quarta-feira, 24 de junho de 2026

 228) Fogão à Lenha! Ah, que Maravilha!

Peço desculpas aos meus estimados Leitores, por desviar o rumo das últimas cinco Crônicas da Travessia do Atlântico, quando estava próximo a contar o destino terrestre até Paris, encerrando em Lisboa. Garanto, na próxima semana volto aquele tema e finalizo o período de férias em definitivo.

Essa semana, em dia vinte e um de junho, iniciou - no calendário - o nosso Inverno. Entretanto o frio está presente há dias com um rigor há muitos anos abandonado. Frio é muito bom e nos mantem, no Rio Grande do Sul, com o tradicional respeito às temperaturas e meteorologia caracterizando as Quatro Estações do Ano.

Gosto do muito Inverno – exceção ao horário do banho – cuja temperatura baixa nem precisava ser tão convincente como afirmei acima, em especialmente rejeitado quando vem com chuva, garoa, enfim, tudo aquilo a nos criar dificuldade em secar roupas e toalhas! Frio com sol claro nos inspira ao banho de sol nos jardins e praças e se for acompanhado de algumas bergamotas – em outras praças conhecidas como tangerina – fica bom demais! Para nós os Gaúchos, um chimarrão também é presente nesses momentos, como a melhor forma de hidratação, pois beber água a gente simplesmente esquece...

Na mesa ou no balcão: - Pinhão, sopa de capeletti, quentão, pipoca, amendoim, pé-de-moleque, batata doce assada, mocotó e nem precisa ser Festa Junina! Enquanto estiver frio assim, essa celebração é sempre muito bem-vinda! Vinho tinto? Claro que não esqueci, jamais deixaria de lado. De qualquer qualidade! Não. Não é bem assim. Esse de baixa qualidade a gente reserva para o quentão, afinal, com todas aquelas misturas de cravo, canela, gengibre, cachaça etc., sua origem barata nem é percebida! O importante é ter garantida a dor de cabeça no dia seguinte!!!

Vamos ao melhor no frio rigoroso: - Em casa, queimando lenha! Hoje em dia em residências de construção bem planejada, é previsto a construção de lareira. Maravilha! Se não houve, ainda há o recurso de instalar lareira de metal. “Quebra um galho” na medida! Lareira é um instrumento a se tornar o autêntico altar de reverência ao Inverno e a todos aqueles quitutes e bebidas já referidas! Não se tratar apenas de aquecimento ao frio reinante, mas de um toque romântico a provocar aproximação e carinho com quem a gente gosta de estar junto de verdade!

Mas tudo isso, não se compara a um passado nem tão recente, quando nossas cozinhas tinham sua majestade, o Fogão a Lenha! Ah, sinto saudades daqueles momentos tão aconchegantes, onde a Família se aglomerava ao seu redor a ouvir e contar histórias e estórias! Sem crítica furiosa ao telefone celular, mas época de aproximação verdadeira, sagrada onde a “conversa ao vivo” acontecia no melhor de todos os climas!

Havia conversa até sem o som de vozes! A menos tendo alguém cantarolando alguma canção! O silêncio abria espaço para meditação e a sensação de presença habitava, enchia nossos corações! O crepitar das lascas de lenha ao fogo, traziam junto aquele seu cheiro gostoso de madeira queimando! Houve uma época, até se podia queimar lenha de Angico com sua fragrância peculiar! A portinhola do fogão ficava sempre aberta, para podermos apreciar o milagroso espetáculo da dança das chamas amarelas com vermelho!

Saudemos essa fria Estação bem abrigados, afinal de contas a ameaça de constipação e doenças respiratórias está presente, não vamos “dar sorte ao azar”. Beba mais água e reforço em vitamina “C” e boa alimentação calórica ajudam na proteção! Paro aqui, antes de algum Médico me mandar eu calar! Tenham todos um “bom aquecimento!”

 

Fausto Diefenbach.                Porto Alegre, 25 de junho de 2026.  

 

quarta-feira, 17 de junho de 2026

 227) Em Marseille Termina o Cruzeiro!

Marseille, esse é o destino final do Cruzeiro – não da viagem – na chegada, uma exaustiva experiência: - A agência de turismo informou: 

- “Hotel reservado está a menos de quatro quarteirões do porto!” Assim sendo, dispensável uso de táxi. Com malas de rodinhas fica fácil, caminharemos ao destino. Na prática, foi caminhar toda extensão do cais do porto e já foi demais, bem superior a um quilômetro! Desconfiado de algum erro e já com suor brotando no rosto, mais por nervosismo ao calor. Ansiedade pura. Pior, ninguém disposto a dar uma informação pelo menos da direção do hotel. Nem na cabine de turismo – negou conhecer - mais interessados em vender locomoção. Cortesia totalmente abandonada, ou quem sabe, nunca existiu por essas bandas! Sem querer criticar a conhecida, reverenciada, “aplaudida gentileza francesa!” Mas, vamos adiante. Vitalidade não me fala! Mentira! Com os “bofes prá fora”, mas teimoso – característica genuinamente germânica – não desisti, insisti em caminhar elevando o estresse meu de Elaine.

Com o moral destruído, cansado, derrotado, me dei por vencido e finalmente chamei um táxi para aquela distância dos prometidos quatrocentos metros! No entanto o motorista afirmou: - “Corrida de uns quinze quilômetros de vinte e cinco minuto, por trinta euros!” Senti a trapaça. Isso irrigou minha a garganta de um raivoso sabor salgado! Sem alternativas, engoli e aceitei. E o motorista estava correto! Descobri na sequência, de fato o hotel estava muito próximo, mas do “Porto Antigo” da cidade. Para grandes transatlânticos de onde desembarcamos ficava mesmo bem mais distante.

Hotel finalmente encontrado com excelente localização. Ponto turístico interessante de grande movimentação com gente do mundo inteiro. Algazarra e muita música entre bares, restaurantes shows de rua, etc! Fui suficientemente advertido quanto aos cuidados ao caminhar por suas ruas, especialmente a noite quando se percebe algumas um pouco desertas. Ali mora o perigo, entretanto nenhuma ameaça ou percepção dela, mesmo porque em razão aos longos passeios diurnos, era melhor recolher aos aposentos cedo da noite. 

O “Porto Antigo” tem seu cais rodeado de bons restaurantes e bares, redutos com música ao vivo e um constante clima de entusiasmada festa! É lá, para comer um excelente “entrecot na chapa”! Só de lembrar, água na boca! Desnecessário afirmar estarmos em um País, onde o “vinho nacional” é excelente! Mas também não dava para chamar de baratinho...

Cidade – segunda maior francesa - adorável com tanta beleza e sistema de transporte coletivo com metrô e sua tradicional eficiência francesa. Sou fã desse transporte urbano tão inteligente de grandes e bem desenvolvidas cidades! Ficamos aqui por quatro dias, e ao estarmos em Região muito plana, foram longas caminhadas com tantas atrações e até o caminhar entre vielas medievais faziam de cada esquina um bom motivo para contemplar a bela e antiga arquitetura, mas com preservação carente de uma atenção mais rica. Construções coloridas em meio a cafés, ateliês e arte de toda vertente. Castelos e Fortificações protegem o disputado acesso de navegação, inclusive à “navegação suspeita”! Dizem, ser algumas delas de valiosas cargas de “especiarias para a mente”, se é que me entendem...

A notável Basílica de Notre-Dame de la Garde, fica no alto de um monte onde se aprecia uma bela vista panorâmica e o charme daquela numerosa navegação de milionárias embarcações em seu bucólico porto. Para quem aprecia pomposas construções religiosas, cabe nota à Catedral de La Major de impressionante construção! Enfim, uma cidade litorânea de tantas atrações, validando o desejo de um dia se voltar lá! Será?!

Mais adiante continuaremos a parte terrestre dessas longas férias tendo na sequência o coroamento com quase uma semana na Capital, a tão iluminada e fascinante Paris!

Porto Alegre, 18/jun/2026.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

 226) A Chegada ao Mediterrâneo!


 Chegando ao Estreito de Gibraltar! Trata-se de um pequeno istmo de apenas sete quilômetros quadrados e uma população inferior a quarenta mil habitantes. Conhecido como um “lugar estranho”, desafia qualquer definição simples. É a continuação da cidade espanhola La Línea de la Concepción, na Província de Cádis, Região da Andaluzia, sul da Espanha. Gibraltar pertence ao Reino Unido como um território ultramarino Britânico. Embora localizado no sul da Península Ibérica, o território é da Soberania Britânica desde o Século Dezoito. Depois de diversas disputas políticas, foi em 1967 em uma consulta pública, onde quase por unanimidade a população decidiu – confirmada depois em 2002 – ser definitivamente, Território Britânico.

Gibraltar com todas limitações territoriais, é basicamente uma enorme montanha de calcário com quatrocentos metros de altura, toda perfurada por inúmeros canais e cavernas, onde até durante a Segunda Guerra Mundial [tem túneis bem mais antigos.] a Inglaterra ficou postada naquele ponto estratégico, armazenou munição e víveres viabilizando sobrevivência de uma Força Tarefa no local a vigiar a “entrada na Europa”, por meses.

Essa cidade empresta seu nome ao estreito. Separa a Europa da África por apenas quatorze quilômetros, num mar profundo de variações drásticas entre 338 a 1.181 metros de profundidade. Afirmam, em dias claros – não tivemos esse privilégio – ser claramente visível dali a Marrocos, Região Africana. A travessia pode ser feita através de balsas e apesar da curta distância, a antiga e sonhada construção de uma ponte ou túnel são considerados o maior desafio de engenharia do mundo. A profundidade, fortes correntes, instabilidade do fundo marinho e a localização de falhas tectônicas ativas na área, dificultam demais, acima da capacidade atual da Engenharia e Arquitetura!

Gibraltar tem uma curiosidade história especialmente aos fãs – para mim, da maior Banda de Rock do Mundo, The Beatles – foi lá, em 20 de março de 1969 numa cerimônia de apenas dez minutos, se casou John Lennon e Oko Ono!

Voltamos a nossa viagem: - Não demos sorte nessa chegada, por um dia de mau tempo reinante. Com frio e garoa forte, nos reservamos ao interior do navio por horas. Do pouco visitado, com o uso desajeitado de um guarda-chuvas, meu lamento maior ficou por conta de não conhecer o aeroporto local, cuja pista é curiosamente partilhada com uma das avenidas mais movimentadas no meio da cidade. Quando há pouso ou decolagem, sinaleiras e cancelas são acionadas e a via pública se converte numa enorme pista, com capacidade de pouso e decolagem a grandes aeronaves!

Pela chuva e indisposição a sair sob essa intempérie, coincide com um resfriado a me fazer expirar como um “gato enfurecido”, fez frustrante o primeiro contato com a Europa. No entanto, avaliando os dezoito dias de viagem, foi o único momento de a meteorologia estar contra nosso passeio. Até saiu barato. Então, sem “chorumelas”, afinal de contas, nesse dia ao entardecer se repetia a nova partida agora rumo a cidade espanhola de Alicante, para depois Barcelona e Marselha, nosso destino final do cruzeiro.

Próximo porto será Alicante. Nenhuma expectativa. Melhor assim, pois a cada espaço, nova surpresa e assim foi a visita a essa glamorosa Alicante, cidade espanhola, com três mil anos de História!  A caminhada do porto até a Esplanada de Espanha, foi de quinze minutos. Essa esplanada, avenida ou calçadão de mosaicos se percorre à beira mar de uma bela praia com suas areias brancas. A avenida é composta de duas pistas regulares mas estreitas, entretanto, seu canteiro central é rico em árvores e palmeiras seculares com um elegante ajardinamento muito florido! Muitos são os bares à beira da calçada, sempre repleto de turistas e múltiplas atrações.

O melhor mesmo, estava ali ao lado, o morro de Santa Bárbara com seu Castelo Medieval. Um túnel atravessa-o e ao meio toma-se um elevador a nos levar ao cume onde o brinde é uma vista fantástica da cidade. Curioso -  por se tratar de Europa - um local limpo organizado, muita gente atendendo e NÃO cobram ingresso... É. São tantos templos religiosos com sua bilheteria ao lado, nesse caso, ao se deparar com um acesso “free”, a gente até desconfia...

A ritualística de despedida se repete e ao entardecer lá vamos nós rumo a Barcelona, penúltimo porto de nossa viagem. Por razões semelhantes a Maceió – estivemos aqui há alguns anos – optamos apenas por uma leve e inexpressível caminhada ao redor do porto, alimentando a expectativa de em mais um dia encerrar o Cruzeiro com a chegada à francesa Marselha. Conto mais sobre a chegada na França na próxima quinta-feira!


Porto Alegre, 11/mai/2026.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

 225) E a Viagem Continua!


Foram dois dias completos de navegação e vamos para a segunda parada Oceano Atlântico acima, para acordar serenamente no porto de Maceió! Decidido ficar a bordo, pois há poucos anos estivemos por uma semana nessa memorável e para mim, a melhor praia do Nordeste, onde uma “ostra viva” é servida nas quentes areias de suas praias! Delícia nem sempre aceita, mas ao ter coragem suficiente de experimentá-las, se converte fã dessa iguaria! Garanto!

Ficar nas piscinas do navio, com novos amigos de bom e culto papo como Marcos, querido cirurgião de Curitiba, sua esposa Tânia e irmã Iara, enriqueceram em muito uma das coisas de muito proveito em viagens coletivas e quanto mais distante, melhor. Toma-se conhecimento de novas culturas e é exatamente longe de casa onde se apreende novos idiomas, culinárias e cultura em geral. Renovo opinião sobre viagens, fazendo valer cada vez mais a busca de “Novas Praças!” 

Deixar Maceió, trouxe uma reflexão interessante: - Iniciávamos um longo período de navegação em alto mar. Seis dias completos rumo a Santa Cruz de Tenerife sem “terras a vista”. Sem hipótese de um porto seguro para caminhar em terra firme. Tédio à vista? Essa era a preocupação!

Nada isso! Como contei na outra semana, durante toda a navegação a programação é rica, completa. Não havia momento de relaxamento, a menos se buscássemos isso e poderia ser no interior de nossas cabines. Mesmo assim, para “piorar” o refúgio, a cabine ficava no décimo quinto andar, logo após a proa a bombordo, dotada de sacada com duas cadeiras de palha para se inebriar com a beleza do pôr-do-sol no longínquo encontro do Céu com o Mar! Absolutamente encantador!

Maravilhas constantes e nesse trecho, a expectativa de cruzar a Linha do Equador, muito bem explorada no teatro, com aviso de estarmos próximo desse ponto e com humor refinado, anúncio: “Amanhã, aproximadamente às quatorze horas, se não estiver nublado”, VEREMOS a linha do Equador!” O fato, passar ao Norte do Planeta, vagarosamente se sente a mudança na meteorologia. Nova direção dos ventos e uma leve queda na temperatura, afinal estávamos no Outono, recém saindo do Verão, a entrar na Primavera “deles”, recém saídos do Inverno! Daí se justifica a queda na temperatura!

Mesmo navegando nesse imenso Oceano, a perspectiva de estarmos mais próximos da África, sente-se a sensação de pequenez. Há muito deixamos o Brasil e navegar em Águas Internacionais, a emoção de estar em “Terra de Ninguém”, assusta e chegar em Tenerife, o pertencimento volta, proteção, afinal de contas estávamos chegando em Terras Espanholas.

Tenerife uma ilha sim, mas de dimensões encantadoras. São mais de oitocentos mil habitantes numa cidade de muita História da Europa! Cidade organizada, rica, arborizada e de trânsito educado! É o primeiro contato com a desenvolvida Cultura Europeia, de hábitos e cultura avançada.

Depois desse primeiro estágio quase no “outro lado do Atlântico”, temos pela frente apenas mais dois dias completos de navegação a chegar em Gibraltar. A cidade, com forma geográfica de istmo, avança sobre o Mar e estabelece o não menos famoso “Estreito de Gibraltar”, ponto mais próximo da África e sela nossa saída do Atlântico e adentrar no Mar Mediterrâneo. Melhor eu reservar outra Crônica completa na próxima semana, sobre a representação desse local em relação a todo significado à entrada no Continente Europeu.


Porto Alegre, 04/mai/2026.