244) Escrever? Por que?
Sim, por que escrever? Ouvi essa pergunta algumas vezes e nunca pude validar convicto da razão clara na minha iniciação, se fui de fato Iniciado. Mas como tudo na vida, alguma coisa nos motiva a iniciar algo e esse é o ponto nevrálgico de minha proposta, num passado de histórias e estórias vividas e contadas. Nas estórias muitas vezes resultado de ter “lubrificando” um fato a torna-lo mais atraente, as vezes engraçado. Um dia alguém me disse: - “Escreva isso”! Assim escrevia primeira crônica!
Inicialmente e isso tem mais de vinte nos, fui ao computador e teclei tantas vezes até o momento de juntar uns dez textos, e adotei chamá-los de crônicas. Lembrando: Crônica relata fato, sem a “lubrificação”. É algo real, verdadeiro. Achei melhor adotar predominância ao humor focando momentos até constrangedores por mim vividos. Por assim ser, ao juntá-las dei o nome de “Crônicas de um RIdículo”! Assim mesmo, ênfase à primeira sílaba com o RI, sinalizando o propósito de rir, na verdade a fonte da alegria de todos é sinalizada no riso. Isso é possível – sendo escrita bem produzida – faz rir até de tragédia. Mas sem apelo ao Humor Negro, além de tétrico causa muitas vezes um mal-estar desnecessário...
Tendo em mim mesmo como personagem me senti muito à vontade para “chamá-lo” de ridículo, afinal de contas, autoacusação não gera risco de processo difamatório... Essas crônicas ficaram hibernadas no “word” por duas décadas quando meu amigo Dirceo Stona, Escritor consagrado já com três livros publicados e lançando mais um na próxima Feiras do Livros de Porto Alegre. Foi ele a me incentivar. Motivou e ainda superou minha resistência de ir a público com minhas escritas, quando por fim, com um “golpe fatal”, criou um “blog” em meu nome. Com esse vigoroso canal de comunicação, lá fui eu a publicar toda quinta-feira uma crônica de cada vez.
Foi melhorando a redação, corrigindo erros de ortografia, concordância etc... Daí ele, o Dirceo, fazia e faz o “convite” para eu enviá-los aos endereços disponíveis e assim se iniciaram, há uns sete anos atrás, essas publicações semanais... Eram umas vinte crônicas prontas. Quando encerrei depois de vinte semanas, reportei orgulhoso: “OK meu amigo, missão cumprida, todas publicadas!” Imediatamente respondeu: - “Não senhor, escreva mais uma, depois outra, te vira meu...” Vejam só, com essa de hoje, são duzentas e quarenta e quatro Crônicas!
Incansável, em 24 de novembro de 2023, foi meu Padrinho na Academia de Letras dos Municípios do Rio Grande do Sul ao me conferiram o Diploma de Acadêmico, ocupando a Honrosa Cadeira Vinte e Três. Sei, ele não gosta, mas cabe aqui uma referência e reverência com fraternais cumprimentos pela sua persistência e leal parceria me fazendo escrever e publicar crônicas! Muito obrigado Dirceo!
Como resultado disso tudo, devo relatar da importância desse hábito de escrita, pois sei de muitos “pensadores” com uma experiência enorme a trocar, a doar Conhecimento e Saber. Podem, devem colocar na escrita um algo de suas experiências de Vida ajudando, impulsionando o crescimento de alguém, ou ainda como faço, se divertindo um pouco através dessas “mal traçadas linhas!”
O resultado pessoal é fantástico. Lembrar de acontecimentos passados força num exercício exuberante de busca na memória. O cérebro responde com incrível fidelidade trazendo de um passado de longo alcance a colocar no presente perpetuado no papel! Fatos de mais de Meio Século vem à mente com uma imensa riqueza de detalhes e posso afirmar, surpreende sobremaneira! Daí minha entusiasmada recomendação aos que leem minhas Crônicas: Escrevam! Sem preocupação de superar Machado de Assis ou outra Autoridade da Escrita! Apenas escrevam – e escondam se não houver coragem de publicar, essa virá impulsionada por algum amigo generoso e sintam o prazer do refrescamento da memória a valer a pena, eu garanto! Encerro aproveitando uma “chamada” de outro velho amigo, o Fernando Zanini: - “Aquele que não sabe contar sua história, não merece tê-la vivido. Aquele que não tem história para contar, não merece ter nascido”!
Fausto Marchiori Diefenbach.
Cadeira 23.
Porto
Alegre, 22 de outubro de 2026
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