231 ) Solidão!
Eis uma palavra chocante, assustadora, sempre à espreita de todos nós na aproximação de idades mais avançadas, mas na verdade, ameaça presente em todas etapas de nossas Vidas! Desde bebezinhos a choradeira no afastamento da Mamãe é presente e vigoroso! Nascemos para viver em Sociedade e o isolamento de menor tempo possível, nos coloca em absurda falta de segurança
Então, não é na velhice a origem desse sentimento a nos agredir sobremaneira. Em todas idades, mas a da velhice claro, se trata da mais cruel e geralmente irreversível. Somos esquecidos? Não é bem isso, mas o Mundo nos impõe a todos, atividades cada vez mais envolventes em nosso dia-a-dia, a ponto de certa forma abandonarmos nossos entes queridos naquela triste situação. Abrigo? É. Resolve. Mas resolve somente a acalentar um pouco o sentimento de abandono por nós decretados aos nossos velhinhos queridos. Já em caso de não tem recursos financeiros suficientes – esses abrigos são caríssimos – o abandono se materializa muito depressa.
Na idade intermediária estamos livres? Não. Definitivamente não. Na modernidade os casamentos jurados “até que a morte os separe”, não passa de uma frase protocolar, quase vazia imposta no cerimonial. O amor se dissolve? Não. A danada da rotina esgota os prazeres da união rapidamente e a dissolução se apresenta. É nessa faze de muitos casais se focarem em demasia ao trabalho e a razão do casamento toma valores sem expressão. Não há uma fórmula mágica para superação dessa fase, se existe, desconheço totalmente e é daí a fase sofrida ainda na juventude por matrimônios a se derreterem. Pior: - Muitas vezes convertida em “ódio sincero!”
Uma coisa é certa, a solidão também serve para cicatrizar feridas das mágoas provocadas nesse tipo de rompimento. O amor sublime amor, se converte em um ódio irrefreável, daí refiro ao aceitar a solidão como período de recuperação. O Italiano Sergio Endrigo e mais, compuseram “Canzone Per Te”. Canção maravilhosa quando chamou Roberto Carlos a interpretá-la, conquistando o Prêmio Maior no Festival de San Remo em 1968. Tem na letra um trecho espetacular a saudar romanticamente essa ameaçadora solidão: “La solitudine che tu mi hai regalato io la coltivo come um fiori”!
Românticos poetas saúdam a dor com uma reverência especial,
tratando-a como um mal necessário e eu creio ser de fato. Mas a verdade é
única, a saudade gerada nessa solidão, muitas vezes nos arrasam, serve de base
para mais adiante nos solidificar, nos amadurecer. Importante não recebermos
como um mero castigo reservado a pagar por erros cometidos. A Religião Cristã
Prega - e eu Creio – Cristo veio para nos perdoar. Perdoado, deu. Chega. Muito
mais de uma Crença Religiosa é a Direção a nós concedida e nos dá à superação
de nossos erros e defeitos. Arrependimentos mil não nos leva a absolutamente
nada. É apenas autotortura. Vital o aprendizado com a lição e repetir os erros
do passado. Como passado, merece ser sepultado – via de regra dificílimo – mas como
diz um adágio popular: “Bola prá frente!”
Fausto
Diefenbach. Porto
Alegre, 16 de julho de 2026.
Texto muito bom
ResponderExcluirTemos que nos preparar , proporcionar encontros, chamar e principalmente cuidar pra não ficar ranzinza! Velhos sim, ranzinzas nunca 🤣🤣🤣🤣🤣🤣
Achei que pegaste bem o perdão de Cristo. Aliás, Jesus também saia a orar sólito ao Pai Celeste. Abraços.
ResponderExcluirGrande Fausto, maravilha de redação...essas reflexões são sempre muito pertinentes...a todos nós.... abraços
ResponderExcluirCom Deus em nossas vidas está solidão fica mais leve. E precisamos usar nosso passado para evoluir o nosso hoje. Estamos aqui neste plano somente de passagens precisamos é deixar algo bom nesta caminhada.
ResponderExcluirSolidão não necessariamente estar ou ser deixado sozinho. Podemos estar cercados de gente e nos sentirmos sós. Temos que aprender de que estarmos sem ninguém por perto é ruim. Um tempo com nós mesmos é saudável. Fazer novos amigos é sempre possível. E encontrarmos atividades em que podemos aprender ou ajudar torna nossos dias memoráveis.
ResponderExcluirÓtima crônica,Fausto.
ResponderExcluirIvan.
Ótima reflexão, Fausto. Quantas vezes entramos num restaurante e vemos uma mesa com 5 ou 6 pessoas, cada um absorto com o próprio celular. Estão acompanhados ou sozinhos???
ResponderExcluirParabéns,Fausto, pela excelência do texto. Sugiro usares com ênfase o sobrenome Marchiori, o que me propiciaria surfar nessa onda. Um afetuoso abraço.
ResponderExcluirBen-Hur Marchiori
Um tema importante e interessante.
ResponderExcluirAtaulfo Alves compôs co. Afonso Teixeira um samba gravado por Nelson Gonçalves, que diz assim:
“Sinto-me bem quando estou na solidão, sinto -me bem em chorar por meu amor, sinto-me bem quando a solidão reclama no meu peito, batendo contrafeito, para aliviar uma dor,
Não quero que você volte pra mim
, não quero, não quero, não quero,
Porque eu quero sentir mais saudades de você, mesmo porque o nosso amor não se acabou
Mas deixa-me ficar solitário como estou”.
Uma visão romântica da solidão.
Excelente reflexão ! Todos nós passamos por este sentimento no decorrer da vida. As coisas evoluem e nos sentimos deslocados com estás mudanças. É preciso conviver com elas.Aproximarmo-nos dos outros com a intensão apenas do sentimento de solidariedade , de oferecr- lhes algo de
ResponderExcluirbom. Até um sorriso alegre para um desconhecido na rua .Talvez este sorriso seja a única coisa boa que recebeu naquele dia e o reconfortou E lembremo-nos: nunca estamos sozinhos , porque Deus está sempre conosco !! Iara Peixoto.
Querido Adauto, como sempre, cirúrgico nas tuas colocações.
ResponderExcluirVivamos, pois, todas as fases da melhor forma, nos superando sempre com amor.
Que beleza de crônica! A solidão, não necessariamente precisamos estar a sós para senti- la, às vezes mesmo cercado de pessoas esse sentimento aflora. O perdão, é a virtude mais difícil de se conquistar , é a nossa evolução espiritual.
ResponderExcluirPara mim solidão é não aceitarmos nossa finitude é começar a contar quanto tempo nos resta é quando ( como dizia minha mãe) o que está dentro não combina com o que o espelho mostra e não fizermos disso um problema. Viver plenamente é fazer o que se quer, conforme se pode sem dar importância com o que os outros pensam ou acham e sem pensar se isso vai prolongar ou encurtar nossas vidas.
ResponderExcluirTida.
O ser humano é eminentemente social. Normalmente gostamos de conviver com a família, com colegas, com amigos. Quando isso não acontece a solidão nos abraça e temos que saber nos desvencilhar dos braços dela. Essa é uma sabedoria que precisamos ter sempre e principalmente quando estamos mais velhos e menos fortes para escapar daqueles braços.
ResponderExcluirMaravilha de texto! Parabéns! Ele nos leva à reflexão e provoca bons pensamentos! Abraços. Bidart.
ResponderExcluirFausto, adoro suas crônicas, eu odeio solidão, só vi hoje que não comentei kkkkkkkkk
ResponderExcluirA lucidez deste texto é impressionante, abordando dois elementos importantes em nossa vida, companhia e solidão, dois opostos...Parabéns Fausto.
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