terça-feira, 26 de maio de 2026

 224) A Viagem vai Começar!

Semana passada escrevi sobre minha complicada saída de Porto Alegre, rumo ao Cruzeiro de Travessia, rumo a Marselha na França, com forte ameaça de não se realizar, graças ao descuido desse viajante deixando em sua bagagem um minúsculo isqueiro a gás, pondo em risco de uma catástrofe aérea numa aeronave da Azul, onde eu deveria voar... Tudo não passou de um bom susto e a viagem aconteceu, felizmente!

 No entanto da partida marítima, vale uma consideração, dado a uma série de comentários de amigos - também adoram viajar - afirmando peremptoriamente: “Adoraria viajar de navio, mas tenho medo, pois enjoo o sacolejar do barco!

Tremenda bobagem (perdoem-me a franca sinceridade!), pois um navio do porte do MSC Seaview é impressionante. São 323 m. de comprimento por 41m. de largura, suficiente para ser visto como uma cidade flutuante absolutamente estável. Em qualquer aeronave a vibração é muito, mas muito maior, diga-se de passagem. Em alguns momentos, sente-se um leve balanço ao “som das ondas maiores”! Mas nada assustador, pois em seu interior é especialmente tranquilo.

Ao chegar para o embarque, vê-lo, emociona. Trata-se de um verdadeiro edifício com dezesseis andares a transportar cinco mil e trezentos passageiros, extremamente bem atendidos por mil e quatrocentos tripulantes! Do camareiro ao garçom, do músico ao artista do teatro é sentido um esmero coletivo de alta competência e dedicação onde muitos desses profissionais a gente não percebe sua existência no contexto geral! São os operadores de máquinas, mecânicos, etc...

É viajar com todos cuidados e cortesia. A segurança é firmada já no treinamento dos passageiros – obrigatório – para eventuais situações de emergência.

A alimentação soma fartura e alta qualidade como suas principais marcas. As bebidas alcoólicas são pagas à parte, a menos se contratar sua inclusão no momento da reserva, para mim nada relevante, pois nessa área eu “pego leve”...

A vivência social é plena. Música ao vivo em diversos setores distribuídos pelo navio, aulas de dança, amplo cassino e teatro de dois mil lugares com apresentações em TODAS as noites. Dança, acrobacia, cantores, mágicos, ventrílogos, malabaristas apresentações circenses etc. Não há descanso a diversão.

Enquanto navegando em clima de verão, as piscinas, os “temidos” escorregadores e o aquecido ofurô (36 a 40 graus) fazem as atrações mais movimentadas, divertidas e barulhentas durante o dia! Nessa viagem, em direção à Linha do Equador, tivemos mais da metade do percurso em clima quente, com grande aproveitamento! Deu até para adquirir um “bronzeado” tão invejado na Europa!

A viagem começa ao entardecer do 11 de abril/2026. Saímos silenciosamente do porto de Santos e ao afastar de uns quinhentos metros – não sei a razão de deixar primeiro ocorrer esse afastamento – o barco abre seu estridente e festivo apito dando início a uma jornada cheia de expectativas e a alegria é contagiante. Cria-se um clima de festa e óbvio, com muito espumante jogado às taças com um borbulhar cativante e a viagem se torna uma festa intensa e duradoura!

Dorme-se a primeira noite sob um suave ronco do gigantesco motor a girar as suas pás, gerando uma imensa espuma branca a nos seguir durante toda viagem e é de muito bom gosto curtir essa bela vista da popa!

Dormi muito bem obrigado numa imensa cama “King”, mas num momento, sem precisar as horas, um silêncio assustador! Pulei da cama, puxei a espessa cortina e lá estava o lindo Rio de Janeiro! Aqui, a primeira parada dura todo o dia, ótimo para uma visita a “Cidade Maravilhosa!”

Anoitece e rumamos a Maceió a sentir o cheiro gostoso no sempre Verão Nordestino!

Porto Alegre, 28 de maio de 2026.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

 223) Voltei!

 

Entenderá o sentido desse título “Voltei”, os leitores fiéis desse blog, na última Crônica de nove de abril. Explico: - Dei-me o direito ao maior período de férias ao longo de minha vida profissional. Vinte e oito dias da mais absoluta folga, voltado – no meu entendimento – a uma das coisas melhores para período de férias: - Viajar! - Foram dezesseis noites no Cruzeiro de Travessia da MSC, navio Seaview, cabine varanda-bela do décimo quinto andar do “prédio”! Desembarcado, quatro dias em Marcelha, na sequência Paris e Lisboa!

Esse trecho marítimo foi fantástico. Como tudo sempre me cerca com uma boa pitada de aventura, por mais bem planejado (desde de dezembro), sempre tem algo para me alegrar, ou melhor estressar com pitadas de susto, extravio perda de algum objeto, enfim. Vamos ao início de tudo para bem entender as causas do estresse inicial, muito bem aproveitado:

- Recomendado severamente pelo agente de turismo, de estar no aeroporto de embarque, para o trecho aéreo Porto Alegre a São Paulo, pelo menos umas três horas antes da decolagem. Lá estávamos eu e Elaine. Voo das 05:15hs da Azul com apenas cinco minutos elogiáveis de atraso, suficientes para o “check-in” das 13hs no porto de Santos e na sequência o embarque previsto para 18hs. Entretanto corte nos motores e se inicia no corredor da aeronave, algo parecido com uma “busca de alguém”! Uma dupla de vigilantes chega na nossa poltrona e pergunta: - “Elaine & Fausto? Terão de desembarcar. Sua bagagem no porão contém algo suspeito!” Óbvio da minha pronta negação! “Essa bagagem, por medida de segurança, já foi desembarcada!” Única alternativa: Desembarcar!

Fomos atacados de pensamentos da pior ordem. Vê-se frequentemente de ilícitos “plantarem entorpecentes” em bagagem alheia! O pavor tomou conta. Expulso do voo perderei o “trânsfer” no aeroporto de São Paulo a Santos, se atrasado não embarco e perdendo o Cruzeiro perco toda sequência na Europa com toda movimentação e hospedagem reservada e PAGA ao longo de toda as férias! “Só isso!” Não busco em Oração socorro em situação desse gênero. Orei!

Longos, intermináveis minutos esperando uma resposta da Companhia – que pelo menos me assegurou vaga no voo das dez! – Angústia e tormento invadem nossas mentes devastadoramente. Impossível conversar ou pensar qualquer coisa, sem a imaginação de umas férias completamente destruídas de forma irretratável! Todos sonhos acalentados por meses, desabaram!

Surge uma profissional da Azul impecavelmente vestida, exalando um suave perfume francês, seu olhar visivelmente constrangido, parecendo triste – para aumentar nossa angústia - e sentencia: “- Desculpem, essa fiscalização não é feita pela Azul. É pela empresa encarregada da segurança do aeroporto e aeronaves!” O tempo para dizer essas dezoito palavras, sem conclusão alguma, me deu a sensação de ser de pelo menos vinte e quatro horas! Minhas mãos suavam e Elaine com um “rubor facial” invejável. Então veio a punhalada fatal em meio a um ataque de cólica intestinal: - “Esse isqueiro a gás  (tinha na mão, um inocente isqueirinho a gás de propaganda da Bic, há anos abandonado em meu “nécessaire” de viagem) [5,8cm] estava em sua mala correndo risco de combustão espontânea, assim, foi retirado da sua mal. Se quiserem embarcar agora, sem o isqueiro, podem fazê-lo no portão...” Um suspiro longo, cheio de alívio, ódio com vontade de matar alguém, nos dirigimos ao portão designado, com as orelhas murchas e embarcamos!

Chegando em Guarulhos ao meio dia, retirada daquela fatídica mala – sem isqueiro – “transfer” perdido onerando mais cem dólares a contratar um táxi e descemos a Serra rumo ao porto de Santos. Horário absurdamente atrasado. Deduzi, embarque perdido, mas não. Graças a uma imensa confusão no setor de embarque de mais de cinco mil passageiros, tudo foi acumulando a formar uma “muvuca” imensa a me sentir em casa, afinal de contas estávamos ainda no meu Brasil, onde tudo acontece!

Próxima quinta-feira, conto mais um pouco!


Porto Alegre, 21/mai/2026.