quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

 207) As Tábuas de Pinus com nome do meu pai!

Durante muitos anos, meu pai, seu Waldemar, (chamávamos de “Papito”), foi Representante da Cia. De Fumos Santa Cruz em Jaguari-RS. Tinha à pronta entrega, cigarros a serem vendidos para cigarrarias, restaurantes, botecos etc... Num mês qualquer de grande volume de vendas, ele foi premiado Vendedor Milionário! Tratava-se – década de sessenta – resultado de vendas em uma cidade com pouco mais de dez mil habitantes. O fato: - Um milhão de cigarros vendidos! Imenso, espantoso consumo de tabaco!

Vício agora considerado terrível e sempre foi... No entanto nessa época até alguns Médicos recomendavam aos seus pacientes mais nervosinhos, fumar eventualmente um cigarrinho para se acalmar! Que ironia! Para nós, era apenas um negócio regular e permitido como o é até hoje. Os “guris”, e eu era um deles, fumávamos para mostrar que já éramos “homenzinhos”! Depois, adultos pelo mesmo motivo de se mostrar homenzinhos, deixávamos o cigarro.

Esse produto todo era transportado de Santa Cruz do Sul a Jaguari, por trem em caixas de madeira, composto em tábuas de pinus pouco mais de um metro por trinta centímetros de largura, onde cabiam cinquenta mil cigarros. Mais adiante transporte em caixas menores e de papelão. Era uma caixa de madeira frágil, de baixa qualidade, adequada a transporte de pouco peso. Sem boa qualidade para outro aproveitamento. Essas tábuas criavam problema de armazenamento, mesmo desmontadas. O custo a devolver por 255 km, inviável. Diante disso, sempre ao serem pedidas, doávamos com total alegria!

Na face dessas caixas o remetente escrevia com pincéis de tinta preta e letras enormes, o nome do destinatário. Em certa ocasião, uma senhora cliente de cigarros, dona de uma casa de meretrício, popularmente chamada de “Casa na Zona”, de baixo poder aquisitivo, solicitou ao meu pai algumas peças e foi prontamente atendida. Pois não é que a “Dona Piqueri” – esse era seu nome de guerra – utilizou na parte frontal de sua honrosa sede, precisamente aquelas com a inscrição clara e bem posicionada com o nome de Waldemar Diefenbach, meu pai!

Meu velho, era muito conhecido na cidade, (Hoje existe na cidade até um “Largo” – pedacinho de rua - bem arborizado com seu nome). Ele foi três vezes Vereador, uma vez Vice-Prefeito e uma Prefeito. Com aquela exposição, ficou muito vexado! A gozação e divertimento de seus amigos e a Família mesmo, foi demais! Muito engraçado, até o dia de um amigo tomar a iniciativa de ir ao famoso local e dar uma demão de tinta sobre aquela inscrição maldosa! Rimos por muitos anos e me diverte até hoje. “Seu Waldemar” nos deixou há mais de trinta anos rumo a Eternidade!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

 208) Tétrico: - O Caixão de Defuntos.

 

Na minha mais tenra infância, oito anos de idade, década de cinquenta, minha Família Marchiori teve uma perda muito forte pelo óbito, da “tia Lina”! Com apenas trinta e sete anos de idade, ao se queixar de sintomas de uma gripe comum, teve através de injetável de penicilina - época de não se ter cuidados de hoje em evitar antibióticos – o pior, foi aplicada pelo próprio irmão! Choque anafilático, morte súbita!

 A correria, desespero de suas irmãs nem se deram conta da necessidade de proteger as crianças do tétrico evento. Acontecimento ocorreu ao entardecer e foi uma noite inteira de velório na própria residência, comum naqueles tempos. Fiquei indignado de como a Vida é! O cheiro de velas, das flores perfumadas e em especial ao visual do ataúde me impressionaram demais. Se fôssemos “mais modernos” diríamos foi provocado um trauma indelevelmente marcado na criança...

 Foram muitos anos de pesadelos com o visual do Caixão! A memória visual daquele artefato de madeira muito bem trabalhada, permaneceu dando um medo danado, não da morte, pois não tinha maturidade suficiente para tal, mas medo dos mortos ou tudo que me lembrasse “deles”!

 A Vida segue seu rumo e sendo o mais novo dos cinco irmãos, a tarefa de todo entardecer de ir até a padaria, era da minha competência sendo do meu pleno agrado! Claro, vir beliscando o bico daquele pão francês de 500 gramas recém feito, era delícia pura! A caminhada do percurso era de exatamente quatro quarteirões em “L”. Acontece, ao cumprir a ritualística dessa caminhada sempre no mesmo padrão para a ida, no entanto o retorno havia outro itinerário a incluir passagem defronte a uma funerária com seus esquifes à mostra.

 Se ao passar olhasse para aquela assustadora vitrine, na noite o sono era arrastado pelo medo da lembrança do temido Caixão de Defuntos! Então passando pela funerária devia manter olhos para a frente. Entretanto no ponto crítico, paralisava e analisava por longos segundos se olharia “a direita” ou não! Demorava a decidir, mas a idiotice ditava firme, irresoluto: Olhe!

Eu olhava! Pronto. Na noite era aquela bronca para dormir no escuro imaginando aquele mórbido visual. Na cama decidia com a mais absoluta firmeza: “Amanhã não vou olhar!” Pronto. Tudo resolvido.

No dia seguinte, como todo o alemão e sua tradicional teimosia, eu parava naquele ponto estratégico, pensava, analisava os “prós & contras” e decidia: Olhar novamente para afugentar o medo, mas na verdade só o aumentava, pois na hora de dormir, voltava aquela imagem fixa na cabeça! Mas que guri teimoso!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

206) Um Conjunto de Elefantes de Cristal vindos de Murano!


Murano, ilha próxima a Veneza, é acessível por uns vinte a trinta minutos de barco. Conhecida como a “Ilha dos Cristais e Vidros de Veneza.” Faz parte do arquipélago da Lagoa Veneza e cerca de 1,2 km de distância do centro da cidade.

Estive pela segunda vez em 1982 nesse maravilhoso e romântico arquipélago, a cidade de Marco Polo. Marcopolo, notável aventureiro maluco por viagens, como eu! Habitante e grande personagem, viveu naquela ilha em época por volta de 1.278!   

 Nessa viagem em questão, foi minha segunda passada por lá, dentre tantas coisas novas vivenciadas, uma interessante foi a de navegar até Murano em visita a uma fábrica – e são muitas – num programa turístico. Essa se destacava por peças diversas em cristal de extrema delicadeza em suave coloração rosa. Um espetáculo de arte, irresistível às compras mesmo para alguém como eu, acho gastar tempo em compras um desperdício! Respeito o contraditório e chegando de volta em casa, curto as compras, sim!!!

 Fui especialmente atraído por um conjunto, uma manada de sete pequenos elefantes lindíssima, de uma singeleza única. Como coleciono peças desse paquiderme, do mais variado tipo de material e origem, fico vulnerável às compras! Minha coleção já soma perto de uma centena de peças. Aqui,  comprei sem perguntar o preço (algo extremamente arriscado na Região) dois conjuntos na intenção de presentear minha madrinha de casamento, também colecionadora desse curioso “animal tão narigudo!” Já na compra enviei cartão postal da ilha contando: “Estou levando elefantes”...

 Paguei em dinheiro. Época onde não tínhamos no Brasil um cartão de crédito internacional. Paguei convicto e fiz severa recomendação na embalagem adequada, pois viajaria ao Brasil, depois de muitos dias transitando pela Europa e por óbvio, fazia questão absoluta de sua integridade física. Também não me importava com o custo dessa tão reforçada embalagem. Minha faceirice com a compra me convertera num notável “otário”!

 Três semanas depois, chegando em casa, com aquele pacotão envolto em muitas folhas de jornal, plástico acolchoado e por maior segurança ainda, enrolado nas tradicionais roupas sujas voltando para casa. Abro o pacote com um sorriso de felicidade de deixar até os “molares” a vista! Pois no pacote, muito bem embalado estava apenas uma peça de um objeto em vidro. Não se distinguia se era mesmo um elefante, talvez um cachorro ou simplesmente um retalho, um bloco inexpressivo de vidro derretido... 

Ódio ardente pulsou no coração desse italiano que escreve! senti-me o maior idiota, enganado por aquele vendedor de “cristais” safado!

Vontade suprema: Não fosse a responsabilidade de poupar e manter aqueles meus dentes molares recém exibidos de alegria, foi do desejo de mastigar aquela imensa peça idiota. Tantas horas de voo carregando no colo com esmero e carinho na bagagem de mão para agora... Aquela merda estranha sem nenhum valor! Joguei fora no próprio aeroporto.

Em outra crônica, já escrevi indignado o comportamento de vendedores vigaristas de rua na Bahia e outra na Jamaica. Mas ser logrado em uma elegante loja, fábrica de cristais, aí já foi demais! Posso recomendar alguma coisa???

 Sei que o turismo de rua é, em especial os movimentado livres pelas ruas e pelo volume de vendas gerados, há um alto percentual de turistas que só se sentem de fato turistas quando envolto em pacotes e mais pacotes de mercadorias compradas em suas viagem ao Exterior, com orgulho de ser material importado pelo próprio viajante!

 Queria muito contar essa história ao meu avô materno, Andrea Marchiori, vindo da Itália criança e afirmar: Em viagem à Itália, não compro mais nada. “PUNTO E BASTA”!

terça-feira, 25 de novembro de 2025

 205) Água Potável!

Preciosidade: - A água é o sangue da Terra. Insubstituível. Humano sem por três dias, morre. Nada é mais suave e, no entanto, nada a ela resiste! ”

Todos nós agraciamos e sabemos claramente a caracterização de um Planeta com hipótese de vida. Vida com a concepção por nós conhecida. Essa está diretamente vinculada à existência desse precioso líquido. Nela, sua composição inclui oxigênio e torna tudo muito claro. Água é sinônimo de vida, é sinônimo de Existência!

Na História recente da Humanidade, pelo menos em seus últimos quatro a cinco Séculos, esteve atrelada a algum produto de grande expressão a ponto de ditar como uma Era Econômica. Aconteceu a Era Dourada com o ouro sendo um símbolo de sucesso, na sequência a do Ouro Negro, crédito ao petróleo canalizando toda a energia econômica do Mundo e a expectativa de estar de certa forma a nos assombrar. Será a Era do “Ouro Transparente”, isto é, a Água, definindo esta sim, como determinante de continuarmos vivos ou não!

Como tudo na vida desde o bem mais precioso, quando em excesso colapsa com o restante. Refiro-me agora à dolorosa situação do meu Estado do Rio Grande do Sul, onde em maio de 2024, tamanho foi excesso a nos castigar severamente com suas chuvas torrenciais absurdamente acima de seu histórico. As cheias com rios transbordando e liquidando animais, aves e lavouras de existência básica do nosso Povo, esse com suas casas arrasadas com perdas totais de seus patrimônios e pior, muito pior, matando Gente, dilacerando Famílias inteiras impiedosamente.

Sofremos um longo e penoso luto, onde tivemos Famílias castigadas com perdas irreparáveis. A miséria se estabeleceu em bairros, cidades inteiras golpeadas num massacre real da revoltada e vingativa Natureza. Muito são os Profetas de plantão afirmando a dívida contraída com o Planeta e da fatalidade de sua resposta cruel e vingativa.

Cantava o querido Cantor Nelson Ned, voz de Tenor – na infância acometido de ananismo – Tudo passa, tudo passará! Sim. Verdadeiramente passou, entretanto aquilo ocorrido como na grande catástrofe vivida oitenta e três anos passados, nas reverenciadas cheias de 1941, se repetia de forma mais volumosa agora em 2024 e apenas quatorze meses passados, novamente com cheias assustadoras a castigar sem piedade os mesmos locais. Sem previsão concreta se chegaríamos ao mesmo nível de transbordamento. O medo se instaura em cada habitante ribeirinho e adjacências!  

Voltamos temerosos à chamada no início dessa crônica, encerrando com o “Nada é mais suave, no entanto, nada a ela resiste!”

terça-feira, 18 de novembro de 2025

 204) Termas de Aguas Calientes - Puehue, Chile!

 Escrevi “Aguas” sem acento no “A” a manter o nome original do local, identificando também seu País, porque com o mesmo nome e grafia, também há uma localidade Inca, no Peru, homônimo, ao lado de Machu Picchu, na Província de Urubamba. Idêntica característica de suas deliciosas águas minerais naturalmente aquecidas fazendo do banho de imersão único, uma maravilha!

 Em viagem ao Circuito Andino de dezembro de 2005, rodando acima de sete mil quilômetros no total, dirigia meu Mercedes Classe A, de suspensão dura gerando uma estafa muscular imensa. Dores diversas considerando uma média de oitocentos quilômetros rodados ao dia, é absolutamente justo a reclamação do corpo. No meu caso, “ele” reclama muito e relaxa só depois de um Dorflex!

 Ao acaso, um prêmio glorioso em mais ou menos na metade da viagem numa parada para descanso ao meio da tarde, sul do Chile, encontramos as Termas de Aguas Calientes, Puyehue. Fica a novecentos e trinta quilômetros ao sul de Santiago – Capital. A cidade é minúscula e a parada foi de um pernoite. Dia seguinte rumo a Villa La Angostura na Argentina, depois Bariloche, etc...

 Um descanso mui merecido: Hotel encontrado – sem reserva - tinha piscina semiolímpica com água quente e não era morna, um mergulho nela foi para repor a alegria e esquecer as dores lombares, nas pernas e naquela parte alta e mais gorda da perna chamada de bunda! Já na área externa do hotel, um riacho pedregoso de águas limpas, cristalinas e deliciosamente quentes. Diversas fontes vulcânicas entre as pedras das suas margens borbulhavam jorrando sua revigorante água em meio a um vapor que identificava sua temperatura! Foram horas de inesquecível e deliciosa imersão!

 Área toda do hotel era praticamente encostada em uma “parede” de rocha imensa típica dos Andes de uns cem metros de altura. Após aquela sequência de banhos quentes, voltamos à romântica cabana a nos preparar para o jantar. Elaine – nas horas vagas é minha esposa – grande parceira para viagens de longo curso, não deixa dar sono nunca!

 Ao sairmos da cabana em direção ao prédio do restaurante, a camareira toda sorridente perguntou se deveria acender a lareira. Trocamos um olhar curioso pela pergunta meio fora do tempo, ou fora de temperatura, pois estávamos num agradável clima de seus vinte e alguns graus, mesmo assim, julgando convenientemente romântico, concordamos!

Duas horas depois, de um jantar com salmão grelhado, coberto de alcaparras e um purê de batatas com farta manteiga, evidentemente harmonizado e com um bom “vinho branco, nacional”, retornamos - ao relento – de volta à cabana! Severo choque térmico. Estava próximo ao zero grau! Confirmado no dia seguinte com gramado ao redor na linda brancura de intensa geada! Fácil entender de quão adequado foi concordar com a lareira a crepitar!

Sul do Chile e Argentina, não é só a Região dos Lagos a encantar! Local para voltar mais vezes, seja no Outono, Primavera ou Verão! Inverno não? É. Talvez não, mas para quem já foi durante o Inverno ao Canadá, talvez curta! Não é absolutamente meu caso. Gosto de frio, mas não precisamos exagerar!


 

 

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

203) O Plano Cruzado!

 

Segunda metade da década de oitenta, nosso Brasil vivia uma inflação notável a ponto de ter alguns meses com percentual acima de oitenta por cento. As maquininhas de recolocação de preços no supermercado, chocalhavam (*) eufóricas aos nossos ouvidos com preço um pouco maior de ontem! Fenômeno aconteceu por alguns meses naquele doloroso período.

(*) Ruído do guizo da cobra cascavel...

Com ou sem crise severa, tive a paciência suficiente de não me abater em depressão. Afinal, não tinha o mínimo poder de mudar absolutamente nada. Sou, sempre fui um cidadão brasileiro comum, sem nenhum envolvimento político governamental. Apreendi ao largo dos anos vividos na atividade profissional de empresas privadas bem como Professor na PUCRS: - “Devemos desenvolver habilidades para transitar no caos, não para solucioná-lo!” Se não temos meios suficientes a debelá-los, seguir em frente aproveitando a Sabedoria da máxima: - “Se o estupro é inevitável, relaxe e aproveite!”

Fã entusiasta de viagens pelo Mundo afora - nesse canal já amplamente publicado - em meio àquela crise da inflação horrorosa, viajei a Orlando a curtir tudo aquilo tão encantador aos turistas de todo o Planeta. Seus exuberantes parques, ainda tão ricos a fazer da Disney apenas mais uma! Misto de diversão, entretenimento e uma boa dose de cultura, fizeram-me nessas viagens, excelentes momentos para esquecer problemas que não me pertenciam e curtir a vida!

Hábito antigo na qual preservo, enquanto no hotel, deixo a TV ligada a ouvir alguém enchendo os ouvidos do idioma local, nesse caso o inglês, oportunidade de desenvolvê-lo. Num daqueles dias, me preparando para o banho, volume bem alto quando num tom anasalado, “alguém falando português, sotaque nordestino. Raro se ouvir plenos Estados Unidos uma frase causando um susto enorme, de suspender a respiração: “Brasileiros e brasileiras, etc, etc... Sim. Era ele! Presidente José Sarney.

O ano era de 1986 e o cara anunciava o “Plano Cruzado”! Cruzado era um plano econômico – não confundir com um golpe letal do box – e esse foi o nome da nova Moeda Brasileira criada naquele momento, seguido de um severo congelamento de preços imposto a toda Nação Brasileira. Preços praticados naquele dia, estiveram proibidos a qualquer reajuste por tempo indeterminado e o próprio Presidente deu autoridade a todo Brasileiro, em nome da República, fiscalizar, interferir e até dar ordem de prisão a quem praticasse majoração de preços!

Foi um espetáculo político e vivemos os melhores momentos imagináveis do nosso Brasil, desde seu Descobrimento por Pedro Alvares Cabral, em 1.500! Economia estável, inflação zero, todo o mundo feliz! E uma felicidade consistente a durar bastante tempo. Não posso precisar, mas foi por uns bons quarenta a cinquenta dias! Uma semana a mais, uma semana a menos!

Como todo milagre com um Santo de poder intermediário, não dura para sempre! O Brasileiro eufórico começou a comprar sem medida. O Empresário do comércio vendia tudo e daí começou a ter dificuldade de reposição de estoque, o fabricante lhe faltando matéria prima e a euforia se derreteu na mesma proporção e velocidade da alegria.

Voltamos ao Brasil de sempre e para mim o mais marcante, foi o susto, estando tão longe de casa a ouvir “aquela voz”, clamando seus Patriotas à novidade com promessa de melhores dias. Quase interrompo minhas férias para voltar e viver esse novo Brasil! Mas não havia garantia em seu discurso de melhora perene. Seria temporária. Talvez de curto prazo! Bem curto! Muito curto! Por consequência, permaneci em território americano por mais uma semana talvez, concluindo minhas gloriosas férias! 

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

 202) Rir é o Melhor Remédio!

 

Voltando às minhas Crônicas[F1] , recorro às lembranças da razão de ter começado há tantos anos, e depois, muito depois, publicando-as somente lá por 2012 dando início a estas, já chegando a duzentas!

No início, registrava momentos dos mais ridículos por mim vividos e não propriamente hilários. Ria sozinho de passagens, algumas constrangedoras, mas como escrevia para um só leitor – eu mesmo – não censurava e rememorando fatos com total fidelidade e pureza de intenção! O título “Crônicas de um RIdículo!” Assim mesmo, com a primeira sílaba insinuando o propósito de rir!

Acreditei ao fazer auto gozação de divertir mais, sem debochar de outros. Convicto de quem assim procede, o tal gozador, não passa de um chato contando e rindo de “gafes alheias”! Quem não as comete? Se quiser ler ou revê-las, é só continuar nesse canal, onde encontrarão primeiro os da numeração de um a noventa e nove. Evitei numerar a centésima, para não parecer a mim mesmo de ter concluído alguma coisa! Deixei aquele número “pendente” para mais adiante – e isso aconteceu mais adiante – voltando a escrever a partir do cento e um, meses depois, repetir o critério para reiniciar agora sob o número duzentos e um, até chegar próximo ao trezentos! Se tiver leitores me prestigiando...

Minha atração por coisas engraçadas, vem de lembrança clara de quando menino, logo ao chegar pelo correio a assinatura do meu Pai na “Seleções Reader’s Digest”. Lia logo para coluna “Rir é o Melhor Remédio”! Tratava-se de um conjunto de piadas pueris, rápidos contos inocentes, puros, mas engraçados e daí minha atração a sua leitura.

Nunca fui um bom contador de anedotas. Assim era meu irmão Sérgio. Eu, sempre atento e pronto a ouvi-las do velho mano, para depois tentar contar adiante na busca de um riso, quando na melhor das hipóteses uma gargalhada!

Meu primeiro e fiel público, era uma pobre pedinte surda muda da minha cidade. Era conhecida apenas como a "Mudinha"! Morena escura de pequeno porte e com dificuldade de locomoção. Frequência diária ao balcão da loja do meu pai, onde eu passava o dia como atendente na venda de cigarros em atacado, para cigarrarias, restaurantes e botecos em geral! Meu velho representava a Cia. de Fumos Santa Cruz. Cigarros era o nosso negócio e essa pedinte adorava ganhar seu cigarrinho diário, sempre disponível a ela. Antes de qualquer coisa saibam, ela não entendia nada da minha fala e essa falta de entendimento era recíproco, daí se tornar mais interessante ainda nosso "diálogo"!

Logo da sua aproximação ao balcão onde ela tranquilamente se escorava, me olhava nos olhos com uma cara especial de quem aguardava bons momentos, além de seu cigarro é claro. Eu iniciava uma encenação de um "drama horrível", artisticamente encenado com caras e caretas até simular um choro copioso, incontrolável! Ela adorava, ria da minha palhaçada a se contorcer chegando às lágrimas... Todo meu “ato teatral”, não passava de cinco uns a seis minutos e encerrava meu show! Ela enxugava suas lágrimas e então ganhava o seu cigarrinho. Feliz, ainda sorridente se despedia ainda dando rizada! Dia seguinte, voltava para um novo mas exatamente o mesmo espetáculo!

Como esse “trabalho” me dava satisfação! Também só tinha coragem de executa-lo se não tivesse absolutamente ninguém por perto a ouvir ou ver... Ninguém podia assistir aquilo de um palhaço tão medíocre? Claro que não. Havia risco de me internarem a tratamento psiquiátrico!

O Mundo é cheio de tribulações. Doar um pequeno espaço de tempo para a descontração e riso, tem um valor inestimável! Eu ainda me dava o direito de ficar rindo sozinho por um bom tempo! Convicção absoluta em “rir é o melhor remédio”! Isso, herdei do tio Fidelis Marchiori. Não contava piada. Simplesmente fazia a gente rir!


 [F1]

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Meus estimados leitores de minhas crônicas. Parado de publicá-las desde final de abril desse ano, volto a fazê-lo sem nenhuma preocupação em causar qualquer impacto literário ou provocação da boa leitura. O objetivo proposto desde o início, há duzentas Crônicas passadas é o de trazer a público alguns fatos verdadeiros, perdão pela redundância (por isso Crônicas e não "Contos"!), onde comecei historiando momentos de passagem ridícula vivida. 

Exatamente isso. Acho bem mais divertido contar gafes e mancadas cometidas por mim mesmo, a fazer piada de outros. Assim foi a primeira centena.

Num segundo momento escrevi crônicas variadas trazendo aventuras, viagens e experiências julgadas úteis a dividir. Hoje retomo nessa mesma linha, mantendo a fidelidade dos fatos, preservando alguns nomes de pessoas que me acompanharam nos tais fatos.

O retorno de agora, começa por uma experiências fantástica no trânsito da minha Capital, Porto Alegre. Boa leitura:




201) Maria Eduarda, Moça de Muita Coragem!


O fato aconteceu em 07 de outubro de 2025: - Pois foi Gabriel, noivo de Maria Eduarda, ao receber telefonema dela de uma muito curiosa despedida e pedido de desculpas pois não poderia comparecer ao casamento [deles] em razão de um “acidente fatal em andamento”!

Fausto enlouqueceu? Não. Como escrevi no início, isso foi um FATO! Quem eventualmente não acompanhou as notícias de Porto Alegre nesse dia, pode achar criação de um conto com requinte de crueldade, ao “coitadinho” do noivo.

Vamos a realidade dos fatos: - Maria Eduarda na manhã desse dia voltava de uma prova na faculdade, quando seu carro contornava elevadas de acesso à cidade, dividindo a pista com um caminhão carregado de serragem. (Pó de madeira produzido enquanto é serrada). Pois esse caminhão tombou sobre seu veículo esmagando-o além de soterrá-lo totalmente. Em meio as ferragens contorcidas de seu carro, sem liberdade de qualquer movimento. Ar escasso e hipótese de socorro muito distante! Estava condenada à morte!

O que fazer? Esperar a morte! Foi essa sua interpretação. Tomou o telefone celular e ligou ao noivo Gabriel (me dou o direito de imaginá-lo o próprio Anjo Gabriel!) e humildemente, num ato de extrema coragem e serenidade avisou-o do ocorrido manifestando sua previsão de morte e escusas – agora é interpretação minha – pois o deixaria viúvo precocemente!

Desesperado, mas cheio de atitude acionou pedido de socorro. Correria dos bombeiros com duas viaturas e oito socorristas, mais a segurança da “Rodovia do Parque” com mesmo número de profissionais habilitados, tornaram todo esse trágico acidente em “apenas” mais um dado estatístico, como as autoridades costumam nominar...

A vítima consciente, socorrida a tempo hábil de hospitalização salvadora, se recupera bem para alegria de todos e manutenção firme e convicta da data de casamento prevista para o primeiro dia do mês vindouro!

Curioso como a Vida nos prega “peças” com surpresas espetaculares. Assim como vivemos nossos sonhos de alegrias e realizações eminentes, o rumo da existência dita outra direção e tudo aquilo como perspectiva de vida se torna um amargo despedir de tudo e de todos.

Nesse caso a Vida teve manobra brusca – literalmente – aquilo chamado de Graça Divina aconteceu e do susto e correria frenética, desesperada, ficou somente no susto! Para alegria de muitos, em especial ao “noivo” Gabriel! Que o Eterno continue dando sua Bênção a esse casal!


quinta-feira, 24 de abril de 2025

 199)  Pucon – Um Alemão pagou meu “Rafting”!

A cordialidade ultrapassa fronteiras! Retorno a comentar da minha última viagem ao Circuito Andino, onde uma das paradas para recuperação de tantas horas ao volante, fez valer toda a viagem! Trata-se de Pucón, uma pequena cidade ao sul do Chile – La Araucania - distante oitocentos quilômetros da Capital, localidade entre vulcão e lagos, amada por aventureiros do mundo inteiro.

Lá se encontra a oportunidade de explorar cenários naturais deslumbrantes e uma imersão na cultura andina autêntica. Natureza exuberante com o Parque Nacional Huerquehue com termas, cascatas, vulcão ativo, trilhas, rafting e outros tantos tesouros. Tudo isso e mais, se encontra nessa Porta de Entrada da Patagônica Chilena.

Reservamos um dia para fazer esse rafting, termo inglês para “descer um rio em balsa”, cuja primeira tarefa foi convencer Elaine de ser um esporte dinâmico, absolutamente seguro e até um pouco calmo! Canoagem tranquila, garanti a ela!. Ingenuamente acreditou! Gosto muito, já revelei diversas vezes, de esportes radicais, produtores de “derramamento de adrenalina” em abundância. Esse, foi exatamente assim, mas se eu não mentisse, perderia a companhia e fazê-lo sozinho, não teria com quem comentar depois as crises de medo com alguém. É onde está a graça de tudo, eu acho...

No entanto, essa mentirinha bem-intencionada me causou prejuízo mais adiante, em meio à aventura: - Uma das cascatas a descer era de um nível destinado à categoria mais alta da aventura. Tipo exclusiva para competidores profissionais. Nessa, o timoneiro fez todos desembarcarem e trilharem à margem do rio por uns cinquenta metros, descendo na rocha íngreme de uns seis metros de altura. A sugestão entusiasmada, foi a de saltarmos daquele ponto nas águas profundas e retomar o embarque na balsa. Todos saltaram de pé. Fiquei por último, só para ser “exibido”, pois fiz de ponta cabeça aguardando aplausos! Que evidentemente não aconteceram... Pois nesse momento Elaine deu o vexame de se negar a saltar! Optou por descer pela rocha cravando as unhas nas pedras molhadas e escorregadias, numa atitude muito mais perigosa, provocando uma expectativa de acidente a todos! Felizmente tudo transcorreu bem sem maiores dores, trazendo a “heroína” pálida, branca como uma vela de vota a bordo! Na foto, enquanto deslizava na água agitada, ela está rindo bem a frente da balsa!



Um dia antes da aventura, fomos até o escritório de turismo, fazer a contratação do programa. Ao pagar, o sinal internet da máquina de cartão de crédito não funcionou e eu não tinha dinheiro em espécie. Impasse criado, pois o pagamento antecipado era obrigatório, sem outra chance. Daí que um “Alemão” com sua reserva já confirmada, prontamente tirou do bolso algumas notas de dólar e pagou, para um “acerto” no dia seguinte! Claro, alegremente aceitei!

Agradecido, apenas troquei um olhar com a esposa, com vontade de dizer: “Nossa!” Cortesia gratuita, sem sinal de segurança a gente não está muito acostumada! Maravilhoso conhecer outras Culturas, outros Povos que sempre nos trazem algum aprendizado, algum enriquecimento cultural!

quarta-feira, 9 de abril de 2025

198) Para-quedismo: Queda Livre com Chuva?!

Inúmeras vezes amigos, conhecidos, leitores me perguntaram o quão complicado é saltar de para-quedas com chuva! Todos sabem da minha paixão nutrida por esse esporte radical (Escrevi livro, ainda “não publicado”, do acidente em 1999) e foram uns seis anos de intensa prática – acima de trezentos saltos – alguns inclusive, fora do País.

Como todo esporte radical, esse tem a capacidade de nos deixar inebriado pela forte injeção de adrenalina no sistema, que ocorre durante o salto. É tão forte a provocar dependência química. O estado de euforia durante o voo, proporciona um prazer tão intenso, a ponto de provocar ansiedade num final de semana de “abstinência” ao PQD! Hilário, mas muito real!

Já ao amanhecer de um sábado qualquer, ou domingo ensolarado, vê-se o céu azul (blue sky) com poucas nuvens a nos chamar! Daí é irresistível! Juntar o equipamento, pega o carro e se manda cheio de alegria rumo a “Área de Saltos”! No meu caso, cidade de Sapiranga – RS, pouco mais de cinquenta quilômetros de Porto Alegre. Próximo ao aeródromo, ao ouvir o vigoroso ronco do motor de um Cessna subindo, o batimento cardíaco já altera seu ritmo para o acelerado, cuja superação só ocorrerá quando estivermos voando “lá em cima”, aos dez mil pés de altura. Abre a porta da aeronave e o ar gelado invade a cabine ,(dois graus de diferença a cada mil pés de altura!) um forte estresse ao olhar para baixo e “desembarcar”!

 


O choque físico na saída aeronave com o ar, é uma "paulada"! Depois, durante a queda-livre o corpo cai em velocidade superior aos duzentos e cinquenta quilômetros por hora. Toda aquela aceleração do batimento cardíaco na hora de sair da aeronave, diminui consideravelmente. O medo – muito conveniente – da saída é imediatamente substituído por uma sensação prazer indescritível. Desaparece milagrosamente o temido sentimento de “estar caindo”! A sensação nítida é de estar como uma águia voando numa velocidade absurda com inexplicável sensação de segurança. Por segundos, suponho que a alma assume um “endeusamento” único, cheia de coragem, até soberba! Perdoem-me, meus colegas de esporte, mas o para-quedista se torna arrogante através de seu soberano domínio às altíssimas velocidades - sem motor - propiciadas por esse esporte muito louco!

E a chuva? Bom, se a meteorologia não for favorável, avião nem decola. Visualizando a ameaçadora nuvem, apelidada de “cebezão”, flutuando absoluto nos céus, fica quieto no solo, e pronto! Trata-se das escuras e temidas “Cumulus Plumbum”. Respeitadas até por grandes aeronaves. Algumas dessas nuvens possuem energia no seu interior produzindo perigosa eletricidade. Quanto mais distância, melhor!

Algumas vezes acontecem formações inesperada de algumas nuvens, quando já se está no ar em busca da altura ideal para o lançamento. São nuvens a se dissiparem facilmente e passar no seu interior, é como correr na estrada sob forte cerração, nada além isso e garanto, é um “barato extra”!  Nessa situação, se algum colega está próximo, cria-se uma ilusão de ótica, com aquele colega envolto em uma áurea de luz, semelhante ao arco-íris! Simplesmente encantador!  

Pode-se casualmente, ter contato com pequenas rajadas de chuva, e o sentimento – melhor se saltando sem capacete, só de óculos apropriado – é de as gotas baterem no rosto com força extrema, pequenas agulhas, talvez grãos de areia, nada tão agressivo a causar dano físico, apenas curioso, surpreendente aos neófitos!

Então é clara a viabilidade de pegarmos chuva sem problemas de navegação. O prejuízo maior fica por conta de molhar ou de sujar o velame para uma trabalhosa missão de limpar e secar todo o tecido. Afora isso, vamos saltar, porque o prazer de voar – tão desejado por Ícaro, como nos conta a Mitologia Grega – afirmo convicto: 

- “Quem nunca saltou, não imagina o tamanho do prazer e quem já saltou, jamais encontrará palavras suficientes para descreve-lo!”

 

 

quarta-feira, 2 de abril de 2025

 197) Um Milagre: Ele me Chamou de Sábio!

Verdade, há uns dois anos ou mais, o sobrinho da Elaine, Henri, no alto de sua sabedoria de seus dez anos de idade, disse com todas as letras: “Tio Fausto é um Sábio”! Evidente, cabe relatar a circunstância, no final, até mereci!

Desde criança sempre fui orientado a certas cautelas quanto as ameaças e ações de sobrevivência. Cuidados com alimentos selvagens, dentre tantas coisas interessantes – meu Pai, seu Waldemar, foi afinal um “Chefe de Escoteiros” – ele ensinou como fazer fogo no meio da mata em dia de chuva, evitar cobras, olhar para o chão a evitar espinhos, nadar no rio, fazer um carreteiro dentre tantas coisas verdadeiramente úteis. Ele sim, verdadeiramente Sábio!

Também apreendi, quando se come melancia não se come uva... Depois da refeição, esperar pelo menos uma hora para tomar banho e assim por diante... Quanto “mito”! Pois foi diante desse mito do banho após o “buxo cheio”, onde obtive o maior elogio em vida, ao lembrar como aprendi em uma preciosa ocasião, na adolescência, após me deliciar um lauto jantar, oferecido pelo Dr. Edu, Paraninfo da Formatura em Contabilidade: - Empanturrado, comentei com ele: - “Agora terei de esperar mais de hora para tomar banho”! Ele, experiente responde: - Nada disso, bobagem, pode tomar seu banho sossegado!

 


Diante dessa “novidade”, vindo de um respeitável adulto e médico, acabou o temor, mas com ressalva, banho de chuveiro risco zero, imersão, não seja prolongado!

“O Sábio”: - Reunido com a Família da Elaine em uma área de lazer com piscina e farto almoço, o sobrinho Henry, um elogiável glutão, após a sobremesa se dirigia à piscina quando sua mãe interrompeu:

“Não senhor! Aguarda uma hora. Vou marcar no relógio...” 

Desespero do rebento, foi quando interferi dizendo convicto, não há problema algum! Isso é um mito! Podes deixar...

O sorriso do menino, cheio de alegria foi espetacular, para imediatamente afirmar cheio de felicidade – de sua conveniência, é claro – tio Fausto é um Sábio! Eu no caso, modéstia à parte! Evidentemente com o respaldo de sua mãe, ele se foi às águas, advertido da precaução de fazê-lo com alguns intervalos...

O sorriso de uma criança, é algo impagável, marcante como foi dessa feita, lembrada mesmo tendo ocorrido há tanto tempo! Quem já teve a oportunidade de acalentar o choro de um neném, subitamente revertido em sorriso – sorriso muitas vezes ainda de pura gengiva, sem dentes – sabe para onde nosso ego é conduzido! Vai às nuvens da felicidade!

Faça uma criança sorrir e seu dia se tornará muito bem compensado!

quarta-feira, 26 de março de 2025

196) Muitas Viagens!

Tenho escrito nesse blog, em sua segunda fase, abandonando um pouco o humor e auto gozação da primeira, focando múltiplos assuntos interpretados como interessantes, em especial a dividir as curiosidades em “muitas viagens”... Esse é um dos meus gloriosos prazeres, como já afirmei, não importa se for de ônibus, trem, avião, navio ou de carro. Já fiz até a cavalo, trecho noturno, mas curto de uns cinquenta quilômetros, enquanto Militar da Cavalaria em Serviço Obrigatório no Exército!

O restante sim, bem mais longo. Teve o primeiro, por mais simples eventualmente possa parecer, foi marcante, até por ser o primeiro internacional: Uruguai! Simples sim. Acompanhando minha irmã e cunhado, numa DKW Vemaguet, em viagem de 243 ks. de Santa Maria a Santana do Livramento, cidade gaúcha, curiosamente separada da uruguaia Rivera por uma simples praça, com um Monumento como um marco de pedra estabelecendo ser ali, a amigável e fraterna fronteira entre os dois Países.


Fiquei emocionado ao calor de meus dezoito anos. Estar literalmente com um pé no Brasil e outro no Uruguai, é pose obrigatória para fotos! O choque presencial é único. De um lado da rua todos falando português fluente e do outro, o espanhol com o significativo “sotaque uruguaio”, por óbvio! Os restaurantes, do “lado de lá” com expressivas diferenças onde se degustam as invejáveis “Parrilladas” – “imitamos” com o nome de churrasco - com as melhores carnes do mundo, “eu acho”!

Fomos também às compras! Roupas de lã pura mereciam destaque especial. Nessa época eu ainda era um fumante, então a oportunidade de comprar cigarros americanos (proibidos no Brasil) eram gloriosas! Mas ligado ainda a esse vício, me encantava o fósforo uruguaio, “La Luna”, de caixinhas azuis, pavios encerados substituíam os palitos. Só não acendiam na própria caixa, mas em qualquer outro lugar áspero, na parede, no chão, sola do sapato, enfim... O legal era imitar os faroestes americanos a riscar aquele palito em qualquer superfície e acender o cigarro! Era o puro charme de John Wayne!

Desde essa época, percebi o quanto é importante entender, falar outras línguas. Como autodidata procurei observar a entonação e a riqueza de vocabulário uruguaio! Espanhol foi meu primeiro desafio linguístico, desenvolvido muito mais com base a curiosidade do que propriamente ao estudo clássico. Isso só se deu com o idioma inglês, muitos anos mais tarde em escola especializada.

Repito convicto da importância de viajar e viajar muito, a conhecer não só outros idiomas, novas Culturas, Povos! Ouvir atentamente e tentar falar faz parte da aventura e coroa de sucesso quando “alguém” consegue te entender ou pelo menos te perdoar pelos equívocos da linguística!

Claro, podemos conceder exceções para nós mesmos, a exemplo de estar por período muito curto em Seul e Tókio... Lembro nessa ocasião, quando Professor Suzuki me acompanhou por um dia na capital japonesa, comentar de seu pai nascido e nunca abandonou aquela cidade, afirmando: -“Um dia saberei todas as palavras de minha língua mãe!” Se nem “eles” conseguem... A maior curiosidade no idioma japonês, corre por conta da Família Real, pois tem seu próprio vocabulário, onde só a Família Monarca, se entende!

Fiquei emocionado ao calor de meus dezoito anos. Estar literalmente com um pé no Brasil e outro no Uruguai, é pose obrigatória para fotos! O choque presencial é único. De um lado da rua todos falando português fluente e do outro, o espanhol com o significativo “sotaque uruguaio”, por óbvio! Os restaurantes, do “lado de lá” com expressivas diferenças onde se degustam as invejáveis “Parrilladas” – “imitamos” com o nome de churrasco - com as melhores carnes do mundo, “eu acho”!

Fomos também às compras! Roupas de lã pura mereciam destaque especial. Nessa época eu ainda era um fumante, então a oportunidade de comprar cigarros americanos (proibidos no Brasil) eram gloriosas! Mas ligado ainda a esse vício, me encantava o fósforo uruguaio, “La Luna”, de caixinhas azuis, pavios encerados substituíam os palitos. Só não acendiam na própria caixa, mas em qualquer outro lugar áspero, na parede, no chão, sola do sapato, enfim... O legal era imitar os faroestes americanos a riscar aquele palito em qualquer superfície e acender o cigarro! Era o puro charme de John Wayne!

Desde essa época, percebi o quanto é importante entender, falar outras línguas. Como autodidata procurei observar a entonação e a riqueza de vocabulário uruguaio! Espanhol foi meu primeiro desafio linguístico, desenvolvido muito mais com base a curiosidade do que propriamente ao estudo clássico. Isso só se deu com o idioma inglês, muitos anos mais tarde em escola especializada.

Repito convicto da importância de viajar e viajar muito, a conhecer não só outros idiomas, novas Culturas, Povos! Ouvir atentamente e tentar falar faz parte da aventura e coroa de sucesso quando “alguém” consegue te entender ou pelo menos te perdoar pelos equívocos da linguística!

Claro, podemos conceder exceções para nós mesmos, a exemplo de estar por período muito curto em Seul e Tókio... Lembro nessa ocasião, quando Professor Suzuki me acompanhou por um dia na capital japonesa, comentar de seu pai nascido e nunca abandonou aquela cidade, afirmando: -“Um dia saberei todas as palavras de minha língua mãe!” Se nem “eles” conseguem... A maior curiosidade no idioma japonês, corre por conta da Família Real, pois tem seu próprio vocabulário, onde só a Família Monarca, se entende!

quarta-feira, 19 de março de 2025

 195) O Muro de Jerusalém.

Muro de Jerusalém, Bíblico, Icônico, Símbolo Sagrado da Religião Judaico Cristã, também chamado Muro de Al-Buraq, foi destruído pelo menos três vezes quase por completo. Rei Davi o idealizou, mas foi seu filho Salomão a quem se atribui sua construção.

Quinhentos e oitenta e sete anos a.C., Nabucodonosor II, o maior Rei do Império Neobabilônico foi quem destruiu a maior parte da Muralha mais o Templo de Salomão, incendiado. Os Muros de Jerusalém reconstruídos, foram destruídos novamente durante a primeira guerra judaico-romana no ano de sessenta e seis d.C. e ainda foram destruídos mais vezes durante sucessivas invasões.

Por que trago isso à tona? Faço tendo em mente a visita feita a Israel em setembro de 2022 e evidentemente vivenciando a representatividade do lado Místico de uma pequena parte dessa Muralha, a que jamais fora destruída. É naquele Ponto Sagrado onde o Eterno reservou como o local onde a morte não chega! Preservada hoje como “O Muro das Lamentações”, irradia uma energia impressionante a comover a todos Fiéis lá presentes!

Estive lá numa tarde de sol, respeitando a devida separação de “cavalheiros para cá e damas para lá”, a tocar no Muro e como milhares de peregrinos, fazer pedidos ao Senhor! Foram pequenas folhas de papel a se colocar entre as fendas entre uma pedra e outra. A Fé Verdadeira impera entre todos alinhados naquela Região. São setenta metros de extensão por quarenta de altura de pura Adoração e Oração. O comprimento total é de quatrocentos e oitenta e oito metros, entretanto, somente esses setenta são visíveis.

Visitar esse Símbolo Religioso para os Judeus, faz valer toda uma viagem.   

  

Confesso muita tensão ao adentrar no País – fui advertido de severa inspeção de entrada – contrariado, fiz até a quarta vacina do Covid19, para “não me complicar” naquele momento... Muita tensão quando do controle de fronteira – entretanto num bom inglês - uma moça verificou a documentação, pergunta a razão da viagem, devolve o passaporte e dá boas vindas! Simples assim. Sem carimbo no passaporte, apenas um pequeno “tiket” é apenso em uma das folhas para garantir segurança aos viajantes supostamente interessados a outras visitas na Região, afinal de contas, essa é uma das Nações mais ameaçadas do Planeta.

Quando a Paz voltar à Região, faço dessa viagem convicto, amplamente recomendada. Embora o eventual atendimento de informação na rua, não espere cordialidade. Quando respondem, é de “cara feia” e alto risco de informação errada... Como tudo na Vida é composto de altos e baixos, a cordialidade fica longe do desejável, um ponto negativo, mas de pequena importância! Já na alimentação, prepare-se para pratos nunca imaginados, onde carne de gado é raro! Contente-se com frango e peixe condimentados sabor muito distante dos nossos mais tradicionais! 

quarta-feira, 12 de março de 2025

 194) Gaúchos, Muito Próximos das Fronteiras!

Em cinco de fevereiro passado, escrevi uma Crônica exaltando a cordialidade dos argentinos, em especial a um prestativo cavalheiro a me conduzir no confuso trânsito de Buenos Aires, (afinal, a Capital tem três milhões e duzentos mil habitantes), até meu destino daquele dia! Entusiasmado com minhas próprias palavras, fiz naquela crônica, uma “ode” a todos argentinos, indistintamente!

Nossa proximidade que Porto Alegre tem com as fronteiras do Uruguai e Argentina (quatrocentos quilômetros com o primeiro e seiscentos e trinta com o segundo) proporciona uma vantagem geográfica significativa concorrendo, em termos de turismo e sua distância, até com a Capital Brasileira mais próxima, Florianópolis (quatrocentos e sessenta quilômetros) e mais ainda do resto do Brasil.  Por consequência nos é comum viajar ao “exterior” e até ter certa intimidade com o Idioma local, o  Espanhol!

Há uns oito anos, passar um final de semana prolongado em Buenos Aires, era fácil, custo baixo e de grande prazer. Meu sobrinho Sérgio me deu uma “dica”, enquanto morou próximo a São Borja, e adaptei a Uruguaiana: Viajar de carro até a Fronteira e de lá tomar um excelente e barato ônibus de linha argentina, poltrona leito e com um bom jantar (Padrão Varig, para quem lembra!). Amanhece no centro de Buenos Aires. Fiz isso por quatro vezes! 

Comer bem com  suas carnes maravilhosas, pois a Capital Portenha oferece restaurantes com as melhores carnes do mundo. E dizer algo de seus vinhos?! Seria redação de um guloso se ficasse só nisso. A Cidade tem História e é contada em suas exuberantes casas de espetáculo com shows de seu celebrado ritmo, o tango, dançado artisticamente de forma encantadora. Cidade rica em museus, boutiques, zoológico, jardim botânico, estádios de futebol e até Cemitério! Sij, o visitadíssimo com destaque ao Mausoléu onde se encontram os Restos Mortais de Eva Peron, endeusada por quase todo argentino. Atualmente cobram ingresso para visitar o Recoleta!

Agora, respondo a muitos comentários no meu blog, quando elogiei um Cidadão Portenho: - Verdade. Nem todos tão cordiais e honestos, característica de qualquer Povo ao redor do Planeta. Mas também “um outro deles” merece destaque agora: Um taxista. Como escrevi acima, chegando na estação rodoviária, peguei um táxi. Esse fez um imenso trajeto inclusive me onerando com um pedágio até chegar ao hotel. Percebendo, por ter noção do mapa da região, ainda um pouco “zonzo” por uma noite a bordo,  paguei, foi uma boa quantia e só fui comentar o fato na recepção do hotel, onde ouvi apenas um triste lamento:

- Ah! Esses motoristas de táxi de Buenos Aires!

Entendi tudo! A malandragem não fica restrito ao nosso Povo. Parece fazer parte da postura latino americana, a se lamentar!

Viajar a lugares desconhecidos, nos ensina muito e desenvolve nossa “tolerância”, pois a cada lugar se apresenta um novo desafio, uma surpresa. Daí a razão de qualificar os amantes das viagens, como verdadeiros aventureiros e é aí onde está o grande prazer! Aproveitem e depois riam das erradas e gafes cometidas!

quinta-feira, 6 de março de 2025

193) Uma Viagem de Trem de Paris a Veneza!

Outubro de 1982 estava saindo de Paris, destino à encantadora Veneza. A aventura – numa época em que não existiam os trens de alta velocidade – esse era um trecho a ser coberto em doze horas de viagem. Fiquei encantado já no primeiro momento da emissão do bilhete ao perguntar da disponibilidade para aquele destino:

- Temos trens diários até para Istambul! Ou, toda Europa!

Contratei cabine leito de um trem das vinte e três horas. Excelente noite de bom sono! Ao amanhecer, o chefe de cabine abre a porta e desmonta o beliche transformando tudo numa cabine de duas poltronas para quatro passageiros cada lado. Logo lotado. Acabou todo o romantismo! E eu pensava ter a cabine exclusiva durante todo o período. Doce ilusão!

Mesmo com poltronas confortáveis, paisagens deslumbrantes, uma viagem longa naturalmente cansa.  A grande vantagem em viagem por esse meio, é a facilidade de se dar uma “esticadinha” nos corredores ou até ao vagão restaurante, onde lá tudo se encontra com a requintada cozinha à francesa!

São muitas paradas nas mais diversas estações ao longo do percurso. Numa delas, desci para caminhar um pouco na gare. Era um local simples pequeno, sem grandes atrativos voltei para o trem escolhendo aleatoriamente qualquer vagão. Foi quando senti um daqueles sacudidas dos trens ao iniciar movimento. O susto, fico por conta da desconexão do comboio exatamente onde eu estava. O trem abandonava o resto dos vagões e eu nem imaginava em qual vagão estava naquele trágico momento, muito menos, de onde "estaria" minha esposa... Pânico de secar a garganta!

Ela, ficara em nossa poltrona original enquanto eu dei aquela “fugidinha” do interior do trem. Detalhe fatal: - Ela não dominava idioma algum, não fosse o “nosso idioma”! Para ela, eu poderia ter simplesmente desaparecido sem a quem ou como questionar...

Minha falta de conhecimento, não contemplava o fato: Não há um trem fazendo esse percurso todo e sim um único vagão. Ao longo da viagem, esse se incorpora a outros vagões com destino comum, no fim todos se juntam e chegam em Veneza! Que ignorância!

Voltando aos meus curtos minutos de desespero por estar em vagão incerto e não sabido, a liquidar uma Lua-de-mel certamente desastrosa por um perigoso desencontro. Trôpego e com batimento cardíaco no limite, corri pelo corredor daquele estranho vagão e lá estava Martha! Olhou-me com total indiferença e eu explodindo de alegria por estar ao ACASO no mesmo vagão no momento daquele desligamento! Ufa!

Recomendo firmemente cautela a eventuais deslocamentos irresponsáveis, seja dentro do comboio ou pior, fora dele! E boa viagem, porque transitar em trem pelo continente Europeu, é um espetáculo à parte. Não faça isso de avião, pois o mais bonito passa desapercebido!