206) Um Conjunto de Elefantes de Cristal vindos de Murano!
Murano, ilha próxima a Veneza, é
acessível por uns vinte a trinta minutos de barco. Conhecida como a “Ilha dos Cristais e Vidros de Veneza.” Faz parte do arquipélago da Lagoa Veneza e cerca
de 1,2 km de distância do centro da cidade.
Estive pela segunda vez em 1982 nesse maravilhoso e romântico arquipélago, a cidade de Marco Polo. Marcopolo, notável aventureiro
maluco por viagens, como eu! Habitante e grande personagem, viveu naquela ilha em época por
volta de 1.278!
Nessa viagem em questão, foi minha segunda
passada por lá, dentre tantas coisas novas vivenciadas, uma interessante foi a
de navegar até Murano em visita a uma fábrica – e são muitas – num programa
turístico. Essa se destacava por peças diversas em cristal de extrema delicadeza em suave coloração rosa. Um espetáculo de arte, irresistível às compras
mesmo para alguém como eu, acho gastar tempo em compras um desperdício! Respeito o contraditório e chegando de volta em casa, curto as compras, sim!!!
Fui especialmente atraído por um
conjunto, uma manada de sete pequenos elefantes lindíssima, de uma singeleza única.
Como coleciono peças desse paquiderme, do mais variado tipo de
material e origem, fico vulnerável às compras! Minha coleção já soma perto de uma centena de peças. Aqui, comprei sem perguntar o preço
(algo extremamente arriscado na Região) dois conjuntos na intenção de
presentear minha madrinha de casamento, também colecionadora desse curioso
“animal tão narigudo!” Já na compra enviei cartão postal da ilha contando:
“Estou levando elefantes”...
Paguei em dinheiro. Época onde não
tínhamos no Brasil um cartão de crédito internacional. Paguei convicto e fiz severa
recomendação na embalagem adequada, pois viajaria ao Brasil, depois de muitos
dias transitando pela Europa e por óbvio, fazia questão absoluta de sua
integridade física. Também não me importava com o custo dessa tão reforçada
embalagem. Minha faceirice com a compra me convertera num notável “otário”!
Três semanas depois, chegando em casa,
com aquele pacotão envolto em muitas folhas de jornal, plástico acolchoado e por
maior segurança ainda, enrolado nas tradicionais roupas sujas voltando para casa. Abro o pacote com um sorriso de felicidade de deixar até os “molares” a vista! Pois no pacote, muito bem embalado estava apenas uma peça de um objeto em vidro. Não se distinguia se
era mesmo um elefante, talvez um cachorro ou simplesmente um retalho, um bloco inexpressivo
de vidro derretido...
Ódio ardente pulsou no coração desse italiano que escreve! senti-me o maior idiota, enganado
por aquele vendedor de “cristais” safado!
Vontade suprema: Não fosse a
responsabilidade de poupar e manter aqueles meus dentes molares recém
exibidos de alegria, foi do desejo de mastigar aquela imensa peça idiota. Tantas
horas de voo carregando no colo com esmero e carinho na bagagem de mão para
agora... Aquela merda estranha sem nenhum valor! Joguei fora no próprio aeroporto.
Em outra crônica, já escrevi indignado o comportamento de
vendedores vigaristas de rua na Bahia e outra na Jamaica. Mas ser logrado em
uma elegante loja, fábrica de cristais, aí já foi demais! Posso recomendar
alguma coisa???
Sei que o turismo de rua é, em especial os movimentado livres pelas ruas e pelo volume de vendas gerados, há um alto percentual de turistas que só se sentem de fato
turistas quando envolto em pacotes e mais pacotes de mercadorias compradas em suas viagem ao Exterior, com orgulho de ser material importado pelo próprio viajante!
Queria muito contar essa história ao meu
avô materno, Andrea Marchiori, vindo da Itália criança e afirmar: Em viagem à
Itália, não compro mais nada. “PUNTO E BASTA”!
Elaine Diefenbach
ResponderExcluirEle agora em 2023 não compra mas elefantes tem um de cada lugar que viajou.
ResponderExcluirNa Itália Fausto, tem que cuidado!!!
ResponderExcluirSEMPRE!
Ivan.
Tu não largou um "Porco Di@o" kkkk
ResponderExcluirTida.
Como não sou colecionador e também não comprador visitei mas não comprei kkkk
ResponderExcluirBoa história. Muito obrigado
ResponderExcluirMolto vero esse registro e alerta...uma pena o acontecido...mas lamentavelmente essas situações se repetem em vários locais...abraços.
ResponderExcluirAnor Pinto Filipi
ExcluirImagino a raiva da pessoa misto de italiano e alemão... Ainda bem q não mordeu a peça... Kkk
ResponderExcluirDesejo mais Sorte com os próximos elefantes...
Fausto não foi o primeiro e certamente não serás o último. O importante e aprender as lições que a vida nos ensina. Forte Abraço. Ricardo.
ResponderExcluirBom saber da necessidade deste cuidado.
ResponderExcluirValeu à dica Fausto, lamentável acontecimento 😌
ResponderExcluirNão me aventuro mais trazer peças de vidro , aconteceu com uma caneca que comprei em Boston para dar de presente, andava com ela na bolsa para não quebrar e não adiantou nada. Fiquei passada quando entreguei a caneca quebrada. Mas os italianos são muito malandros. Dei muira risada imaginando a sua ira.
ResponderExcluirAlemão
ResponderExcluirO seu ano materno, tinha o mesmo nome que o meu bisavó paterno.
ANDREA
Pensavam que ele era ela....
Embora possamos ser enganados, hoje há embalagens mais adequadas, que impedem essas falcatruas e facilitam o transporte! Eu sempre verifico tudo, antes de pagar. Revisitei Murano e Burano há pouco tempo. Nos idos tempos de 1982 era tudo diferente! Belo texto, com 7 elefantes a menos na coleção. Abração. Bida.
ResponderExcluirBahhh Fausto!!!
ResponderExcluirOs italianos adoram enganar os brelasileiro. Brasileiro com sangue alemão então...é prato cheio!!!!
Pergunta: tens algum elefante de Jaguari?
Mas não fique triste nem te sintas um otário. Serviu para motivar tua bela crônica!!! Parabéns.