208) Tétrico: - O Caixão de Defuntos.
Na minha mais tenra infância, oito anos
de idade, década de cinquenta, minha Família Marchiori teve uma perda muito
forte pelo óbito, da “tia Lina”! Com apenas trinta e sete anos de idade, ao se
queixar de sintomas de uma gripe comum, teve através de injetável de penicilina
- época de não se ter cuidados de hoje em evitar antibióticos – o pior, foi
aplicada pelo próprio irmão! Choque anafilático, morte súbita!
A Vida segue seu rumo e sendo o mais novo dos cinco irmãos, a tarefa de todo entardecer de ir até a padaria, era da minha competência sendo do meu pleno agrado! Claro, vir beliscando o bico daquele pão francês de 500 gramas recém feito, era delícia pura! A caminhada do percurso era de exatamente quatro quarteirões em “L”. Acontece, ao cumprir a ritualística dessa caminhada sempre no mesmo padrão para a ida, no entanto o retorno havia outro itinerário a incluir passagem defronte a uma funerária com seus esquifes à mostra.
Eu olhava! Pronto. Na noite era aquela
bronca para dormir no escuro imaginando aquele mórbido visual. Na cama decidia
com a mais absoluta firmeza: “Amanhã não vou olhar!” Pronto. Tudo resolvido.
No dia seguinte, como todo o alemão e sua tradicional teimosia, eu parava naquele ponto estratégico, pensava, analisava os “prós & contras” e decidia: Olhar novamente para afugentar o medo, mas na verdade só o aumentava, pois na hora de dormir, voltava aquela imagem fixa na cabeça! Mas que guri teimoso!
Fiz esse caminho contigo... Conheço esse endereço.
ResponderExcluirEra hábito nessa época velar os familiares em casa , tbm fiquei com essa imagem na minha mente no velório de meu pai mas nunca tive medo. Abração primo!
Era assim no passado.
ResponderExcluirO que nós crianças sofremos no início da vida. Para ficarmos maduros...
ResponderExcluirEra aprendizado.
ExcluirEra bem assim .todos participavam desses momentos.
ResponderExcluirO primeiro velório ou primeiro contato com a morte deixa o imaginário mais ativo, ainda mais na primeira infância. Pobres crianças!!!
ResponderExcluirÉ traumatizante mesmo ver uma pessoa morta no caixão. Minha mãe nunca deixou em participar de velório quando criança.
ResponderExcluirPerfeita narrativa de algo que sempre assombrou grande parte de nossa geração querido Fausto. Como és um escritor criterioso e sábio certamente evitas nominal pessoas, a não ser que previamente consultadas, mas eu como seu leitor e "metido", digo que a padaria devia ser a do seu Luiz Contrato, e a funerária do Sr. Ernest Ludwig...Forte Abraço Mano
ResponderExcluirAcho que criança não deve participar nunca.
ResponderExcluirCriança é assim mesmo... levada pelo desafio e medo...
ResponderExcluirMaravilha o sentimento do guri.
ResponderExcluirEm nossa época, não se explicava a morte, nem os procedimentos. Minha primeira experiência, foi com o meu avô Pedro. Quando adentrei na sala mortuária, o primeiro choque. Meu pai aos prantos. Sentei timidamente ao seu lado até a hora do encerramento. E foi aí o susto maior. Meu pai disse que podia beijar a testa dele como despedida. Nossa! o contato dos meus lábios na testa gelada me impressionou por demais.Levei anos para encarar com naturalidade a morte de entra queridos.
ResponderExcluir