quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

 210) E o Tshuntshu Fugiu. Sabiá esperto!

 “Meu Velho”, já referido na Crônica 207, dentre tantos hábitos de seu dia-a-dia, um deles era o de criar em cativeiro faisões, perdizes e teve até um sabiá. Era comum na cidade pessoas levarem a ele alguma ave ou pássaro ferido para ele cuidar e adotá-lo. Um deles foi o tal sabiá de nome Tshuntshu – não faço a menor ideia de onde veio esse nome -  fácil ao pronunciar, mas difícil convertê-lo em letras do nosso alfabeto.

 Mantido em uma gaiola tradicional, era alimentado com alguma ração qualquer, mas meu Pai fazia questão de todo dia levar uma “proteína” ao empenado pássaro. Descobrimos mais tarde ser “um sabiá fake”. Era UMA sabiá, pois não cantava, recurso exclusivo ao pássaro macho. Pequenas lascas de carne e até mesmo algumas minhocas lhes eram oferecidas diretamente no bico. Até algum momento, encorajado comia na palma da mão...

 A Eni, nossa secretária, se encarregava da limpeza diária de seus aposentos até o dia de ouvirmos sua gritaria histérica: “O Tshuntshu fugiu!” O lamento foi geral e as acusações de descuido engrossaram o dia! Houve “suspeita de facilitação de fuga” – tão normal no noticiário das nossas penitenciárias de hoje em dia – mas negado peremptoriamente pela acusada. A Família ficou triste, pois havia muito afeto envolvido nessa relação ornitológica tão profunda!

 Não teve sequer dois dias de tristeza! Tshuntshu retorna voluntariamente ao seu cativeiro, aguardando sua alimentação! Eni correu e fechou a gaiola para se apresentar como heroína da captura do estimado sabiá! Nessas alturas dos acontecimentos, ela já perdoada, mas como em todas histórias do crime, reincidiu e lá se foi em fuga novamente, o tão estimado sabiá!

 Num período ainda menor do anterior, Tshuntshu volta à sua casa e vejam, nem chamo mais de cativeiro, pois desse momento em diante, não se trancou mais a gaiola e a liberdade do ir e vir SEM tornozeleira foi decretado. Livre, leve e solto ficou atrevido e passou a circular o interior da casa, sem o menor constrangimento, certamente se considerando da Família! Sua primeira incursão do dia era no ombro do meu pai enquanto se barbeava e ficava brabo se o seu apoio – o ombro – se mexesse demais. Gritava histericamente!

 Não sei avaliar quanto tempo houve esse belo e harmonioso convívio “entre nós”. Entretanto aconteceu um novo período de desaparecimento, abandonou novamente a gaiola, ou melhor, sua casinha gradeada e depois descobrimos sua transferência a um pé de Camélias e ali construiu seu ninho. Foi quando descobrimos seu verdadeiro sexo: Feminino! Eu já suspeitava ser fêmea, pois enquanto foi livre revoando no interior da casa, pousava sempre defronte a algum espelho...

 Na sequência colocou ovos, chocou e deu a luz a um lindo menino, ou melhor, um lindo sabiazinho! Um lindo, na verdade bem feinho, sem penas e com aquele bico amarelo a pedir comida insaciavelmente! E fomos felizes para sempre!

11 comentários:

  1. Adorei essa estorinha... Lembro da Eni e da gaiola dos faisões. Deviam ter cuidado mais dessa menina p não si perder na vida e ser mãe solteira... Kkkk

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  2. Muito legal! Parabéns, meu amigo! Uma bela lembrança! Bidart

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  3. Que fofa essa crônica! Bem esperto esse sabiá! Não merecia estar preso! Gostei! ❤️

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  4. Adorei a história do espelho... rsss

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  5. Que história linda! Muito esperto, sempre retornando para ser alimentado. Bem observado o lance do espelho, se traiu mostrando ser uma fêmea kkkkk

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  6. Outra faceta do seu Valdemar que desconhecia. Agradável história. São poucas as pessoas que tem o dom de cativar os pássaros.

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  7. Que lindo , Fausto! Eu gosto muito de sentar na área dos fundos daqui de casa e ficar observando os pardais que vem bicar migalhas na panela do cachorro, beber água na vasilha dele. São vários .
    Também temos rolinhas , um sabiá que canta numa árvore ali por perto, uma pomba que ronca como um bugio.. Há muitas árvores nos terrenos atrás do meu, que são despovoados . Lembro do mano Aimoré que sentava no lado da e atirava quirera para atrair os passarinhos, só para
    ve-los!! Iara Peixoto. Abraços.

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  8. Lembrei de uma doida que escreveu que não gostava de passarinhos porque fazi-
    am barulho !! Esta precisa de um psiqui -atra, urgente !!!

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  9. Oi Fausto. Lembrei do Seu Waldemar, os faisões e pássaros. Uma vez estive na casa de vocês e fui até o pátio. Fiquei encantada com os faisões.
    Quem cativa as aves tem um dom especial.

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  10. Amei! Adoro a natureza e nunca consegui matar qualquer criaturinha, nem barata kkkk
    Tida.

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