203) O Plano Cruzado!
Segunda metade da década de oitenta,
nosso Brasil vivia uma inflação notável a ponto de ter alguns meses com
percentual acima de oitenta por cento. As maquininhas de recolocação de preços
no supermercado, chocalhavam (*) eufóricas aos nossos ouvidos com preço um
pouco maior de ontem! Fenômeno aconteceu por alguns meses naquele doloroso
período.
(*) Ruído do guizo da cobra cascavel...
Com ou sem crise severa, tive a paciência suficiente de não me abater em depressão. Afinal, não tinha o mínimo poder de mudar absolutamente nada. Sou, sempre fui um cidadão brasileiro comum, sem nenhum envolvimento político governamental. Apreendi ao largo dos anos vividos na atividade profissional de empresas privadas bem como Professor na PUCRS: - “Devemos desenvolver habilidades para transitar no caos, não para solucioná-lo!” Se não temos meios suficientes a debelá-los, seguir em frente aproveitando a Sabedoria da máxima: - “Se o estupro é inevitável, relaxe e aproveite!”
Fã entusiasta de viagens pelo Mundo afora - nesse canal já amplamente publicado - em meio àquela crise da inflação horrorosa, viajei a Orlando a curtir tudo aquilo tão encantador aos turistas de todo o Planeta. Seus exuberantes parques, ainda tão ricos a fazer da Disney apenas mais uma! Misto de diversão, entretenimento e uma boa dose de cultura, fizeram-me nessas viagens, excelentes momentos para esquecer problemas que não me pertenciam e curtir a vida!
Hábito antigo na qual preservo, enquanto no hotel, deixo a TV ligada a ouvir alguém enchendo os ouvidos do idioma local, nesse caso o inglês, oportunidade de desenvolvê-lo. Num daqueles dias, me preparando para o banho, volume bem alto quando num tom anasalado, “alguém falando português, sotaque nordestino. Raro se ouvir plenos Estados Unidos uma frase causando um susto enorme, de suspender a respiração: “Brasileiros e brasileiras, etc, etc... Sim. Era ele! Presidente José Sarney.
O ano era de
1986 e o cara anunciava o “Plano Cruzado”! Cruzado era um plano econômico – não
confundir com um golpe letal do box – e esse foi o nome da nova Moeda Brasileira
criada naquele momento, seguido de um severo congelamento de preços imposto a
toda Nação Brasileira. Preços praticados naquele dia, estiveram proibidos a
qualquer reajuste por tempo indeterminado e o próprio Presidente deu autoridade
a todo Brasileiro, em nome da República, fiscalizar, interferir e até dar ordem
de prisão a quem praticasse majoração de preços!
Foi um espetáculo político e vivemos os melhores momentos imagináveis do nosso Brasil, desde seu Descobrimento por Pedro Alvares Cabral, em 1.500! Economia estável, inflação zero, todo o mundo feliz! E uma felicidade consistente a durar bastante tempo. Não posso precisar, mas foi por uns bons quarenta a cinquenta dias! Uma semana a mais, uma semana a menos!
Como todo milagre com um Santo de poder intermediário, não dura para sempre! O Brasileiro eufórico começou a comprar sem medida. O Empresário do comércio vendia tudo e daí começou a ter dificuldade de reposição de estoque, o fabricante lhe faltando matéria prima e a euforia se derreteu na mesma proporção e velocidade da alegria.
Voltamos ao Brasil de sempre e para mim o mais marcante, foi o susto, estando tão longe de casa a ouvir “aquela voz”, clamando seus Patriotas à novidade com promessa de melhores dias. Quase interrompo minhas férias para voltar e viver esse novo Brasil! Mas não havia garantia em seu discurso de melhora perene. Seria temporária. Talvez de curto prazo! Bem curto! Muito curto! Por consequência, permaneci em território americano por mais uma semana talvez, concluindo minhas gloriosas férias!
Foi a época que mais trabalho tive na caixa estadual
ResponderExcluirJarbas
ResponderExcluirSensacional kkkkkkkkk
ExcluirA avaliação do governo de José Sarney (1985-1990) na presidência do Brasil é complexa e gera opiniões divergentes, sendo frequentemente objeto de debates históricos.
ExcluirExcelente descrição desse momento tão importante para o Brasil! Eu também estava fora, fazendo um curso. Parabéns! Bidart.
ResponderExcluirO problema de viagens ao exterior é a volta: trabalhar para ganhar em R$, Cruzeiro, Cruzado ou o que o valha. Mas este período de nossas vida ... deixemos no passado.
ResponderExcluirFoi um período terrível. Fui casada com um estrangeiro e quando contava que o preço da tarde era diferente do preço da manhã, que foi o período de maior venda de freezers e inflação de 80% ao mês, ninguém acredita.
ResponderExcluirFoi uma época muito difícil. A inflação era assustadora, mas a euforia da melhora durou pouco. A crônica está muito boa.
ResponderExcluirÉpoca dificil !Chegou um momento que alguns mercados de Bairro limitava por cpf e quantidade para não faltar alimentos.
ResponderExcluirParabéns meu querido amigo! Recordar é aprender com a nossa história! E nós que somos jovens a mais tempo temos muitas para refletir. Um grande abraço!
ResponderExcluirBig Brother Fausto, eu aqui no interior de Goiás fazendo um pequeno to
ResponderExcluirLeio sua crônica e já me sinto no ano de 1994...ou próximo disso...como sempre ótimas reflexões históricas desse nobre Escriba.
ResponderExcluirParabéns TFA
Felizes aqueles que como tu tiveram o privilégio de passar aqueles dias nos States.
ResponderExcluirAzar foi o nosso que estávamos no Brasil e tivemos que conviver com aqueles poucos dias entre euforia, confusão e caos...
Hoje até parece mentira que aquilo aconteceu.
Me lembro bem... estava viajando pela Europa...
ResponderExcluir