quarta-feira, 15 de julho de 2026

 231 ) Solidão!

Eis uma palavra chocante, assustadora, sempre à espreita de todos nós na aproximação de idades mais avançadas, mas na verdade, ameaça presente em todas etapas de nossas Vidas! Desde bebezinhos a choradeira no afastamento da Mamãe é presente e vigoroso! Nascemos para viver em Sociedade e o isolamento de menor tempo possível, nos coloca em absurda falta de segurança

Então, não é na velhice a origem desse sentimento a nos agredir sobremaneira. Em todas idades, mas a da velhice claro, se trata da mais cruel e geralmente irreversível. Somos esquecidos? Não é bem isso, mas o Mundo nos impõe a todos, atividades cada vez mais envolventes em nosso dia-a-dia, a ponto de certa forma abandonarmos nossos entes queridos naquela triste situação. Abrigo? É. Resolve. Mas resolve somente a acalentar um pouco o sentimento de abandono por nós decretados aos nossos velhinhos queridos. Já em caso de não tem recursos financeiros suficientes – esses abrigos são caríssimos – o abandono se materializa muito depressa.

Na idade intermediária estamos livres? Não. Definitivamente não. Na modernidade os casamentos jurados “até que a morte os separe”, não passa de uma frase protocolar, quase vazia imposta no cerimonial. O amor se dissolve? Não. A danada da rotina esgota os prazeres da união rapidamente e a dissolução se apresenta. É nessa faze de muitos casais se focarem em demasia ao trabalho e a razão do casamento toma valores sem expressão. Não há uma fórmula mágica para superação dessa fase, se existe, desconheço totalmente e é daí a fase sofrida ainda na juventude por matrimônios a se derreterem. Pior: - Muitas vezes convertida em “ódio sincero!”

Uma coisa é certa, a solidão também serve para cicatrizar feridas das mágoas provocadas nesse tipo de rompimento. O amor sublime amor, se converte em um ódio irrefreável, daí refiro ao aceitar a solidão como período de recuperação. O Italiano Sergio Endrigo e mais, compuseram “Canzone Per Te”. Canção maravilhosa quando chamou Roberto Carlos a interpretá-la, conquistando o Prêmio Maior no Festival de San Remo em 1968. Tem na letra um trecho espetacular a saudar romanticamente essa ameaçadora solidão: “La solitudine che tu mi hai regalato io la coltivo come um fiori”! 

Românticos poetas saúdam a dor com uma reverência especial, tratando-a como um mal necessário e eu creio ser de fato. Mas a verdade é única, a saudade gerada nessa solidão, muitas vezes nos arrasam, serve de base para mais adiante nos solidificar, nos amadurecer. Importante não recebermos como um mero castigo reservado a pagar por erros cometidos. A Religião Cristã Prega - e eu Creio – Cristo veio para nos perdoar. Perdoado, deu. Chega. Muito mais de uma Crença Religiosa é a Direção a nós concedida e nos dá à superação de nossos erros e defeitos. Arrependimentos mil não nos leva a absolutamente nada. É apenas autotortura. Vital o aprendizado com a lição e repetir os erros do passado. Como passado, merece ser sepultado – via de regra dificílimo – mas como diz um adágio popular: “Bola prá frente!”

 Se apreendi, significa cresci intelectual e espiritualmente, assim nós vamos nos tornando melhores Seres Humanos. Eu sei, muitos nem assim evoluem! Mas como tudo na Vida, não sei exatamente a razão, mas “erva daninha” também faz parte do contexto da nossas Vidas! Momento de exercitar a tolerância e dar pouco valor aos tropeços de todos nós e talvez, virar o rosto a todo o contorno que nos circunscreve.

 

Fausto Diefenbach.                Porto Alegre, 16 de julho de 2026.

 

17 comentários:

  1. Texto muito bom
    Temos que nos preparar , proporcionar encontros, chamar e principalmente cuidar pra não ficar ranzinza! Velhos sim, ranzinzas nunca 🤣🤣🤣🤣🤣🤣

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  2. Achei que pegaste bem o perdão de Cristo. Aliás, Jesus também saia a orar sólito ao Pai Celeste. Abraços.

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  3. Grande Fausto, maravilha de redação...essas reflexões são sempre muito pertinentes...a todos nós.... abraços

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  4. Com Deus em nossas vidas está solidão fica mais leve. E precisamos usar nosso passado para evoluir o nosso hoje. Estamos aqui neste plano somente de passagens precisamos é deixar algo bom nesta caminhada.

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  5. Solidão não necessariamente estar ou ser deixado sozinho. Podemos estar cercados de gente e nos sentirmos sós. Temos que aprender de que estarmos sem ninguém por perto é ruim. Um tempo com nós mesmos é saudável. Fazer novos amigos é sempre possível. E encontrarmos atividades em que podemos aprender ou ajudar torna nossos dias memoráveis.

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  6. Ótima crônica,Fausto.
    Ivan.

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  7. Ótima reflexão, Fausto. Quantas vezes entramos num restaurante e vemos uma mesa com 5 ou 6 pessoas, cada um absorto com o próprio celular. Estão acompanhados ou sozinhos???

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  8. Parabéns,Fausto, pela excelência do texto. Sugiro usares com ênfase o sobrenome Marchiori, o que me propiciaria surfar nessa onda. Um afetuoso abraço.
    Ben-Hur Marchiori

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  9. Um tema importante e interessante.
    Ataulfo Alves compôs co. Afonso Teixeira um samba gravado por Nelson Gonçalves, que diz assim:
    “Sinto-me bem quando estou na solidão, sinto -me bem em chorar por meu amor, sinto-me bem quando a solidão reclama no meu peito, batendo contrafeito, para aliviar uma dor,
    Não quero que você volte pra mim
    , não quero, não quero, não quero,
    Porque eu quero sentir mais saudades de você, mesmo porque o nosso amor não se acabou
    Mas deixa-me ficar solitário como estou”.

    Uma visão romântica da solidão.

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  10. Excelente reflexão ! Todos nós passamos por este sentimento no decorrer da vida. As coisas evoluem e nos sentimos deslocados com estás mudanças. É preciso conviver com elas.Aproximarmo-nos dos outros com a intensão apenas do sentimento de solidariedade , de oferecr- lhes algo de
    bom. Até um sorriso alegre para um desconhecido na rua .Talvez este sorriso seja a única coisa boa que recebeu naquele dia e o reconfortou E lembremo-nos: nunca estamos sozinhos , porque Deus está sempre conosco !! Iara Peixoto.

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  11. Querido Adauto, como sempre, cirúrgico nas tuas colocações.
    Vivamos, pois, todas as fases da melhor forma, nos superando sempre com amor.

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  12. Que beleza de crônica! A solidão, não necessariamente precisamos estar a sós para senti- la, às vezes mesmo cercado de pessoas esse sentimento aflora. O perdão, é a virtude mais difícil de se conquistar , é a nossa evolução espiritual.

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  13. Para mim solidão é não aceitarmos nossa finitude é começar a contar quanto tempo nos resta é quando ( como dizia minha mãe) o que está dentro não combina com o que o espelho mostra e não fizermos disso um problema. Viver plenamente é fazer o que se quer, conforme se pode sem dar importância com o que os outros pensam ou acham e sem pensar se isso vai prolongar ou encurtar nossas vidas.
    Tida.

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  14. O ser humano é eminentemente social. Normalmente gostamos de conviver com a família, com colegas, com amigos. Quando isso não acontece a solidão nos abraça e temos que saber nos desvencilhar dos braços dela. Essa é uma sabedoria que precisamos ter sempre e principalmente quando estamos mais velhos e menos fortes para escapar daqueles braços.

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  15. Maravilha de texto! Parabéns! Ele nos leva à reflexão e provoca bons pensamentos! Abraços. Bidart.

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  16. Fausto, adoro suas crônicas, eu odeio solidão, só vi hoje que não comentei kkkkkkkkk

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  17. A lucidez deste texto é impressionante, abordando dois elementos importantes em nossa vida, companhia e solidão, dois opostos...Parabéns Fausto.

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