quarta-feira, 22 de julho de 2026

 233) Liderança, Influência &Poder.

Liderança, Influência e Poder. Eis um tema desafiador a qualificar a tantas responsabilidades assumidas durante toda nossa vida. Atividades profissionais, sociais, de amigos ou em Família! Não há uma regra simples, orientadora, apesar de tantos livros já escritos sobre o assunto. Mas são eles, os Livros a nos dar uma perspectiva com visão dos caminhos menos espinhosos a percorrer nessa exigente atividade.

Livros: “O Príncipe” (1513) e “Os Pensadores” de Maquiavel, mais o “Arte da Guerra” de Sun Tzu são de uma riqueza fantástica na abordagem da Arte de Liderar. Esses trazem exemplos claros de como agir em momentos de pressão, necessidade de assumir posições claras. Todas com o provocante desgaste natural de um fardo pesado e desconfortável na área de liderar, gerenciar e o de ser Papai/Mamãe.

Óbvio, mandar fazer é muito mais fácil ao motivar a fazer e é aí onde reside a diferença brutal entre elas quando se mede o resultado de cada uma. Quando o poder de uma autoridade é claro, tudo se define numa hierarquia estabelecida com regra aceita pelos liderados, mas nem sempre isso acontece, daí a gerar reações contrárias e o “cortar cabeças” se impõe necessário. No segundo livro, já citado de Sun Tzu, o medo eleva significativamente o poder do líder, enquanto o amor, pouco adiciona. Está lá, escrito no livro dele...

Entretanto, sempre tem algum reparo. Uma das melhores experiências já por mim vividas, me pegou num período com pouca experiência, melhor, com zero experiência – quesito muito vivo em qualquer responsabilidade – ainda muito jovem, recém-chegado aos dezoito anos de idade durante o Serviço Militar, um fato chegando às raias do hilário:

- Fui Cabo no Exército, ano de 1967, época de grande respeito à Instituição e reconhecida como a melhor linha de respeito hierárquico. Havia uma forte carência de recursos humanos em todas áreas. No Quarto Regimento de Cavalaria, onde eu cumpria o Serviço, o Comandante era um Tenente Coronel, quando deveria ser um Coronel e assim a maioria dos Postos eram responsabilizados.

Nesse formato, mesmo sendo Cabo, num determinado dia na Escala de Serviço, ocupei a responsabilidade do “Sargento da Guarda”. Uma das tarefas, era o de conduzir o Serviço da Guarda ao Rancho nos horários previstos. Para o almoço nesse dia, os Soldados da Guarda em Ordem Unida cercavam os Praças que cumpriam prisão. A formação compunha com os apenados ao centro, cercados pelos Soldados em Serviço, obrigatoriamente “marchando” em compasso ditado pelo Sargento da Guarda, eu no caso...

O percurso era algo de uns seiscentos metros da Guarda ao Rancho e por óbvio a totalidade dos apenados, meninos como eu, cumpriam castigo por Indisciplina Militar, previsto na Quarta parte, Justiça & Disciplina... Um dos apenados fora condenado por deserção, na nossa visão à época, a pior das infrações!

Pois foi esse Soldado quem me deu a “melhor das lições”: O pelotão todo marchava em concentrado e orgulhoso ritmo como se estivessem indo para a Guerra! Ele, somente ele, caminhava numa displicência de dar inveja a um carnavalesco de ressaca voltando para casa na Quarta-feira de Cinzas! Era só preguiça, arrastava os coturnos na maior sonolência de desafiadora má vontade! Olhando para as nuvens e assobiando alguma música, talvez alguma rancheira do Teixerinha!

Pois foi quando o “Cabo Fausto” num exacerbado e rigoroso comando de ALTO, fez parar aquele pelotão de uns vinte guerreiros, com um forte estalar de suas esporas em uma rigorosa Posição de Sentido! A tempestade estava anunciada e em tom de forte trovoada com o mais alto rigor, lhe chamei atenção sob severa advertência! Confesso, fiquei orgulhoso de posicionamento com tão forte Posição Militar! Já o atingido por tamanha reprimenda, responde no mesmo entusiasmo de sua “caminhada” em direção ao rancho:

- “E daí Cabo! Que qui tu vai fazê? Vai me botá na cadeia?”

Prender um preso? Sem resposta, toda minha autoridade se desmontou derretida! Resmunguei alguma coisa ininteligível, língua enrolada e tom de voz bem mais moderado da anterior e me restou seguir em frente rumo ao Rancho, como se nada tivesse acontecido. Voltamos do almoço, ele exatamente como fora e cada um retomou seus postos e os presos em suas celas! Mantive-me sem resposta naquele caso. Como fazer para prender alguém já preso? É. Liderança sem um poder claramente definido, é melhor ficar calado!

Porto Alegre, 23/jul/2026.

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