quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

 215) "Mexico City"! Não percam o horário da tourada!

 

O México é um País interessante. Estive por lá em quatro ocasiões, sendo três delas passando alguns poucos dias na Capital e senti: - Fazer essa visita no Verão? Inconveniente! O clima de calor é severo e a falta de umidade no ar sufoca. Falta oxigênio, afinal de contas está há 2.294 metros acima do nível do mar e é uma cidade “onde respiram” mais de nove milhões de mexicanos! Mesmo no inverno, com até seus seis graus centígrados de temperatura mínima, é abafado! A cidade guarda uma bruma seca no ar, uma serração baixa a encobrir toda Cidade. Olhando do alto, a cidade nos parece um “grande pires”, como se fosse e talvez seja uma imensa e rasa cratera. Faz entender a retenção dessa coisa no ar semelhante a uma nuvem de fumaça. A poluição é abundante...

Importante é a constatação e lembrança da Civilização Asteca florescente entre 1325 a 1521 e ainda presente em cada quarteirão. A fundação de sua capital, Tenochtitlán aconteceu nessa época e o Império foi tristemente conquistado – mais honesto dizer arrasado – pelos espanhóis liderados por Hernán Cortés.

A Civilização Maia também deixou seus traços muito significativos na Região, cuja herança registra com marcos arqueológicos monumentais. As enormes e eternas pirâmides são incríveis. Essas eram usadas para fins religiosos e cerimoniais. Vale visitar as mais famosas delas, Teotihuacan – próxima da Capital - e Chichén Itzá na península de Yucatán.

Mas fiquem sossegados, não precisa viajar muito, pois dentro da Capital são muitas atrações e para conhecer um pouco dessas duas Civilizações, o Museu de Arqueologia é riquíssimo e visita-lo é obrigatório. Lá se encontra uma peça icônica, o famoso Calendário Asteca. Trata-se de um “rebolo” de pedra de uns dois metros de altura. O calendário era um sistema de datação usado antes da destruição do Império Asteca e consistia em um ciclo ritual de duzentos e sessenta dias e um ciclo civil de trezentos e sessenta e cindo dias. Fácil de interpretá-lo, entre “eles”, é claro!

Minha última estada na Capital, enquanto participava de uma convenção da IBM - prêmio por resultados em vendas - tinha uma programação completa para o período e o destaque significativo ficou por conta de uma Tourada Mexicana no domingo. Numa pequena arena retirada do centro, diferente das touradas espanholas, só findava com o abate do animal. (Abate do touro foi proibido em março de 2025).

O Evento como um todo, se tratava de uma grande festa com queima de fogos de artifício e seus Mariachi, alegre gênero musical tradicional mais representativo do México. Originário de Jalisco do Século XIX! Colorido festivo com muitas tendas com espetinhos de carne assada, tacos, aguacate, guacamole, frijoles e outras tantas iguarias evidentemente regadas com cervejas Corona e Tecate, necessárias para apagar o “fogo” de alguns apimentados! A Tecate, se toma tradicionalmente com uma pitada de sal e suco de limão espremido na hora, a encher aquele vinco ao redor do bocal da lata. Creiam-me, o contraste é delicioso!

Vamos a tourada: - Momento mais aguardado do evento. Violinos, trompetes, violão, vihuela e guitarrón com o canto dos Mariachi em seus trajes típicos, o “charro”, levam os espectadores – no caso dos mexicanos, são mais que isso, são torcedores – à loucura! A alegria é contagiante e a gritaria se exalta ainda mais com a entrada do Toureiro, de rara elegância. Vestido como um Imperador Romano com seu colete todo bordado em ouro e outras cores com lantejoulas e adereços a brilhar com sol!

Chegou a hora! Toureiro – grande personagem do espetáculo - joga sua charmosa capa longe, imediatamente recolhida pelos seus “assistentes” e soltam o Touro. Sob um som estridente dos trompetes, o animal parece assustado, perdido. Ao ver seu desafiador enfurece e se joga contra ele em desabalada corrida. Velocidade extrema e cheio de autoconfiança! Coitado, leva um drible desconcertante! Retoma sua postura agressiva e investe quase cego de tanta raiva mais e mais vezes. Os torcedores deliram, vibram com a derrocada de um animal altivo, bonito, corajoso e forte! No entanto, eu e metade daquele público de umas trezentas pessoas, brasileiros, na dúvida se devemos torcer contra o Touro!

O final é um desastre. O pobre animal está exausto e o toureiro ainda cheio de pose e orgulho, dá seu último drible – superior a Garrincha – e lhe espeta um longo sabre acima da nuca e o Touro cai de joelhos. Mas errou. Não acertou seu coração. O Touro arfando a levantar pó com seu focinho, babando, olhos arregalados, mas ainda vivo! É quando dois de seus assistentes se colocam um de cada lado de sua cabeça a provocar movimentos bruscos do seu pescoço, uma para esquerda outra para direita até o próprio animal com esses movimentos, fez a lâmina atingir seu coração a derrubá-lo inapelavelmente morto!

O Toureiro (matador) toma uma pose charmosa de herói vitorioso, faz uma reverência ao público jogando seu chapéu – o Montera – a alguém específico! É quando os brasileiros, eu inclusive, dedicamos uma sonora e barulhenta vaia! Toureiro – é a vez dele – fica visivelmente furioso conosco, quando nosso Verdadeiro Herói, o Touro, tristemente derrotado! Jaz ali sua com língua de fora, última jorrada de sangue na areia, olhos abertos, morto! Lágrimas nos olhos dos mais sensíveis! Arrumem um pretexto e percam horário da tourada, sim!

 

Porto Alegre, 20/fev/2026.

Nenhum comentário:

Postar um comentário