quarta-feira, 25 de março de 2026

 220) O Dia das Mulheres.

 Há poucas semanas celebramos “O Dia das Mulheres”, quando na verdade todos os dias são Delas! Nós, do sexo masculino não devemos limitar recursos para apenas uma vez por ano dessa comemoração, independentemente de quem é, onde está ou ocupação dessa mulher alvo de nossa festa, afinal de contas, espiritualmente TODAS Mulheres se assemelham com nossas Mães!

 Na minha infância, teve um “Segundo Domingo de Maio”, onde com um pequeno contingente de colegas do Grupo Escolar, preparamos uma homenagem ao Dia das Mães! Naquele domingo, coincidentemente meu Pai, raramente me convidava a acompanhá-lo a caçar perdizes, fez o convite! Em se tratando de algo raro, difícil dizer não e decepcioná-lo, afinal de contas era algo excepcional, acontecia uma vez por ano e “olhe lá”...

 Subitamente “dois grandes programas” no mesmo domingo! Que angústia!  Eu era um menino de uns dez anos diante de uma das mais difíceis decisões da vida! Tímido, introvertido guardei aquela dúvida cruel em mente a rachar o coração! A celebração às Mães junto aos meus colegas, estava sendo trabalhada há dias e me colocava a cantar um versinho decorado com extremo carinho e entusiasmo! Era um momento raro e desejado. A fria noite de sábado chegou e na cama, a tristeza cada vez mais aguda! Choro escondido, mas inevitável!

 Mãe, infalível Mãe! Ouviu um sussurro talvez algum soluço e foi verificar o que acontecia comigo. Lá estava a “vítima” banhado em lágrimas e suficientemente encorajado de confessar sua melancólica situação de tamanha profundidade... Ela, por óbvio, assumiu a garantia da renúncia à caçada ser negociada em meu nome, sem consequências mais graves. Como Grande Embaixadora negociaria o convite para o domingo seguinte, sem retaliação! E o convite foi transferido para a outra semana! Um grande suspiro e mais lágrimas, dessa vez de alegria e a Celebração no domingo foi gloriosa! A caçada no domingo seguinte? Nem lembro, pois aconteceram muitas outras!

 Nesse último Dia das Mulheres, me chamou atenção, longas filas nessas churrascarias de calçada, onde sempre tem aquele frango assado nas populares “televisões de cachorro”, e também costelas assadas no bom estilo de churrasco de domingo, mas dessa vez – isso justificava a longa fila – em razão da celebração a “Elas”! Fiquei indignado. Não é exatamente o dia de nós homens assumirmos o tão importante e celebrado almoço? Claro né! Era dia de elevarmos às alturas a Mulher, donas da nossa casa fazendo, mesmo sendo um sacrifício – e não há algum – o churrasquinho caseiro com direito à caipirinha e à maionese, essa sim trazida de fora! (Maionese, nem de longe parecida com aquela feita por ela! Mas só por esse dia, comprada em supermercado) ...

 É verdade ser raro um “homem bom de forno e fogão”, mas churrasqueira, pelo menos aqui no Rio Grande do Sul, é obrigação! Eu particularmente, gosto de cozinhar, pilotar uma panela, pois ainda menino, juntar os amigos mais próximos a fazer um “arroz com qualquer coisa”, como dizia o L. F. Zanini, sempre foi de grande prazer! Fogo de chão na ilha do Jaguari ou em qualquer local com árvores e preferencialmente com um rio ao lado. Bastava uma porção de arroz, uma proteína e na panela de ferro com colher de pau, para termos um excelente “carreteiro”!

 Guardei por toda vida uma frase emblemática do seu Waldemar, meu velho papito: - “Quem sabe fazer uma comida, jamais ficará sozinho. Sempre terá um amigo por perto!” Pense nisso e trate de apreender a fazer alguma coisa. Lembre, a boa vontade e o amor dedicado, é o melhor dos temperos!

 Amor? Sim! Aposto, todos nós temos lembranças perenes de uma ou de algumas comidinhas da mamãe! Ela fazia um prato se tornar único e ninguém consegue repetir seu sabor!

 

Porto Alegre, 26/mar/2026.

quarta-feira, 18 de março de 2026

 218) Alegria nas Grandes Telas. Oscar, Filmes e...


Ah! Quanta alegria nos bons tempos do Cine & Teatro Ideal, em Jaguari. Cinema todo final de semana, fazia a vida valer a pena pelo tamanho do maior prazer, na infância! Matiné no domingo à tarde: - Primeiro passavam dois “episódios” de um seriado – uma época do Super Homem, Homem Morcego com Robin etc. – para depois um filme, geralmente um faroeste! Como a gente torcia pelo “Mocinho”! A galope em disparada em seu lindo cavalo, trocava tiros com os bandidos e suas máscaras a tapar até o nariz! Era um tal de “sapatear” o assoalho de madeira do cinema, fazendo um barulho tremendo, ensurdecedor a levantar enorme poeira no cinema. Toda torcida para a derrota do bandido! Que invariavelmente vencia!

Como toda fase boa – a infância – passa tão depressa, na sequência é durante a exuberante adolescência a trazer suas compensações e angústias, naturalmente. O desejo de entrar no cinema a assistir filmes impróprios ou proibidos para menores de dezoito anos era imenso, vibrante. A compensação – sempre tem alguma – era a emoção da idade para fumar escondido. Confesso, logo ao obter permissão de fumar, perdeu a graça e o VÍCIO muito desejado para parecer adulto, “decepcionantemente” não veio e a tal de nicotina foi solenemente abandonada!

Voltemos ao cinema. Seu defeito, na cidade pequena, era de ter somente uma única sala. Sem escolha de filmes. Era aquele do final de semana e pronto! Nada muito frustrante, pois eu gostava de todos, indistintamente! Mas eu aguardava meu grande momento, quanto aos vinte anos vim morar na Capital, Porto Alegre! Inacreditável, dezenas de cinemas com múltipla escolha! Início da década de setenta, houveram filmes, os “bang-bang” italianos a começar com Ringo, Djanho, Trinity substituindo Roy Roger, Zorro, Durango Kid entre tantos americanos. A impressão, ao sair da sala, era de estar cheirando a pólvora de tanto tiroteio!

Na sequência por “febres” de alguns estilos de filmes, aconteceu a vez dos filmes chineses com suas Artes Marciais mirabolantes. Cabe lembrar desse entusiasmo se iniciou com uma produção americana – Warner Bross -  com o filme “Operação Dragão”, (Enter the Dragon) lançado em Hong Kong em julho de 1973, tornando o até então desconhecido e na sequência adorado Bruce Lee, curiosamente falecido três semanas antes do lançamento!

Como tudo, a Sétima Arte também evoluiu muito nos recursos visuais e na qualidade de seus roteiros, notabilizando Gênios da Sétima Arte como Stanley Kubrick e outros tantos. No último domingo assistimos o Grande Espetáculo da Premiação do Oscar em Los Angeles. Na véspera e ainda a tarde antes desse espetáculo, assistimos pelo menos quatro dos filmes indicados. Três desses, muito bons e fartamente premiados. A decepção ficou por conta do filme brasileiro. Não por negarem qualquer prêmio. É ruim mesmo. Roteiro fraco, fotografia pobre e nem música onde o Brasil é tão bom, se destacou!

Enquanto ficarmos disputando com os americanos repletos de ícones definidores de gerações, como clássicos Marlon Brando, Humphrey Bogart, James Stewart abrindo caminho para Robert De Niro, Al Pacino, Jack Nicholson e Morgana Freeman. Adiante atores como Tom Hanks, Leonardo DiCaprio, Tom Cruise e Denzel Washington dominam a era moderna, então será muito difícil alguma conquista de expressão!

O gênero de filme dominante no mercado mundial hoje são Ação, Aventura, Ficção Científica e Animação. Minha predileção fica por conta dos filmes com Suspense, daqueles a nos colocar em ajuda ao Roteirista, tentando descobrir onde o “assassino falhou” e em quais detalhes o Policial foi bem-sucedido!

Entretanto confesso uma infantil predileção aos faroestes, hoje raros, mas lançamento, em dezembro de 2012, da produção de notável realismo e violência, o “Django Livre” do Mestre dos filmes fortes, Quentin Tarantino, me dá esperança de voltar à minha infância, ainda a ser imaginária!


Porto Alegre, 19/mar/2026.

quarta-feira, 11 de março de 2026

 217) Punta Tombo na Argentina. Onde fica?

Aqui nesse “blog” já registrei minha clara predileção pelo transporte terrestre, em viagens a passeio de pequeno percurso, no entanto, em janeiro de 2004 fiz – sentado na poltrona número dois do andar de cima do ônibus, com imenso para-brisa a minha frente – por mais de onze mil quilômetros rodados rumo ao Ushuaia. Mesmo com tamanha viagem de cento e oitenta e seis horas a bordo, valeu a pena cada quilômetro percorrido! Sinceramente, nem pelo destino final, mas tudo a se ver e assistir nessa viagem. Não recomendo absolutamente viajar ao extremo das Américas de avião, pois veria apenas o destino final quando o melhor está na travessia!

Mil e duzentos quilômetros depois da primeira parada – hospedado em Buenos Aires – ao sul está a península de Punta Tombo da Província de Chubut na Patagônia Argentina. É a segunda parada. O plano é visitar no dia seguinte, em ônibus especial, uma colônia de pinguins. A estrada de “rípios”, é sem asfalto e piso complicado para veículos de suspensão mais sofisticada. Então em um ônibus bem comum, trepida-se entre pedregulhos e estrada ruim até lá!

Chamou-me especial atenção com acentuado grau de desconfiança na atração, em razão do anúncio de prevenção, dos agentes turísticos locais, contratados para esse evento, afirmando estarmos na época de os aproximadamente um milhão de aves deixarem a Região, voltando para a Antártida. Pior, eles se organizam para toda colônia partir no mesmo momento. O risco era de em lá chegando, a praia estar totalmente deserta. Desculpem-me, não se trata absolutamente de preconceito, mas já vivenciei algumas lorotas em peças pregadas a nós brasileiros por “eles”, dado nossa natural ingenuidade...

Algumas poucas horas daquele tráfego complicado, chegamos! Tive um espanto foi glorioso! Duvidei de quem não merecia! Lá estava toda aquela população em número completamente prometido! Uma multidão espetacular nunca imaginada. São tantas pequenas aves a fazer uma algazarra imensa, referido como um grito de exibição (display call) usado para sua comunicação social e reconhecimento. Emitem sons variados, grasnidos, guinchos, piados e um som semelhante a um zurro – como jumento – para atrair! São aves marinhas, mas não voam, usam suas asas para locomoção com grande agilidade na água. Show inesquecível!

Aos humanos visitantes, número limitado e muito bem controlado, cujas movimentações são feitas em corredores cercados e o resto da área composta de pequenos arbustos sobre a areia, onde eles transitam livremente sem dar a menor importância para nós. Eles são suficientemente “civilizados” para tolerar a nossa presença. O detalhe rigorosamente orientado de convívio, é de jamais tocá-los. Isso seria letal, pois no toque transmitimos “nosso cheiro” e dele resultará expulsão sumária da colônia. Muito sociais, irão morrer na solidão do abandono.

O período de estada deles naquela península, é sempre o mesmo, resultado da busca de um período em local mais quente para acasalamento. A reprodução deve acontecer quando de volta para casa, a Antártida. A organização e ordem é invejável, pois há uma liderança a comandar a partida de todos em um único e mesmo dia, criando uma verdadeira onda escura no Atlântico durante o flutuar de seu retorno. Há um interessante comentário local, de ter a NASA registrado uma “estranha visualização” de imensa mancha negra no Oceano Atlântico na costa Argentina, em lento deslocamento ao Sul...

Afirmam especialistas ao fato de sua unidade no retorno, garantir inibição e dificuldade de ataque de seus predadores naturais. Enquanto esse grupo na água é chamado de jangada, em terra firme de bando ou ninhal.

Resumindo: Paradas dessa jornada tornam o longo período em viagem extremamente interessante e posso garantir, embora lento se comparado com aviões, não causa nenhum tipo de cansaço ou estresse, até porque, pela empresa em que viajei, Galápagos Tour, são apenas duas noites a bordo, as demais em confortáveis hotéis a recuperar o período em poltronas e para um bom banho quente e um jantar com a boa comida argentina, das melhores carnes conheço! Boa viagem!


Porto Alegre, 12/mar/2026.

quarta-feira, 4 de março de 2026

 216) Honda Civic e a Pesca em Ituzaingo, na Argentina.

 Inicio essa Crônica da gloriosa pescaria – primeira e única na minha vida -  realizada há uns vinte anos, em Ituzaingo, a convite do meu amigo Cauby. A programação contemplava pelo menos seis casais de amigos. Sim. Casais, pois o local da pesca é bem preparado a receber presença das esposas e pescadores, sem exigir delas nenhum sacrifício, comum e natural em pescarias.  O local à beira do rio Paraná, é fartamente arborizado com uma confortável sombra e seu ar fresco – embora Verão – vindo do rio e tanto verde ao redor. É quase um serviço de hotelaria com cabanas de completo conforto em um rústico apartamento, mas dotado de chuveiro elétrico e até ar condicionado.

Eu como principiante, não possuía o mínimo de equipamento. Tudo foi arranjado graças a cortesia dos parceiros e olha, eles portavam de tudo para uma boa pesca tão longe de casa. Desde o barco com possante motor até o mínimo detalhe dos anzóis/isca de tecnologia e criatividade ímpar.

A garantir sucesso na pesca, um ribeirinho nativo, foi contratado para nos conduzir até o local do rio, onde deveriam estar, creio “nos esperando”, os melhores dourados, até porque, a fiscalização é rigorosa na Região e proíbe pesca desse peixe, cujo tamanho seja inferior a setenta centímetros. Regra fortemente respeitada, pois a penalidade é extremamente severa e considerando lá, território estrangeiro – por óbvio – o temor fica bem acentuado...

Quanto do resultado da pesca em si, melhor seria se eu omitisse, porque afirmam ser obviamente “sorte de iniciante” capturar o maior peixe na pesca e foi o acontecido. Mentira de pescador? Até pode ser, mas como na verdade nem sou um pescador por essência, mereço o crédito como verdadeiro. Foi um dourado com sessenta e nove centímetros e circunstancialmente me obrigaram a ceder a peça para um assado lá mesmo, a não correr risco de ao retornar para casa ser flagrado pela temida “fiscalização argentina”! Então o assado se consumou e regado de respeitáveis vinhos argentinos, foi feita a festa!

Assim encerro a crônica da pescaria! Mas não pode ficar para trás, citado no título acima, o Honda Civic! Vamos ao fato:

O início da viagem aconteceu em Jaguari, onde a parceria toda me esperava de Porto Alegre. Viajei os quatrocentos e poucos quilômetros até lá e chegando, estacionei no corredor da garagem, defronte à Ford F1000 do Cauby, pronta para partirmos. Depois de muita “charla” sobre nossa jornada pesqueira, o dono da Ford percebendo-a ao sol, fora da sombra, foi com apenas o pé esquerdo na soleira, em pé e com o pé direito acionou a embreagem para uma pequena decida. Como a direção estava travada, o motorista ainda naquela posição, estica o braço para acionar a chave, num toque sutil acionou o motor, estando engatado se direcionou a colidir de frente com meu Civic!

Numa fração de segundo e com reflexo aprimorado, com o mesmo pé que acionava a embreagem, “chutou” o freio, em razão da inclinação de seu corpo – lembrem, ele estava em pé – esse escorregou e “afundou” no acelerador!

Aquele enorme caminhonetão, roncou motor patinando a tração a subir no capô do Civic até encostar seu para-choque no para-brisas. Então o motor apagou! O desespero do piloto é inesquecível pois em sua mente registrava a presença de sua netinha de uns cinco anos à frente daquele choque. Felizmente não aconteceu! Então ele chorou copiosamente!

“Foi só o susto”, todos afirmaram ao consolá-lo! E um automóvel bem amassado! Calculo termos digerido uma meia dúzia de cervejas a deixar tudo aquilo de lado no passado e em nome da alegria, celebrar a pescaria reservada para o dia seguinte!

Difícil, foi depois explicar a seguradora, de como um amigo bate no carro do outro amigo no pátio de sua casa, com agravante de não ter nenhum sinal de acidente, na sua caminhoneta! Alegado foi ser graças a robustez do veículo agressor!

 

Porto Alegre, 05/mar/2026.