novo medo aparece desafiador no segundo salto. Curiosamente mais agudo, superável só quando voltamos a voar e desfrutar a  mais excitante das aventuras!

Corrigindo o título: - Abri essa Crônica a escrever o “Salto mais Emocionante”. Excitado contei do meu primeiro salto mas aguardem o realmente mais emocionante, também não foi o do acidente em 1999, tantas vezes aqui contado, mas será outro no Festival de Balonismo de Torres-RS! Aguardem  para a próxima quinta-feira. !


Fausto Diefenbach.

CBQp 20225 - Categoria “C”

Porto Alegre, 08 de outubro de 2026. 

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

 241) “Gasshuku” no Equador!

É, antes de qualquer coisa devo informar desse tal de Gasshuku (idioma japonês): - Trata-se de um retiro, acampamento ou acantonamento de treino intensivo em imersão, onde praticantes de artes marciais se reúnem para treino e convívio sob o mesmo teto por um determinado período, orientados por um Mestre no assunto dominante.

Primeiro a lembrar de como e a razão desta minha participação, tão longe de casa. Numa época de querer gastar pouco dinheiro, aproveitei milhas de uma cia. aérea existente na época, a saudosa VARIG, fui com ela até Lima, no Peru. De avião era o mais próximo disponível naqueles dias. Dali, tomei um confortável ônibus leito - fabricação brasileira, Marcopolo – e por vinte e quatro horas viajei mil e quinhentos quilômetros na famosa Travessia Pan-americana. Nesse trecho árido de uma rodovia em linha reta o tempo todo, só não se torna enfadonho por terem filmes disponíveis e ainda, ver o quão diferente é o Oeste da nossa América do Sul, Região do Oceano Pacífico.

Algumas vilas de profunda pobreza se passa ao longo dessa viagem. Percebe-se aproximação, pela mudança do visual multicolorido da paisagem. Nada romântico, aridez sem uma planta sequer, nada de árvores, aspecto desértico o tempo todo e subitamente esse colorido surpreendente, mas lamentavelmente resultado de milhões de “pets” espalhados ao nada. Lixo de garrafas plásticas em quantidade inimaginável. Ao cruzar propriamente a vila, antecede uma imensa montanha desse descarte todo, por óbvio se espalha por quilômetros pela ação do vento constante. Paisagem triste, desconcertante, mas real e sem perspectiva de melhorias dado a visível castigada pobreza reinante.

Voltamos ao Gasshuku: - Foi em 2004 a convite do Mestre Takeo Suzuki – Orientador - vindo de Tóquio, para  em Guayaquil, no Equador a participar do Encontro realizado na Região Montanhosa de Montalvo. Evento muito bem organizado pelo dedicado Professor local, Raúl Aveiga, em um preservado Mosteiro em meio a uma autêntica selva tropical, mas com conforto de ótimas instalações, bem adequadas aos fins daquele Encontro, onde por base foi a prática do Karatê somado a momentos de Meditação – Zazen – do Zen Budista.

Durante três dias inteiros e intensos se pratica o karatê no Estilo Wadô-Ryu – estilo genuinamente japonês – onde o aperfeiçoamento das técnicas é exaustivamente praticado concentrando na luta contra o grande inimigo: - O próprio Ego! Segundo a linha de orientação do Mestre Suzuki, não se trata de um estilo esportivo, de competição e sim de autodomínio. Embora ainda nesse Estilo, são muitos os campeonatos ativos em todo o mundo.

O resultado na participação de um encontro dessa magnitude é simplesmente fantástico, a exaustão física leva ao aperfeiçoamento técnico do karatê e a elevação intelectual é um fato. São duas práticas milenares vindas do Oriente, cuja Sabedoria inunda nossas mentes de conhecimento nos tornado melhores em todo o sentido. A capacidade de atingir um relaxamento físico na sequência é fantástica, real! Claro a “dor no corpo” por algum excesso é real, mas amplamente compensado pelo Estado de Espírito alcançado.

De volta para casa com saudades da cama e do travesseiro, mas com a mente em inenarrável paz, mais uma rica e efetiva restituição do bom sono! 

 

Fausto Diefenbach

Primeiro Dan

Porto Alegre, 01 de outubro de 2026 

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

240) E o Misterioso Espelho Sumiu do Estádio Olímpico!


Milagres acontecem, fenômenos extraterrenos e espíritas também. Pois tomei conhecimento de um desses acontecimentos a nos levar a profunda meditação e tentativa de entendimento da frase do Dramaturgo Inglês William Shakespeare, dita na Peça Hamlet, a qual se encaixa perfeitamente nessa curiosa situação: “Há muita coisa entre o Céu e a Terra, que nossa vã filosofia não entende!”

O espelho: - Vamos ao caminho histórico de uma relíquia, alvo desse mistério não desvendado totalmente: - Dr. Fernando Kroef, Patrono do Grêmio, ofereceu ao Clube em seu aniversário de 15 de setembro de 1952 um imenso espelho de cristal caprichosamente emoldurado em madeira de lei, com um colossal tamanho de seus quatro metros de altura por uns dois de largura.

Essa joia, decoração primorosa do mais puro e elevado bom gosto, ficou exposta no Salão Nobre do Grêmio no Estádio Olímpico, por mais de meio Século a encantar os visitantes daquele elegante e seleto local. Um presente de tamanha magnitude tomou vida e apreciação em tempo superior até ao próprio Estádio de estrutura em aço e cimento. Tornou-se uma Arte, eterno aos olhos de quem um dia o avistou e admirou!

Na segunda década dos anos dois mil, o Estádio Olímpico sucumbiu com o surgimento e construção da Majestosa Arena, local evidentemente apropriado aos novos tempos e merecedor da nova casa ao reverenciado presente do Dr. Fernando Kroef! Uma peça exuberante de colossal tamanho e peso, exigia apurada técnica profissional e segura para seu transporte, afinal de contas, são doze quilômetros e meio entre um bairro e outro. Era seu novo local de destino e devia estar presente na inauguração da Arena em oito de dezembro de dois mil e doze. Tudo bem planejado e definido a coroar sua devida importância sentimental e material! 

Equipamentos, técnicos e veículo contratados com profissional planejamento e na data estabelecida com esmerada dedicação, lá se foi a equipe executar o delicado transporte. Em lá chegando o espelho tinha simplesmente SUMIDO! Desapareceu do local onde se exibia por sessenta anos! Mistério absoluto, ninguém viu, nem sabe como aconteceu com aquela joia tão reverenciada e apreciada.

Investigação por anos sem a menor pista do destino desse tesouro. Angústia e perplexidade atingiu do primeiro ao mais alto escalão do Clube cuja indignação castigava tanto os Corações Tricolores!

Num dia qualquer, numa dessas mensagens comuns das redes sociais (Ah! Essas redes sociais!), aparece uma foto de aniversário de uma menina, num salão de festas de um condomínio do Litoral Norte do RS.  Ao fundo, lá está aquele exuberante espelho! Bingo!

A Mesa do Conselho Deliberativo entra em ação: - Nada “policialesco”. Como Sherlock Holmes de afiada perspicácia e dedicação descobriram o curioso destino e chegaram ao endereço!

Muito bem recebidos pelo síndico, a devolução aconteceu na mais perfeita relação de cordialidade e justiça! O famoso espelho foi finalmente encaminhado ao seu justo e merecido destino. Agora, lá está ele postado no Auditório do Conselho Deliberativo. Como um “idoso”, apoiado em um cavalete de madeira inclinado, pois sua altura ficou além do pé-direito do local, para o júbilo e alegria de todos os apreciadores de valiosas e espetaculares raridades!

Belíssimo e merecido presente ao Grêmio, a comemorar seus cento e vinte e três anos de fundação! Parabéns persistentes, gloriosos e dedicados envolvidos em tamanha investigação e resgate!

 

Fausto Diefenbach

Conselheiro

Porto Alegre, 24 de setembro de 2026.  

terça-feira, 15 de setembro de 2026

 239) As Apaixonadas Tradições Gaúchas!

De fato, o Povo do Rio Grande do Sul é apaixonado e orgulhoso de suas tradições. São muitas as nossas razões, mas evidentemente com alguns exageros bairristas a exceder o bom senso a se fazer alvo para brincadeiras de outras Regiões e gozações as vezes também sem medida. Como dizia um velho e hábil político: “Falem mal, mas falem de mim”. Concluímos com uma convivência pacífica com todas brincadeiras!

Nosso Território é geograficamente posicionado no extremo Sul, vizinho de único Estado Brasileiro, o de Santa Catarina e fronteiriço com dois Países, Argentina e Uruguai, mais uma “quase fronteira” com Paraguai. Pois foi precisamente em guerra com esse Paraguai nossa maior luta para permanecermos Brasil, fiéis à Coroa de Dom Pedro II. Como todo o sofrimento, uma guerra fortalece os sentimentos de cidadania e pertencimento! Brasileiro então por opção, com luta feroz de espada e sangue, nos desenvolveu forte sentimento e dose de orgulho com gloriosa vitória! Sem muita modéstia, incluímos em nosso Hino o “Sirvam nossas façanhas de modelo à toda Terra”!

Orgulhoso, marrento – como dizem os cariocas – temos uma relação de carinho com todo o País, deixamos marcas indeléveis do nosso folclore em cada cidade onde o espírito desbravador do Gaúcho coloca sua bandeira: Elas são os “CTG’s”! Conheci alguns Galpões – nome dado às suas rústicas sedes – e por lá exultando sua Cultura através da música, dança, culinária, indumentária, enfim, marcando sua missão maior através do “Centro de Tradições Gaúchas”!

O Gaúcho tem coragem até de celebrar no Vinte de Setembro um dos mais tristes episódios de nossa História, quando da “Revolução Farroupilha”. Foi através do Nobre General Bento Gonçalves (*) muito de nosso sangue derramado na tentativa de isolamento ao resto do País criando uma nova Pátria a ser governada como República Piratini! Foi uma guerra em busca de libertação de pesada carga tributária imposta pela Coroa. E se aqui eu fosse descrever de forma completa e rica, exigiria muito mais de um livro, e esses, já são muitos os publicados e disponíveis pelas bibliotecas do Mundo inteiro...

Em Porto Alegre e muitas outras cidades no Estado, nesses dias a anteceder aquela fatídica data, são montadas pequenas “Cidades Gaudérias”! Na Capital, é no Parque Harmonia onde são dezenas de Gaúchos, Empresas Gaúchas e muitas Instituições a montar seus “Piquetes” com rústicos galpões de madeira em costaneiras ali montadas onde ficam “pilchados” (**) de plantão os seus leais Peões até a Magna Data, o Vinte de Setembro! Tudo isso acontece numa celebração gastronômica de dar inveja e bem aproveitadas por todo o visitante! Seus churrascos com costela de doze horas e carreteiros são os pratos mais disputados e há muito mais em seus maravilhosos cardápios.

Essa semana estive com a “patroa” visitando o Recanto do Pafúncio, onde a costela espetacular, de doze horas assada pelo tempo indicado no seu título, vale a pena! Seu sabor é adquirido nesse paciencioso tempo de fogo lento com fumaça, preferencialmente de lenhaque a torna uma iguaria difícil de descrever e audaciosamente me dou o direito de chamá-lo o Rei dos Churrascos! Deve ser experimentado e é lá no Parque Harmonia, pois raramente um restaurante se dispõe a um assado tão caprichoso e tão demorado!

O título de "Gaúcho" não é exclusividade nossa, é também usado no Uruguai e Argentina, identificando o homem ligado às lides campeiras. São os “peões” os operadores profissionais a cuidar do gado em suas pastagens e seu necessário engorde, bem como do rígido controle vacinal, banho a eliminar eventuais pragas a ameaçar a saúde do animal. A marcação –  registro de propriedade - mais a cruel, mas absolutamente necessária castração dos machos, é tarefa deles. Sem castrar o boi, ele se torna um touro, territorialista e um feroz animal de impossível convívio com outros animais no mesmo campo, no mesmo rebanho.

É na fazenda a morada definitiva dos verdadeiros Gaúchos. Uma sede, a fazenda é composta pela casa do patrão – o dono de tudo – e nas cercanias da casa principal, um rústico galpão onde vivem os trabalhadores, os Gaúchos. Vida simples, mas não há solidão dado a fraternidade tradicional entre os eles. Daí a Tradição Gaúcha fazer precisamente do galpão seu Templo Gauchesco, palco de um estilo de Vida e permanente celebração a um passado já um tanto distante, mas jamais olvidado!


(*) Bento Gonçalves, estancieiro e político brasileiro líder na Revolução Farroupilha, tinha o posto de Coronel de Estado-Maior do Império do Brasil em 1829.

(**) Pilchado: Vestido a caráter com a pilcha: - Homens: Bombacha, camisa, lenço, guaiaca (cinto lago com bolsas) chapéu e botas!


Fausto Diefenbach. 

Porto Alegre, 17/set/2026.