quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

 189) Será, Algum Povo, Independe de “Outro”?

A resposta se dá pronta em poucas palavras: - Todos dependemos de alguém! Nenhuma Nação, nenhuma cidade, nenhuma Família é totalmente independente. Agora, se abre um "caso internacional", no segundo mandato de Donald Trump. Seu esforço político e econômico desde o primeiro mandado, ficou por conta de construir aquela imensa muralha separando o México, a impedir ou pelo menos diminuir a imigração ilegal. Funcionou? Claro que sim. E ainda assim alguns conseguiram burlar o controle e capturados na sequência sofrendo punições com prisões em celas de baixa adaptação e agora todos sofrendo vexatória extradição. Trump não é exclusivo nas extradições, por óbvio, na Presidência americana anterior, não foi nada diferente, então não quero tomar aqui nenhum rumo político partidário. Ficaria parecido com a grande imprensa discutindo num terreno alheio a nossas decisões, apenas temas muito chatos...

Mas como seriam feitos os trabalhos desempenhados por mão-de-obra de “modesta qualificação”? O americano nato não faz, o imigrante legal portador do cobiçado “green card” quer trabalhar na Wall Street ou alguma outra profissão qualificada! Ficam os americanos carentes do gari, do  carga pesada, pedreiro, porteiro, faxineira e por aí vai...

 


Assim são todas as Nações e não é de hoje, o escravagismo disfarçado - alguns nem tanto -  atuam entre os Povos conquistados. A História conta desde as Grandes Conquistas Romanas a dominar o Mundo Antigo com base nessa subjugação e o saque aos moradores do Território Conquistado!

Não se trata apenas de terceirizar as tarefas mais árduas e menos saudáveis. Existem algumas Religiões a exigir e ditar descanso total de suas atividades laboriosas a determinadas datas ou celebrações, até nos “serviços essenciais”! Então, como fazer?

Setembro de 2022 estive em Israel por uma semana e meu retorno agendado para a tarde de um sábado. Ao meio dia, eu e Elaine procuramos fazer um lanche com alguma semelhança a uma lanchonete brasileira. (Excesso de presunção!) Mas a procura de algo similar, pelo menos com sabor conhecido, encontramos uma perfeita, idêntica, com zero por cento de diferença das “nossas lanchonetes”: - Ironicamente, o velho McDonald’s, sempre presente em todo Brasil! Ótimo BigMc, idêntico ao nosso!!!

Nessa lanchonete, TODOS atendentes vestiam trajes árabes, com seus caracterizados turbantes, lenços e adereços próprios. Até o idioma – falado em todo País – de um inglês carregado de curioso sotaque, tornando difícil entendimento. Mas estavam lá, empenhados num trabalho “quase atencioso”... Corrigindo: Nada atencioso!

Ao retornar ao hotel, comentamos isso com o encarregado da recepção, onde faríamos o “check-out”, ele com ar de deboche perguntou:

- Como irão ao aeroporto?

- Bem! Do meio como chegamos: Ônibus!

- Não. Nada disso! Hoje não tem nem ônibus, nem táxi...

Ora, distância entre a cidade de Tel Aviv e o Aeroporto de Ben-Gurion são de quinze quilômetros. Até chegar ao hotel, nem imagino quantos mais... O desespero nem se instalou pois imediatamente nos vendeu o serviço de táxi de seu primo, evidentemente Muçulmano. Revelou na sequência, ser proprietário do hotel e num sábado, todo trabalho era executado por Muçulmanos de Gaza!

Como a companhia aérea era italiana, sua tripulação de igual origem, voltamos para casa com a segurança necessária e agora afirmo convicto: Ninguém é independente! Sempre teremos alguém para trabalhar nos horários e dias mais difíceis a nos socorrer, desde o hospital ao supermercado em pleno domingo.

Dez anos antes, retornando de Madri, em Lua de Mel, no dia do Natal, tripulação integralmente chinesa! Tá bem, é verdade, se tratava da "Air China"!!!

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

188) Estava em Santiago, na morte da Princesa! 

O bom dessa viagem ao Chile, começara cinco dias antes, onde a missão era apresentar um tema sobre Liderança, Influência & Poder e coordenar Encontro Internacional de Gerentes da Nivea, empresa Beiersdorf AG sediada em Hamburgo, Alemanha, convenção com participação de Executivos da Argentina, Brasil e Chile!

O local espetacular, há uns trinta minutos de voo ao sul de Santiago, Chillan. Aeroporto General Bernardo O’Higgins, hospedado no Termas de Chillan Grand Hotel, em meio aos Andes com tudo coberto de espessa camada de neve! No entanto o que mais agradava era o com o “tudo coberto” na pensão completa num dos melhores hotéis da Região, onde a piscina térmica tinha ligação do interior do hotel, por um rápido túnel ao exterior literalmente em meio à neve, piscina premiada com uma cascata de água quentíssima vinda do subsolo! A palestra? Sei lá. Acho que gostaram...

Garantido: A melhor semana de trabalho vivida até hoje!


Encerrado a programação profissional, em retorno para casa, obrigatória uma parada na sempre interessante Capital, Santiago. Era o retorno de uma viagem pelo Cone Sul - raramente feita a trabalho - mas de um tempero turístico invejável como já me esbaldei a contar!

Na sequência, o maior impacto daqueles dias de agosto de 1997, com a morte em acidente da adorada Princesa Diana. Era uma noite bonita de frio intenso do Inverno Chileno, afinal, em se tratando do dia trinta e um de agosto, o frio é conveniente. Caminhávamos eu e Patrocínio, pela movimentada rua de pedestres no centro histórico da Cidade, o Paseo Ahumada. É onde estão as boas lojas e boutiques fora dos shoppings. Muitas vitrines bem iluminadas até o momento a nos chamar atenção, de uma das TV’s mostrando um tumulto em um túnel de Paris, com um aparato policial imenso e movimentação frenética de repórteres e curiosos. Aquilo nos deteve por minutos, até exporem a foto da vítima mais famosa, mais querida: Diana. Princesa de Gales e Dodi Al-Fayed!

Chocados, como todo o Planeta a lamentar perda de figura tão proeminente e amada, especialmente pelos seus antigos Súditos Britânicos. Até seu ex-marido, relatam ainda hoje, “expirou um grito” no momento de receber notícia da tal fatalidade! Desnecessário afirmar da tristeza a nos envolver, precipitando encerramento de todo o programa proposto naquela noite, até então muito alegre! Sem nos darmos conta, nos envolvemos num surpreendente luto devotadamente sincero! Morria uma das Damas representante – mesmo já separada do então Príncipe – de um raro “sorriso britânico”, da tão taciturna Família Real!

Perdas com tanta amargura nos contagiam, fazem a nossa inteligência compreender a importância do "Cape Diem"! A velha frase que diz, Viva o hoje... Afinal, nunca se sabe do nosso dia... É. Não sabemos o dia da nossa partida e o viver nosso hoje com intensidade é uma opção muito inteligente! Deixar, seja qual for o prazer para outro dia, é uma falha de estratégica imperdoável. Viva! Viva cada dia como se fosse o último. Há quem afirma, "um dia a gente acerta"!

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

187) Atividade Física, Esporte no Desenvolvimento do Jovem!

Há cinquenta anos de uma época para mim, de ser o cinema o melhor de todos programas para um final de semana. Em 1973 foi para as grandes telas o icônico filme americano “Operação Dragão”, com Bruce Lee no papel principal. O personagem, um agente americano de origem chinesa, é infiltrado em uma ilha remota no Oriente, ocasião de um torneio de Artes Marciais na intenção de desvendar um poderoso esquema  narcotraficante.

Foram lutas sangrentas. Entretanto, a beleza plástica e recursos para suas execuções com resultados letais, provocou uma atração extra à Sétima Arte  trazendo uma publicidade fantástica ao karatê, taekwondo, Kung Fu, e assemelhados. O ator principal, já citado, tinha uma habilidade invejável fazendo-o através desse filme, famoso no mundo inteiro. Bruce só não evoluiu ainda mais, em razão de sua precoce e misteriosa morte.

Meu entusiasmo jovial, provocou grande interesse na Arte Marcial. Então, diante de um anúncio da chegada de um respeitável Mestre Japonês na Aldeia Porto-alegrense, Sensei Takeo Suzuki. Lá fui eu de quimono emprestado a participar de sua aula inaugural e firmar contrato de treinos por todo mês de julho, aproveitando a folga das férias na Faculdade e acreditava ser os trinta dias suficientes para aprender a prática de um bom karatê e até saber me defender!

"Coitadinho"! Doce e ignorante ilusão! Reconhecendo a insuficiência, adaptei a  manter o mesmo ritmo de treinos muito além das férias. Uma hora diária e correr para a Faculdade! O bom karatê, jamais atingi e atualmente piorou, aposentado dos treinos... Apesar de todo esforço, as falhas ocorreram pelas diversas e longas interrupções (mudança ao Rio de Janeiro etc). Entretanto voltei mais tarde por mais alguns anos de prática, conquistando a sonhada “Faixa Preta”, já com o Professor Nelson Guimarães, iniciado na mesma data comigo, ele, dando sequência em Porto Alegre, da Missão do Mestre Suzuki, de volta ao Japão!

O resultado daquilo tudo, cavoucando minhas própria lembranças, não foi para ter um Diploma enquadrado na parede com o orgulho do “Primeiro Dan” - fiz isso também - mas o desenvolvimento pessoal como um todo, levado em conta seriamente no Wado-Ryu,  estilo de Artes Marciais com relação respeitosa e cuidados entre as partes quando em competição. Atividade prática na noção reforçada de respeito, força, disciplina e autoconfiança. Acredito firmemente ser uma das atividades – considerada pelo Prof. Suzuki bem acima de uma prática esportiva – mas verdadeira Senda ao crescimento físico, intelectual, moral e espiritual!

Violento? Nada disso. Estilo Wado-Ryu criado no Japão por Hironori Otsuka foi desenvolvido com alvo às elites japonesas e mais adiante difundidas pelo Mundo por diversos de seus Discípulos. A prática se volta à harmonia de seus movimentos de ataque e defesa, podendo até serem letais, sem contudo ser incoerente pois na defesa, ou na “legítima defesa” ação forte é tolerável! Hironori Otsuka eleito Master of Master em 1973, teve seu filho Hironori Otsuka II e atualmente seu neto como seguidores desse estilo de Karatê-Do.

A prova desse Estilo estar à margem da violência desmedida, está na Classe Médica e Dentista preferirem essa prática com segurança, sem risco de lesões em seus membros superiores, vitais em cirurgias e trabalhos do mais refinado uso de suas mãos. Mestre Suzuki foi “personal trainer” do renomado Cirurgião Plástico, Dr. Ivo Pitanguy, (falecido em 2016, aos noventa e três anos de idade). Conhecido como referência mundial em cirurgia plástica! Pitanguy tinha um “dojo” em sua própria casa no Rio de Janeiro, onde treinava Karatê, assistido por Suzuki!

Minha forte recomendação a quem queira ser iniciado nas Artes Marciais, tome o cuidado quanto à origem e estilo dessa prática a evitar exposição de riscos físicos, pois como num esporte radical, cautela e bom senso são extremamente saudáveis! Atividade física, seja qual for, faça sempre bem equipado, prevenido de eventuais lesões e bom treino!

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

186) Chegando em Meia Década do Covid-19!

Estamos chegando em meia década do terrível vírus. Foram tantas ameaças, medo, hospitalizações e mortes! Um horror do tamanho de uma Grande Guerra, semelhante aquela da década de quarenta, mas felizmente sem ação direta das gerações atuais. Aquilo já faz parte de um passado muito triste, com lembrança de um sofrimento agudo e permanente de um passado sem orgulho!

Voltamos ao Covid-19. Chocante as estimativas da OMS, de em apenas dois anos matar vinte milhões de pessoas, com mais oitocentos milhões de pessoas oficialmente contaminadas. As sequelas dos que tiveram a Graça de “escapar da morte”, são duras e se prevê duração por longos anos, com fraca recuperação dos verdadeiros heróis na luta pela Vida!

Quantos sonhos abandonados, quanto patrimônio dispendido em tratamentos nem sempre eficientes e quanta esperança cancelada! Por uma razão desconhecida tínhamos ou tivemos de passar por tudo isso. Será um tipo de período para Maturação do Ser Humano? Apreendemos alguma coisa com essa punição?


Tenho sérias dúvidas até porque ninguém assume a responsabilidade de tamanha tragédia. Quem fez isso? Foram os chineses? Sei lá.  O concreto, o verdadeiro aprendizado só ocorrerá quando alguém assumir seu erro assassino, dizendo como evitar tais desvios grotescos da ciência ao criar ameaças tão sérias a nossa própria Existência!

Não ouvimos mais nada a respeito. Sobra lembrar do faturamento trilionário de laboratórios se aproveitando com suas “milagrosas vacinas” a encher seus cofres e deixar ainda um legado de supostas reações de efeitos colaterais indesejáveis, criando novas sequelas, como se não bastassem as da origem desse vírus desgraçado. De qualquer forma, posso escrever longas laudas do nosso sofrimento contínuo e o medo indefensável de uma nova cepa ainda com maior letalidade.

Resta-nos manter um pouco de fé e tratar de cuidar melhor não só da nossa saúde individualmente, mas da saúde da Sociedade como um todo. E não é difícil identificar por onde começar, tenhamos visão de defesa da sofrida Mãe Natureza, tão agredida. Covid-19 pode ter sido criado em laboratório, mas e os outros, dengue etc.? Matam tanto quanto!

 O desafio é trabalhar de como cuidamos do lixo, da fumaça e dos diversos e abundantes descartes! Vejo a imprensa fazendo reportagens mil na periferia, em especial nas Comunidades mais pobres e o choro corre solto contra as autoridades governamentais – muitos, cobertos de razão – mas observem como as câmeras da TV pegam, ainda de soslaio, montanhas de dejetos espalhados pela via pública e ao redor de suas próprias casas! E daí? Quem cuida? A culpa é fácil de se atribuir aos Garis! Fácil acusar, não é? Mas quem jogou essa podridão lá, sem o menor respeito?

Vira e mexe e nos damos conta de onde tudo se inicia: - Educação precária! Gastam-se milhões em publicação até de como um adolescente deve decidir seu “sexo no futuro”, entretanto orientar a boa Convivência Social e aos cuidados com o nosso Planeta, não há investimento expressivo! Por favor, me acompanhem, podemos promover melhoras desse “algo” presente  ao nosso alcance? Ou então, resta-nos chorarmos juntos, copiosamente! 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

185) Então é Natal!

Então é Natal   se inicia o verso imortalizado na canção interpretada por Simone nas celebrações Natalinas dessa época, onde a maioria dos ouvintes – tomo o direito de auto inclusão -  atinge o nível máximo de “saturação auditiva”! É, se for com aqueles sininhos fazendo algumas notas musicais, aí sim, a gente simplesmente desliga o rádio, mas o inevitável é ouvir insistentemente em lojas de departamentos, shopping, etc...

Natal toma um significativo rumo comercial em uma Celebração tão Nobre, cuja expectativa mais antiga sempre foi de aproximação Familiar ao Culto Cristão atribuída ao nascimento do Cristo Salvador! Mas não, as atividades comerciais ficam enlouquecidas a promover a venda de seus produtos, aproveitando alguns restos do décimo terceiro salário, depositado há poucos dias... Não condeno frontalmente, porque toda economia depende desses movimentos monetários frente a algumas estagnações, no final, a alegria e prosperidade é também carregada pela economia em movimento, e isso acontece com necessário e grande vigor!

Papai Noel também é o culpado do sangramento de algumas economias de “almas carinhosas”, como a daquela vovó dando presentes com valores muito além de suas capacidades reais e aí surge uma onda ameaçadora e destruidora de poupanças e créditos! Pobre vovó querida, submissa aos caprichos e desejos do “neto abusivo”! Creiam-me, esse púbico é imenso e a Religião praticada não tem a menor relevância, sendo Cristão ou não, a venda resultante parece justificar tudo e se dá um viva à sobrevivência e glória do faturamento alto de gorduroso lucro!

Lembro-me de um Natal festejado há alguns anos em New York, cujo bairro do “Budista China Town”, fervia feliz seu exuberante movimento comercial, para alegria coletiva do balconista ao proprietário!

Felizmente, nem tudo é assim tão frio e calculista como escrevi até aqui. Recentemente participei de Celebrações Natalinas na Comunidade Luterana de minha filiação, quando fui tomado de profunda emoção a permitir minha mente voltar a um passado longínquo, da minha alegre infância, ao lado ou no colo da mamãe querida a entoar Canções Natalinas! Sempre as mesmas e até por isso inesquecíveis e tão valorosas! Ah, isso é impagável! Reforçar a Fé Verdadeira, nos dando esperança renovada de um Mundo melhor!

Sonho impossível? Pode até ser, mas a alegria de uma festa, nunca evite! Algumas pessoas não gostam sequer de seus próprios aniversários, isso sim é frio. Então, onde vamos buscar alegria nessa vida? Na vitória do meu time de futebol? Onde há sempre tantos “adversários” com a mesma expectativa?! Ou será na cerveja? Na promoção profissional? Pois junte tudo isso, desde essa “cachaça” e ofereça a si mesmo alguns momentos de alegrias, pois esse é o único caminho de uma Vida Feliz! Mesmo achando não ser merecedor, doe-se tudo isso! Merece sim!

Natal é tão envolvente e sua comemoração não é restrita unicamente a dois ponto quatro bilhões de Cristãos no Planeta. (A mais difundida de todas as Religiões, representando um terço da população mundial, sendo maioria em pelo menos cento e cinquenta e sete Países!) Todos, absolutamente todos juntos, alegremo-nos com brindes à vida e às pessoas ao nosso redor, com a Bênção do Eterno!

Entretanto, sempre tem um entretanto, não contraia dívida pesada, mas divirta-se e tenhamos todos bons momentos a comemorar enquanto aqui estivermos com nossos queridos a sorrir! Depois, dia seguinte, vamos ao trabalho construir bases futuras para mais momentos felizes e alegres. Isso vale a pena sim, acreditem!

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

 184) Uma Viagem Tumultuada a Buenos Aires!

Minha primeira viagem ao Exterior, não precisava ser de tanta dificuldade. Talvez por falta de um planejamento adequado ou a vontade insaciável de aventura, de enfrentamento de dificuldades de toda ordem, mais a falta de experiência mesmo com o ímpeto da improvisação, própria da juventude vivida naquela Época! Sim, muito jovem. Estou falando na Páscoa de 1973!

Domingus, Ernani e eu todos na casa dos vinte e cinco anos, éramos colegas de trabalho em um Banco de Investimentos Gaúcho. Nosso programa era aproveitar o feriado da Páscoa e de carro, viajar a Buenos Aires. Decidimos por conta própria do tal feriado se iniciaria ao meio dia de quinta-feira. Sem necessariamente com consentimento do nosso Chefe...

Todos possuíam automóvel, no entanto o Karmann-Ghia do Ernani, tinha um motor adaptado para grande potência, isso nos permitiria, em tese, encurtar o tempo de viagem, aproveitando uma época sem controle de velocidade nas nossas estradas, de recente construção com ótimo asfalto e principalmente sem movimento algum! Caminhões a emperrar o trânsito, quase inexistentes. Então era “andar” no limite da potência daquele poderoso motor de 1600cc., com dupla carburação! O problema: Coexistir com o tamanho da cabine de apenas dois bancos! Éramos três adultos de porte médio!

Essa notável dificuldade seria suportada com a alternância no volante e da vítima acomodada sobre a palanca do freio de mão, cuidadosamente acolchoado com alguma toalha velha!

Viagem sem grandes alterações até próximo de Chuy, no Uruguai com o primeiro pneu furado. Sem problemas, deixamos numa borracharia – difícil foi entender o termo “gomerinero”, profissional a nos atender – e fomos jantar calmamente, até altas horas provocando ao retornar, encontro do estabelecimento fechado! Simples: Arrombamos o cadeado do velho e decrépito portão de tábuas – crime já prescrito - e resgatar a peça em conserto e seguir vigem. Agora em um traçado de estrada não tão moderna como nossa BR 290. Percurso sinuoso, mas de uma curiosa compensação de declínio compensatório em suas acentuadas curvas.

 

Chegada a Colônia, último ponto no Uruguai, no meio da madrugada para então aguardar o “ferry boat”, e somente ao amanhecer, seguir a travessia de cinco horas, pelo “Mar del Plata” até Buenos Aires. Essa noite de espera foi torturante naquela já mencionada minúscula cabine onde os três dormiram... Dormiram? Noite muito difícil!

Ao meio dia aportamos na Capital Argentina. Hospedado num hotel barato, saímos a rodar alucinadamente em suas largas avenidas de desconhecidos, até então, semáforos de acionamento progressivo. Foi o primeiro encanto a tão bela, elegante e bem organizada Capital Argentina! Fiquei seu fã, me motivando voltar lá por mais dezoito vezes, ao longo dos últimos cinquenta e um anos! Os restaurantes, bares, cafés com lustres de cristal, casas de espetáculo com preços convidativos num período de nossa moeda brasileira “valer muito”!  Isso fez tudo mais admirado e aplaudido!

O “zum-zum” do Povo Argentino desses dias, anunciava aproximação do esperado retorno do ex-Presidente Peron ao País! Era um “frisson” constante. Não conseguíamos avaliar a extensão política daquela excitada expectativa argentina... Mas perceptível a hipótese do retorno de uma Administração Populista recuperadora! E Peron voltou. O resultado político, econômico e Social, deixo para analistas especializados...

Chegou o Domingo de Páscoa, dia de voltarmos para casa. Iniciamos pela  manhã o exaustivo retorno a Porto Alegre com os três jovens já bem cansados. Durante a travessia de barco, nos aproximamos de um brasileiro, médico, solitário retornando a Porto Alegre com sua mudança, num IMENSO automóvel Opala! Dele combinamos e o convencemos da conveniência de dar carona a um de nós e o eleito foi Domingus. Na estrada, acertamos encontro na entrada de Montevideo. Largamos naquele padrão de velocidade, a dar inveja a Emerson Fittipaldi! No ponto combinado, a  espera foi de quase uma hora. Domingus estava enlouquecido:

- Não vou mais com esse desgraçado! Não passa nunca dos oitenta por hora. Uma lesma! Quando batuquei uma música do rádio com os dedos no painel, disse para eu parar, pois ia afrouxar os instrumentos do carro! Louco. Neurótico, filho da puta!

Diante de tamanha convicção do parceiro, Inventamos uma desculpa qualquer, combinando novo encontro na entrada de Piriápolis[F1]  e FUGIMOS em alta velocidade para "nunca mais" vê-lo...

Adiante, altas horas da noite, a enorme dificuldade foi controlar o sono estonteante! Já no Brasil, parada obrigatória em Pelotas, tomamos um forte café com lauto jantar, onde novamente à espera, dessa feita de uma substituição de pneu rasgado. A façanha foi comigo ao volante – os dois dormindo - ao descer a rampa da ponte sobre o rio São Gonçalo, quando na última curva bati roda traseira numa pedra enorme na via. Capotagem só não aconteceu porque... Não sei o porquê!!!

Após o jantar, segui dirigindo até o destino final, Porto Alegre, sempre no limite da potência daquele MOTORZÃO Volkswagen e eles dormindo profundamente! Chegamos a Capital lá pelas quatro da madrugada! Agora todos acordados para chegarmos felizes em casa! Na entrada da cidade, Avenida Castelo Branco totalmente vazia, após mil e cem quilômetros rodados, quem ultrapassei solitário na pista? Sim. Aquele metódico médico, irritantemente comedido com seu Opala sempre na mesma “lerdeza” dos oitenta km por hora, ironicamente, chegando junto ao “trio veloz” no despachado Karmann-Ghia branco, do seu potente motor de dupla carburação!

Alguém lembra, há de mais de sessenta anos, os educativos quadrinhos: “O Jaboti Moloide?! Pois é Jaboti chegou junto com o Coelho em sua competitiva corrida!


 [F1]





quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

183) São Francisco, na Califórnia!

Minha primeira viagem aos Estados Unidos, fevereiro de 1976, foi depois de participar – prêmio - em uma Convenção da IBM em Acapulco, México. Na sequência fui viajar a seis importantes cidades americanas acompanhado de três colegas. Muita novidade, muita emoção, suponho jamais sairão da memória. Situações celebradas nos grandes momentos da nossa Vida, cuja alegria é difícil aquilatar!

A chegada a cada aeroporto, primeira missão através de um inglês ainda precário, alugar um carro. Não depender de táxi com liberdade de ir e vir com praticidade. Como toda despesa era religiosamente dividida entre as partes, eu pulava a frente para fazer a locação, desse modo, doido para dirigir seria o único piloto, matando a sede de conhecer os carros com a fantástica mudança automática!

São Francisco - já na segunda parada - encantou do primeiro ao último minuto. Foi por onde mais rodamos em suas famosas ruas, algumas delas perpetuadas nas telas do cinema no icônico filme “Bulit”, de 1976 com Steve McQueen interpretando um policial, com uma simples tarefa de vigiar alguém! Menos simples, foi quando acontece a cena mais forte do filme numa ferrenha disputa de louca corrida  em perseguição em trânsito urbano! O Policial Bulit num Mustang a "buscar" o suspeito num Camaro, naquelas vielas acidentadas de um sobe e desce desafiador! Eu no entanto, em velocidade moderada, por óbvio...

Em São Francisco, fora da área urbana, há um passeios obrigatório: Sausalito. Região de exuberante beleza envolta em mata nativa, residências a dar inveja e uma área de portos de iates milionários! Desperta uma vontade imensa de ser bilionário! Especialmente na moeda americana. Bilionário em dólares no caso!...

Voltando para São Francisco: -  No trajeto a Sausalito, se avista a ilha de Alcatraz, prisão mais famosa do mundo, hoje desativada como penitenciária, mas aproveitada como museu de visitação pública. Nessa oportunidade, pelo nossos estado de espírito, não contemplava curiosidade ou vontade de ver um templo voltado ao castigo severo, ali representado! Dispensamos...

A melhor parte do passeio desse dia – para quem [eu] dirigia - foi a travessia da Golden Gate Bridge, ponte suspensa, cartão postal da cidade considerada uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno! Aberta em maio de 1937 é hoje um dos vãos mais famosos do mundo. Seu comprimento de dois mil e setecentos metros e altura de duzentos e vinte e sete, torna-a única, fascinante!

Para prosseguir, um "aparte": - Lá pelos meus dezesseis anos de idade, apreendi a dirigir em um CAMINHÃO. Aconteceu num pequeno Opel ano 1957 com caixa de “mudança seca”. Isso significa pedalar duas vezes a embreagem para cada mudança. Aprendi também, para fins de economia de gasolina, como um bom caminhoneiro, em decidas acionar a embreagem e soltar o carro em ponto morto, a conhecida "banguela"! Perigoso e proibido pelas Leis do Trânsito! Hábito, me desculpem a infração, mantido até hoje! Serve também para baixar um pouco a temperatura do motor e consumir menos combustível... Coisas úteis especialmente em veículos mais antigos e de alto consumo, a despeito de todo risco...

Voltemos à Golden Gate: - Retornando a São Francisco e ainda encantado por dirigir um carro automático, acionei no meio e alto da ponte, onde inicia acentuada e longa decida, uma aceleração forte e CHUTEI aquilo, supostamente o pedal da embreagem! E "aquilo" não estava ali! Obviamente o único pedal, é o do  freio. Equivocadamente ao soltar a palanca de mudanças para o ponto morto... Foi uma freada brusca, violenta com "gritos dos pneus" arrastando em fumaça azul e cheiro de borracha queimada! 

Felizmente nenhum carro me seguia perto! Todos ocupantes voaram de seus assentos traseiros em direção aos bancos da frente, painel, para-brisas dianteiro, etc... O carona, sentado ao meu lado, quase entrou pra dentro do porta-luvas (exagerei). Por fração de segundo o caos se instalou na cabine em enorme confusão! Gritaria e na sequência muito tapas na cabeça desse pobre motorista, hoje contando a história de uma notável barbeiragem! Felizmente ficou só no susto! Enorme e inesquecível susto!

Nessa época, não dávamos a mínima para o cinto de segurança. Sequer sabíamos onde ele ficava... Atualmente, não usá-los, um absurdo e imperdoável atitude "semi suicida"!  Pode ser considerada tentativa de assassinato aos demais passageiros... Usem sempre! Obrigatoriamente e boa viagem!