quarta-feira, 24 de junho de 2026

 228) Fogão à Lenha! Ah, que Maravilha!

Peço desculpas aos meus estimados Leitores, por desviar o rumo das últimas cinco Crônicas da Travessia do Atlântico, quando estava próximo a contar o destino terrestre até Paris, encerrando em Lisboa. Garanto, na próxima semana volto aquele tema e finalizo o período de férias em definitivo.

Essa semana, em dia vinte e um de junho, iniciou - no calendário - o nosso Inverno. Entretanto o frio está presente há dias com um rigor há muitos anos abandonado. Frio é muito bom e nos mantem, no Rio Grande do Sul, com o tradicional respeito às temperaturas e meteorologia caracterizando as Quatro Estações do Ano.

Gosto do muito Inverno – exceção ao horário do banho – cuja temperatura baixa nem precisava ser tão convincente como afirmei acima, em especialmente rejeitado quando vem com chuva, garoa, enfim, tudo aquilo a nos criar dificuldade em secar roupas e toalhas! Frio com sol claro nos inspira ao banho de sol nos jardins e praças e se for acompanhado de algumas bergamotas – em outras praças conhecidas como tangerina – fica bom demais! Para nós os Gaúchos, um chimarrão também é presente nesses momentos, como a melhor forma de hidratação, pois beber água a gente simplesmente esquece...

Na mesa ou no balcão: - Pinhão, sopa de capeletti, quentão, pipoca, amendoim, pé-de-moleque, batata doce assada, mocotó e nem precisa ser Festa Junina! Enquanto estiver frio assim, essa celebração é sempre muito bem-vinda! Vinho tinto? Claro que não esqueci, jamais deixaria de lado. De qualquer qualidade! Não. Não é bem assim. Esse de baixa qualidade a gente reserva para o quentão, afinal, com todas aquelas misturas de cravo, canela, gengibre, cachaça etc., sua origem barata nem é percebida! O importante é ter garantida a dor de cabeça no dia seguinte!!!

Vamos ao melhor no frio rigoroso: - Em casa, queimando lenha! Hoje em dia em residências de construção bem planejada, é previsto a construção de lareira. Maravilha! Se não houve, ainda há o recurso de instalar lareira de metal. “Quebra um galho” na medida! Lareira é um instrumento a se tornar o autêntico altar de reverência ao Inverno e a todos aqueles quitutes e bebidas já referidas! Não se tratar apenas de aquecimento ao frio reinante, mas de um toque romântico a provocar aproximação e carinho com quem a gente gosta de estar junto de verdade!

Mas tudo isso, não se compara a um passado nem tão recente, quando nossas cozinhas tinham sua majestade, o Fogão a Lenha! Ah, sinto saudades daqueles momentos tão aconchegantes, onde a Família se aglomerava ao seu redor a ouvir e contar histórias e estórias! Sem crítica furiosa ao telefone celular, mas época de aproximação verdadeira, sagrada onde a “conversa ao vivo” acontecia no melhor de todos os climas!

Havia conversa até sem o som de vozes! A menos tendo alguém cantarolando alguma canção! O silêncio abria espaço para meditação e a sensação de presença habitava, enchia nossos corações! O crepitar das lascas de lenha ao fogo, traziam junto aquele seu cheiro gostoso de madeira queimando! Houve uma época, até se podia queimar lenha de Angico com sua fragrância peculiar! A portinhola do fogão ficava sempre aberta, para podermos apreciar o milagroso espetáculo da dança das chamas amarelas com vermelho!

Saudemos essa fria Estação bem abrigados, afinal de contas a ameaça de constipação e doenças respiratórias está presente, não vamos “dar sorte ao azar”. Beba mais água e reforço em vitamina “C” e boa alimentação calórica ajudam na proteção! Paro aqui, antes de algum Médico me mandar eu calar! Tenham todos um “bom aquecimento!”

 

Fausto Diefenbach.                Porto Alegre, 25 de junho de 2026.  

 

quarta-feira, 17 de junho de 2026

 227) Em Marseille Termina o Cruzeiro!

Marseille, esse é o destino final do Cruzeiro – não da viagem – na chegada, uma exaustiva experiência: - A agência de turismo informou: 

- “Hotel reservado está a menos de quatro quarteirões do porto!” Assim sendo, dispensável uso de táxi. Com malas de rodinhas fica fácil, caminharemos ao destino. Na prática, foi caminhar toda extensão do cais do porto e já foi demais, bem superior a um quilômetro! Desconfiado de algum erro e já com suor brotando no rosto, mais por nervosismo ao calor. Ansiedade pura. Pior, ninguém disposto a dar uma informação pelo menos da direção do hotel. Nem na cabine de turismo – negou conhecer - mais interessados em vender locomoção. Cortesia totalmente abandonada, ou quem sabe, nunca existiu por essas bandas! Sem querer criticar a conhecida, reverenciada, “aplaudida gentileza francesa!” Mas, vamos adiante. Vitalidade não me fala! Mentira! Com os “bofes prá fora”, mas teimoso – característica genuinamente germânica – não desisti, insisti em caminhar elevando o estresse meu de Elaine.

Com o moral destruído, cansado, derrotado, me dei por vencido e finalmente chamei um táxi para aquela distância dos prometidos quatrocentos metros! No entanto o motorista afirmou: - “Corrida de uns quinze quilômetros de vinte e cinco minuto, por trinta euros!” Senti a trapaça. Isso irrigou minha a garganta de um raivoso sabor salgado! Sem alternativas, engoli e aceitei. E o motorista estava correto! Descobri na sequência, de fato o hotel estava muito próximo, mas do “Porto Antigo” da cidade. Para grandes transatlânticos de onde desembarcamos ficava mesmo bem mais distante.

Hotel finalmente encontrado com excelente localização. Ponto turístico interessante de grande movimentação com gente do mundo inteiro. Algazarra e muita música entre bares, restaurantes shows de rua, etc! Fui suficientemente advertido quanto aos cuidados ao caminhar por suas ruas, especialmente a noite quando se percebe algumas um pouco desertas. Ali mora o perigo, entretanto nenhuma ameaça ou percepção dela, mesmo porque em razão aos longos passeios diurnos, era melhor recolher aos aposentos cedo da noite. 

O “Porto Antigo” tem seu cais rodeado de bons restaurantes e bares, redutos com música ao vivo e um constante clima de entusiasmada festa! É lá, para comer um excelente “entrecot na chapa”! Só de lembrar, água na boca! Desnecessário afirmar estarmos em um País, onde o “vinho nacional” é excelente! Mas também não dava para chamar de baratinho...

Cidade – segunda maior francesa - adorável com tanta beleza e sistema de transporte coletivo com metrô e sua tradicional eficiência francesa. Sou fã desse transporte urbano tão inteligente de grandes e bem desenvolvidas cidades! Ficamos aqui por quatro dias, e ao estarmos em Região muito plana, foram longas caminhadas com tantas atrações e até o caminhar entre vielas medievais faziam de cada esquina um bom motivo para contemplar a bela e antiga arquitetura, mas com preservação carente de uma atenção mais rica. Construções coloridas em meio a cafés, ateliês e arte de toda vertente. Castelos e Fortificações protegem o disputado acesso de navegação, inclusive à “navegação suspeita”! Dizem, ser algumas delas de valiosas cargas de “especiarias para a mente”, se é que me entendem...

A notável Basílica de Notre-Dame de la Garde, fica no alto de um monte onde se aprecia uma bela vista panorâmica e o charme daquela numerosa navegação de milionárias embarcações em seu bucólico porto. Para quem aprecia pomposas construções religiosas, cabe nota à Catedral de La Major de impressionante construção! Enfim, uma cidade litorânea de tantas atrações, validando o desejo de um dia se voltar lá! Será?!

Mais adiante continuaremos a parte terrestre dessas longas férias tendo na sequência o coroamento com quase uma semana na Capital, a tão iluminada e fascinante Paris!

Porto Alegre, 18/jun/2026.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

 226) A Chegada ao Mediterrâneo!


 Chegando ao Estreito de Gibraltar! Trata-se de um pequeno istmo de apenas sete quilômetros quadrados e uma população inferior a quarenta mil habitantes. Conhecido como um “lugar estranho”, desafia qualquer definição simples. É a continuação da cidade espanhola La Línea de la Concepción, na Província de Cádis, Região da Andaluzia, sul da Espanha. Gibraltar pertence ao Reino Unido como um território ultramarino Britânico. Embora localizado no sul da Península Ibérica, o território é da Soberania Britânica desde o Século Dezoito. Depois de diversas disputas políticas, foi em 1967 em uma consulta pública, onde quase por unanimidade a população decidiu – confirmada depois em 2002 – ser definitivamente, Território Britânico.

Gibraltar com todas limitações territoriais, é basicamente uma enorme montanha de calcário com quatrocentos metros de altura, toda perfurada por inúmeros canais e cavernas, onde até durante a Segunda Guerra Mundial [tem túneis bem mais antigos.] a Inglaterra ficou postada naquele ponto estratégico, armazenou munição e víveres viabilizando sobrevivência de uma Força Tarefa no local a vigiar a “entrada na Europa”, por meses.

Essa cidade empresta seu nome ao estreito. Separa a Europa da África por apenas quatorze quilômetros, num mar profundo de variações drásticas entre 338 a 1.181 metros de profundidade. Afirmam, em dias claros – não tivemos esse privilégio – ser claramente visível dali a Marrocos, Região Africana. A travessia pode ser feita através de balsas e apesar da curta distância, a antiga e sonhada construção de uma ponte ou túnel são considerados o maior desafio de engenharia do mundo. A profundidade, fortes correntes, instabilidade do fundo marinho e a localização de falhas tectônicas ativas na área, dificultam demais, acima da capacidade atual da Engenharia e Arquitetura!

Gibraltar tem uma curiosidade história especialmente aos fãs – para mim, da maior Banda de Rock do Mundo, The Beatles – foi lá, em 20 de março de 1969 numa cerimônia de apenas dez minutos, se casou John Lennon e Oko Ono!

Voltamos a nossa viagem: - Não demos sorte nessa chegada, por um dia de mau tempo reinante. Com frio e garoa forte, nos reservamos ao interior do navio por horas. Do pouco visitado, com o uso desajeitado de um guarda-chuvas, meu lamento maior ficou por conta de não conhecer o aeroporto local, cuja pista é curiosamente partilhada com uma das avenidas mais movimentadas no meio da cidade. Quando há pouso ou decolagem, sinaleiras e cancelas são acionadas e a via pública se converte numa enorme pista, com capacidade de pouso e decolagem a grandes aeronaves!

Pela chuva e indisposição a sair sob essa intempérie, coincide com um resfriado a me fazer expirar como um “gato enfurecido”, fez frustrante o primeiro contato com a Europa. No entanto, avaliando os dezoito dias de viagem, foi o único momento de a meteorologia estar contra nosso passeio. Até saiu barato. Então, sem “chorumelas”, afinal de contas, nesse dia ao entardecer se repetia a nova partida agora rumo a cidade espanhola de Alicante, para depois Barcelona e Marselha, nosso destino final do cruzeiro.

Próximo porto será Alicante. Nenhuma expectativa. Melhor assim, pois a cada espaço, nova surpresa e assim foi a visita a essa glamorosa Alicante, cidade espanhola, com três mil anos de História!  A caminhada do porto até a Esplanada de Espanha, foi de quinze minutos. Essa esplanada, avenida ou calçadão de mosaicos se percorre à beira mar de uma bela praia com suas areias brancas. A avenida é composta de duas pistas regulares mas estreitas, entretanto, seu canteiro central é rico em árvores e palmeiras seculares com um elegante ajardinamento muito florido! Muitos são os bares à beira da calçada, sempre repleto de turistas e múltiplas atrações.

O melhor mesmo, estava ali ao lado, o morro de Santa Bárbara com seu Castelo Medieval. Um túnel atravessa-o e ao meio toma-se um elevador a nos levar ao cume onde o brinde é uma vista fantástica da cidade. Curioso -  por se tratar de Europa - um local limpo organizado, muita gente atendendo e NÃO cobram ingresso... É. São tantos templos religiosos com sua bilheteria ao lado, nesse caso, ao se deparar com um acesso “free”, a gente até desconfia...

A ritualística de despedida se repete e ao entardecer lá vamos nós rumo a Barcelona, penúltimo porto de nossa viagem. Por razões semelhantes a Maceió – estivemos aqui há alguns anos – optamos apenas por uma leve e inexpressível caminhada ao redor do porto, alimentando a expectativa de em mais um dia encerrar o Cruzeiro com a chegada à francesa Marselha. Conto mais sobre a chegada na França na próxima quinta-feira!


Porto Alegre, 11/mai/2026.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

 225) E a Viagem Continua!


Foram dois dias completos de navegação e vamos para a segunda parada Oceano Atlântico acima, para acordar serenamente no porto de Maceió! Decidido ficar a bordo, pois há poucos anos estivemos por uma semana nessa memorável e para mim, a melhor praia do Nordeste, onde uma “ostra viva” é servida nas quentes areias de suas praias! Delícia nem sempre aceita, mas ao ter coragem suficiente de experimentá-las, se converte fã dessa iguaria! Garanto!

Ficar nas piscinas do navio, com novos amigos de bom e culto papo como Marcos, querido cirurgião de Curitiba, sua esposa Tânia e irmã Iara, enriqueceram em muito uma das coisas de muito proveito em viagens coletivas e quanto mais distante, melhor. Toma-se conhecimento de novas culturas e é exatamente longe de casa onde se apreende novos idiomas, culinárias e cultura em geral. Renovo opinião sobre viagens, fazendo valer cada vez mais a busca de “Novas Praças!” 

Deixar Maceió, trouxe uma reflexão interessante: - Iniciávamos um longo período de navegação em alto mar. Seis dias completos rumo a Santa Cruz de Tenerife sem “terras a vista”. Sem hipótese de um porto seguro para caminhar em terra firme. Tédio à vista? Essa era a preocupação!

Nada isso! Como contei na outra semana, durante toda a navegação a programação é rica, completa. Não havia momento de relaxamento, a menos se buscássemos isso e poderia ser no interior de nossas cabines. Mesmo assim, para “piorar” o refúgio, a cabine ficava no décimo quinto andar, logo após a proa a bombordo, dotada de sacada com duas cadeiras de palha para se inebriar com a beleza do pôr-do-sol no longínquo encontro do Céu com o Mar! Absolutamente encantador!

Maravilhas constantes e nesse trecho, a expectativa de cruzar a Linha do Equador, muito bem explorada no teatro, com aviso de estarmos próximo desse ponto e com humor refinado, anúncio: “Amanhã, aproximadamente às quatorze horas, se não estiver nublado”, VEREMOS a linha do Equador!” O fato, passar ao Norte do Planeta, vagarosamente se sente a mudança na meteorologia. Nova direção dos ventos e uma leve queda na temperatura, afinal estávamos no Outono, recém saindo do Verão, a entrar na Primavera “deles”, recém saídos do Inverno! Daí se justifica a queda na temperatura!

Mesmo navegando nesse imenso Oceano, a perspectiva de estarmos mais próximos da África, sente-se a sensação de pequenez. Há muito deixamos o Brasil e navegar em Águas Internacionais, a emoção de estar em “Terra de Ninguém”, assusta e chegar em Tenerife, o pertencimento volta, proteção, afinal de contas estávamos chegando em Terras Espanholas.

Tenerife uma ilha sim, mas de dimensões encantadoras. São mais de oitocentos mil habitantes numa cidade de muita História da Europa! Cidade organizada, rica, arborizada e de trânsito educado! É o primeiro contato com a desenvolvida Cultura Europeia, de hábitos e cultura avançada.

Depois desse primeiro estágio quase no “outro lado do Atlântico”, temos pela frente apenas mais dois dias completos de navegação a chegar em Gibraltar. A cidade, com forma geográfica de istmo, avança sobre o Mar e estabelece o não menos famoso “Estreito de Gibraltar”, ponto mais próximo da África e sela nossa saída do Atlântico e adentrar no Mar Mediterrâneo. Melhor eu reservar outra Crônica completa na próxima semana, sobre a representação desse local em relação a todo significado à entrada no Continente Europeu.


Porto Alegre, 04/mai/2026.

terça-feira, 26 de maio de 2026

 224) A Viagem vai Começar!

Semana passada escrevi sobre minha complicada saída de Porto Alegre, rumo ao Cruzeiro de Travessia, rumo a Marselha na França, com forte ameaça de não se realizar, graças ao descuido desse viajante deixando em sua bagagem um minúsculo isqueiro a gás, pondo em risco de uma catástrofe aérea numa aeronave da Azul, onde eu deveria voar... Tudo não passou de um bom susto e a viagem aconteceu, felizmente!

 No entanto da partida marítima, vale uma consideração, dado a uma série de comentários de amigos - também adoram viajar - afirmando peremptoriamente: “Adoraria viajar de navio, mas tenho medo, pois enjoo o sacolejar do barco!

Tremenda bobagem (perdoem-me a franca sinceridade!), pois um navio do porte do MSC Seaview é impressionante. São 323 m. de comprimento por 41m. de largura, suficiente para ser visto como uma cidade flutuante absolutamente estável. Em qualquer aeronave a vibração é muito, mas muito maior, diga-se de passagem. Em alguns momentos, sente-se um leve balanço ao “som das ondas maiores”! Mas nada assustador, pois em seu interior é especialmente tranquilo.

Ao chegar para o embarque, vê-lo, emociona. Trata-se de um verdadeiro edifício com dezesseis andares a transportar cinco mil e trezentos passageiros, extremamente bem atendidos por mil e quatrocentos tripulantes! Do camareiro ao garçom, do músico ao artista do teatro é sentido um esmero coletivo de alta competência e dedicação onde muitos desses profissionais a gente não percebe sua existência no contexto geral! São os operadores de máquinas, mecânicos, etc...

É viajar com todos cuidados e cortesia. A segurança é firmada já no treinamento dos passageiros – obrigatório – para eventuais situações de emergência.

A alimentação soma fartura e alta qualidade como suas principais marcas. As bebidas alcoólicas são pagas à parte, a menos se contratar sua inclusão no momento da reserva, para mim nada relevante, pois nessa área eu “pego leve”...

A vivência social é plena. Música ao vivo em diversos setores distribuídos pelo navio, aulas de dança, amplo cassino e teatro de dois mil lugares com apresentações em TODAS as noites. Dança, acrobacia, cantores, mágicos, ventrílogos, malabaristas apresentações circenses etc. Não há descanso a diversão.

Enquanto navegando em clima de verão, as piscinas, os “temidos” escorregadores e o aquecido ofurô (36 a 40 graus) fazem as atrações mais movimentadas, divertidas e barulhentas durante o dia! Nessa viagem, em direção à Linha do Equador, tivemos mais da metade do percurso em clima quente, com grande aproveitamento! Deu até para adquirir um “bronzeado” tão invejado na Europa!

A viagem começa ao entardecer do 11 de abril/2026. Saímos silenciosamente do porto de Santos e ao afastar de uns quinhentos metros – não sei a razão de deixar primeiro ocorrer esse afastamento – o barco abre seu estridente e festivo apito dando início a uma jornada cheia de expectativas e a alegria é contagiante. Cria-se um clima de festa e óbvio, com muito espumante jogado às taças com um borbulhar cativante e a viagem se torna uma festa intensa e duradoura!

Dorme-se a primeira noite sob um suave ronco do gigantesco motor a girar as suas pás, gerando uma imensa espuma branca a nos seguir durante toda viagem e é de muito bom gosto curtir essa bela vista da popa!

Dormi muito bem obrigado numa imensa cama “King”, mas num momento, sem precisar as horas, um silêncio assustador! Pulei da cama, puxei a espessa cortina e lá estava o lindo Rio de Janeiro! Aqui, a primeira parada dura todo o dia, ótimo para uma visita a “Cidade Maravilhosa!”

Anoitece e rumamos a Maceió a sentir o cheiro gostoso no sempre Verão Nordestino!

Porto Alegre, 28 de maio de 2026.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

 223) Voltei!

 

Entenderá o sentido desse título “Voltei”, os leitores fiéis desse blog, na última Crônica de nove de abril. Explico: - Dei-me o direito ao maior período de férias ao longo de minha vida profissional. Vinte e oito dias da mais absoluta folga, voltado – no meu entendimento – a uma das coisas melhores para período de férias: - Viajar! - Foram dezesseis noites no Cruzeiro de Travessia da MSC, navio Seaview, cabine varanda-bela do décimo quinto andar do “prédio”! Desembarcado, quatro dias em Marcelha, na sequência Paris e Lisboa!

Esse trecho marítimo foi fantástico. Como tudo sempre me cerca com uma boa pitada de aventura, por mais bem planejado (desde de dezembro), sempre tem algo para me alegrar, ou melhor estressar com pitadas de susto, extravio perda de algum objeto, enfim. Vamos ao início de tudo para bem entender as causas do estresse inicial, muito bem aproveitado:

- Recomendado severamente pelo agente de turismo, de estar no aeroporto de embarque, para o trecho aéreo Porto Alegre a São Paulo, pelo menos umas três horas antes da decolagem. Lá estávamos eu e Elaine. Voo das 05:15hs da Azul com apenas cinco minutos elogiáveis de atraso, suficientes para o “check-in” das 13hs no porto de Santos e na sequência o embarque previsto para 18hs. Entretanto corte nos motores e se inicia no corredor da aeronave, algo parecido com uma “busca de alguém”! Uma dupla de vigilantes chega na nossa poltrona e pergunta: - “Elaine & Fausto? Terão de desembarcar. Sua bagagem no porão contém algo suspeito!” Óbvio da minha pronta negação! “Essa bagagem, por medida de segurança, já foi desembarcada!” Única alternativa: Desembarcar!

Fomos atacados de pensamentos da pior ordem. Vê-se frequentemente de ilícitos “plantarem entorpecentes” em bagagem alheia! O pavor tomou conta. Expulso do voo perderei o “trânsfer” no aeroporto de São Paulo a Santos, se atrasado não embarco e perdendo o Cruzeiro perco toda sequência na Europa com toda movimentação e hospedagem reservada e PAGA ao longo de toda as férias! “Só isso!” Não busco em Oração socorro em situação desse gênero. Orei!

Longos, intermináveis minutos esperando uma resposta da Companhia – que pelo menos me assegurou vaga no voo das dez! – Angústia e tormento invadem nossas mentes devastadoramente. Impossível conversar ou pensar qualquer coisa, sem a imaginação de umas férias completamente destruídas de forma irretratável! Todos sonhos acalentados por meses, desabaram!

Surge uma profissional da Azul impecavelmente vestida, exalando um suave perfume francês, seu olhar visivelmente constrangido, parecendo triste – para aumentar nossa angústia - e sentencia: “- Desculpem, essa fiscalização não é feita pela Azul. É pela empresa encarregada da segurança do aeroporto e aeronaves!” O tempo para dizer essas dezoito palavras, sem conclusão alguma, me deu a sensação de ser de pelo menos vinte e quatro horas! Minhas mãos suavam e Elaine com um “rubor facial” invejável. Então veio a punhalada fatal em meio a um ataque de cólica intestinal: - “Esse isqueiro a gás  (tinha na mão, um inocente isqueirinho a gás de propaganda da Bic, há anos abandonado em meu “nécessaire” de viagem) [5,8cm] estava em sua mala correndo risco de combustão espontânea, assim, foi retirado da sua mal. Se quiserem embarcar agora, sem o isqueiro, podem fazê-lo no portão...” Um suspiro longo, cheio de alívio, ódio com vontade de matar alguém, nos dirigimos ao portão designado, com as orelhas murchas e embarcamos!

Chegando em Guarulhos ao meio dia, retirada daquela fatídica mala – sem isqueiro – “transfer” perdido onerando mais cem dólares a contratar um táxi e descemos a Serra rumo ao porto de Santos. Horário absurdamente atrasado. Deduzi, embarque perdido, mas não. Graças a uma imensa confusão no setor de embarque de mais de cinco mil passageiros, tudo foi acumulando a formar uma “muvuca” imensa a me sentir em casa, afinal de contas estávamos ainda no meu Brasil, onde tudo acontece!

Próxima quinta-feira, conto mais um pouco!


Porto Alegre, 21/mai/2026.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

222) Conhecer novos Lugares!


Novidade: - No próximo sábado, onze de abril, voltarei a viajar para novos lugares novas Culturas, Povos, Moedas, Paisagens! Buscando matéria prima para minhas próximas crônicas, como faço habitualmente. Imenso “papo-furado”! Estarei saindo em viagem porque adoro isso! Vamos falar a verdade logo de cara! E é isso a fazer prazerosamente há daqui dois dias! Alegria, alegria!

 Não posso negar, se trata de um sonho recorrente, mas certamente o sonho de muitos: - Travessia do Atlântico de navio, por óbvio! Podem pensar em se tratar de projeto milionário – barato não é – mas nada absurdo para quem curte viagens e VIAJA! Não basta curtir. Esse, exige um investimento de porte, mas a considerar outra viagem feita há pouco mais de um ano onde uma diária em Nova Iorque em hotel de boa categoria, nada excepcional como um cinco estrelas, um médio entre três e quatro estrelas talvez, sem café da manhã, custou duzentos e dez dólares mais taxas (taxas, nos EUA a gente nunca sabe quanto e quando vão cobrar... Legítima surpresinha americana!).

Então no total, considerando a se ter a bordo a tal de “pensão completa” em sua diária e principalmente o transporte – nesse caso até a Europa – o valor final fica muito conveniente!

 Alguns amigos acham exagero – mas são passeios de não fazer todo ano – mas para suas férias de todo o ano, ter um patrimônio nas areias do nosso Litoral. É, ter uma casa na praia no RS, entre tributos, manutenção, reparos, eletricidade, água & esgoto, combustível para as tantas locomoções, são custos tão significativos tanto quanto muitas boas viagens pelo mundo afora!

Não condeno nem nego o valor desse investimento litorâneo, acho até muito legal especialmente quando sou convidado pelos amigos, ou o irmão Percy a curtir hospitalidade, churrasqueira etc! Melhor: - Com custo zero!

Voltando a travessia: - Essa, é operada pela CVC e feita a bordo do navio “Seaview” da MSC Cruzeiros. São dezoito dias de navegação com sua saída pelo porto de Santos e diversas paradas de um dia inteiro. Começa pelo Rio de Janeiro e segue a Maceió, Ilha de Tenerife, Gibraltar, Alicante, Barcelona e chegada em Marselha, na França, onde encerra o cruzeiro. Espetacular? Claro que sim! O retorno ocorrerá com um breve percurso de trem e depois obviamente de avião, num também conveniente voo da TAP com destino final e direto a Porto Alegre.

Por algum tempo “desconfiei” de tantos dias a bordo se tornariam enfadonhos, entretanto diante de duas experiências com a mesma companhia, já contei aqui, foram pelo nosso Nordeste e uma no Caribe, ambas por sete noites que me deram plena convicção: Vale a pena! A programação da MSC para manter felizes os quase cinco mil passageiros, é fantástica! Espetáculos em seu amplo teatro reservado para todas as noites é invejável. Até estampas do Circo de Solei são apresentadas. Opções de laser são inúmeras e ricas. Não as contarei, para não provocar desconfiança de ser a crônica de hoje, uma matéria paga, encomendada...

Mas não dá para omitir ou ignorar, especialmente aos fãs da “boa mesa”, são alternativas de comida desde o café da manhã ao jantar, onde são oferecidas quatro refeições de altíssima qualidade e grande fartura. Há no programa vendido, uma opção para bebida alcoólica livre, não é minha opção sinceramente, pois quando bebo, faço-o com especial moderação e não se trata de “medida cautelar”, não curto mais excesso desde a minha juventude, onde um pileque era festejado por diversos dias, especialmente com a alegria de contar aos amigos! Hoje, se beber muito, mantenho por alguns dias é a ressaca! Então, pego leve e peço aquilo da ocasião adequada e pago individualmente. Minha mulher, a Elaine, é praticamente abstêmia. Não me orgulho disso, mas é no mínimo um "detalhe conveniente" e bastante econômico, se é que me entendem...

Ao voltar em oito de maio, contarei “alguma coisa!” Não farei durante a viagem para não ter de levar na bagagem um computador. Com esses dedos grossos de gringo, teclar toda uma crônica no celular, é inviável. Até a volta!

 

Porto Alegre, 09/04/2026.