quarta-feira, 2 de setembro de 2026

 237) Prossigo e Encerro o "Vocabulário Gauchesco"!

Sem querer abusar de outras Regiões do Brasil, mas pelos caminhos por mim já trilhados, tudo indica, é o Rio Grande do Sul o Estado com maior volume de gírias e vocabulário diferenciado. Um pouco herança do Prata, onde influência desde o Paraguai, Uruguai e Argentina moldam nosso linguajar as vezes campeiro, outras agrestes e muitas vezes considerada agressiva, provocante, briguenta...

Por aqui, muitas palavras foram inseridas no vocabulário através de músicas do folclore e graças a alguns cantores, atravessou o rio Mampituba (*) e subiu ao País inteiro. Não é exagero, há coisa de meio século, tivemos no Teixeirinha, um músico, cantor e compositor atingindo sucesso absurdo nas rádios e teatros onde se apresentou. Até difícil entender o tamanho do sucesso. Há indicativo de ter vendido a marca acima de cento e vinte milhões de discos! Surreal para músicas tão simples, pueris! Talvez até pela simplicidade de seus versos cantados, identificava e aproximava as pessoas mais simples, de que nosso País é ricamente habitado!

Quando escrevi sobre o termo “tchê”, na última Crônica, expliquei da equivalência a “cara” ou você, servindo para iniciar uma frase com ênfase. Pois foram muitos a ler e a me lembrar da chamada para uma exclamação tipicamente nossa: “Mas BAH!” Essa muito bem lembrada, eu também uso de forma automática sem ao menos me dar conta da exclusividade do linguajar gaudério (estilo de conversa própria aos Homens do Campo, fortemente adaptado ao linguajar alvo dessa Crônica) e faço uso no meu dia-a-dia com muita frequência e das vezes em que fiz, fora das minhas Fronteiras Nativas, me dando conta, traduzi, confesso com um bom grau de cábula real!  

Então vamos à tradução do BAH: - Interjeição típica do Rio Grande do Sul, usada para demonstrar surpresa, espanto, admiração ou até incredulidade! Trata-se de uma provável abreviação da palavra barbaridade! Entendimento simples, afinal de cotas se trata, como afirmei, de uma abreviação também muito comum em diversas palavras entre nós, os gaúchos! Já não tenho recursos intelectuais suficientes para explicar o “mas” antecedendo o BAH! Afinal de contas, aparece presentemente em colóquio normal, como uma simples palavra, mas visivelmente inadequada, entretanto no vocabulário regional, tudo se explica, talvez, como diria Caetano Veloso, “se explica, ou não! ”

Hoje inicialmente chamei ao meu Estado, seu uso abundante de um vocabulário seu, exclusivo. Entretanto, basta ler ou ouvir, vindo especialmente do Nordeste uma riqueza fantástica de outros termos não incluídos no VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa), mas divertido o suficiente para validar uma comunicação eficiente.

No Livro “Jubiabá” de Jorge Amado, há uma fonte inesgotável de termos próprios da Região, mas pela Arte do bem escrever do Autor, se faz entender facilmente! É “Jagunço, Sinhá, cabrocha” e por aí vai! Com uma habilidade ímpar, dá um colorido especial aos seus romanceados contos! O importante é ele, Jorge Amado, não abusa de suas gírias, afinal de contas ao contrário de ser lido unicamente no Nordeste, é lido e conhecido no País inteiro como fora do Brasil!

Voltando ao “Gauchês”: É muito amplo para expor em apenas algumas crônicas, então como conclusão não deixo de lado nossos principais xingamentos, adequados para discussões entre “guris”, mas com expressões populares que misturam linguagens rurais, bom humor e influências hispânicas a funcionar mais como broncas a ofensas pesadas. Aí vem o “chinelão, Jaguara, boca aberta, e mais alguns milhares...

Até para elogiar as virtudes e beleza de uma Mulher Gaúcha, tem termo próprio com carinho tratando-a como companheira linda, com o elogio máximo: Prenda!