234) Gaúcho: - Churrasco no Domingo, Sempre!
Para entender nosso hábito alimentar, a primeira coisa é de nos darmos conta de ser o Rio Grande do Sul Cultua historicamente de uma forte Dedicação Pecuária com Séculos de história e tradição. Tanto é verdade, a provocar na Revolução Farroupilha contestação ao Poder central na Capital, Rio de Janeiro, em função de abuso na carga tributária nas Charqueadas, fonte vigorosa de proteína animal para todo o Brasil. Essas produziam através do charque, grande parte do consumo nacional de carne de gado bovino.
Aos domingos em especial, para quem mora em bairro mais residencial de Porto Alegre, o perfume exalado pelas dezenas de churrasqueiras em fogo, provoca um apetite renovado e muito especial. Muitas vezes comentei, esse cheiro a inundar nossas casas torna compulsório, até em “legítima defesa gastronômica”, de tratarmos de juntar o carvão – eu prefiro lenha – a produzir aquela brasa bem vermelha e forte, espetos na mão e fazer o melhor de todos almoços para esse dia!
Acompanhamento? Qualquer um, não falte a cerveja, cachaça ou vinho por perto, porque depois do chimarrão, alguma bebida alcoólica merece ser degustada. Particularmente gosto de uma mandioca. Em algumas Pátrias mais distantes das nossas fronteiras, chamam de aipim, é o melhor de todos complementos. Depois vem a batata-doce, moranga, maionese salada verde e talvez – eu escrevi talvez – até arroz...
Para um evento mais “chique”, aí vem obrigatoriamente a salada verde. Exigência dos comensais mais bem-comportados e controladores de peso. Folhas, também são bem-vindas, mas nesse caso a exigência de tempero com vinagre tinto é fundamental. Ainda na presença desse padrão de convidados e sendo uma costela rica na cobertura de gordura, tudo se resolve com uma boa farinha de mandioca, pois muitos afirmam (claro que é mentira) evita de engordar, pode comer à vontade!
Depois desse almoço, já meio enjoado pelos excessos, sem jamais acusar a cerveja como principal culpada, um café traz toda a paz de espírito de volta. Nos resta esperar a digestão trabalhar um pouco, para lá pelo meio da tarde, dando preferência ao Sol de Inverno, a hora de comer algumas – não mais de umas trinta – Bergamotas! Fruta, também conhecidas em outras Praças como tangerinas! Aqui seu nome é diferente, importamos o "vergamota" do Vêneto esse bom nome italiano!
Muitas vezes os convidados vêm de longe e vão ficando... Uma olhada às sobras na “gamela”, aguardam novo destino! Estou falando no improvisado “Carreteiro” a encerrar definitivamente a comilança dominical. Quando se trata desse prato feito com charque (tipo carne de Sol), aí se trata de uma nova celebração gastronômica a merecer atenção de um jantar exclusivo! A regra para o Carreteiro de Charque, é de uma rigorosa simplicidade: Charque, arroz e ponto final! Eu faço – mesmo escondido – com preparação de tomate e cebola! Saio um pouco da regra básica mas fica muito bom. É tipo de um prato único, mas se alguém tiver a boa vontade de fatiar um repolho bem fininho, eu aprecio muito sem abrir mão daquele mesmo vinagre tinto, sal, pimenta preta moída na hora e azeite de oliva.
Não me perguntem se há sobremesa. Não sei fazer tampouco tento fazer. Doces não estão na minha área de labor culinário, mas... A tradição reserva espaço para um sagu com creme, um pudim de leite condensado e a trabalhosa ambrosia! Dispenso a todos, mas “tendo”, como com entusiasmo infantil!
Ah! Não vamos esquecer: - Toda costela ou qualquer rejeito do churrasco, depois de aproveitado naquelas peças para o carreteiro de encerramento, guarde-os, porque sempre tem um amigo dono de um cachorro a finalizá-los. Creiam-me, isso solidifica a terna amizade com aquele animal considerado o “melhor amigo do Homem”! Cachorro adora roer uma costela!
Porto Alegre,30 /jul/2026.