214) E Jerusalém?
Estar em Jerusalém é mágico! A Cidade e tudo aquilo lá vivenciado, mostra a cada visitante um Mundo envolvente num turbilhão de emoções racionais e espirituais! A Alma parece receber a cada instante uma mensagem nova, indescritível. É sentir a História Viva presente em cada pedra montada nos Templos e na construção do Muro protetor dessa icônica Cidade. Jerusalém foi sonho do Rei Davi. Edificada aos pés da colina, onde ele determinou, cujo topo foi erigido o Primeiro Templo de Salomão, em Honra ao Senhor Deus!
Tristemente numa época de Domínio da Babilônico, 586 a.C., após um longo cerco, a cidade foi arrasada sob o comando de Nabucodonosor II e o Reino de Judá desmantelado com boa parte da sua população junto com a Elite Judaica deportada para a Babilônia e lá escravizada, marcando o exílio do Povo Judeu de sua Pátria.
A Bíblia (*) registra reconstrução dos Muros por volta de 445 a.C. numa das passagens mais célebres por Neemias, reestabelecendo a vida ativa na Cidade, até então sem nenhuma proteção, portas queimadas, ruinas, vulnerável e desonrada. Caos total!
Pois Jerusalém ainda está lá e provavelmente estará para sempre. Continua gloriosa e disputadíssima. Tantas vezes destruída e recuperada ao longo de milhares de anos. Impressiona o sentimento provocado ao caminhar em cada uma de suas vielas. Seguir os passos de Jesus rumo à sua Crucificação é doloroso. E é “Dolorosa” o nome dessa via. Visitar, entrar no interior do Santo Sepulcro – mesmo por noventa segundos rigidamente controlados - emociona demais! Paredes escuras, lúgubres, provocam a sensação da morte. Brota o sentimento de uma injustiça brutal e sem nome no coração. A penumbra provoca um “nó na garganta”! É provocado um mergulho profundo na Consciência Cristã!
Lá fora, longe dessa atormentadora tristeza, brilha a pujança do Muro das Lamentações - Muro Ocidental – onde está sua parte visível na Praça de Oração, com seus dezenove metros de altura acima do solo. Sua estrutura total inclui partes subterrâneas e escavadas, chegando a quarenta metros de altura. Sua extensão visível e de visitação não passa de setenta metros, sendo seu total de quase quinhentos metros. Pois ela se mantém em pé até hoje, mesmo com tantas destruições impostas ao resto de toda sua extensão. Exibe-se monumental. É lá onde peregrinos sentem sua energia afirmando: - Aqui é onde “a morte não chega”!
São centenas, talvez milhares de visitantes todo o dia! Não são turistas na verdade, minoria. Um número imenso é de pessoas de Fé, Crença na Existência e Presença Divina e estão lá a orar, rogar perdão e implorar Bênçãos! Difícil de explicar, lá a gente simplesmente sente!
A Cidade convive – não posso afirmar em plena harmonia – com suas mais importantes crenças. São três religiões distintas com seus suntuosos templos: - Judaísmo, Islamismo e Cristianismo a reverenciar seu Criador. Essas Comunidades partilham a Cidade Velha dividida em bairros judaico, muçulmano e cristão. Ainda há o armênio.
Fora dos Muros, uma cidade nova, moderna e mostra em seu Museu do Holocausto uma fase das mais cruéis da História do Mundo Moderno: - O Massacre Nazista imposto ao Povo Judeu! Suas fotos e algumas reconstruções dos planos de tortura embrulham o estômago do mais insensível de seus visitantes.
Defronte à Cidade está o Monte das
Oliveiras, local onde se atribui a Ascenção de Cristo e de suas Últimas
Palavras aos seus Apóstolos. A vista de lá é de grande magnitude! Local onde há
também o Templo a registrar o local desse Momento Sagrado reservado à Fé
Cristã!
Relatei em minha crônica passada, de como aconteceu essa viagem a Israel. Ao acaso, sem previsão, sem planejamento nem propósito algum. A oportunidade “cruzou” a minha frente, contratei e fui. Na companhia da Elaine, ela, ao se falar em viajar suas malas já estão prontas na porta da garagem! Faço essa referência por já ter me declarado “viajante contumaz”! Estar na estrada, aeroporto ou na estação são coisas do maior prazer dentro das minhas preferências. Israel não foi só turismo, como tantas outras, simplesmente aconteceu, felizmente!
Toda viagem a passeio – tal como turista – acontece a “curtição” do antes, durante e o depois, com fotos e recordações das mais diversas. Essa não foi assim. Houve o durante e boa parte dele sequer me dei conta de onde estava e de sua magnitude! Setembro de 2022, - precisamente um ano antes do ataque do Hamas pela Faixa de Gaza - com seu pós-viagem mantido em minha mente como uma das mais importantes aventuras já feitas! Daí meu entusiasmo a recomendar: - Conheça Israel!
(*) Segundo Yuval Noah Harari – livro Nexus pg106 – “quando os Cristãos dizem Bíblia, se referem ao Antigo e Novo Testamento em conjunto. Os Judeus não aceitaram o Novo Testamento e sua Bíblia só se refere ao Antigo Testamento, suplementado pela Mishná e pelo Talmude.”
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