quarta-feira, 8 de abril de 2026

222) Conhecer novos Lugares!


Novidade: - No próximo sábado, onze de abril, voltarei a viajar para novos lugares novas Culturas, Povos, Moedas, Paisagens! Buscando matéria prima para minhas próximas crônicas, como faço habitualmente. Imenso “papo-furado”! Estarei saindo em viagem porque adoro isso! Vamos falar a verdade logo de cara! E é isso a fazer prazerosamente há daqui dois dias! Alegria, alegria!

 Não posso negar, se trata de um sonho recorrente, mas certamente o sonho de muitos: - Travessia do Atlântico de navio, por óbvio! Podem pensar em se tratar de projeto milionário – barato não é – mas nada absurdo para quem curte viagens e VIAJA! Não basta curtir. Esse, exige um investimento de porte, mas a considerar outra viagem feita há pouco mais de um ano onde uma diária em Nova Iorque em hotel de boa categoria, nada excepcional como um cinco estrelas, um médio entre três e quatro estrelas talvez, sem café da manhã, custou duzentos e dez dólares mais taxas (taxas, nos EUA a gente nunca sabe quanto e quando vão cobrar... Legítima surpresinha americana!).

Então no total, considerando a se ter a bordo a tal de “pensão completa” em sua diária e principalmente o transporte – nesse caso até a Europa – o valor final fica muito conveniente!

 Alguns amigos acham exagero – mas são passeios de não fazer todo ano – mas para suas férias de todo o ano, ter um patrimônio nas areias do nosso Litoral. É, ter uma casa na praia no RS, entre tributos, manutenção, reparos, eletricidade, água & esgoto, combustível para as tantas locomoções, são custos tão significativos tanto quanto muitas boas viagens pelo mundo afora!

Não condeno nem nego o valor desse investimento litorâneo, acho até muito legal especialmente quando sou convidado pelos amigos, ou o irmão Percy a curtir hospitalidade, churrasqueira etc! Melhor: - Com custo zero!

Voltando a travessia: - Essa, é operada pela CVC e feita a bordo do navio “Seaview” da MSC Cruzeiros. São dezoito dias de navegação com sua saída pelo porto de Santos e diversas paradas de um dia inteiro. Começa pelo Rio de Janeiro e segue a Maceió, Ilha de Tenerife, Gibraltar, Alicante, Barcelona e chegada em Marselha, na França, onde encerra o cruzeiro. Espetacular? Claro que sim! O retorno ocorrerá com um breve percurso de trem e depois obviamente de avião, num também conveniente voo da TAP com destino final e direto a Porto Alegre.

Por algum tempo “desconfiei” de tantos dias a bordo se tornariam enfadonhos, entretanto diante de duas experiências com a mesma companhia, já contei aqui, foram pelo nosso Nordeste e uma no Caribe, ambas por sete noites que me deram plena convicção: Vale a pena! A programação da MSC para manter felizes os quase cinco mil passageiros, é fantástica! Espetáculos em seu amplo teatro reservado para todas as noites é invejável. Até estampas do Circo de Solei são apresentadas. Opções de laser são inúmeras e ricas. Não as contarei, para não provocar desconfiança de ser a crônica de hoje, uma matéria paga, encomendada...

Mas não dá para omitir ou ignorar, especialmente aos fãs da “boa mesa”, são alternativas de comida desde o café da manhã ao jantar, onde são oferecidas quatro refeições de altíssima qualidade e grande fartura. Há no programa vendido, uma opção para bebida alcoólica livre, não é minha opção sinceramente, pois quando bebo, faço-o com especial moderação e não se trata de “medida cautelar”, não curto mais excesso desde a minha juventude, onde um pileque era festejado por diversos dias, especialmente com a alegria de contar aos amigos! Hoje, se beber muito, mantenho por alguns dias é a ressaca! Então, pego leve e peço aquilo da ocasião adequada e pago individualmente. Minha mulher, a Elaine, é praticamente abstêmia. Não me orgulho disso, mas é no mínimo um "detalhe conveniente" e bastante econômico, se é que me entendem...

Ao voltar em oito de maio, contarei “alguma coisa!” Não farei durante a viagem para não ter de levar na bagagem um computador. Com esses dedos grossos de gringo, teclar toda uma crônica no celular, é inviável. Até a volta!

 

Porto Alegre, 09/04/2026.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

 221) Maior Clássico do Futebol do Mundo: “Rua de cima contra Rua de Baixo!”

 

Inigualável o prazer de jogar futebol enquanto criança, adolescente e adultos também, é claro! Muitos mantêm, como é conhecimento geral, ser essa profissão uma das mais rentáveis e sonhadas pelos jovens! Desejo irrefreável e não fica só nos limites do nosso Brasil, evidentemente.

Na infância e puberdade disputei muito no “esporte bretão.” No interior, não dispúnhamos sequer de um campo decente ou uma quadra minimamente adequada. Eram alguns campinhos de futebol de reduzida dimensão, crivados da espinhosa roseta [um horror, pois jogávamos de pés descalços!] e sem seus limites traçados de forma visível, na verdade nem eram traçados. Um terreno plano? Aí é exigir demais. Sem rede, nem goleira definida. O usual era a de colocarmos duas pedras a delimitar o espaço chamado de goleira e iniciava o jogo em forma de festa. Ou melhor, iniciava a discussão, a briga!

Briga? Jamais! Corrigindo, briga era o que não faltava! Os dois melhores de bola escolhiam na base do “par-ou-ímpar”, seus parceiros mais o Juiz. Juiz? Não tinha Juiz, imagina! O acordo era combinado antes da bola rolar: “É na consciência”! Nesse sistema arbitral existia uma enorme vantagem: - A ninguém era dado o direito de chamar o Juiz de ladrão! Sua simples inexistência assim determinava!

Os torneios e campeonatos eram de um vigor elogiável. As definições de limitação geográfica entre as forças esportivas eram assim mesmo, “rua de cima contra a rua de baixo!” O pessoal do centro contra os do outro lado da ponte. Tinha ainda a região atrás da estação férrea. Todo esse envolvimento só prova o quanto o futebol como esporte é elogiável e especialmente imprevisível. Grandes escretes sucumbem diante do inexpressivo e exatamente isso o torna tão atraente, despertando verdadeiras paixões entre torcedores quando muitos levam para além do limite do razoável, do bom senso! Acaba criando amor e ódio na mesma intensidade gerando tristeza da violência sem nexo.

Enquanto joguei, ou tentei jogar, a maior dificuldade sempre foi a de TER uma bola para o jogo. Graças a essa gloriosa posse conquistada - já escrevo como consegui - assumi o direito de criar um time, o Imperial Futebol Clube. Só os amigos participavam e não recrutava atleta bom de bola, caso contrário, eu seria o primeiro excluído e como eu tinha milagrosamente a bola, não podia justamente eu, ficar de fora. De jeito nenhum!

Como aconteceu a destacada situação de ser proprietário de uma bola de couro: - Numa sede abandonada do Guarani Futebol Clube, onde meu pai alugava ao extinto time, achei uma bola de vôlei velha, descosturada e sem câmara. A cor branca de seus gomos ainda restantes, embora descascados, me inspirou a semelhança da cor da bola de futebol de salão da época. E assim será, decidi!

No curtume do meu pai tinha um de seus trabalhadores, o Nino Pistoia, me ensinou a costurar os gomos de uma bola, um a um. Câmara? Resolvi melhor ainda, enchi-a com lã de pelego, também do curtume, deixando-a pesada a ponto de se assemelhar, mesmo grosseiramente à bola de futebol de salão e assim a materialização o mais novo time – nunca disputou campeonato com ninguém – estava lá para treinos intermináveis das tardes dos sábados e domingos. Jogava-se enquanto tinha luz do sol, mesmo com garoa fraca ou chuva forte! As mães não deviam saber onde estávamos...

Ao final da puberdade, os jogos se transferiram às atividades na escola. Aí, a “minha ruindade” não teve mais como ser disfarçada, havia competividade e sobrou inicialmente a de jogar no gol, posição sempre rejeitada, detestada. Essa tortura foi apenas no início, porque logo surgiu outro atleta, tão ruim quanto eu, disposto a competir e o desgraçado era bom e me tomou a posição no gol. Carreira precocemente suspensa!

Aos vinte anos, morando na Capital Porto Alegre, trabalhava em uma financeira quando fui convidado a um treino de futebol de salão, a competir no Campeonato Citadino dos Bancários. Aceitei e numa inspiração, nem imagino de onde veio, como goleiro fechei o gol! O time era da Finasul/Basulvest, eu era o titular no gol e fomos muito bem sucedidos! Evoluímos com vitórias expressivas e nos sagramos Vice-Campeões! (Guardo a rara medalha até hoje!) Só não fomos Campeões, não por minha culpa, mas pelo problema com um atacante adversário: - O cara era de uma crueldade sem medidas. Chutava numa potência inexplicável! Não lembro exatamente quantos, mas foram mais de seis gols sofridos, daqueles de não ver a cor da bola passar. Só ouvia o chiado da bola, parecia um torpedo passando e o som da rede se esticando atrás de mim! Foi gol...

Essa derradeira e exuberante derrota, o olhar dos colegas decepcionados, decretou o final definitivo da minha carreira de “Boleiro”! Depois disso, nem de brincadeira aceito convite, mesmo sendo apenas para “bater uma bolinha”! Tô fora! Prefiro alguns esportes menos competitivos: - Karatê ou Paraquedismo, por exemplo!

 

Porto Alegre, 02/abr/2026.

quarta-feira, 25 de março de 2026

 220) O Dia das Mulheres.

 Há poucas semanas celebramos “O Dia das Mulheres”, quando na verdade todos os dias são Delas! Nós, do sexo masculino não devemos limitar recursos para apenas uma vez por ano dessa comemoração, independentemente de quem é, onde está ou ocupação dessa mulher alvo de nossa festa, afinal de contas, espiritualmente TODAS Mulheres se assemelham com nossas Mães!

 Na minha infância, teve um “Segundo Domingo de Maio”, onde com um pequeno contingente de colegas do Grupo Escolar, preparamos uma homenagem ao Dia das Mães! Naquele domingo, coincidentemente meu Pai, raramente me convidava a acompanhá-lo a caçar perdizes, fez o convite! Em se tratando de algo raro, difícil dizer não e decepcioná-lo, afinal de contas era algo excepcional, acontecia uma vez por ano e “olhe lá”...

 Subitamente “dois grandes programas” no mesmo domingo! Que angústia!  Eu era um menino de uns dez anos diante de uma das mais difíceis decisões da vida! Tímido, introvertido guardei aquela dúvida cruel em mente a rachar o coração! A celebração às Mães junto aos meus colegas, estava sendo trabalhada há dias e me colocava a cantar um versinho decorado com extremo carinho e entusiasmo! Era um momento raro e desejado. A fria noite de sábado chegou e na cama, a tristeza cada vez mais aguda! Choro escondido, mas inevitável!

 Mãe, infalível Mãe! Ouviu um sussurro talvez algum soluço e foi verificar o que acontecia comigo. Lá estava a “vítima” banhado em lágrimas e suficientemente encorajado de confessar sua melancólica situação de tamanha profundidade... Ela, por óbvio, assumiu a garantia da renúncia à caçada ser negociada em meu nome, sem consequências mais graves. Como Grande Embaixadora negociaria o convite para o domingo seguinte, sem retaliação! E o convite foi transferido para a outra semana! Um grande suspiro e mais lágrimas, dessa vez de alegria e a Celebração no domingo foi gloriosa! A caçada no domingo seguinte? Nem lembro, pois aconteceram muitas outras!

 Nesse último Dia das Mulheres, me chamou atenção, longas filas nessas churrascarias de calçada, onde sempre tem aquele frango assado nas populares “televisões de cachorro”, e também costelas assadas no bom estilo de churrasco de domingo, mas dessa vez – isso justificava a longa fila – em razão da celebração a “Elas”! Fiquei indignado. Não é exatamente o dia de nós homens assumirmos o tão importante e celebrado almoço? Claro né! Era dia de elevarmos às alturas a Mulher, donas da nossa casa fazendo, mesmo sendo um sacrifício – e não há algum – o churrasquinho caseiro com direito à caipirinha e à maionese, essa sim trazida de fora! (Maionese, nem de longe parecida com aquela feita por ela! Mas só por esse dia, comprada em supermercado) ...

 É verdade ser raro um “homem bom de forno e fogão”, mas churrasqueira, pelo menos aqui no Rio Grande do Sul, é obrigação! Eu particularmente, gosto de cozinhar, pilotar uma panela, pois ainda menino, juntar os amigos mais próximos a fazer um “arroz com qualquer coisa”, como dizia o L. F. Zanini, sempre foi de grande prazer! Fogo de chão na ilha do Jaguari ou em qualquer local com árvores e preferencialmente com um rio ao lado. Bastava uma porção de arroz, uma proteína e na panela de ferro com colher de pau, para termos um excelente “carreteiro”!

 Guardei por toda vida uma frase emblemática do seu Waldemar, meu velho papito: - “Quem sabe fazer uma comida, jamais ficará sozinho. Sempre terá um amigo por perto!” Pense nisso e trate de apreender a fazer alguma coisa. Lembre, a boa vontade e o amor dedicado, é o melhor dos temperos!

 Amor? Sim! Aposto, todos nós temos lembranças perenes de uma ou de algumas comidinhas da mamãe! Ela fazia um prato se tornar único e ninguém consegue repetir seu sabor!

 

Porto Alegre, 26/mar/2026.

quarta-feira, 18 de março de 2026

 218) Alegria nas Grandes Telas. Oscar, Filmes e...


Ah! Quanta alegria nos bons tempos do Cine & Teatro Ideal, em Jaguari. Cinema todo final de semana, fazia a vida valer a pena pelo tamanho do maior prazer, na infância! Matiné no domingo à tarde: - Primeiro passavam dois “episódios” de um seriado – uma época do Super Homem, Homem Morcego com Robin etc. – para depois um filme, geralmente um faroeste! Como a gente torcia pelo “Mocinho”! A galope em disparada em seu lindo cavalo, trocava tiros com os bandidos e suas máscaras a tapar até o nariz! Era um tal de “sapatear” o assoalho de madeira do cinema, fazendo um barulho tremendo, ensurdecedor a levantar enorme poeira no cinema. Toda torcida para a derrota do bandido! Que invariavelmente vencia!

Como toda fase boa – a infância – passa tão depressa, na sequência é durante a exuberante adolescência a trazer suas compensações e angústias, naturalmente. O desejo de entrar no cinema a assistir filmes impróprios ou proibidos para menores de dezoito anos era imenso, vibrante. A compensação – sempre tem alguma – era a emoção da idade para fumar escondido. Confesso, logo ao obter permissão de fumar, perdeu a graça e o VÍCIO muito desejado para parecer adulto, “decepcionantemente” não veio e a tal de nicotina foi solenemente abandonada!

Voltemos ao cinema. Seu defeito, na cidade pequena, era de ter somente uma única sala. Sem escolha de filmes. Era aquele do final de semana e pronto! Nada muito frustrante, pois eu gostava de todos, indistintamente! Mas eu aguardava meu grande momento, quanto aos vinte anos vim morar na Capital, Porto Alegre! Inacreditável, dezenas de cinemas com múltipla escolha! Início da década de setenta, houveram filmes, os “bang-bang” italianos a começar com Ringo, Djanho, Trinity substituindo Roy Roger, Zorro, Durango Kid entre tantos americanos. A impressão, ao sair da sala, era de estar cheirando a pólvora de tanto tiroteio!

Na sequência por “febres” de alguns estilos de filmes, aconteceu a vez dos filmes chineses com suas Artes Marciais mirabolantes. Cabe lembrar desse entusiasmo se iniciou com uma produção americana – Warner Bross -  com o filme “Operação Dragão”, (Enter the Dragon) lançado em Hong Kong em julho de 1973, tornando o até então desconhecido e na sequência adorado Bruce Lee, curiosamente falecido três semanas antes do lançamento!

Como tudo, a Sétima Arte também evoluiu muito nos recursos visuais e na qualidade de seus roteiros, notabilizando Gênios da Sétima Arte como Stanley Kubrick e outros tantos. No último domingo assistimos o Grande Espetáculo da Premiação do Oscar em Los Angeles. Na véspera e ainda a tarde antes desse espetáculo, assistimos pelo menos quatro dos filmes indicados. Três desses, muito bons e fartamente premiados. A decepção ficou por conta do filme brasileiro. Não por negarem qualquer prêmio. É ruim mesmo. Roteiro fraco, fotografia pobre e nem música onde o Brasil é tão bom, se destacou!

Enquanto ficarmos disputando com os americanos repletos de ícones definidores de gerações, como clássicos Marlon Brando, Humphrey Bogart, James Stewart abrindo caminho para Robert De Niro, Al Pacino, Jack Nicholson e Morgana Freeman. Adiante atores como Tom Hanks, Leonardo DiCaprio, Tom Cruise e Denzel Washington dominam a era moderna, então será muito difícil alguma conquista de expressão!

O gênero de filme dominante no mercado mundial hoje são Ação, Aventura, Ficção Científica e Animação. Minha predileção fica por conta dos filmes com Suspense, daqueles a nos colocar em ajuda ao Roteirista, tentando descobrir onde o “assassino falhou” e em quais detalhes o Policial foi bem-sucedido!

Entretanto confesso uma infantil predileção aos faroestes, hoje raros, mas lançamento, em dezembro de 2012, da produção de notável realismo e violência, o “Django Livre” do Mestre dos filmes fortes, Quentin Tarantino, me dá esperança de voltar à minha infância, ainda a ser imaginária!


Porto Alegre, 19/mar/2026.

quarta-feira, 11 de março de 2026

 217) Punta Tombo na Argentina. Onde fica?

Aqui nesse “blog” já registrei minha clara predileção pelo transporte terrestre, em viagens a passeio de pequeno percurso, no entanto, em janeiro de 2004 fiz – sentado na poltrona número dois do andar de cima do ônibus, com imenso para-brisa a minha frente – por mais de onze mil quilômetros rodados rumo ao Ushuaia. Mesmo com tamanha viagem de cento e oitenta e seis horas a bordo, valeu a pena cada quilômetro percorrido! Sinceramente, nem pelo destino final, mas tudo a se ver e assistir nessa viagem. Não recomendo absolutamente viajar ao extremo das Américas de avião, pois veria apenas o destino final quando o melhor está na travessia!

Mil e duzentos quilômetros depois da primeira parada – hospedado em Buenos Aires – ao sul está a península de Punta Tombo da Província de Chubut na Patagônia Argentina. É a segunda parada. O plano é visitar no dia seguinte, em ônibus especial, uma colônia de pinguins. A estrada de “rípios”, é sem asfalto e piso complicado para veículos de suspensão mais sofisticada. Então em um ônibus bem comum, trepida-se entre pedregulhos e estrada ruim até lá!

Chamou-me especial atenção com acentuado grau de desconfiança na atração, em razão do anúncio de prevenção, dos agentes turísticos locais, contratados para esse evento, afirmando estarmos na época de os aproximadamente um milhão de aves deixarem a Região, voltando para a Antártida. Pior, eles se organizam para toda colônia partir no mesmo momento. O risco era de em lá chegando, a praia estar totalmente deserta. Desculpem-me, não se trata absolutamente de preconceito, mas já vivenciei algumas lorotas em peças pregadas a nós brasileiros por “eles”, dado nossa natural ingenuidade...

Algumas poucas horas daquele tráfego complicado, chegamos! Tive um espanto foi glorioso! Duvidei de quem não merecia! Lá estava toda aquela população em número completamente prometido! Uma multidão espetacular nunca imaginada. São tantas pequenas aves a fazer uma algazarra imensa, referido como um grito de exibição (display call) usado para sua comunicação social e reconhecimento. Emitem sons variados, grasnidos, guinchos, piados e um som semelhante a um zurro – como jumento – para atrair! São aves marinhas, mas não voam, usam suas asas para locomoção com grande agilidade na água. Show inesquecível!

Aos humanos visitantes, número limitado e muito bem controlado, cujas movimentações são feitas em corredores cercados e o resto da área composta de pequenos arbustos sobre a areia, onde eles transitam livremente sem dar a menor importância para nós. Eles são suficientemente “civilizados” para tolerar a nossa presença. O detalhe rigorosamente orientado de convívio, é de jamais tocá-los. Isso seria letal, pois no toque transmitimos “nosso cheiro” e dele resultará expulsão sumária da colônia. Muito sociais, irão morrer na solidão do abandono.

O período de estada deles naquela península, é sempre o mesmo, resultado da busca de um período em local mais quente para acasalamento. A reprodução deve acontecer quando de volta para casa, a Antártida. A organização e ordem é invejável, pois há uma liderança a comandar a partida de todos em um único e mesmo dia, criando uma verdadeira onda escura no Atlântico durante o flutuar de seu retorno. Há um interessante comentário local, de ter a NASA registrado uma “estranha visualização” de imensa mancha negra no Oceano Atlântico na costa Argentina, em lento deslocamento ao Sul...

Afirmam especialistas ao fato de sua unidade no retorno, garantir inibição e dificuldade de ataque de seus predadores naturais. Enquanto esse grupo na água é chamado de jangada, em terra firme de bando ou ninhal.

Resumindo: Paradas dessa jornada tornam o longo período em viagem extremamente interessante e posso garantir, embora lento se comparado com aviões, não causa nenhum tipo de cansaço ou estresse, até porque, pela empresa em que viajei, Galápagos Tour, são apenas duas noites a bordo, as demais em confortáveis hotéis a recuperar o período em poltronas e para um bom banho quente e um jantar com a boa comida argentina, das melhores carnes conheço! Boa viagem!


Porto Alegre, 12/mar/2026.

quarta-feira, 4 de março de 2026

 216) Honda Civic e a Pesca em Ituzaingo, na Argentina.

 Inicio essa Crônica da gloriosa pescaria – primeira e única na minha vida -  realizada há uns vinte anos, em Ituzaingo, a convite do meu amigo Cauby. A programação contemplava pelo menos seis casais de amigos. Sim. Casais, pois o local da pesca é bem preparado a receber presença das esposas e pescadores, sem exigir delas nenhum sacrifício, comum e natural em pescarias.  O local à beira do rio Paraná, é fartamente arborizado com uma confortável sombra e seu ar fresco – embora Verão – vindo do rio e tanto verde ao redor. É quase um serviço de hotelaria com cabanas de completo conforto em um rústico apartamento, mas dotado de chuveiro elétrico e até ar condicionado.

Eu como principiante, não possuía o mínimo de equipamento. Tudo foi arranjado graças a cortesia dos parceiros e olha, eles portavam de tudo para uma boa pesca tão longe de casa. Desde o barco com possante motor até o mínimo detalhe dos anzóis/isca de tecnologia e criatividade ímpar.

A garantir sucesso na pesca, um ribeirinho nativo, foi contratado para nos conduzir até o local do rio, onde deveriam estar, creio “nos esperando”, os melhores dourados, até porque, a fiscalização é rigorosa na Região e proíbe pesca desse peixe, cujo tamanho seja inferior a setenta centímetros. Regra fortemente respeitada, pois a penalidade é extremamente severa e considerando lá, território estrangeiro – por óbvio – o temor fica bem acentuado...

Quanto do resultado da pesca em si, melhor seria se eu omitisse, porque afirmam ser obviamente “sorte de iniciante” capturar o maior peixe na pesca e foi o acontecido. Mentira de pescador? Até pode ser, mas como na verdade nem sou um pescador por essência, mereço o crédito como verdadeiro. Foi um dourado com sessenta e nove centímetros e circunstancialmente me obrigaram a ceder a peça para um assado lá mesmo, a não correr risco de ao retornar para casa ser flagrado pela temida “fiscalização argentina”! Então o assado se consumou e regado de respeitáveis vinhos argentinos, foi feita a festa!

Assim encerro a crônica da pescaria! Mas não pode ficar para trás, citado no título acima, o Honda Civic! Vamos ao fato:

O início da viagem aconteceu em Jaguari, onde a parceria toda me esperava de Porto Alegre. Viajei os quatrocentos e poucos quilômetros até lá e chegando, estacionei no corredor da garagem, defronte à Ford F1000 do Cauby, pronta para partirmos. Depois de muita “charla” sobre nossa jornada pesqueira, o dono da Ford percebendo-a ao sol, fora da sombra, foi com apenas o pé esquerdo na soleira, em pé e com o pé direito acionou a embreagem para uma pequena decida. Como a direção estava travada, o motorista ainda naquela posição, estica o braço para acionar a chave, num toque sutil acionou o motor, estando engatado se direcionou a colidir de frente com meu Civic!

Numa fração de segundo e com reflexo aprimorado, com o mesmo pé que acionava a embreagem, “chutou” o freio, em razão da inclinação de seu corpo – lembrem, ele estava em pé – esse escorregou e “afundou” no acelerador!

Aquele enorme caminhonetão, roncou motor patinando a tração a subir no capô do Civic até encostar seu para-choque no para-brisas. Então o motor apagou! O desespero do piloto é inesquecível pois em sua mente registrava a presença de sua netinha de uns cinco anos à frente daquele choque. Felizmente não aconteceu! Então ele chorou copiosamente!

“Foi só o susto”, todos afirmaram ao consolá-lo! E um automóvel bem amassado! Calculo termos digerido uma meia dúzia de cervejas a deixar tudo aquilo de lado no passado e em nome da alegria, celebrar a pescaria reservada para o dia seguinte!

Difícil, foi depois explicar a seguradora, de como um amigo bate no carro do outro amigo no pátio de sua casa, com agravante de não ter nenhum sinal de acidente, na sua caminhoneta! Alegado foi ser graças a robustez do veículo agressor!

 

Porto Alegre, 05/mar/2026.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

 215) "Mexico City"! Não percam o horário da tourada!

 

O México é um País interessante. Estive por lá em quatro ocasiões, sendo três delas passando alguns poucos dias na Capital e senti: - Fazer essa visita no Verão? Inconveniente! O clima de calor é severo e a falta de umidade no ar sufoca. Falta oxigênio, afinal de contas está há 2.294 metros acima do nível do mar e é uma cidade “onde respiram” mais de nove milhões de mexicanos! Mesmo no inverno, com até seus seis graus centígrados de temperatura mínima, é abafado! A cidade guarda uma bruma seca no ar, uma serração baixa a encobrir toda Cidade. Olhando do alto, a cidade nos parece um “grande pires”, como se fosse e talvez seja uma imensa e rasa cratera. Faz entender a retenção dessa coisa no ar semelhante a uma nuvem de fumaça. A poluição é abundante...

Importante é a constatação e lembrança da Civilização Asteca florescente entre 1325 a 1521 e ainda presente em cada quarteirão. A fundação de sua capital, Tenochtitlán aconteceu nessa época e o Império foi tristemente conquistado – mais honesto dizer arrasado – pelos espanhóis liderados por Hernán Cortés.

A Civilização Maia também deixou seus traços muito significativos na Região, cuja herança registra com marcos arqueológicos monumentais. As enormes e eternas pirâmides são incríveis. Essas eram usadas para fins religiosos e cerimoniais. Vale visitar as mais famosas delas, Teotihuacan – próxima da Capital - e Chichén Itzá na península de Yucatán.

Mas fiquem sossegados, não precisa viajar muito, pois dentro da Capital são muitas atrações e para conhecer um pouco dessas duas Civilizações, o Museu de Arqueologia é riquíssimo e visita-lo é obrigatório. Lá se encontra uma peça icônica, o famoso Calendário Asteca. Trata-se de um “rebolo” de pedra de uns dois metros de altura. O calendário era um sistema de datação usado antes da destruição do Império Asteca e consistia em um ciclo ritual de duzentos e sessenta dias e um ciclo civil de trezentos e sessenta e cindo dias. Fácil de interpretá-lo, entre “eles”, é claro!

Minha última estada na Capital, enquanto participava de uma convenção da IBM - prêmio por resultados em vendas - tinha uma programação completa para o período e o destaque significativo ficou por conta de uma Tourada Mexicana no domingo. Numa pequena arena retirada do centro, diferente das touradas espanholas, só findava com o abate do animal. (Abate do touro foi proibido em março de 2025).

O Evento como um todo, se tratava de uma grande festa com queima de fogos de artifício e seus Mariachi, alegre gênero musical tradicional mais representativo do México. Originário de Jalisco do Século XIX! Colorido festivo com muitas tendas com espetinhos de carne assada, tacos, aguacate, guacamole, frijoles e outras tantas iguarias evidentemente regadas com cervejas Corona e Tecate, necessárias para apagar o “fogo” de alguns apimentados! A Tecate, se toma tradicionalmente com uma pitada de sal e suco de limão espremido na hora, a encher aquele vinco ao redor do bocal da lata. Creiam-me, o contraste é delicioso!

Vamos a tourada: - Momento mais aguardado do evento. Violinos, trompetes, violão, vihuela e guitarrón com o canto dos Mariachi em seus trajes típicos, o “charro”, levam os espectadores – no caso dos mexicanos, são mais que isso, são torcedores – à loucura! A alegria é contagiante e a gritaria se exalta ainda mais com a entrada do Toureiro, de rara elegância. Vestido como um Imperador Romano com seu colete todo bordado em ouro e outras cores com lantejoulas e adereços a brilhar com sol!

Chegou a hora! Toureiro – grande personagem do espetáculo - joga sua charmosa capa longe, imediatamente recolhida pelos seus “assistentes” e soltam o Touro. Sob um som estridente dos trompetes, o animal parece assustado, perdido. Ao ver seu desafiador enfurece e se joga contra ele em desabalada corrida. Velocidade extrema e cheio de autoconfiança! Coitado, leva um drible desconcertante! Retoma sua postura agressiva e investe quase cego de tanta raiva mais e mais vezes. Os torcedores deliram, vibram com a derrocada de um animal altivo, bonito, corajoso e forte! No entanto, eu e metade daquele público de umas trezentas pessoas, brasileiros, na dúvida se devemos torcer contra o Touro!

O final é um desastre. O pobre animal está exausto e o toureiro ainda cheio de pose e orgulho, dá seu último drible – superior a Garrincha – e lhe espeta um longo sabre acima da nuca e o Touro cai de joelhos. Mas errou. Não acertou seu coração. O Touro arfando a levantar pó com seu focinho, babando, olhos arregalados, mas ainda vivo! É quando dois de seus assistentes se colocam um de cada lado de sua cabeça a provocar movimentos bruscos do seu pescoço, uma para esquerda outra para direita até o próprio animal com esses movimentos, fez a lâmina atingir seu coração a derrubá-lo inapelavelmente morto!

O Toureiro (matador) toma uma pose charmosa de herói vitorioso, faz uma reverência ao público jogando seu chapéu – o Montera – a alguém específico! É quando os brasileiros, eu inclusive, dedicamos uma sonora e barulhenta vaia! Toureiro – é a vez dele – fica visivelmente furioso conosco, quando nosso Verdadeiro Herói, o Touro, tristemente derrotado! Jaz ali sua com língua de fora, última jorrada de sangue na areia, olhos abertos, morto! Lágrimas nos olhos dos mais sensíveis! Arrumem um pretexto e percam horário da tourada, sim!

 

Porto Alegre, 20/fev/2026.