236) Por que o Gaúcho fala “TCHÊ?
Nasci no Interior do Rio Grande do Sul – Jaguari – onde vivi até meus vinte anos, para então buscar a Capital, Porto Alegre na busca de mais estudos, um curso Superior, a sonhada Faculdade. Minha mãe me pressionava afirmando com todas letras e a mais profunda convicção de estar o sucesso profissional, de qualquer pessoa, como resultado da dedicação à evolução do conhecimento, em outras palavras, estudar. Ela tinha uma profunda dor de seus Pais terem negado essa hipótese de ir à Escola, se já estava alfabetizado. Foi assim firme comigo e meus três irmãos e a única irmã, a Eleonora. E foi precisamente ela, a irmã, a que foi mais longe: - Odontologia e um Mestrado de dois anos em Histologia e Embriologia no Rio de Janeiro!
Também rodei bastante. Faculdade de Administração, Economia mais um pós-graduação em Marketing e Mestrando em Educação. Essa preparação me deu oportunidade a trabalhar como Instrutor na IBM do Rio de Janeiro por três anos.
Aqui começa a briga de sotaque no meu linguajar chulo. Mesmo muito ocupado em tentar manter uma dicção neutra e mais bem articulada possível, o escorregão às origens era inevitável! Ah! Era muito chato na medida em que era abruptamente interrompido por algum participante, a se deixar levar por um “ruído” nesse meu linguajar. De “doce lembrança”, um aluno a perguntar com um bom grau de jocosidade:
- És gaúcho? Sabes daquela piada em que um gaúcho foi...”
Pronto! Desmoronava toda a linha de raciocínio e segurança. Derretia a matéria em desenvolvimento! Tinha de interromper a sequência da aula para receber educadamente a piadinha. Bem. Na verdade, ao passar do tempo e a repetição daquele padrão de interrupção, algo corroeu a paciência e gerou uma dose oxidante de mau humor e a resposta foi: - Sim, conheço. Podes conta-la, só me perdoa se não rir, pois já ouvi por pelo menos cem vezes! O “deixa para lá” era imediato, assegurando contar outra hora...
Por óbvio o fato se alastrou – lógico,
profissionalmente muito pegou mal – mas o conceito se espalhou de o “gaúcho é
meio nervoso”, e curiosamente nunca mais se ofereceram o brinde com tal graciosa
piada...
O silêncio a tais detalhes e interrupções me trouxe muita paz por um lado, mas de aguçada atenção para me cuidar com termos a provocar no meu público tal tipo de curiosidade. Mesmo assim, jamais esquecerei um dia ao natural e involuntário, proferi em plena Sala-de-aluas um sonoro e grave “tchê”! Nossa Mãe! A casa caiu! Essas quatro letrinhas detonaram com qualquer proteção de idioma. Tragédia! Minha vida pública longe do Rio Grande do Sul acabou!
Qual nada. Ninguém percebeu. Só eu me dei conta de tamanho “escorregão de vocabulário”! Tive uma pequena crise de tosse e o calor de incêndio nas faces, certamente rosadas como uma melancia, mas ninguém dando sinal de indignação... Então, passou desapercebido por todos! Menos por mim...
Mas afinal, de onde vem essa partícula tão ameaçadora: - A expressão “tchê” é falada principalmente pelos gaúchos, os moradores do Rio Grande do Sul, no Brasil, porém também muito usada em países vizinhos da América do Sul, como na Argentina, no Uruguai e no Paraguai, onde a forma original é escrita “che”! Serve para se dirigir a alguém de maneira informal. Expressa surpresa, admiração ou inconformismo. Funciona para uma pausa natural na conversa ou ênfase para qualquer sentimento.
Há raiz Indígena onde estudo aponta ligação com termos de Povos Originários do Guarani e Quéchua, equivalendo a amigo, pessoa, gente! Também compartilha a raiz hispânica usada nas Nações jáa citadas, sendo nossa herança ainda da colonização do Prata e dos Pampas!
No futuro, talvez terei de dar conta no termo "Bah"! Então se me permitem agora, vou encerrar essa “charla” por aqui mesmo tchê!
Porto Alegre, 20/ago/2026.
Nada contra esses termos dos cantões do nosso Brasil... pelo contrário, gosto muito. Agora vocês do Sul também "pegam no pé" dos cariocas... rsss
ResponderExcluirQue maravilha, adorei a explicação, só na expectativa do BAH kkkkkkkkk
ResponderExcluirParabéns, ótima explanação
ResponderExcluirSó posso te responder amigo Fausto.
ResponderExcluirCAPAZ!
Ivan.
Parabéns por mais uma bela crônica! Excelente descrição de mais um termo desse "idioma" gaúcho. Abraços. Bidart
ResponderExcluirO "Bah" indica admiração com um fato. Ainda mais junto com o 'tche' . Mas "bah ,tchê " !! é a grande admiração com algum fato !!....., .......Iara
ResponderExcluirBah tche. kkkkkkk
ResponderExcluirGrande Kayser Fausto, mais uma cativante crônica de seu vasto e rebuscado repertório ...vamos aguardar o "Bah"...abraço de volta e meia tchê...
ResponderExcluirAgradável e interessante ! Segue firme. Aqui é o Pr. Psic° Vilson Regina. Forte abraço, Fausto!
ResponderExcluirGostei da descrição, valeu saber a origem e o significado. Concordo com a Sue, vc adoram encarnar no linguajar dos cariocas, me lembro vc me imitando "que friiiiiioo" rsrsrsrs
ResponderExcluirKatia
ResponderExcluirMuito boa a crítica. Parabéns meu escritor dos pampas
ResponderExcluirO gaúcho é reconhecido em qualquer lugar do Brasil pelo Bah e pelo Tchê. O Tchê é a abreviação de uma expressão espanhola e tem um significado lindo. "Gente do Céu"
ResponderExcluirDesconhecia a procedência. Uso bastante!
ResponderExcluirAdoro nossas expressões, minha filha ainda usa " vou fazer o rancho" kkk
ResponderExcluirTida
Bêi! Tchê!
ResponderExcluir