quarta-feira, 8 de abril de 2026

222) Conhecer novos Lugares!


Novidade: - No próximo sábado, onze de abril, voltarei a viajar para novos lugares novas Culturas, Povos, Moedas, Paisagens! Buscando matéria prima para minhas próximas crônicas, como faço habitualmente. Imenso “papo-furado”! Estarei saindo em viagem porque adoro isso! Vamos falar a verdade logo de cara! E é isso a fazer prazerosamente há daqui dois dias! Alegria, alegria!

 Não posso negar, se trata de um sonho recorrente, mas certamente o sonho de muitos: - Travessia do Atlântico de navio, por óbvio! Podem pensar em se tratar de projeto milionário – barato não é – mas nada absurdo para quem curte viagens e VIAJA! Não basta curtir. Esse, exige um investimento de porte, mas a considerar outra viagem feita há pouco mais de um ano onde uma diária em Nova Iorque em hotel de boa categoria, nada excepcional como um cinco estrelas, um médio entre três e quatro estrelas talvez, sem café da manhã, custou duzentos e dez dólares mais taxas (taxas, nos EUA a gente nunca sabe quanto e quando vão cobrar... Legítima surpresinha americana!).

Então no total, considerando a se ter a bordo a tal de “pensão completa” em sua diária e principalmente o transporte – nesse caso até a Europa – o valor final fica muito conveniente!

 Alguns amigos acham exagero – mas são passeios de não fazer todo ano – mas para suas férias de todo o ano, ter um patrimônio nas areias do nosso Litoral. É, ter uma casa na praia no RS, entre tributos, manutenção, reparos, eletricidade, água & esgoto, combustível para as tantas locomoções, são custos tão significativos tanto quanto muitas boas viagens pelo mundo afora!

Não condeno nem nego o valor desse investimento litorâneo, acho até muito legal especialmente quando sou convidado pelos amigos, ou o irmão Percy a curtir hospitalidade, churrasqueira etc! Melhor: - Com custo zero!

Voltando a travessia: - Essa, é operada pela CVC e feita a bordo do navio “Seaview” da MSC Cruzeiros. São dezoito dias de navegação com sua saída pelo porto de Santos e diversas paradas de um dia inteiro. Começa pelo Rio de Janeiro e segue a Maceió, Ilha de Tenerife, Gibraltar, Alicante, Barcelona e chegada em Marselha, na França, onde encerra o cruzeiro. Espetacular? Claro que sim! O retorno ocorrerá com um breve percurso de trem e depois obviamente de avião, num também conveniente voo da TAP com destino final e direto a Porto Alegre.

Por algum tempo “desconfiei” de tantos dias a bordo se tornariam enfadonhos, entretanto diante de duas experiências com a mesma companhia, já contei aqui, foram pelo nosso Nordeste e uma no Caribe, ambas por sete noites que me deram plena convicção: Vale a pena! A programação da MSC para manter felizes os quase cinco mil passageiros, é fantástica! Espetáculos em seu amplo teatro reservado para todas as noites é invejável. Até estampas do Circo de Solei são apresentadas. Opções de laser são inúmeras e ricas. Não as contarei, para não provocar desconfiança de ser a crônica de hoje, uma matéria paga, encomendada...

Mas não dá para omitir ou ignorar, especialmente aos fãs da “boa mesa”, são alternativas de comida desde o café da manhã ao jantar, onde são oferecidas quatro refeições de altíssima qualidade e grande fartura. Há no programa vendido, uma opção para bebida alcoólica livre, não é minha opção sinceramente, pois quando bebo, faço-o com especial moderação e não se trata de “medida cautelar”, não curto mais excesso desde a minha juventude, onde um pileque era festejado por diversos dias, especialmente com a alegria de contar aos amigos! Hoje, se beber muito, mantenho por alguns dias é a ressaca! Então, pego leve e peço aquilo da ocasião adequada e pago individualmente. Minha mulher, a Elaine, é praticamente abstêmia. Não me orgulho disso, mas é no mínimo um "detalhe conveniente" e bastante econômico, se é que me entendem...

Ao voltar em oito de maio, contarei “alguma coisa!” Não farei durante a viagem para não ter de levar na bagagem um computador. Com esses dedos grossos de gringo, teclar toda uma crônica no celular, é inviável. Até a volta!

 

Porto Alegre, 09/04/2026.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

 221) Maior Clássico do Futebol do Mundo: “Rua de cima contra Rua de Baixo!”

 

Inigualável o prazer de jogar futebol enquanto criança, adolescente e adultos também, é claro! Muitos mantêm, como é conhecimento geral, ser essa profissão uma das mais rentáveis e sonhadas pelos jovens! Desejo irrefreável e não fica só nos limites do nosso Brasil, evidentemente.

Na infância e puberdade disputei muito no “esporte bretão.” No interior, não dispúnhamos sequer de um campo decente ou uma quadra minimamente adequada. Eram alguns campinhos de futebol de reduzida dimensão, crivados da espinhosa roseta [um horror, pois jogávamos de pés descalços!] e sem seus limites traçados de forma visível, na verdade nem eram traçados. Um terreno plano? Aí é exigir demais. Sem rede, nem goleira definida. O usual era a de colocarmos duas pedras a delimitar o espaço chamado de goleira e iniciava o jogo em forma de festa. Ou melhor, iniciava a discussão, a briga!

Briga? Jamais! Corrigindo, briga era o que não faltava! Os dois melhores de bola escolhiam na base do “par-ou-ímpar”, seus parceiros mais o Juiz. Juiz? Não tinha Juiz, imagina! O acordo era combinado antes da bola rolar: “É na consciência”! Nesse sistema arbitral existia uma enorme vantagem: - A ninguém era dado o direito de chamar o Juiz de ladrão! Sua simples inexistência assim determinava!

Os torneios e campeonatos eram de um vigor elogiável. As definições de limitação geográfica entre as forças esportivas eram assim mesmo, “rua de cima contra a rua de baixo!” O pessoal do centro contra os do outro lado da ponte. Tinha ainda a região atrás da estação férrea. Todo esse envolvimento só prova o quanto o futebol como esporte é elogiável e especialmente imprevisível. Grandes escretes sucumbem diante do inexpressivo e exatamente isso o torna tão atraente, despertando verdadeiras paixões entre torcedores quando muitos levam para além do limite do razoável, do bom senso! Acaba criando amor e ódio na mesma intensidade gerando tristeza da violência sem nexo.

Enquanto joguei, ou tentei jogar, a maior dificuldade sempre foi a de TER uma bola para o jogo. Graças a essa gloriosa posse conquistada - já escrevo como consegui - assumi o direito de criar um time, o Imperial Futebol Clube. Só os amigos participavam e não recrutava atleta bom de bola, caso contrário, eu seria o primeiro excluído e como eu tinha milagrosamente a bola, não podia justamente eu, ficar de fora. De jeito nenhum!

Como aconteceu a destacada situação de ser proprietário de uma bola de couro: - Numa sede abandonada do Guarani Futebol Clube, onde meu pai alugava ao extinto time, achei uma bola de vôlei velha, descosturada e sem câmara. A cor branca de seus gomos ainda restantes, embora descascados, me inspirou a semelhança da cor da bola de futebol de salão da época. E assim será, decidi!

No curtume do meu pai tinha um de seus trabalhadores, o Nino Pistoia, me ensinou a costurar os gomos de uma bola, um a um. Câmara? Resolvi melhor ainda, enchi-a com lã de pelego, também do curtume, deixando-a pesada a ponto de se assemelhar, mesmo grosseiramente à bola de futebol de salão e assim a materialização o mais novo time – nunca disputou campeonato com ninguém – estava lá para treinos intermináveis das tardes dos sábados e domingos. Jogava-se enquanto tinha luz do sol, mesmo com garoa fraca ou chuva forte! As mães não deviam saber onde estávamos...

Ao final da puberdade, os jogos se transferiram às atividades na escola. Aí, a “minha ruindade” não teve mais como ser disfarçada, havia competividade e sobrou inicialmente a de jogar no gol, posição sempre rejeitada, detestada. Essa tortura foi apenas no início, porque logo surgiu outro atleta, tão ruim quanto eu, disposto a competir e o desgraçado era bom e me tomou a posição no gol. Carreira precocemente suspensa!

Aos vinte anos, morando na Capital Porto Alegre, trabalhava em uma financeira quando fui convidado a um treino de futebol de salão, a competir no Campeonato Citadino dos Bancários. Aceitei e numa inspiração, nem imagino de onde veio, como goleiro fechei o gol! O time era da Finasul/Basulvest, eu era o titular no gol e fomos muito bem sucedidos! Evoluímos com vitórias expressivas e nos sagramos Vice-Campeões! (Guardo a rara medalha até hoje!) Só não fomos Campeões, não por minha culpa, mas pelo problema com um atacante adversário: - O cara era de uma crueldade sem medidas. Chutava numa potência inexplicável! Não lembro exatamente quantos, mas foram mais de seis gols sofridos, daqueles de não ver a cor da bola passar. Só ouvia o chiado da bola, parecia um torpedo passando e o som da rede se esticando atrás de mim! Foi gol...

Essa derradeira e exuberante derrota, o olhar dos colegas decepcionados, decretou o final definitivo da minha carreira de “Boleiro”! Depois disso, nem de brincadeira aceito convite, mesmo sendo apenas para “bater uma bolinha”! Tô fora! Prefiro alguns esportes menos competitivos: - Karatê ou Paraquedismo, por exemplo!

 

Porto Alegre, 02/abr/2026.