quarta-feira, 5 de agosto de 2026

235) Onde Andam os Pardais?

Pois é, afinal de contas, onde andam os nossos Pardais? Em épocas não muito distantes víamos centenas desse pequeno – sete centímetros - e arisco pássaro nas ruas a ciscar nos calçamentos de paralelepípedos, a empoleirarem os fios de luz, galhos de árvores e em suas belas exibições de revoadas de grandes grupos pelos nossos ares. Eles nunca foram exclusividades do nosso Estado nem do nosso País, curiosamente se trata de um pássaro habitante de todo o Planeta.

Coitado do singelo passarinho, cedeu seu nome até para o antipático controlador eletrônico a medir velocidade e aplicar multas nas vias públicas. Seu apelido surgiu nos anos noventa pela sua aparência física das caixas cinzas nos postes. A lente redonda parecia o seu olho e ao seu comportamento silencioso e atento vigiando a todos nós! Não é, seguramente o equipamento mais amado do Brasil...

Voltamos ao pássaro: - O Pardal é uma das espécies de aves originárias da Ásia e Europa, entretanto, é muito comum encontrar eles vivendo em praticamente todas as partes do mundo. Aqui no Brasil, chegaram por volta de 1906 com o objetivo de controlar a população de insetos. Na sequência, considerado praga por reproduzir muito rapidamente e competir expulsando agressivamente as aves nativas por comida e espaço.

Sua vinda para o Brasil, foi uma revolucionária iniciativa do comerciante Antônio Bento Ribeiro, com o aval e autorização direta do então Prefeito do Rio de Janeiro, Francisco Pereira Passos em 1903. A ação aconteceu para apoiar a histórica campanha de saneamento e higienização urbana liderada por Dr. Oswaldo Cruz. Com cerca de duzentos exemplares da espécie “Passer Domesticu” da família Passeridae, algumas das aves comuns no Mundo, trazidos de Portugal. O projeto previa serem essas aves exóticas, vorazes e eficientes no combate aos mosquitos transmissores de epidemias como a febre amarela e a peste bubônica então assolando a Capital Federal.

No Campo de Santana no Rio de Janeiro, foi em pomposa solenidade celebrada a soltura, constatado anos depois como um erro ecológico, pois eles, os Pardais, consomem insetos só na fase de reprodução a alimentar de seus filhotes, voltando depois a sua base alimentar através de grãos, sementes e comida orgânica. O controle falhou e a espécie invasora acabou se proliferando desordenadamente pelas cidades de todo o Brasil.

Fui provocado pelo amigo o Vedoi a buscar informações desse tipo de migração e o resultado foi nada alentador: - Não é migração. Eles estão simplesmente sumindo dos grandes centros urbanos do Mundo todo, cuja justificativa lida é devido a “falta de alimentos expostos, concorrência por outras espécies e mudanças na arquitetura urbana, pois no passado faziam seus ninhos em buracos nas rochas e a adaptação às cidades se deu em beirais de telhados de casas, entretanto hoje as casas estão sendo substituídas por prédios imensos, sem os beirais!”

Algumas respostas vêm com a liberdade das Redes Sociais de hoje, a publicar qualquer coisa, vez por outra surgem algumas loucuras, mas umas com algum crédito, a exemplo de uma opinião recente dando conta da força dos ventos, algumas fazem até cinzas vulcânicas atravessarem oceanos, e gera um curioso questionamento: - Como se posicionaria hoje a guerra entre Rússia e Croácia a gerar para todo o Planeta seus resíduo de suas bombas a afetar a população mundial com seus amaldiçoados componentes secretos matando um pouco de cada um de todos nós! 

Pareceu exagero? Mas não é. Creiam, há uma publicação recente afirmando, ter o deserto do Saara a despejar 17,7 milhões de toneladas de sua poeira sobre a Amazônia todo ano. Talvez aí, a frágil Pomba Juriti e o Pardal a pagarem sua quota! Sabe-se lá!

Dessas tantas respostas, só não aceito como verdadeira a da “concorrência por outras espécies”, pois reincidiria na pergunta inicial aumentando o sujeito da questão: Onde estão as pombas Juritis, etc.? Aí está, eu acredito, a mais cruel e chocante resposta responsabilizando naturalmente aquele animal bípede, que lhe é atribuído a capacidade de pensar, é o soberano Predador de tudo e de todos. Predador de aves, animais, peixes e vegetais. Sim, até as árvores. São muitas as árvores catalogadas em extinção. Predador até mesmo do seu próprio Semelhante! Nem preciso escrever qual bicho é. Preciso?


Porto Alegre, 06/ago/2026.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

 234) Gaúcho: -  Churrasco no Domingo, Sempre!

Para entender nosso hábito alimentar, a primeira coisa é de nos darmos conta de ser o Rio Grande do Sul Cultua historicamente de uma forte Dedicação Pecuária com Séculos de história e tradição. Tanto é verdade, a provocar na Revolução Farroupilha contestação ao Poder central na Capital, Rio de Janeiro, em função de abuso na carga tributária nas Charqueadas, fonte vigorosa de proteína animal para todo o Brasil. Essas produziam através do charque, grande parte do consumo nacional de carne de gado bovino.

Gaúcho, carnívoro ao extremo, foi desenvolvendo formas de preparo e sem dúvida foi no churrasco onde se estabeleceu o melhor prato! É tradição nas mesas dos almoços de domingo, o encontro em Família para o festejado assado com – preferencialmente – uma costela gorda na churrasqueira. Já teve picanha e outras peças, mas definitivamente é na costela a de melhor sabor e facilidade no seu preparo, pois o “Gaúcho Raiz”, praticamente sem exceção sabe “pilotar uma churrasqueira” e ao assar a tal costela, afirmo convicto: Basta cinco minutos de teoria e não tem como errar! O maior segredo, está lá no supermercado na hora de escolher a carne... Aí, se exige um especialista!!!

Aos domingos em especial, para quem mora em bairro mais residencial de Porto Alegre, o perfume exalado pelas dezenas de churrasqueiras em fogo, provoca um apetite renovado e muito especial. Muitas vezes comentei, esse cheiro a inundar nossas casas torna compulsório, até em “legítima defesa gastronômica”, de tratarmos de juntar o carvão – eu prefiro lenha – a produzir aquela brasa bem vermelha e forte, espetos na mão e fazer o melhor de todos almoços para esse dia!

Acompanhamento? Qualquer um, não falte  a cerveja, cachaça ou vinho por perto, porque depois do chimarrão, alguma bebida alcoólica merece ser degustada. Particularmente gosto de uma mandioca. Em algumas Pátrias mais distantes das nossas fronteiras, chamam de aipim, é o melhor de todos complementos. Depois vem a batata-doce, moranga, maionese salada verde e talvez – eu escrevi talvez – até arroz...

Para um evento mais “chique”, aí vem obrigatoriamente a salada verde. Exigência dos comensais mais bem-comportados e controladores de peso. Folhas, também são bem-vindas, mas nesse caso a exigência de tempero com vinagre tinto é fundamental. Ainda na presença desse padrão de convidados e sendo uma costela rica na cobertura de gordura, tudo se resolve com uma boa farinha de mandioca, pois muitos afirmam (claro que é mentira) evita de engordar, pode comer à vontade!

Depois desse almoço, já meio enjoado pelos excessos, sem jamais acusar a cerveja como principal culpada, um café traz toda a paz de espírito de volta. Nos resta esperar a digestão trabalhar um pouco, para lá pelo meio da tarde, dando preferência ao Sol de Inverno, a hora de comer algumas – não mais de umas trinta – Bergamotas! Fruta, também conhecidas em outras Praças como tangerinas! Aqui seu nome é diferente, importamos o "vergamota" do Vêneto esse bom nome italiano!

Muitas vezes os convidados vêm de longe e vão ficando... Uma olhada às sobras na “gamela”, aguardam novo destino! Estou falando no improvisado “Carreteiro” a encerrar definitivamente a comilança dominical. Quando se trata desse prato feito com charque (tipo carne de Sol), aí se trata de uma nova celebração gastronômica a merecer atenção de um jantar exclusivo! A regra para o Carreteiro de Charque, é de uma rigorosa simplicidade: Charque, arroz e ponto final! Eu faço – mesmo escondido – com preparação de tomate e cebola! Saio um pouco da regra básica mas fica muito bom. É tipo de um prato único, mas se alguém tiver a boa vontade de fatiar um repolho bem fininho, eu aprecio muito sem abrir mão daquele mesmo vinagre tinto, sal, pimenta preta moída na hora e azeite de oliva.

Não me perguntem se há sobremesa. Não sei fazer tampouco tento fazer. Doces não estão na minha área de labor culinário, mas... A tradição reserva espaço para um sagu com creme, um pudim de leite condensado e a trabalhosa ambrosia! Dispenso a todos, mas “tendo”, como com entusiasmo infantil!

Ah! Não vamos esquecer: - Toda costela ou qualquer rejeito do churrasco, depois de aproveitado naquelas peças para o carreteiro de encerramento, guarde-os, porque sempre tem um amigo dono de um cachorro a finalizá-los. Creiam-me, isso solidifica a terna amizade com aquele animal considerado o “melhor amigo do Homem”! Cachorro adora roer uma costela!

  

Porto Alegre,30 /jul/2026.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

 232) Liderança, Influência &Poder.

Liderança, Influência e Poder. Eis um tema desafiador a qualificar a tantas responsabilidades assumidas durante toda nossa vida. Atividades profissionais, sociais, de amigos ou em Família! Não há uma regra simples, orientadora, apesar de tantos livros já escritos sobre o assunto. Mas são eles, os Livros a nos dar uma perspectiva com visão dos caminhos menos espinhosos a percorrer nessa exigente atividade.

Livros: “O Príncipe” (1513) e “Os Pensadores” de Maquiavel, mais o “Arte da Guerra” de Sun Tzu são de uma riqueza fantástica na abordagem da Arte de Liderar. Esses trazem exemplos claros de como agir em momentos de pressão, necessidade de assumir posições claras. Todas com o provocante desgaste natural de um fardo pesado e desconfortável na área de liderar, gerenciar e o de ser Papai/Mamãe.

Óbvio, mandar fazer é muito mais fácil ao motivar a fazer e é aí onde reside a diferença brutal entre elas quando se mede o resultado de cada uma. Quando o poder de uma autoridade é claro, tudo se define numa hierarquia estabelecida com regra aceita pelos liderados, mas nem sempre isso acontece, daí a gerar reações contrárias e o “cortar cabeças” se impõe necessário. No segundo livro, já citado de Sun Tzu, o medo eleva significativamente o poder do líder, enquanto o amor, pouco adiciona. Está lá, escrito no livro dele...

Entretanto, sempre tem algum reparo. Uma das melhores experiências já por mim vividas, me pegou num período com pouca experiência, melhor, com zero experiência – quesito muito vivo em qualquer responsabilidade – ainda muito jovem, recém-chegado aos dezoito anos de idade durante o Serviço Militar, um fato chegando às raias do hilário:

- Fui Cabo no Exército, ano de 1967, época de grande respeito à Instituição e reconhecida como a melhor linha de respeito hierárquico. Havia uma forte carência de recursos humanos em todas áreas. No Quarto Regimento de Cavalaria, onde eu cumpria o Serviço, o Comandante era um Tenente Coronel, quando deveria ser um Coronel e assim a maioria dos Postos eram responsabilizados.

Nesse formato, mesmo sendo Cabo, num determinado dia na Escala de Serviço, ocupei a responsabilidade do “Sargento da Guarda”. Uma das tarefas, era o de conduzir o Serviço da Guarda ao Rancho nos horários previstos. Para o almoço nesse dia, os Soldados da Guarda em Ordem Unida cercavam os Praças que cumpriam prisão. A formação compunha com os apenados ao centro, cercados pelos Soldados em Serviço, obrigatoriamente “marchando” em compasso ditado pelo Sargento da Guarda, eu no caso...

O percurso era algo de uns seiscentos metros da Guarda ao Rancho e por óbvio a totalidade dos apenados, meninos como eu, cumpriam castigo por Indisciplina Militar, previsto na Quarta parte, Justiça & Disciplina... Um dos apenados fora condenado por deserção, na nossa visão à época, a pior das infrações!

Pois foi esse Soldado quem me deu a “melhor das lições”: O pelotão todo marchava em concentrado e orgulhoso ritmo como se estivessem indo para a Guerra! Ele, somente ele, caminhava numa displicência de dar inveja a um carnavalesco de ressaca voltando para casa na Quarta-feira de Cinzas! Era só preguiça, arrastava os coturnos na maior sonolência de desafiadora má vontade! Olhando para as nuvens e assobiando alguma música, talvez alguma rancheira do Teixerinha!

Pois foi quando o “Cabo Fausto” num exacerbado e rigoroso comando de ALTO, fez parar aquele pelotão de uns vinte guerreiros, com um forte estalar de suas esporas em uma rigorosa Posição de Sentido! A tempestade estava anunciada e em tom de forte trovoada com o mais alto rigor, lhe chamei atenção sob severa advertência! Confesso, fiquei orgulhoso de posicionamento com tão forte Posição Militar! Já o atingido por tamanha reprimenda, responde no mesmo entusiasmo de sua “caminhada” em direção ao rancho:

- “E daí Cabo! Que qui tu vai fazê? Vai me botá na cadeia?”

Prender um preso? Sem resposta, toda minha autoridade se desmontou derretida! Resmunguei alguma coisa ininteligível, língua enrolada e tom de voz bem mais moderado da anterior e me restou seguir em frente rumo ao Rancho, como se nada tivesse acontecido. Voltamos do almoço, ele exatamente como fora e cada um retomou seus postos e os presos em suas celas! Mantive-me sem resposta naquele caso. Como fazer para prender alguém já preso? É. Liderança sem um poder claramente definido, é melhor ficar calado!

Porto Alegre, 23/jul/2026.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

 231 ) Solidão!

Eis uma palavra chocante, assustadora, sempre à espreita de todos nós na aproximação de idades mais avançadas, mas na verdade, ameaça presente em todas etapas de nossas Vidas! Desde bebezinhos a choradeira no afastamento da Mamãe é presente e vigoroso! Nascemos para viver em Sociedade e o isolamento de menor tempo possível, nos coloca em absurda falta de segurança

Então, não é na velhice a origem desse sentimento a nos agredir sobremaneira. Em todas idades, mas a da velhice claro, se trata da mais cruel e geralmente irreversível. Somos esquecidos? Não é bem isso, mas o Mundo nos impõe a todos, atividades cada vez mais envolventes em nosso dia-a-dia, a ponto de certa forma abandonarmos nossos entes queridos naquela triste situação. Abrigo? É. Resolve. Mas resolve somente a acalentar um pouco o sentimento de abandono por nós decretados aos nossos velhinhos queridos. Já em caso de não tem recursos financeiros suficientes – esses abrigos são caríssimos – o abandono se materializa muito depressa.

Na idade intermediária estamos livres? Não. Definitivamente não. Na modernidade os casamentos jurados “até que a morte os separe”, não passa de uma frase protocolar, quase vazia imposta no cerimonial. O amor se dissolve? Não. A danada da rotina esgota os prazeres da união rapidamente e a dissolução se apresenta. É nessa faze de muitos casais se focarem em demasia ao trabalho e a razão do casamento toma valores sem expressão. Não há uma fórmula mágica para superação dessa fase, se existe, desconheço totalmente e é daí a fase sofrida ainda na juventude por matrimônios a se derreterem. Pior: - Muitas vezes convertida em “ódio sincero!”

Uma coisa é certa, a solidão também serve para cicatrizar feridas das mágoas provocadas nesse tipo de rompimento. O amor sublime amor, se converte em um ódio irrefreável, daí refiro ao aceitar a solidão como período de recuperação. O Italiano Sergio Endrigo e mais, compuseram “Canzone Per Te”. Canção maravilhosa quando chamou Roberto Carlos a interpretá-la, conquistando o Prêmio Maior no Festival de San Remo em 1968. Tem na letra um trecho espetacular a saudar romanticamente essa ameaçadora solidão: “La solitudine che tu mi hai regalato io la coltivo come um fiori”! 

Românticos poetas saúdam a dor com uma reverência especial, tratando-a como um mal necessário e eu creio ser de fato. Mas a verdade é única, a saudade gerada nessa solidão, muitas vezes nos arrasam, serve de base para mais adiante nos solidificar, nos amadurecer. Importante não recebermos como um mero castigo reservado a pagar por erros cometidos. A Religião Cristã Prega - e eu Creio – Cristo veio para nos perdoar. Perdoado, deu. Chega. Muito mais de uma Crença Religiosa é a Direção a nós concedida e nos dá à superação de nossos erros e defeitos. Arrependimentos mil não nos leva a absolutamente nada. É apenas autotortura. Vital o aprendizado com a lição e repetir os erros do passado. Como passado, merece ser sepultado – via de regra dificílimo – mas como diz um adágio popular: “Bola prá frente!”

 Se apreendi, significa cresci intelectual e espiritualmente, assim nós vamos nos tornando melhores Seres Humanos. Eu sei, muitos nem assim evoluem! Mas como tudo na Vida, não sei exatamente a razão, mas “erva daninha” também faz parte do contexto da nossas Vidas! Momento de exercitar a tolerância e dar pouco valor aos tropeços de todos nós e talvez, virar o rosto a todo o contorno que nos circunscreve.

 

Fausto Diefenbach.                Porto Alegre, 16 de julho de 2026.

 

quarta-feira, 8 de julho de 2026

 230) A Copa do Mundo de Futebol – FIFA.

Nessa semana leio “No País do Carnaval”, livro de Jorge Amado. Com o acontecimento futebolístico no domingo passado nos EUA, com nossa Seleção Brasileira de Futebol, estou convencido do Carnaval estar aos poucos saindo fora do contexto brasileiro, mas é claro, ainda com alguns grandes eventos, shows – predominantemente comercial – mas futebol é definitivamente nossa louca paixão. Conhecimento e argumento de futebol não é meu forte. Jornais, rádios e TVs, já esgotaram o assunto desse imenso e horroroso fiasco, diante da Noruega!

Respeitando a paixão, minha também, vamos a algumas considerações para aliviar a dolorida ressaca cantando: “Oh! Quanta alegria, mais de mil palha...”

Com a eliminação também precoce da Alemanha, teremos garantido por mais quatro anos o privilégio de continuar sendo a única seleção Pentacampeã na História: Conquistou em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002! Chama atenção aos nossos olhos, é de ter em cada uma das conquistas, pelo menos uma Estrela a brilhar no escrete!

O primeiro foi na Suécia, região metropolitana de Estocolmo em 29/jun/1958. Um menino de dezessete anos brilhou e brilhou muito. Nascia o Rei do Futebol, Sua Majestade o Rei Pelé! Eu, morando no interior, aos nove anos de idade, vibrava em consonância a uma galera na minha casa a festejar o Brasil novamente em uma final. Quase na hora do jogo, “cai a energia elétrica”. Não havia rádio à pilha, nem rádio em automóveis naquela época. Lembro do desespero de meus irmãos correndo em busca de alguém com rádio à bateria. Não encontraram. Como num milagre a luz voltou e ouvimos ensandecidos com muitos foguetes aquele massacre de 5X2! Brasil Campeão Mundial de Futebol! A alegria era absurda pois oito anos antes, deixamos escapar na final para o Uruguai em Pleno Maracanã!

No Chile, quatro anos depois, em 17/jun/1962, nova final. Alguns jogos antes, covardemente quebraram Pelé. Amarildo substitui o Rei. Mas a Estrela Brilhante foi Garrincha! Seus dribles desconcertantes lá pela direita do ataque, onde ninguém conseguia pará-lo, sequer entendê-lo, pois mesmo com repetição idêntica de dribles, conseguia enganar o defensor de forma espetacular. Vencemos a Tchecoslováquia “de virada” por 3X1! Gols de Amarildo, Zito e Vavá! Adolescente, eu já tinha permissão a foguetes e rojões!

México, 21/jun/1970, A primeira Copa transmitida em cores pela TV, bem como primeiro televisionamento ao vivo via satélite para o Mundo todo. Brasil conquista invicto o Tricampeonato sob comando de Zagallo derrotando a Itália no Estádio Azteca por 4X1 na final, obtendo a posse definitiva da taça Jules Rimet (para anos depois ser roubada!). A imprensa cogitava: “Pelé está velho!” Pois bem, o Velho foi espetacular, a Estrela Maior rodeada por Tostão, Rivelino, Gerson, Jairzinho e na lateral esquerda, o gaúcho Everaldo. Após o jogo a torcida mexicana invadiu o campo e em festa “massacrou” os atletas brasileiros arrancando camisas mesmo aos pedaços, calção, meias, chuteiras... Fãs enlouquecidos. Rivelino desmaia!

O Tetracampeonato foi nos EUA em 17/jul/1994, sob o Comando de Parreira, estádio Rose Bowl, amargávamos um hiato de vinte e quatro anos sem conquista de mundial – como é a situação de hoje, a se prolongar por mais quatro anos – com o brilho estelar de Romário, para mim, um dos melhores jogadores brasileiros em Seleção. Nessa Copa muito bem entrosado com Bebeto! Novamente a Itália a nos desafiar e foi um desafio pesado, a vitória só aconteceu na cobrança dos pênaltis, com erros italianos. Roberto Baggio, a Estrela Italiana chuta a bola para fora e o Brasil ganha a Copa! A vitória ficou em um 3X2 chorado!

O Brasil em 2002, apesar de não ser o grande favorito no Japão e Coreia do Sul é pentacampeão invicto com seis vitórias, nenhum empate! Felipão é o técnico e há uma tríade de craques sob seu comando, de alta capacidade Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e Ronaldo Nazário. Ronaldo é a Grande Estrela como artilheiro da Copa com oito gols. A final em 30/jun/2002 foi no Japão no Estádio Internacional de Yokohama foi contra a Alemanha, derrotada por 2X0 com os dois gols do Ronaldo Fenômeno!

Um passado glorioso a nos orgulhar, faz desse esporte seja de fato fantástico pois não há lógica, há tendência e frequentemente gigantes sucumbem diante de seleções menores. Daí todo o brilho e o despertar, até perigoso, de fanatismos sem controle. 

Domingo passado, uma esperança da Estrela ser Neymar, mas esse, com histórico de lesões e fracassos sem explicação, não se fazia merecer a titularidade – fato muito contestado -  e muito menos aquela Estrela referida nas Seleções anteriores a desequilibrar um adversário. O Treinador é bom e fantástica a sua técnica com “chiclete”! Lembra um jacaré devorando uma capivara inteira! Resta-nos poucos capítulos a trazer de volta a confiança na Canarinho, de tantas alegrias entregues. Aguardemos pacientemente os quatro anos. Passa rápido, eu garanto!

 

Fausto Diefenbach.                                    Porto Alegre, 09 de julho de 2026.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

229) Etapa Final: - Longa Viagem Iniciada no Atlântico.


Prometido na semana passada, hoje será a última Crônica dessa viagem. Agora, é a saída de Marsella rumo a Paris. Foi num trem rápido cobrindo em 03hs34min. os seiscentos e sessenta quilômetros, metade do tempo, se for de automóvel. Passagem ao custo unitário de R$ 614,00, se comprado antecipadamente. Disponível oito horários para esse trecho direto, sem paradas e outras tantas com “escalas”. Muito conveniente a se considerar – vendo no mapa – quase uma travessia de Sul ao Norte da França.

No trem, encanta sentir os trezentos quilômetros por hora com baixo ruído e invejável estabilidade. Paisagens desfilam diante da janela com milhares de hortas e pomares. Lavouras? Não. Viagem muito rápida e traz a curiosa sensação dos postes de energia, ao longo da ferrovia, “passarem voando”!

Chegada em Paris na Gare de Lyon. Dali ao hotel em Montparnasse de metrô. Nessa Cidade, sempre de metrô, a qualquer lugar rápido e barato (2,55 Euros para ir e vir por duas horas), é o melhor meio de transporte e creio ser a melhor rede do Mundo. Toma-se no máximo dois trens, a qualquer destino, em especial aos dois aeroportos.

Escrever sobre Paris até é chato. Cai muito em “lugar comum”. Tudo já foi escrito, filmado e badalado! Mas cabe uma nota a um local no passado, de especial emoção, vibração: - Torre Eiffel!

Há muitos anos conheci Paris e a óbvia atração de subir na Torre de seus trezentos e trinta metros de altura e afirmam a absurda curiosidade – ninguém obrigado a acreditar - de ter altura variável de acordo com a temperatura... Em 1979, também usando metrô, inseguro de estar na direção correta, quando ao sair da estação subterrânea a imensa torre visível a quilômetros, desapareceu! Não estava onde eu desembarquei! Foram segundos de frustração, com orgulho abatido pela falta de noção geográfica, olhando para os lados um tanto “embasbacado”! Ao girar, às minhas costas ali estava ELA! Muito próxima. Imensa, pomposa, “cheirando as nuvens” com suas dimensões inacreditáveis. Fui tomado de uma emoção indescritível! Um choque! Pomposa ao extremo! Suspiro profundo. Quase um engasgue! Subi. Ver a Cidade de cima valeu cada centavo dos trinta e seis Euros – preço de hoje - cobrado pelo elevador! Lembrando: Na França nada é barato...

Seguindo viagem, a Lisboa rumo ao aeroporto, ao chegar na Estação Edgar Quinett, Elaine com duas bagagens de mão pesadas e eu com a mala grande, enorme, carga pesada de obrigação ao “Macho Alpha”, no primeiro lance de escada com degraus comuns, as escadas rolantes só mais adiante. Era cedo da manhã e quase ninguém circulando, apenas um menino de aspecto germânico descia junto. Olhos azuis, bem vestido, sorriso simpático, apressado, parecia interessado e ajuda-la, mas não. Não é simpático afirmar, mas verdadeiro ser a cordialidade um ponto a desejar nos parisienses. Aquele querido menino veio logo atrás de mim, não dei importância, mas senti um leve toque, carinhoso no meu bolso, estava a rica mãozinha daquele bom menino subtraindo suavemente minha carteira com tudo dentro, dinheiro, todos cartões e documentação!

Dei-lhe um vigoroso tapa no braço daquele FDP! Larguei a mala no chão e avancei aos berros em sua direção. Virou as costas disparando e decolou escada acima. Enlouquecido, berrando perdi a conta de tantos qualificativos para aquele ladrão ordinário, sem vergonha! A carteira ficou comigo...

Dia seguinte, voltando para casa! Encerramos programa de vinte e oito dias em Lisboa, onde recebidos por Renata, Márcio, Artur e Anita quando por mais de dez horas rodamos a garantir visita aos melhores pontos e restaurantes da Capital Lusitana. Encosta belíssima e muita Tradição Histórica na tão íntima relação com o Brasil! Cidade tão arborizada e bem cuidada que encanta. Na Europa, visita obrigatória!

Porto Alegre, 02 de julho de 2026.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

 228) Fogão à Lenha! Ah, que Maravilha!

Peço desculpas aos meus estimados Leitores, por desviar o rumo das últimas cinco Crônicas da Travessia do Atlântico, quando estava próximo a contar o destino terrestre até Paris, encerrando em Lisboa. Garanto, na próxima semana volto aquele tema e finalizo o período de férias em definitivo.

Essa semana, em dia vinte e um de junho, iniciou - no calendário - o nosso Inverno. Entretanto o frio está presente há dias com um rigor há muitos anos abandonado. Frio é muito bom e nos mantem, no Rio Grande do Sul, com o tradicional respeito às temperaturas e meteorologia caracterizando as Quatro Estações do Ano.

Gosto do muito Inverno – exceção ao horário do banho – cuja temperatura baixa nem precisava ser tão convincente como afirmei acima, em especialmente rejeitado quando vem com chuva, garoa, enfim, tudo aquilo a nos criar dificuldade em secar roupas e toalhas! Frio com sol claro nos inspira ao banho de sol nos jardins e praças e se for acompanhado de algumas bergamotas – em outras praças conhecidas como tangerina – fica bom demais! Para nós os Gaúchos, um chimarrão também é presente nesses momentos, como a melhor forma de hidratação, pois beber água a gente simplesmente esquece...

Na mesa ou no balcão: - Pinhão, sopa de capeletti, quentão, pipoca, amendoim, pé-de-moleque, batata doce assada, mocotó e nem precisa ser Festa Junina! Enquanto estiver frio assim, essa celebração é sempre muito bem-vinda! Vinho tinto? Claro que não esqueci, jamais deixaria de lado. De qualquer qualidade! Não. Não é bem assim. Esse de baixa qualidade a gente reserva para o quentão, afinal, com todas aquelas misturas de cravo, canela, gengibre, cachaça etc., sua origem barata nem é percebida! O importante é ter garantida a dor de cabeça no dia seguinte!!!

Vamos ao melhor no frio rigoroso: - Em casa, queimando lenha! Hoje em dia em residências de construção bem planejada, é previsto a construção de lareira. Maravilha! Se não houve, ainda há o recurso de instalar lareira de metal. “Quebra um galho” na medida! Lareira é um instrumento a se tornar o autêntico altar de reverência ao Inverno e a todos aqueles quitutes e bebidas já referidas! Não se tratar apenas de aquecimento ao frio reinante, mas de um toque romântico a provocar aproximação e carinho com quem a gente gosta de estar junto de verdade!

Mas tudo isso, não se compara a um passado nem tão recente, quando nossas cozinhas tinham sua majestade, o Fogão a Lenha! Ah, sinto saudades daqueles momentos tão aconchegantes, onde a Família se aglomerava ao seu redor a ouvir e contar histórias e estórias! Sem crítica furiosa ao telefone celular, mas época de aproximação verdadeira, sagrada onde a “conversa ao vivo” acontecia no melhor de todos os climas!

Havia conversa até sem o som de vozes! A menos tendo alguém cantarolando alguma canção! O silêncio abria espaço para meditação e a sensação de presença habitava, enchia nossos corações! O crepitar das lascas de lenha ao fogo, traziam junto aquele seu cheiro gostoso de madeira queimando! Houve uma época, até se podia queimar lenha de Angico com sua fragrância peculiar! A portinhola do fogão ficava sempre aberta, para podermos apreciar o milagroso espetáculo da dança das chamas amarelas com vermelho!

Saudemos essa fria Estação bem abrigados, afinal de contas a ameaça de constipação e doenças respiratórias está presente, não vamos “dar sorte ao azar”. Beba mais água e reforço em vitamina “C” e boa alimentação calórica ajudam na proteção! Paro aqui, antes de algum Médico me mandar eu calar! Tenham todos um “bom aquecimento!”

 

Fausto Diefenbach.                Porto Alegre, 25 de junho de 2026.  

 

quarta-feira, 17 de junho de 2026

 227) Em Marseille Termina o Cruzeiro!

Marseille, esse é o destino final do Cruzeiro – não da viagem – na chegada, uma exaustiva experiência: - A agência de turismo informou: 

- “Hotel reservado está a menos de quatro quarteirões do porto!” Assim sendo, dispensável uso de táxi. Com malas de rodinhas fica fácil, caminharemos ao destino. Na prática, foi caminhar toda extensão do cais do porto e já foi demais, bem superior a um quilômetro! Desconfiado de algum erro e já com suor brotando no rosto, mais por nervosismo ao calor. Ansiedade pura. Pior, ninguém disposto a dar uma informação pelo menos da direção do hotel. Nem na cabine de turismo – negou conhecer - mais interessados em vender locomoção. Cortesia totalmente abandonada, ou quem sabe, nunca existiu por essas bandas! Sem querer criticar a conhecida, reverenciada, “aplaudida gentileza francesa!” Mas, vamos adiante. Vitalidade não me fala! Mentira! Com os “bofes prá fora”, mas teimoso – característica genuinamente germânica – não desisti, insisti em caminhar elevando o estresse meu de Elaine.

Com o moral destruído, cansado, derrotado, me dei por vencido e finalmente chamei um táxi para aquela distância dos prometidos quatrocentos metros! No entanto o motorista afirmou: - “Corrida de uns quinze quilômetros de vinte e cinco minuto, por trinta euros!” Senti a trapaça. Isso irrigou minha a garganta de um raivoso sabor salgado! Sem alternativas, engoli e aceitei. E o motorista estava correto! Descobri na sequência, de fato o hotel estava muito próximo, mas do “Porto Antigo” da cidade. Para grandes transatlânticos de onde desembarcamos ficava mesmo bem mais distante.

Hotel finalmente encontrado com excelente localização. Ponto turístico interessante de grande movimentação com gente do mundo inteiro. Algazarra e muita música entre bares, restaurantes shows de rua, etc! Fui suficientemente advertido quanto aos cuidados ao caminhar por suas ruas, especialmente a noite quando se percebe algumas um pouco desertas. Ali mora o perigo, entretanto nenhuma ameaça ou percepção dela, mesmo porque em razão aos longos passeios diurnos, era melhor recolher aos aposentos cedo da noite. 

O “Porto Antigo” tem seu cais rodeado de bons restaurantes e bares, redutos com música ao vivo e um constante clima de entusiasmada festa! É lá, para comer um excelente “entrecot na chapa”! Só de lembrar, água na boca! Desnecessário afirmar estarmos em um País, onde o “vinho nacional” é excelente! Mas também não dava para chamar de baratinho...

Cidade – segunda maior francesa - adorável com tanta beleza e sistema de transporte coletivo com metrô e sua tradicional eficiência francesa. Sou fã desse transporte urbano tão inteligente de grandes e bem desenvolvidas cidades! Ficamos aqui por quatro dias, e ao estarmos em Região muito plana, foram longas caminhadas com tantas atrações e até o caminhar entre vielas medievais faziam de cada esquina um bom motivo para contemplar a bela e antiga arquitetura, mas com preservação carente de uma atenção mais rica. Construções coloridas em meio a cafés, ateliês e arte de toda vertente. Castelos e Fortificações protegem o disputado acesso de navegação, inclusive à “navegação suspeita”! Dizem, ser algumas delas de valiosas cargas de “especiarias para a mente”, se é que me entendem...

A notável Basílica de Notre-Dame de la Garde, fica no alto de um monte onde se aprecia uma bela vista panorâmica e o charme daquela numerosa navegação de milionárias embarcações em seu bucólico porto. Para quem aprecia pomposas construções religiosas, cabe nota à Catedral de La Major de impressionante construção! Enfim, uma cidade litorânea de tantas atrações, validando o desejo de um dia se voltar lá! Será?!

Mais adiante continuaremos a parte terrestre dessas longas férias tendo na sequência o coroamento com quase uma semana na Capital, a tão iluminada e fascinante Paris!

Porto Alegre, 18/jun/2026.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

 226) A Chegada ao Mediterrâneo!


 Chegando ao Estreito de Gibraltar! Trata-se de um pequeno istmo de apenas sete quilômetros quadrados e uma população inferior a quarenta mil habitantes. Conhecido como um “lugar estranho”, desafia qualquer definição simples. É a continuação da cidade espanhola La Línea de la Concepción, na Província de Cádis, Região da Andaluzia, sul da Espanha. Gibraltar pertence ao Reino Unido como um território ultramarino Britânico. Embora localizado no sul da Península Ibérica, o território é da Soberania Britânica desde o Século Dezoito. Depois de diversas disputas políticas, foi em 1967 em uma consulta pública, onde quase por unanimidade a população decidiu – confirmada depois em 2002 – ser definitivamente, Território Britânico.

Gibraltar com todas limitações territoriais, é basicamente uma enorme montanha de calcário com quatrocentos metros de altura, toda perfurada por inúmeros canais e cavernas, onde até durante a Segunda Guerra Mundial [tem túneis bem mais antigos.] a Inglaterra ficou postada naquele ponto estratégico, armazenou munição e víveres viabilizando sobrevivência de uma Força Tarefa no local a vigiar a “entrada na Europa”, por meses.

Essa cidade empresta seu nome ao estreito. Separa a Europa da África por apenas quatorze quilômetros, num mar profundo de variações drásticas entre 338 a 1.181 metros de profundidade. Afirmam, em dias claros – não tivemos esse privilégio – ser claramente visível dali a Marrocos, Região Africana. A travessia pode ser feita através de balsas e apesar da curta distância, a antiga e sonhada construção de uma ponte ou túnel são considerados o maior desafio de engenharia do mundo. A profundidade, fortes correntes, instabilidade do fundo marinho e a localização de falhas tectônicas ativas na área, dificultam demais, acima da capacidade atual da Engenharia e Arquitetura!

Gibraltar tem uma curiosidade história especialmente aos fãs – para mim, da maior Banda de Rock do Mundo, The Beatles – foi lá, em 20 de março de 1969 numa cerimônia de apenas dez minutos, se casou John Lennon e Oko Ono!

Voltamos a nossa viagem: - Não demos sorte nessa chegada, por um dia de mau tempo reinante. Com frio e garoa forte, nos reservamos ao interior do navio por horas. Do pouco visitado, com o uso desajeitado de um guarda-chuvas, meu lamento maior ficou por conta de não conhecer o aeroporto local, cuja pista é curiosamente partilhada com uma das avenidas mais movimentadas no meio da cidade. Quando há pouso ou decolagem, sinaleiras e cancelas são acionadas e a via pública se converte numa enorme pista, com capacidade de pouso e decolagem a grandes aeronaves!

Pela chuva e indisposição a sair sob essa intempérie, coincide com um resfriado a me fazer expirar como um “gato enfurecido”, fez frustrante o primeiro contato com a Europa. No entanto, avaliando os dezoito dias de viagem, foi o único momento de a meteorologia estar contra nosso passeio. Até saiu barato. Então, sem “chorumelas”, afinal de contas, nesse dia ao entardecer se repetia a nova partida agora rumo a cidade espanhola de Alicante, para depois Barcelona e Marselha, nosso destino final do cruzeiro.

Próximo porto será Alicante. Nenhuma expectativa. Melhor assim, pois a cada espaço, nova surpresa e assim foi a visita a essa glamorosa Alicante, cidade espanhola, com três mil anos de História!  A caminhada do porto até a Esplanada de Espanha, foi de quinze minutos. Essa esplanada, avenida ou calçadão de mosaicos se percorre à beira mar de uma bela praia com suas areias brancas. A avenida é composta de duas pistas regulares mas estreitas, entretanto, seu canteiro central é rico em árvores e palmeiras seculares com um elegante ajardinamento muito florido! Muitos são os bares à beira da calçada, sempre repleto de turistas e múltiplas atrações.

O melhor mesmo, estava ali ao lado, o morro de Santa Bárbara com seu Castelo Medieval. Um túnel atravessa-o e ao meio toma-se um elevador a nos levar ao cume onde o brinde é uma vista fantástica da cidade. Curioso -  por se tratar de Europa - um local limpo organizado, muita gente atendendo e NÃO cobram ingresso... É. São tantos templos religiosos com sua bilheteria ao lado, nesse caso, ao se deparar com um acesso “free”, a gente até desconfia...

A ritualística de despedida se repete e ao entardecer lá vamos nós rumo a Barcelona, penúltimo porto de nossa viagem. Por razões semelhantes a Maceió – estivemos aqui há alguns anos – optamos apenas por uma leve e inexpressível caminhada ao redor do porto, alimentando a expectativa de em mais um dia encerrar o Cruzeiro com a chegada à francesa Marselha. Conto mais sobre a chegada na França na próxima quinta-feira!


Porto Alegre, 11/mai/2026.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

 225) E a Viagem Continua!


Foram dois dias completos de navegação e vamos para a segunda parada Oceano Atlântico acima, para acordar serenamente no porto de Maceió! Decidido ficar a bordo, pois há poucos anos estivemos por uma semana nessa memorável e para mim, a melhor praia do Nordeste, onde uma “ostra viva” é servida nas quentes areias de suas praias! Delícia nem sempre aceita, mas ao ter coragem suficiente de experimentá-las, se converte fã dessa iguaria! Garanto!

Ficar nas piscinas do navio, com novos amigos de bom e culto papo como Marcos, querido cirurgião de Curitiba, sua esposa Tânia e irmã Iara, enriqueceram em muito uma das coisas de muito proveito em viagens coletivas e quanto mais distante, melhor. Toma-se conhecimento de novas culturas e é exatamente longe de casa onde se apreende novos idiomas, culinárias e cultura em geral. Renovo opinião sobre viagens, fazendo valer cada vez mais a busca de “Novas Praças!” 

Deixar Maceió, trouxe uma reflexão interessante: - Iniciávamos um longo período de navegação em alto mar. Seis dias completos rumo a Santa Cruz de Tenerife sem “terras a vista”. Sem hipótese de um porto seguro para caminhar em terra firme. Tédio à vista? Essa era a preocupação!

Nada isso! Como contei na outra semana, durante toda a navegação a programação é rica, completa. Não havia momento de relaxamento, a menos se buscássemos isso e poderia ser no interior de nossas cabines. Mesmo assim, para “piorar” o refúgio, a cabine ficava no décimo quinto andar, logo após a proa a bombordo, dotada de sacada com duas cadeiras de palha para se inebriar com a beleza do pôr-do-sol no longínquo encontro do Céu com o Mar! Absolutamente encantador!

Maravilhas constantes e nesse trecho, a expectativa de cruzar a Linha do Equador, muito bem explorada no teatro, com aviso de estarmos próximo desse ponto e com humor refinado, anúncio: “Amanhã, aproximadamente às quatorze horas, se não estiver nublado”, VEREMOS a linha do Equador!” O fato, passar ao Norte do Planeta, vagarosamente se sente a mudança na meteorologia. Nova direção dos ventos e uma leve queda na temperatura, afinal estávamos no Outono, recém saindo do Verão, a entrar na Primavera “deles”, recém saídos do Inverno! Daí se justifica a queda na temperatura!

Mesmo navegando nesse imenso Oceano, a perspectiva de estarmos mais próximos da África, sente-se a sensação de pequenez. Há muito deixamos o Brasil e navegar em Águas Internacionais, a emoção de estar em “Terra de Ninguém”, assusta e chegar em Tenerife, o pertencimento volta, proteção, afinal de contas estávamos chegando em Terras Espanholas.

Tenerife uma ilha sim, mas de dimensões encantadoras. São mais de oitocentos mil habitantes numa cidade de muita História da Europa! Cidade organizada, rica, arborizada e de trânsito educado! É o primeiro contato com a desenvolvida Cultura Europeia, de hábitos e cultura avançada.

Depois desse primeiro estágio quase no “outro lado do Atlântico”, temos pela frente apenas mais dois dias completos de navegação a chegar em Gibraltar. A cidade, com forma geográfica de istmo, avança sobre o Mar e estabelece o não menos famoso “Estreito de Gibraltar”, ponto mais próximo da África e sela nossa saída do Atlântico e adentrar no Mar Mediterrâneo. Melhor eu reservar outra Crônica completa na próxima semana, sobre a representação desse local em relação a todo significado à entrada no Continente Europeu.


Porto Alegre, 04/mai/2026.

terça-feira, 26 de maio de 2026

 224) A Viagem vai Começar!

Semana passada escrevi sobre minha complicada saída de Porto Alegre, rumo ao Cruzeiro de Travessia, rumo a Marselha na França, com forte ameaça de não se realizar, graças ao descuido desse viajante deixando em sua bagagem um minúsculo isqueiro a gás, pondo em risco de uma catástrofe aérea numa aeronave da Azul, onde eu deveria voar... Tudo não passou de um bom susto e a viagem aconteceu, felizmente!

 No entanto da partida marítima, vale uma consideração, dado a uma série de comentários de amigos - também adoram viajar - afirmando peremptoriamente: “Adoraria viajar de navio, mas tenho medo, pois enjoo o sacolejar do barco!

Tremenda bobagem (perdoem-me a franca sinceridade!), pois um navio do porte do MSC Seaview é impressionante. São 323 m. de comprimento por 41m. de largura, suficiente para ser visto como uma cidade flutuante absolutamente estável. Em qualquer aeronave a vibração é muito, mas muito maior, diga-se de passagem. Em alguns momentos, sente-se um leve balanço ao “som das ondas maiores”! Mas nada assustador, pois em seu interior é especialmente tranquilo.

Ao chegar para o embarque, vê-lo, emociona. Trata-se de um verdadeiro edifício com dezesseis andares a transportar cinco mil e trezentos passageiros, extremamente bem atendidos por mil e quatrocentos tripulantes! Do camareiro ao garçom, do músico ao artista do teatro é sentido um esmero coletivo de alta competência e dedicação onde muitos desses profissionais a gente não percebe sua existência no contexto geral! São os operadores de máquinas, mecânicos, etc...

É viajar com todos cuidados e cortesia. A segurança é firmada já no treinamento dos passageiros – obrigatório – para eventuais situações de emergência.

A alimentação soma fartura e alta qualidade como suas principais marcas. As bebidas alcoólicas são pagas à parte, a menos se contratar sua inclusão no momento da reserva, para mim nada relevante, pois nessa área eu “pego leve”...

A vivência social é plena. Música ao vivo em diversos setores distribuídos pelo navio, aulas de dança, amplo cassino e teatro de dois mil lugares com apresentações em TODAS as noites. Dança, acrobacia, cantores, mágicos, ventrílogos, malabaristas apresentações circenses etc. Não há descanso a diversão.

Enquanto navegando em clima de verão, as piscinas, os “temidos” escorregadores e o aquecido ofurô (36 a 40 graus) fazem as atrações mais movimentadas, divertidas e barulhentas durante o dia! Nessa viagem, em direção à Linha do Equador, tivemos mais da metade do percurso em clima quente, com grande aproveitamento! Deu até para adquirir um “bronzeado” tão invejado na Europa!

A viagem começa ao entardecer do 11 de abril/2026. Saímos silenciosamente do porto de Santos e ao afastar de uns quinhentos metros – não sei a razão de deixar primeiro ocorrer esse afastamento – o barco abre seu estridente e festivo apito dando início a uma jornada cheia de expectativas e a alegria é contagiante. Cria-se um clima de festa e óbvio, com muito espumante jogado às taças com um borbulhar cativante e a viagem se torna uma festa intensa e duradoura!

Dorme-se a primeira noite sob um suave ronco do gigantesco motor a girar as suas pás, gerando uma imensa espuma branca a nos seguir durante toda viagem e é de muito bom gosto curtir essa bela vista da popa!

Dormi muito bem obrigado numa imensa cama “King”, mas num momento, sem precisar as horas, um silêncio assustador! Pulei da cama, puxei a espessa cortina e lá estava o lindo Rio de Janeiro! Aqui, a primeira parada dura todo o dia, ótimo para uma visita a “Cidade Maravilhosa!”

Anoitece e rumamos a Maceió a sentir o cheiro gostoso no sempre Verão Nordestino!

Porto Alegre, 28 de maio de 2026.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

 223) Voltei!

 

Entenderá o sentido desse título “Voltei”, os leitores fiéis desse blog, na última Crônica de nove de abril. Explico: - Dei-me o direito ao maior período de férias ao longo de minha vida profissional. Vinte e oito dias da mais absoluta folga, voltado – no meu entendimento – a uma das coisas melhores para período de férias: - Viajar! - Foram dezesseis noites no Cruzeiro de Travessia da MSC, navio Seaview, cabine varanda-bela do décimo quinto andar do “prédio”! Desembarcado, quatro dias em Marcelha, na sequência Paris e Lisboa!

Esse trecho marítimo foi fantástico. Como tudo sempre me cerca com uma boa pitada de aventura, por mais bem planejado (desde de dezembro), sempre tem algo para me alegrar, ou melhor estressar com pitadas de susto, extravio perda de algum objeto, enfim. Vamos ao início de tudo para bem entender as causas do estresse inicial, muito bem aproveitado:

- Recomendado severamente pelo agente de turismo, de estar no aeroporto de embarque, para o trecho aéreo Porto Alegre a São Paulo, pelo menos umas três horas antes da decolagem. Lá estávamos eu e Elaine. Voo das 05:15hs da Azul com apenas cinco minutos elogiáveis de atraso, suficientes para o “check-in” das 13hs no porto de Santos e na sequência o embarque previsto para 18hs. Entretanto corte nos motores e se inicia no corredor da aeronave, algo parecido com uma “busca de alguém”! Uma dupla de vigilantes chega na nossa poltrona e pergunta: - “Elaine & Fausto? Terão de desembarcar. Sua bagagem no porão contém algo suspeito!” Óbvio da minha pronta negação! “Essa bagagem, por medida de segurança, já foi desembarcada!” Única alternativa: Desembarcar!

Fomos atacados de pensamentos da pior ordem. Vê-se frequentemente de ilícitos “plantarem entorpecentes” em bagagem alheia! O pavor tomou conta. Expulso do voo perderei o “trânsfer” no aeroporto de São Paulo a Santos, se atrasado não embarco e perdendo o Cruzeiro perco toda sequência na Europa com toda movimentação e hospedagem reservada e PAGA ao longo de toda as férias! “Só isso!” Não busco em Oração socorro em situação desse gênero. Orei!

Longos, intermináveis minutos esperando uma resposta da Companhia – que pelo menos me assegurou vaga no voo das dez! – Angústia e tormento invadem nossas mentes devastadoramente. Impossível conversar ou pensar qualquer coisa, sem a imaginação de umas férias completamente destruídas de forma irretratável! Todos sonhos acalentados por meses, desabaram!

Surge uma profissional da Azul impecavelmente vestida, exalando um suave perfume francês, seu olhar visivelmente constrangido, parecendo triste – para aumentar nossa angústia - e sentencia: “- Desculpem, essa fiscalização não é feita pela Azul. É pela empresa encarregada da segurança do aeroporto e aeronaves!” O tempo para dizer essas dezoito palavras, sem conclusão alguma, me deu a sensação de ser de pelo menos vinte e quatro horas! Minhas mãos suavam e Elaine com um “rubor facial” invejável. Então veio a punhalada fatal em meio a um ataque de cólica intestinal: - “Esse isqueiro a gás  (tinha na mão, um inocente isqueirinho a gás de propaganda da Bic, há anos abandonado em meu “nécessaire” de viagem) [5,8cm] estava em sua mala correndo risco de combustão espontânea, assim, foi retirado da sua mal. Se quiserem embarcar agora, sem o isqueiro, podem fazê-lo no portão...” Um suspiro longo, cheio de alívio, ódio com vontade de matar alguém, nos dirigimos ao portão designado, com as orelhas murchas e embarcamos!

Chegando em Guarulhos ao meio dia, retirada daquela fatídica mala – sem isqueiro – “transfer” perdido onerando mais cem dólares a contratar um táxi e descemos a Serra rumo ao porto de Santos. Horário absurdamente atrasado. Deduzi, embarque perdido, mas não. Graças a uma imensa confusão no setor de embarque de mais de cinco mil passageiros, tudo foi acumulando a formar uma “muvuca” imensa a me sentir em casa, afinal de contas estávamos ainda no meu Brasil, onde tudo acontece!

Próxima quinta-feira, conto mais um pouco!


Porto Alegre, 21/mai/2026.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

222) Conhecer novos Lugares!


Novidade: - No próximo sábado, onze de abril, voltarei a viajar para novos lugares novas Culturas, Povos, Moedas, Paisagens! Buscando matéria prima para minhas próximas crônicas, como faço habitualmente. Imenso “papo-furado”! Estarei saindo em viagem porque adoro isso! Vamos falar a verdade logo de cara! E é isso a fazer prazerosamente há daqui dois dias! Alegria, alegria!

 Não posso negar, se trata de um sonho recorrente, mas certamente o sonho de muitos: - Travessia do Atlântico de navio, por óbvio! Podem pensar em se tratar de projeto milionário – barato não é – mas nada absurdo para quem curte viagens e VIAJA! Não basta curtir. Esse, exige um investimento de porte, mas a considerar outra viagem feita há pouco mais de um ano onde uma diária em Nova Iorque em hotel de boa categoria, nada excepcional como um cinco estrelas, um médio entre três e quatro estrelas talvez, sem café da manhã, custou duzentos e dez dólares mais taxas (taxas, nos EUA a gente nunca sabe quanto e quando vão cobrar... Legítima surpresinha americana!).

Então no total, considerando a se ter a bordo a tal de “pensão completa” em sua diária e principalmente o transporte – nesse caso até a Europa – o valor final fica muito conveniente!

 Alguns amigos acham exagero – mas são passeios de não fazer todo ano – mas para suas férias de todo o ano, ter um patrimônio nas areias do nosso Litoral. É, ter uma casa na praia no RS, entre tributos, manutenção, reparos, eletricidade, água & esgoto, combustível para as tantas locomoções, são custos tão significativos tanto quanto muitas boas viagens pelo mundo afora!

Não condeno nem nego o valor desse investimento litorâneo, acho até muito legal especialmente quando sou convidado pelos amigos, ou o irmão Percy a curtir hospitalidade, churrasqueira etc! Melhor: - Com custo zero!

Voltando a travessia: - Essa, é operada pela CVC e feita a bordo do navio “Seaview” da MSC Cruzeiros. São dezoito dias de navegação com sua saída pelo porto de Santos e diversas paradas de um dia inteiro. Começa pelo Rio de Janeiro e segue a Maceió, Ilha de Tenerife, Gibraltar, Alicante, Barcelona e chegada em Marselha, na França, onde encerra o cruzeiro. Espetacular? Claro que sim! O retorno ocorrerá com um breve percurso de trem e depois obviamente de avião, num também conveniente voo da TAP com destino final e direto a Porto Alegre.

Por algum tempo “desconfiei” de tantos dias a bordo se tornariam enfadonhos, entretanto diante de duas experiências com a mesma companhia, já contei aqui, foram pelo nosso Nordeste e uma no Caribe, ambas por sete noites que me deram plena convicção: Vale a pena! A programação da MSC para manter felizes os quase cinco mil passageiros, é fantástica! Espetáculos em seu amplo teatro reservado para todas as noites é invejável. Até estampas do Circo de Solei são apresentadas. Opções de laser são inúmeras e ricas. Não as contarei, para não provocar desconfiança de ser a crônica de hoje, uma matéria paga, encomendada...

Mas não dá para omitir ou ignorar, especialmente aos fãs da “boa mesa”, são alternativas de comida desde o café da manhã ao jantar, onde são oferecidas quatro refeições de altíssima qualidade e grande fartura. Há no programa vendido, uma opção para bebida alcoólica livre, não é minha opção sinceramente, pois quando bebo, faço-o com especial moderação e não se trata de “medida cautelar”, não curto mais excesso desde a minha juventude, onde um pileque era festejado por diversos dias, especialmente com a alegria de contar aos amigos! Hoje, se beber muito, mantenho por alguns dias é a ressaca! Então, pego leve e peço aquilo da ocasião adequada e pago individualmente. Minha mulher, a Elaine, é praticamente abstêmia. Não me orgulho disso, mas é no mínimo um "detalhe conveniente" e bastante econômico, se é que me entendem...

Ao voltar em oito de maio, contarei “alguma coisa!” Não farei durante a viagem para não ter de levar na bagagem um computador. Com esses dedos grossos de gringo, teclar toda uma crônica no celular, é inviável. Até a volta!

 

Porto Alegre, 09/04/2026.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

 221) Maior Clássico do Futebol do Mundo: “Rua de cima contra Rua de Baixo!”

 

Inigualável o prazer de jogar futebol enquanto criança, adolescente e adultos também, é claro! Muitos mantêm, como é conhecimento geral, ser essa profissão uma das mais rentáveis e sonhadas pelos jovens! Desejo irrefreável e não fica só nos limites do nosso Brasil, evidentemente.

Na infância e puberdade disputei muito no “esporte bretão.” No interior, não dispúnhamos sequer de um campo decente ou uma quadra minimamente adequada. Eram alguns campinhos de futebol de reduzida dimensão, crivados da espinhosa roseta [um horror, pois jogávamos de pés descalços!] e sem seus limites traçados de forma visível, na verdade nem eram traçados. Um terreno plano? Aí é exigir demais. Sem rede, nem goleira definida. O usual era a de colocarmos duas pedras a delimitar o espaço chamado de goleira e iniciava o jogo em forma de festa. Ou melhor, iniciava a discussão, a briga!

Briga? Jamais! Corrigindo, briga era o que não faltava! Os dois melhores de bola escolhiam na base do “par-ou-ímpar”, seus parceiros mais o Juiz. Juiz? Não tinha Juiz, imagina! O acordo era combinado antes da bola rolar: “É na consciência”! Nesse sistema arbitral existia uma enorme vantagem: - A ninguém era dado o direito de chamar o Juiz de ladrão! Sua simples inexistência assim determinava!

Os torneios e campeonatos eram de um vigor elogiável. As definições de limitação geográfica entre as forças esportivas eram assim mesmo, “rua de cima contra a rua de baixo!” O pessoal do centro contra os do outro lado da ponte. Tinha ainda a região atrás da estação férrea. Todo esse envolvimento só prova o quanto o futebol como esporte é elogiável e especialmente imprevisível. Grandes escretes sucumbem diante do inexpressivo e exatamente isso o torna tão atraente, despertando verdadeiras paixões entre torcedores quando muitos levam para além do limite do razoável, do bom senso! Acaba criando amor e ódio na mesma intensidade gerando tristeza da violência sem nexo.

Enquanto joguei, ou tentei jogar, a maior dificuldade sempre foi a de TER uma bola para o jogo. Graças a essa gloriosa posse conquistada - já escrevo como consegui - assumi o direito de criar um time, o Imperial Futebol Clube. Só os amigos participavam e não recrutava atleta bom de bola, caso contrário, eu seria o primeiro excluído e como eu tinha milagrosamente a bola, não podia justamente eu, ficar de fora. De jeito nenhum!

Como aconteceu a destacada situação de ser proprietário de uma bola de couro: - Numa sede abandonada do Guarani Futebol Clube, onde meu pai alugava ao extinto time, achei uma bola de vôlei velha, descosturada e sem câmara. A cor branca de seus gomos ainda restantes, embora descascados, me inspirou a semelhança da cor da bola de futebol de salão da época. E assim será, decidi!

No curtume do meu pai tinha um de seus trabalhadores, o Nino Pistoia, me ensinou a costurar os gomos de uma bola, um a um. Câmara? Resolvi melhor ainda, enchi-a com lã de pelego, também do curtume, deixando-a pesada a ponto de se assemelhar, mesmo grosseiramente à bola de futebol de salão e assim a materialização o mais novo time – nunca disputou campeonato com ninguém – estava lá para treinos intermináveis das tardes dos sábados e domingos. Jogava-se enquanto tinha luz do sol, mesmo com garoa fraca ou chuva forte! As mães não deviam saber onde estávamos...

Ao final da puberdade, os jogos se transferiram às atividades na escola. Aí, a “minha ruindade” não teve mais como ser disfarçada, havia competividade e sobrou inicialmente a de jogar no gol, posição sempre rejeitada, detestada. Essa tortura foi apenas no início, porque logo surgiu outro atleta, tão ruim quanto eu, disposto a competir e o desgraçado era bom e me tomou a posição no gol. Carreira precocemente suspensa!

Aos vinte anos, morando na Capital Porto Alegre, trabalhava em uma financeira quando fui convidado a um treino de futebol de salão, a competir no Campeonato Citadino dos Bancários. Aceitei e numa inspiração, nem imagino de onde veio, como goleiro fechei o gol! O time era da Finasul/Basulvest, eu era o titular no gol e fomos muito bem sucedidos! Evoluímos com vitórias expressivas e nos sagramos Vice-Campeões! (Guardo a rara medalha até hoje!) Só não fomos Campeões, não por minha culpa, mas pelo problema com um atacante adversário: - O cara era de uma crueldade sem medidas. Chutava numa potência inexplicável! Não lembro exatamente quantos, mas foram mais de seis gols sofridos, daqueles de não ver a cor da bola passar. Só ouvia o chiado da bola, parecia um torpedo passando e o som da rede se esticando atrás de mim! Foi gol...

Essa derradeira e exuberante derrota, o olhar dos colegas decepcionados, decretou o final definitivo da minha carreira de “Boleiro”! Depois disso, nem de brincadeira aceito convite, mesmo sendo apenas para “bater uma bolinha”! Tô fora! Prefiro alguns esportes menos competitivos: - Karatê ou Paraquedismo, por exemplo!

 

Porto Alegre, 02/abr/2026.

quarta-feira, 25 de março de 2026

 220) O Dia das Mulheres.

 Há poucas semanas celebramos “O Dia das Mulheres”, quando na verdade todos os dias são Delas! Nós, do sexo masculino não devemos limitar recursos para apenas uma vez por ano dessa comemoração, independentemente de quem é, onde está ou ocupação dessa mulher alvo de nossa festa, afinal de contas, espiritualmente TODAS Mulheres se assemelham com nossas Mães!

 Na minha infância, teve um “Segundo Domingo de Maio”, onde com um pequeno contingente de colegas do Grupo Escolar, preparamos uma homenagem ao Dia das Mães! Naquele domingo, coincidentemente meu Pai, raramente me convidava a acompanhá-lo a caçar perdizes, fez o convite! Em se tratando de algo raro, difícil dizer não e decepcioná-lo, afinal de contas era algo excepcional, acontecia uma vez por ano e “olhe lá”...

 Subitamente “dois grandes programas” no mesmo domingo! Que angústia!  Eu era um menino de uns dez anos diante de uma das mais difíceis decisões da vida! Tímido, introvertido guardei aquela dúvida cruel em mente a rachar o coração! A celebração às Mães junto aos meus colegas, estava sendo trabalhada há dias e me colocava a cantar um versinho decorado com extremo carinho e entusiasmo! Era um momento raro e desejado. A fria noite de sábado chegou e na cama, a tristeza cada vez mais aguda! Choro escondido, mas inevitável!

 Mãe, infalível Mãe! Ouviu um sussurro talvez algum soluço e foi verificar o que acontecia comigo. Lá estava a “vítima” banhado em lágrimas e suficientemente encorajado de confessar sua melancólica situação de tamanha profundidade... Ela, por óbvio, assumiu a garantia da renúncia à caçada ser negociada em meu nome, sem consequências mais graves. Como Grande Embaixadora negociaria o convite para o domingo seguinte, sem retaliação! E o convite foi transferido para a outra semana! Um grande suspiro e mais lágrimas, dessa vez de alegria e a Celebração no domingo foi gloriosa! A caçada no domingo seguinte? Nem lembro, pois aconteceram muitas outras!

 Nesse último Dia das Mulheres, me chamou atenção, longas filas nessas churrascarias de calçada, onde sempre tem aquele frango assado nas populares “televisões de cachorro”, e também costelas assadas no bom estilo de churrasco de domingo, mas dessa vez – isso justificava a longa fila – em razão da celebração a “Elas”! Fiquei indignado. Não é exatamente o dia de nós homens assumirmos o tão importante e celebrado almoço? Claro né! Era dia de elevarmos às alturas a Mulher, donas da nossa casa fazendo, mesmo sendo um sacrifício – e não há algum – o churrasquinho caseiro com direito à caipirinha e à maionese, essa sim trazida de fora! (Maionese, nem de longe parecida com aquela feita por ela! Mas só por esse dia, comprada em supermercado) ...

 É verdade ser raro um “homem bom de forno e fogão”, mas churrasqueira, pelo menos aqui no Rio Grande do Sul, é obrigação! Eu particularmente, gosto de cozinhar, pilotar uma panela, pois ainda menino, juntar os amigos mais próximos a fazer um “arroz com qualquer coisa”, como dizia o L. F. Zanini, sempre foi de grande prazer! Fogo de chão na ilha do Jaguari ou em qualquer local com árvores e preferencialmente com um rio ao lado. Bastava uma porção de arroz, uma proteína e na panela de ferro com colher de pau, para termos um excelente “carreteiro”!

 Guardei por toda vida uma frase emblemática do seu Waldemar, meu velho papito: - “Quem sabe fazer uma comida, jamais ficará sozinho. Sempre terá um amigo por perto!” Pense nisso e trate de apreender a fazer alguma coisa. Lembre, a boa vontade e o amor dedicado, é o melhor dos temperos!

 Amor? Sim! Aposto, todos nós temos lembranças perenes de uma ou de algumas comidinhas da mamãe! Ela fazia um prato se tornar único e ninguém consegue repetir seu sabor!

 

Porto Alegre, 26/mar/2026.

quarta-feira, 18 de março de 2026

 218) Alegria nas Grandes Telas. Oscar, Filmes e...


Ah! Quanta alegria nos bons tempos do Cine & Teatro Ideal, em Jaguari. Cinema todo final de semana, fazia a vida valer a pena pelo tamanho do maior prazer, na infância! Matiné no domingo à tarde: - Primeiro passavam dois “episódios” de um seriado – uma época do Super Homem, Homem Morcego com Robin etc. – para depois um filme, geralmente um faroeste! Como a gente torcia pelo “Mocinho”! A galope em disparada em seu lindo cavalo, trocava tiros com os bandidos e suas máscaras a tapar até o nariz! Era um tal de “sapatear” o assoalho de madeira do cinema, fazendo um barulho tremendo, ensurdecedor a levantar enorme poeira no cinema. Toda torcida para a derrota do bandido! Que invariavelmente vencia!

Como toda fase boa – a infância – passa tão depressa, na sequência é durante a exuberante adolescência a trazer suas compensações e angústias, naturalmente. O desejo de entrar no cinema a assistir filmes impróprios ou proibidos para menores de dezoito anos era imenso, vibrante. A compensação – sempre tem alguma – era a emoção da idade para fumar escondido. Confesso, logo ao obter permissão de fumar, perdeu a graça e o VÍCIO muito desejado para parecer adulto, “decepcionantemente” não veio e a tal de nicotina foi solenemente abandonada!

Voltemos ao cinema. Seu defeito, na cidade pequena, era de ter somente uma única sala. Sem escolha de filmes. Era aquele do final de semana e pronto! Nada muito frustrante, pois eu gostava de todos, indistintamente! Mas eu aguardava meu grande momento, quanto aos vinte anos vim morar na Capital, Porto Alegre! Inacreditável, dezenas de cinemas com múltipla escolha! Início da década de setenta, houveram filmes, os “bang-bang” italianos a começar com Ringo, Djanho, Trinity substituindo Roy Roger, Zorro, Durango Kid entre tantos americanos. A impressão, ao sair da sala, era de estar cheirando a pólvora de tanto tiroteio!

Na sequência por “febres” de alguns estilos de filmes, aconteceu a vez dos filmes chineses com suas Artes Marciais mirabolantes. Cabe lembrar desse entusiasmo se iniciou com uma produção americana – Warner Bross -  com o filme “Operação Dragão”, (Enter the Dragon) lançado em Hong Kong em julho de 1973, tornando o até então desconhecido e na sequência adorado Bruce Lee, curiosamente falecido três semanas antes do lançamento!

Como tudo, a Sétima Arte também evoluiu muito nos recursos visuais e na qualidade de seus roteiros, notabilizando Gênios da Sétima Arte como Stanley Kubrick e outros tantos. No último domingo assistimos o Grande Espetáculo da Premiação do Oscar em Los Angeles. Na véspera e ainda a tarde antes desse espetáculo, assistimos pelo menos quatro dos filmes indicados. Três desses, muito bons e fartamente premiados. A decepção ficou por conta do filme brasileiro. Não por negarem qualquer prêmio. É ruim mesmo. Roteiro fraco, fotografia pobre e nem música onde o Brasil é tão bom, se destacou!

Enquanto ficarmos disputando com os americanos repletos de ícones definidores de gerações, como clássicos Marlon Brando, Humphrey Bogart, James Stewart abrindo caminho para Robert De Niro, Al Pacino, Jack Nicholson e Morgana Freeman. Adiante atores como Tom Hanks, Leonardo DiCaprio, Tom Cruise e Denzel Washington dominam a era moderna, então será muito difícil alguma conquista de expressão!

O gênero de filme dominante no mercado mundial hoje são Ação, Aventura, Ficção Científica e Animação. Minha predileção fica por conta dos filmes com Suspense, daqueles a nos colocar em ajuda ao Roteirista, tentando descobrir onde o “assassino falhou” e em quais detalhes o Policial foi bem-sucedido!

Entretanto confesso uma infantil predileção aos faroestes, hoje raros, mas lançamento, em dezembro de 2012, da produção de notável realismo e violência, o “Django Livre” do Mestre dos filmes fortes, Quentin Tarantino, me dá esperança de voltar à minha infância, ainda a ser imaginária!


Porto Alegre, 19/mar/2026.

quarta-feira, 11 de março de 2026

 217) Punta Tombo na Argentina. Onde fica?

Aqui nesse “blog” já registrei minha clara predileção pelo transporte terrestre, em viagens a passeio de pequeno percurso, no entanto, em janeiro de 2004 fiz – sentado na poltrona número dois do andar de cima do ônibus, com imenso para-brisa a minha frente – por mais de onze mil quilômetros rodados rumo ao Ushuaia. Mesmo com tamanha viagem de cento e oitenta e seis horas a bordo, valeu a pena cada quilômetro percorrido! Sinceramente, nem pelo destino final, mas tudo a se ver e assistir nessa viagem. Não recomendo absolutamente viajar ao extremo das Américas de avião, pois veria apenas o destino final quando o melhor está na travessia!

Mil e duzentos quilômetros depois da primeira parada – hospedado em Buenos Aires – ao sul está a península de Punta Tombo da Província de Chubut na Patagônia Argentina. É a segunda parada. O plano é visitar no dia seguinte, em ônibus especial, uma colônia de pinguins. A estrada de “rípios”, é sem asfalto e piso complicado para veículos de suspensão mais sofisticada. Então em um ônibus bem comum, trepida-se entre pedregulhos e estrada ruim até lá!

Chamou-me especial atenção com acentuado grau de desconfiança na atração, em razão do anúncio de prevenção, dos agentes turísticos locais, contratados para esse evento, afirmando estarmos na época de os aproximadamente um milhão de aves deixarem a Região, voltando para a Antártida. Pior, eles se organizam para toda colônia partir no mesmo momento. O risco era de em lá chegando, a praia estar totalmente deserta. Desculpem-me, não se trata absolutamente de preconceito, mas já vivenciei algumas lorotas em peças pregadas a nós brasileiros por “eles”, dado nossa natural ingenuidade...

Algumas poucas horas daquele tráfego complicado, chegamos! Tive um espanto foi glorioso! Duvidei de quem não merecia! Lá estava toda aquela população em número completamente prometido! Uma multidão espetacular nunca imaginada. São tantas pequenas aves a fazer uma algazarra imensa, referido como um grito de exibição (display call) usado para sua comunicação social e reconhecimento. Emitem sons variados, grasnidos, guinchos, piados e um som semelhante a um zurro – como jumento – para atrair! São aves marinhas, mas não voam, usam suas asas para locomoção com grande agilidade na água. Show inesquecível!

Aos humanos visitantes, número limitado e muito bem controlado, cujas movimentações são feitas em corredores cercados e o resto da área composta de pequenos arbustos sobre a areia, onde eles transitam livremente sem dar a menor importância para nós. Eles são suficientemente “civilizados” para tolerar a nossa presença. O detalhe rigorosamente orientado de convívio, é de jamais tocá-los. Isso seria letal, pois no toque transmitimos “nosso cheiro” e dele resultará expulsão sumária da colônia. Muito sociais, irão morrer na solidão do abandono.

O período de estada deles naquela península, é sempre o mesmo, resultado da busca de um período em local mais quente para acasalamento. A reprodução deve acontecer quando de volta para casa, a Antártida. A organização e ordem é invejável, pois há uma liderança a comandar a partida de todos em um único e mesmo dia, criando uma verdadeira onda escura no Atlântico durante o flutuar de seu retorno. Há um interessante comentário local, de ter a NASA registrado uma “estranha visualização” de imensa mancha negra no Oceano Atlântico na costa Argentina, em lento deslocamento ao Sul...

Afirmam especialistas ao fato de sua unidade no retorno, garantir inibição e dificuldade de ataque de seus predadores naturais. Enquanto esse grupo na água é chamado de jangada, em terra firme de bando ou ninhal.

Resumindo: Paradas dessa jornada tornam o longo período em viagem extremamente interessante e posso garantir, embora lento se comparado com aviões, não causa nenhum tipo de cansaço ou estresse, até porque, pela empresa em que viajei, Galápagos Tour, são apenas duas noites a bordo, as demais em confortáveis hotéis a recuperar o período em poltronas e para um bom banho quente e um jantar com a boa comida argentina, das melhores carnes conheço! Boa viagem!


Porto Alegre, 12/mar/2026.

quarta-feira, 4 de março de 2026

 216) Honda Civic e a Pesca em Ituzaingo, na Argentina.

 Inicio essa Crônica da gloriosa pescaria – primeira e única na minha vida -  realizada há uns vinte anos, em Ituzaingo, a convite do meu amigo Cauby. A programação contemplava pelo menos seis casais de amigos. Sim. Casais, pois o local da pesca é bem preparado a receber presença das esposas e pescadores, sem exigir delas nenhum sacrifício, comum e natural em pescarias.  O local à beira do rio Paraná, é fartamente arborizado com uma confortável sombra e seu ar fresco – embora Verão – vindo do rio e tanto verde ao redor. É quase um serviço de hotelaria com cabanas de completo conforto em um rústico apartamento, mas dotado de chuveiro elétrico e até ar condicionado.

Eu como principiante, não possuía o mínimo de equipamento. Tudo foi arranjado graças a cortesia dos parceiros e olha, eles portavam de tudo para uma boa pesca tão longe de casa. Desde o barco com possante motor até o mínimo detalhe dos anzóis/isca de tecnologia e criatividade ímpar.

A garantir sucesso na pesca, um ribeirinho nativo, foi contratado para nos conduzir até o local do rio, onde deveriam estar, creio “nos esperando”, os melhores dourados, até porque, a fiscalização é rigorosa na Região e proíbe pesca desse peixe, cujo tamanho seja inferior a setenta centímetros. Regra fortemente respeitada, pois a penalidade é extremamente severa e considerando lá, território estrangeiro – por óbvio – o temor fica bem acentuado...

Quanto do resultado da pesca em si, melhor seria se eu omitisse, porque afirmam ser obviamente “sorte de iniciante” capturar o maior peixe na pesca e foi o acontecido. Mentira de pescador? Até pode ser, mas como na verdade nem sou um pescador por essência, mereço o crédito como verdadeiro. Foi um dourado com sessenta e nove centímetros e circunstancialmente me obrigaram a ceder a peça para um assado lá mesmo, a não correr risco de ao retornar para casa ser flagrado pela temida “fiscalização argentina”! Então o assado se consumou e regado de respeitáveis vinhos argentinos, foi feita a festa!

Assim encerro a crônica da pescaria! Mas não pode ficar para trás, citado no título acima, o Honda Civic! Vamos ao fato:

O início da viagem aconteceu em Jaguari, onde a parceria toda me esperava de Porto Alegre. Viajei os quatrocentos e poucos quilômetros até lá e chegando, estacionei no corredor da garagem, defronte à Ford F1000 do Cauby, pronta para partirmos. Depois de muita “charla” sobre nossa jornada pesqueira, o dono da Ford percebendo-a ao sol, fora da sombra, foi com apenas o pé esquerdo na soleira, em pé e com o pé direito acionou a embreagem para uma pequena decida. Como a direção estava travada, o motorista ainda naquela posição, estica o braço para acionar a chave, num toque sutil acionou o motor, estando engatado se direcionou a colidir de frente com meu Civic!

Numa fração de segundo e com reflexo aprimorado, com o mesmo pé que acionava a embreagem, “chutou” o freio, em razão da inclinação de seu corpo – lembrem, ele estava em pé – esse escorregou e “afundou” no acelerador!

Aquele enorme caminhonetão, roncou motor patinando a tração a subir no capô do Civic até encostar seu para-choque no para-brisas. Então o motor apagou! O desespero do piloto é inesquecível pois em sua mente registrava a presença de sua netinha de uns cinco anos à frente daquele choque. Felizmente não aconteceu! Então ele chorou copiosamente!

“Foi só o susto”, todos afirmaram ao consolá-lo! E um automóvel bem amassado! Calculo termos digerido uma meia dúzia de cervejas a deixar tudo aquilo de lado no passado e em nome da alegria, celebrar a pescaria reservada para o dia seguinte!

Difícil, foi depois explicar a seguradora, de como um amigo bate no carro do outro amigo no pátio de sua casa, com agravante de não ter nenhum sinal de acidente, na sua caminhoneta! Alegado foi ser graças a robustez do veículo agressor!

 

Porto Alegre, 05/mar/2026.