220) O Dia
das Mulheres.
Há poucas semanas celebramos “O Dia das
Mulheres”, quando na verdade todos os dias são Delas! Nós, do sexo masculino
não devemos limitar recursos para apenas uma vez por ano dessa comemoração,
independentemente de quem é, onde está ou ocupação dessa mulher alvo de nossa
festa, afinal de contas, espiritualmente TODAS Mulheres se assemelham com
nossas Mães!
Na minha infância, teve um “Segundo
Domingo de Maio”, onde com um pequeno contingente de colegas do Grupo Escolar, preparamos
uma homenagem ao Dia das Mães! Naquele domingo, coincidentemente meu Pai, raramente
me convidava a acompanhá-lo a caçar perdizes, fez o convite! Em se tratando de
algo raro, difícil dizer não e decepcioná-lo, afinal de contas era algo
excepcional, acontecia uma vez por ano e “olhe lá”...
Subitamente “dois grandes programas” no
mesmo domingo! Que angústia! Eu era um menino
de uns dez anos diante de uma das mais difíceis decisões da vida!
Tímido, introvertido guardei aquela dúvida cruel em mente a rachar o coração! A
celebração às Mães junto aos meus colegas, estava sendo trabalhada há dias e me
colocava a cantar um versinho decorado com extremo carinho e entusiasmo! Era um
momento raro e desejado. A fria noite de sábado chegou e na cama, a tristeza
cada vez mais aguda! Choro escondido, mas inevitável!
Mãe, infalível Mãe! Ouviu um sussurro
talvez algum soluço e foi verificar o que acontecia comigo. Lá estava a
“vítima” banhado em lágrimas e suficientemente encorajado de confessar sua
melancólica situação de tamanha profundidade... Ela, por óbvio, assumiu a
garantia da renúncia à caçada ser negociada em meu nome, sem consequências mais
graves. Como Grande Embaixadora negociaria o convite para o domingo seguinte, sem
retaliação! E o convite foi transferido para a outra semana! Um grande suspiro
e mais lágrimas, dessa vez de alegria e a Celebração no domingo foi gloriosa! A
caçada no domingo seguinte? Nem lembro, pois aconteceram muitas outras!
Nesse último Dia das Mulheres, me chamou
atenção, longas filas nessas churrascarias de calçada, onde sempre tem aquele
frango assado nas populares “televisões de cachorro”, e também costelas assadas
no bom estilo de churrasco de domingo, mas dessa vez – isso justificava a longa
fila – em razão da celebração a “Elas”! Fiquei indignado. Não é exatamente o
dia de nós homens assumirmos o tão importante e celebrado almoço? Claro né! Era
dia de elevarmos às alturas a Mulher, donas da nossa casa fazendo, mesmo sendo
um sacrifício – e não há algum – o churrasquinho caseiro com direito à
caipirinha e à maionese, essa sim trazida de fora! (Maionese, nem de longe
parecida com aquela feita por ela! Mas só por esse dia, comprada em
supermercado) ...
É verdade ser raro um “homem bom de
forno e fogão”, mas churrasqueira, pelo menos aqui no Rio Grande do Sul, é
obrigação! Eu particularmente, gosto de cozinhar, pilotar uma panela, pois
ainda menino, juntar os amigos mais próximos a fazer um “arroz com qualquer
coisa”, como dizia o L. F. Zanini, sempre foi de grande prazer! Fogo de chão na
ilha do Jaguari ou em qualquer local com árvores e preferencialmente com um rio
ao lado. Bastava uma porção de arroz, uma proteína e na panela de ferro com
colher de pau, para termos um excelente “carreteiro”!
Guardei por toda vida uma frase emblemática
do seu Waldemar, meu velho papito: - “Quem sabe fazer uma comida, jamais ficará
sozinho. Sempre terá um amigo por perto!” Pense nisso e trate de apreender
a fazer alguma coisa. Lembre, a boa vontade e o amor dedicado, é o melhor dos
temperos!
Amor? Sim! Aposto, todos nós temos
lembranças perenes de uma ou de algumas comidinhas da mamãe! Ela fazia um prato
se tornar único e ninguém consegue repetir seu sabor!
Porto Alegre, 26/mar/2026.
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