208) Pedido do Gordo: O Destino de Suas Cinzas!
O Gordo, Luis Emílio Sesti Motta, foi o amigo mais antigo, de maior longevidade. Neto de fazendeiro em Jaguari, menino voluntarioso me ajudou quando nos conhecemos no encerramento do velório da tia Lina, quando fui encarregado a devolver à funerária os pertences com castiçais etc. época dos velórios serem feitos na residência do falecido.
Eu tinha oito anos e ele cinco e a amizade só acabou, há sete anos com seu óbito! Foram sessenta anos de uma amizade onde nos separamos raramente e só no plano geográfico, por necessidades profissionais ao trocar de cidade. Ele, como eu, tivemos dois casamentos e em ambos fui seu Padrinho, bem como ele foi meu Padrinho nos dois. Foi também o amigo a me apresentar a “atual” esposa, a Elaine!
Pois o Gordo era um dos componentes do “The Crasies Club”, fundado há sessenta anos que nunca admitiu novos sócios. Nunca teve interessado a se candidatar..! Permaneceram os seis guris, da nossa Terra Natal, da adolescência até ter nele o segundo óbito, em seis de seus sócios. A tristeza encerrou nossos três encontros anuais com até então, com absoluta regularidade.
Ele era um “Colorado Fanático” e eu da oposição Tricolor. Tínhamos um pacto de sangue de jamais discutir futebol. Esse respeito mútuo e inarredável reforçava os laços entre nós! Um respeito imposto naturalmente, saudável a preservar amizade sempre recomendável, especialmente no Rio Grande do Sul onde a “rixa” entre esses dois clubes é imensa! Todos sabemos, discutir esporte, política e religião, é uma bobagem infantil, jamais fortalece relações...
Ele um constante gozador debochado, me pregou a peça derradeira nessa rivalidade Grenalizada. Sem chance de eu me vingar no futuro. Quando ele soube de sua enfermidade letal, decidiu sua cremação e distribuição das cinzas em diversos lugares. Curtia estar em muitos lugares ao mesmo tempo a “pegar no pé” de um ou de outro. Pois me designou a levar uma parte de suas cinzas precisamente ao Estádio Beira Rio, estádio do meu maior rival! Tínhamos nossas convicções de jamais visitar o estádio de futebol do nosso arquirrival... Ele por safadeza me deixou essa incumbência. Obrigatoriamente cumprida por mim! Não sei se do Eterno, as Almas nos veem aqui nesse Plano. Caso afirmativo, imagino ele rindo de mim as gargalhadas, enquanto eu, em pleno estádio do meu adversário, distribuindo suas derradeiras cinzas! Brincalhão safado, mesmo depois de morto!
Amigos! Ah os Amigos! Valem ouro e deixam uma saudade imensa quando se vão! Se eu tivesse autoridade para dar conselho, esse seria um dos primeiros: - "Tenha e mantenha muitos amigos. Amizade, eu reforço, com contato, presença física com direito ao abraço. É muito fria a amizade moderna restrita a um contato eletrônico sem o aperto entre corpos. Nada substitui o aperto de mão, o abraço e até um beijo!
Um telefonema, um whats é bom, mas dado a celeridade das nossas vidas, se torna muito pouco! Ouvi de um amigo, conterrâneo, R. Bernardi: “Tens visitado teus velhos?” Sim! A cada sessenta dias! “É pouco!” Respondeu convicto! Depois de perder meus pais, lhe dei plena razão, mas já era tarde!
Que história maravilhosa entre amigos, temos que ser mais presentes, com abraços, concordo com você.
ResponderExcluirDeu um aperto no coração! Querido Motta, teu grande amigo que tanta alegria trazia consigo ao ponto de distribuir e amealhar outros tantos amigos. Lembro por último dele, sempre faceiro, ali na Peugeot da Ipiranga. Parabéns Fausto por mais este emocionante texto! Feliz 2026!
ResponderExcluirCaro amigo Fausto, bela história vivida com grande humanidade. Verdades são verdades e ponto final. Caráter, amigos, lealdade, fé, caridade são virtudes de um homem vencedor. grande abraço e obrigado pela partilha
ExcluirBonita história Fausto!!
ResponderExcluirSó quem tem velhos amigos, sabe!
Felicitações. Ivan
Belo e emocionante crônica. Amizade verdadeira entre vcs, elogiavel...
ResponderExcluirAbraços primo querido...
E lá estava em cima de uma pedra…
ResponderExcluirQuerido Fausto, mais uma ótima de suas maravilhosas crônicas do cotidiano. Nesta a gente sente um pouco contigo, a ausência para sempre de alguém que marcou a vida. É bem teu estilo fidalgo de contar passagens importantes de tua vida, Gordo Motta regulava comigo em idade, gente boa, divertido...Mas foi cedo, faz parte. Parabéns mais uma vez pela bela narrativa..Forte Abraço (3).
ResponderExcluirMeu amigo Fausto, tive o prazer de conhecer e conviver com o Luiz Emílio Sesti Motta (pena que foi por pouco tempo) talvez o maior “astral” que conheci. Também tenho muitas saudades. Ele deve estar aprontando lá no céu.
ResponderExcluirLinda amizade de vocês Fausto, eu bem sei! Emocionante e merecida homenagem em seu Blog 208. Quem o conheceu ficou a lembrança de um amigo generoso em tudo. Saudades eterna, ALDFM
ResponderExcluirMais uma história linda, de amizade verdadeira. Exemplo para todos. Gostaria muito de ver a cara do Gordo deixando as "últimas vontades", rindo e sabendo que, nesta vida, não teria revanche. Parabéns, Fausto. 👏🏻
ResponderExcluirAmigo e conterrâneo Fausto!
ResponderExcluirUma amizade assim atravessa o tempo, a vida e até a morte. Um privilégio raro. História linda de amizade verdadeira, dessas que marcam uma vida inteira, baseada em respeito, parceria e lealdade.
A amizade de vocês é forte e genuína, coisa rara hoje em dia.
Ótima crônica. Enaltece a amizade que é a seiva da árvore da vida.
ResponderExcluirTambém perdi recentemente um amigo dos tempos de faculdade... de uma hora para outra se foi... sem preparação, sem adeus... deixou um vazio que eu preencho sempre com lembranças como as suas de agora
ResponderExcluirSǎo histórias q n podemos deixar passar porque guardam lições morais e éticas em 1 tempo q parecem já n terem + valor, porém, enganam os q pensam assim …
ResponderExcluirAbreijos 💙 com ⛪️ para todos 👍
Já o fiz!!!
ResponderExcluirParabéns. Bela história
ResponderExcluirLinda crônica meu amigo Fausto!!!!
ResponderExcluirEmocionante relato Fausto. Conheci muoto pouco o Gordo mas lembro nitidamente do seu sorriso. Interessante né?
ResponderExcluirQue história linda e emocionante! Um privilégio ter amigos assim, belíssimo relato dessa amizade, da parceria, do respeito, lealdade e cumplicidade. Parabéns! Kátia
ResponderExcluirFaz pensar, caro Fausto. Amizades profundas são raras. Frateno abraco do amigo José Daniel
ResponderExcluirQue saudades do meu Pai Motta!A amizade de vcs sempre foi linda,pura!Como eu queria hj poder abraçar meu Pai e dizer o quanto amo ele e sinto mto sua falta.Pai aonde vc estiver olhe por mim❤️😭
ResponderExcluirLembro do grupo de vocês, maravilhosos! Tens razão, amigos principalmente amigos de infância que nos acompanham na vida adulta é a melhor coisa do mundo. Cada encontro é uma explosão de alegria.
ResponderExcluirTida.
Fausto Diefenbach, tem o dom de encantar a palavra escrita, mesmo quando se refere a qualidade de pessoas que simplesmente conheceu. Logo, não poderia ser diferente ao se referir com elegância a um personagem que conviveu dos melhores momentos dos dois, dos três e de todos os The Crasies, grupo de jovens moleques e alegres de Jaguari, criados nas praias de areia do rio que embeleza a cidade e escalando montanhas como se escoteiros fossem.
ResponderExcluirConheci o Motinha com quem convivi muitos anos. Conheço o escritor e confrade da ALMURS.
Fausto Diefenbach é dono das mais lindas crônicas publicadas neste blog.
Conheci um e o outro. Senti uma dor no peito, ao ler a lista de pedidos deixados quando se sentiu mal, isso me fez testemunha da missão hercúlea dada ao Fausto em um pedido atípico, mas também sou testemunha que a solicitação escabrosa foi atendida com glamor no Estádio Beira Rio - Viu Motta! -
A mim coube algo mais fácil, manter parte das cinzas do amigo, por livre e espontânea vontade no jardim no Cantegril, onde foi palco muita festa
Bons momentos deixa-se registrado.
Parabéns Fausto
Muito Boa Fausto. A eterna rivalidade, já ouvi, que ai em Porto Alegre derrubou até casamentos
ResponderExcluirBela história Fausto!
ResponderExcluirIvan.
Missão Possível e interessante. Lembra também o que viraremos...
ResponderExcluirBela historia, Mota era um cara legal, me chamava de melenudo… foi cedo.
ResponderExcluirFausto, maravilhosa história. Consigo visualizar o Gordo rindo, às gargalhadas, você entrando no Beira Rio.
ResponderExcluirAliás, acho que você deveria escrever um livro do The Crasies. Tenho a certeza que não faltarão histórias.
Beleza Fausto!!!
ResponderExcluirAh os amigos! A vida seria muito chata sem eles e elas!
Não existe nada mais precioso do que uma amizade assim
ResponderExcluirAdorei o desafio do último pedido , foi uma prova e tanto de tua amizade por ele! Beijos linda cronica
Conheci por pouco tempo o Gordo,mas sei da sua generosidade e bom carácter.
ResponderExcluirParabéns Fausto pelo relato sobre amizade.
Disse tudo,
O Motinha sabia levar a vida com leveza e fazer graça!
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