quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

38) Elefante sofre crises de “mau humor”. 


Meus caros leitores,

Viajar sempre foi para mim, o melhor de todos hobbies! Mais compensador de todos os investimentos. Sempre que pude, estive na estrada, no avião ou num barco! Sem dúvidas o melhor meio de estar presente na História aperfeiçoando cultura! 

Hoje procurarei ilustrar uma das mais interessantes das viagens que já fiz e nada comum ao turista, não só ao brasileiro mas de todo Planeta: - A África do Sul.

Já contei na crônica vinte e três, da minha viagem à África o quão interessante é aquela Região e em especial a última Nação ao Sul do Continente, a África do Sul. Suas peculiaridades e sua Cultura fazem valer a pena cada centavo investido. Vejamos como são seus habitantes naturais, os mais antigos, os verdadeiros donos, os animais.

Não se trata de crônica engraçada como é o foco do meu blog, mas um fato!


Elefante sofre crises de “mau humor”.


Conheci essa curiosa realidade, em agosto de 1999. Como contei na Crônica 23, estive na África do Sul nessa época e no programa contava com cinco dias no Kruger National Park, reserva de 19.485 km quadrados [aproximadamente a dimensão do País de Gales ou Israel"] que detém um rebanho de animais nativos fantástico, além do “Big Five” (Leopardo, Rinoceronte, Leão, Elefante & Buffalo). Não entendo a razão de deixarem a Girafa fora do padrão “Big”! Conta numerosamente com Zebras, Jacarés, Crocodilo e diversos pequenos animais em abundância. 

Essas imensas reservas são cercadas para manutenção do equilíbrio de convivência do Reino Animal. Os animais vivem livres e independentes. Ninguém os alimenta. Quem for predador, caça. Quem não for, foge! Realidade desse Reino que conhecemos claramente.

Aos turistas, são disponíveis os “Louges” de alto padrão hoteleiro em meio à Savana, rigorosamente protegido com infraestrutura perfeita e paisagismo impecável. Acomodações cinco estrelas com pensão completa que surpreende a todo visitante!

Na programação regular dos Louges, são feitos dois Safaris por dia, um ao amanhecer e o segundo ao entardecer que vai noite adentro. O percurso é feito num grande jipe totalmente aberto com apenas um toldo para proteção do sol forte. Ao entardecer quando o Sol se põe, o Guia estaciona defronte a um imenso lago e serve um coquetel sobre o capô do carro, com direito à espumante e guloseimas num momento lúdico a observar um colorido crepúsculo sobre a água! Espetáculo único! Abruptamente é noite, e se inicia a fase de "caçada fotográfica" na escuridão.

Com potentes holofotes a procura do felino mais voraz, caçador, Rei das Selvas, o charmoso Leão e sua manada! Período inicialmente tenso, mas as feras estão tão concentradas na liderança do Rei, que nos ultrapassam correndo pelas mesmas trilhas que rodamos, sem nos dar a mínima... A autoconfiança dos leões causa inveja!

Num amanhecer desses durante o safari sr. Pizza, o Guia – cujo protocolo de segurança exige porte de um potente fuzil – acusou logo no início da jornada, a derrubada de alguns metros do alambrado/cercado, que é composto de grossos postes de concreto e tela de arame muito forte. Por rádio, comunicou à Central dando sinal de alerta. Então nos contou que aquilo era um sinal de que o Elefante, único animal que como o Homem, se dá ao “luxo” de ter mau humor! Mesmo sem nenhuma razão especial aparente, para nós Humanos! Tornam-se intolerantes, nervosos, brabos e perigosos. A Medicina Veterinária, segundo Pizza, não tem clareza sobre esse fenômeno tão comum entre nós os Humanos.

A busca prossegue e quilômetros depois avistamos a poderosa e irrequieta manada. de uns trinta indivíduos. Paramos há uns cem metros deles. Aproximação maior não é "conveniente"! Ao nos avistar, um dos animais provavelmente um adolescente, porte médio com pouco mais de um metro de altura, (adulto chega a 4 metros e até seis toneladas de peso, é o maior animal do nosso planeta) este se separa da manada, ergue elegantemente sua tromba, grita severamente conosco, alguma xingação que “não entendemos” e dispara em nossa direção. Chega a frente do veículo, dá uma laçada com sua tromba no “mata cachorro” do jipe e sacode o vigorosamente. Ficamos imóveis.

Obrek - que é um nativo da Região, extremamente franzino está conosco para rastrear animais – fica posicionado em um banco sobre o guarda lama dianteiro a esquerda do veículo, só observa a situação sem nenhum movimento. Acho que nem respirava.

A insistência do “menino elefante”, chama a atenção da Matriarca da manada e seu apelo funciona muito bem, pois subitamente essa faz o mesmo e já conhecido movimento de


estranha contestação, levanta a tromba, dá aquele grito estridente e vem em nossa direção apressadamente num trote decidido, fazendo grande alarido.  A manada inteira acompanha. Pizza, o guia coloca cuidadosamente a mão sobre seu fuzil preso ao painel do carro e murmura:

- Obrek?!

Esse, faz um sinal extremamente suave movimentando o braço a  orientar imobilidade total. Toda a manada, uns trinta animais vêm e cercam nosso veículo arfando, gritando com suas trombas levantadas e ameaçadoras.

Eu, no último banco de trás, batia fotos euforicamente o que fez Pizza me chamar atenção falando compassadamente sem mexer um músculo do corpo nem olhar para trás:

- "Keep quit!"

Pensei, mas “estou quieto”, ele está exagerando! Mantive-me fotografando alegremente. Sem medo? Claro! Absolutamente sem medo, havia alguns meses tinha ido a Disney World onde tudo é cuidadosamente programado para assustar e divertir... Aqui, deve ser igual, uma farsa programada com elefantes adestrados, pensei! Depois de muito escândalo, gritaria, “ofensas pessoais”, os elefantes que nos rodeavam cansaram e foram se acalmando e finalmente se retiraram.

Volta o silêncio e se ouve apenas as vigorosas pisadas dos animais de afastando. Pizza virou o pescoço lentamente para nós, deu um assovio de alívio e um profundo suspiro e disse;

- Em vinte anos de atividade, jamais enfrentei situação igual! 

Estava pálido, rosto coberto de suor! Obrek apenas pôs suas mãos em posição de Oração e falou alguma em um dos mais de vinte dialetos oficiais do País, olhando para o Céu! Meu colega, Anabol suado na testa, também pálido e mudo!


Só então que o “idiota aqui” – eu no caso - se deu conta do perigo real que nos rondava! Fiquei com a minha tradicional cara de bobo, enquanto os outros se enxugavam, riam, suspiravam e creio que pensando trocar as “roupas de baixo”! Lamentei não ter curtido a forte emoção que eles tiveram. Eu estivera inocentemente seguro que a brincadeira era plenamente inofensiva!

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

37) Dificuldade com troco...

37) Dificuldade com troco.

Meus amigos,

A Crônica de hoje relata algo acontecido há quase meio Século. Custei a ter coragem de escrevê-lo, pois em virtude do “ perfil ignorante”, procurei ocultá-lo.

Hoje me revelo, tenham paciência comigo e me desculpem pela grosseria perpetrada contra um cobrador de ônibus!

O que pode suavizar minhas crônicas, é a exposição de figuras que ilustram de forma inteligente – agora posso elogiar porque não sou eu que as produzo – com a criatividade de Dirceo Stona, que desde a primeira crônica esteve me estimulando, incentivando e garimpando as figuras que ilustram tão bem as histórias! Obrigado meu amigo, amizade de mais de sessenta anos! 



- Dificuldade com troco.



Entre 15 de maio de 1970 e 28 de fevereiro de 1986, nossa moeda brasileira era o Cruzeiro, padrão empreendido pela reforma monetária que vinha dos Cruzeiros Novos. Na metade de 1971 a maior nota era de 100,00 cruzeiros, um valor muito alto na época e semelhante na relação com o Dólar Americano nos dias atuais de 2020, isto é, uns US$ 20.00.

Certo dia saquei 100,00 para pagamento de uma conta no dia seguinte. A nota de “enorme valor” ficou na carteira. Ao ir para a Faculdade, pegava ônibus na Praça XV no centro de Porto Alegre. Antes de embarcar tomei uma “batida de morangos”! Ao pagar, verifiquei que tinha exato o valor daquele lanche e me restou aquela única nota para o ônibus, que custava centavos, nem chegava a um cruzeiro. Fiquei preocupado com a reação que o cobrador teria diante da dificuldade com o troco da época. Pior, preocupação crescente!


Ao embarcar no ônibus lotado, observei que o Cobrador de aspecto rude, muito sério tinha cara de brabo. Que azar. Estou condenado. Fiquei em pé sem passar na roleta imaginando o que ele me dirá em função da falta de troco. Ficará furioso. O cara era forte, tinha mãos enormes e imaginei que discutiríamos. Vou apanhar feito um cachorro ladrão desse monstro! Qual a razão de ele ser tão estúpido, grosseiro “dessa forma” comigo só porque não tenho dinheiro trocado? Deve ser um ignorante recalcado que vendo minha pasta "de Faculdade", deve imaginar que eu sou esnobe com intenção de humilhá-lo. Não é nada disso, apenas fiquei involuntariamente com essa cédula de alto valor...

Li casos em colunas policiais de jornais, sobre brigas com final trágico nessa situação. Não tenho alternativa diante de sua tamanha falta de educação. Terei que “engrossar” – sei que a melhor defesa é o ataque - para que não perceba que estou com medo. Respirei fundo e botei o peito para cima para mostrar musculatura (inexistente) e fui para a roleta. Larguei aquela maldita nota disfarçando a mão trêmula de medo no que, como esperado, ele retruca:

- Não tem nota menor?

Eu sabia que ele ia implicar comigo, me provocar para depois justificar sua ação tão violenta! Vou determinado e não vou mostrar medo, é assim que devo agir:

- CLARO QUE NÃO, PORRA! Não tá vendo que só tenho essa nota? Se tivesse é óbvio que não usaria, né?! Tem cada pergunta!

Eu nunca tinha dado um “pataço” tão perfeito, tão forte! Cavalo nenhum me superaria! Pudera, eu tinha que ser forte diante de tamanha ameaça que aquele perigoso cobrador representava! Sem exagerar nem um pouco, o cara podia até me matar!

- Sem problema. Arrumo troco!

Surpreendentemente falou bem baixinho e baixou-se para pegar “algo”. Desconfiei. Fiquei preparado, pois há casos de cobradores usarem uma chave-de-fendas como se fosse estilete que produz perfurações letais no abdômen de seu oponente! Um horror! Assassinos frios e cruéis! Entretanto, ainda que me parecesse falso, tomou de uma sacola cheia de dinheiro e pegou um pacote com 100 notas de um Cruzeiro, tirou uma nota para descontar o valor da passagem e ainda apanhou as moedas para completar o troco corretamente.

Notas velhas formam um “bolo de grana” que não cabe em nenhuma carteira, joguei tudo na pasta sem contar, ainda furioso e passei a roleta. Ao passar, uma moça que sentava ao lado do cobrador, se levantou e disse :

- Sente-se aqui, que vou desembarcar!

 Está tudo dando certo, pois até essa menina ficou com medo de mim, entretanto era tudo o que eu NÃO queria: - Sentar ao lado do cobrador.  

Mas com cautela e com o canto dos olhos fiquei cuidando o cara e notei - eu estava muito esperto, alerta -  que ele me olhava a toda hora. Estava me observando. Continuo me sentindo ameaçado, mas prevenido. Finalmente cheguei ao destino. Levantei pensando em não mostrar medo nem ficar muito de costas para ele. Fiz-lhe ainda um olhar ameaçador de muito brabo e sai. Dois passos e ele fala:

- Boa aula, seu Fausto!

Parei. Olhei para trás e o moreno estava com um largo sorriso, estampando uma bela dentadura alva e uma simpatia inigualável! Derreti! Senti que até minhas orelhas murcharam! Vontade de olhara no espelho e dizer: "Seu idiota!"

Desci no ônibus sentindo um calor muito intenso no rosto. Dei uma olhada para a sua janela e lá estava ele sorrindo e me abanando. Simplesmente tapei o rosto com uma mão e com a outra abanei pra ele! Ele percebeu que eu estava muito envergonhado (ainda estou) e me fez um sinal de positivo com o polegar!

Nesse momento, se deu um fenômeno interessante em toda a pele que cobre o meu rosto, além de quente, sentia nitidamente meu batimento cardíaco! Interessante, né?!

A dúvida que fica: - Será que ele me achou ignorante? Talvez não! Apenas um grosso mal-humorado!

Eu nunca soube quem era aquela “Graça de Pessoa” e nem de onde me conhecia! Por sorte nunca mais peguei viagem com ele. Fiquei devendo para sempre um pedido de desculpas ajoelhado! Que vergonha. Sentir-se um animal é o pior dos sentimentos de "auto estima”!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

36) A Primeira “tanga” nas praias do RS.



Hoje iniciarei a apresentação da minha crônica - que estará logo mais adiante – filosofando um pouco. É, um pouco porque meus limites intelectuais assim o definem. As considerações irão por conta da Visão de Vida do homem, o macho no caso:

 - Até a saída da adolescência, parece que tudo conspira na contramão dos anseios do menino. O cabelo não se ajeita de acordo com o desejo. Há sempre um redemoinho ou uma região que ele fica espetado como se fosse um paliteiro e não há gel, creme ou banha de capivara que ajuste de acordo com aquilo que queria ver no espelho. 

Para mim foi piorado pois meu pai é quem determinava o comprimento dos fios. Um dia ao retornar do barbeiro, meu velho me mandou de volta para CORTAR o cabelo... Estatura? Sou baixinho, (quando adulto atingi 1,81m, nada de “baixinho”, mas...) queria tanto dançar com a filha sr. Fulano, mas ela é mais alta que eu e aí fica ridículo! A pele? Que raiva, como é difícil fazer desaparecer as espinhas, mesmo que sejam poucas, dão um aspecto horrendo, jamais poderei por exemplo, dançar de rosto colado, tão romântico e conquistador! 

Essa idade parece que só conspira desgraça. Autoconfiança, abaixo de zero! Ainda bem que nesse período da minha vida, os Psiquiatras não tinham ainda "inventado" a tal depressão! Não precisávamos de Prosac ou outro antidepressivo qualquer!

A transição da adolescência de tanta infelicidade acontece como a movimentação de um elástico: A insegurança estica até seu limite quando subitamente se solta e ela retorna aquém do bom senso, isto é, à soberba! Difícil reconhecer, ou sequer aceitar, mas de adolescente para “jovem” a prepotência explode, domina! Agora sabemos tudo, dominamos absolutamente tudo, somos conquistadores irresistíveis, sabemos tudo sobre a vida mais do que qualquer adulto formado! Arrogante? Não, Sábio mesmo! (Pelo menos até o primeiro tombo, geralmente, primeiro chifre!) Então nesse período antes do tombo, pensamos muito em “ter”! Ter um carro, ter grana no bolso e em especial, ter uma (s) “gata (s)”! A qualidade não é relevante, a quantidade sim! Qualquer sinalização para aumentar o “rol de conquistas”, está legitimado! Pois a crônica a seguir, trata de um fato ocorrido precisamente nessa fase em que visava em qualquer conquista amorosa, um troféu para brilhar na prateleira!


A Primeira “tanga” nas praias do RS.

Verão de 1971: Jornal Zero Hora faz uma ampla matéria exibindo fotos na primeira página da inusitada e arrojada “tanga” na praia de Tramandaí. Praia de maior movimentação e mais badalada do RS. Chamou atenção uma dupla de moças – daí a reportagem – pela beleza plástica de uma e a “generosa fartura” em todas as formas da outra.

O mais importante era indumentária de ambas: A mais bela ostentava uma tanga – que na verdade a moda não aderiu – cujo “tapa sexo” era apenas um lencinho semelhante aos que se vê nos filmes em que aparecem as Tribos Indígenas pelo mundo afora. Aquele “paninho” pendurado estrategicamente, cobria miseravelmente a área de interesse gineco-obstetra, local no corpo da mulher considerado de interesse geral da galera assumidamente masculina. O modelito se assemelhava aos costumes “Apaches” para alegria de muitos e desconforto das namoradas ciumentas...


Os mais tarados ficavam torcendo para que o “paninho” sacudisse ao vento, e sacudia! Parecia que era solo e solto em sua hiócrita missão de esconder algo! Escondia nada! A mais robusta por sua vez, expunha suas generosas formas com minúscula peça de tecido, uma tal de "asa delta" extremamente sexy. Um claro atentado ao pudor e aos bons costumes! (Estou sendo sarcástico!). Aquela publicidade toda fez o mais estrondoso sucesso! A Igreja criticou, jornalistas concorrentes da ZH criticaram severamente o excesso de exposição sexual. Bateram recorde de vendas de suas páginas. Escândalo no Litoral Gaúcho!

Nessa época eu dividia apartamento com meu conterrâneo, o JED, já identificado no primeiro conto da Andradas. Eu havia recentemente comprado meu primeiro fusca, o primeiro sonho material! Tendo carro, eleva-se o status bem como se torna alvo de bons e  de diversos convites ao entretenimento. Num domingo, duas semanas após o escândalo do jornal ZH, meu amigo JED me convidou a ir num riacho recentemente descoberto para um banho de rio em águas limpas e frescas, onde havia também uma cascata! Era no município Novo Hamburgo, em meio a mata nativa. Natureza pura e bela! 

- Fausto, vâmo dá um passeio numa prainha, no interior de Novo Hamburgo? Dizem ter uma prainha de rio, sensacional. Eu convido umas amigas para irem conosco!

– Legal, vamos sim. Mas quem são elas?

– Umas amigas!

Assim tão bem explicado pelo amigo, aceitei de imediato. Como combinado, numa manhã de domingo e nos encontramos com as vistosas amigas, moradoras do mesmo prédio da gente, e pegamos estrada em total alegria juvenil!

Nunca soube sequer o nome delas, também não tinha a menor importância detalhes de nome, perfil etc... Uma delas era linda e eu cobrei do JED ao pé do ouvido, que "aquela"  sentaria ao meu lado por óbvio. A outra, bem, a outra era opulenta e de beleza plástica, “intermediária”! Fomos alegres e contentes como combinado rodando por uns 50 km da BR 116. Afinal eu era livre e desimpedido e principalmente, eu tinha um carro, o que me fazia – dentro da minha imaginação presunçosa e egoísta - um “cara interessante”!

Lá fomos nós a passear! Por pouco mais de uma hora, chegamos ao local que era de fato lindo, natural, um pouco selvagem sem nenhuma estrutura turística. Frequentado, naquele dia, por mais de vinte Famílias de pessoas simples, do interior com crianças, adolescentes etc... Fizemos um churrasco com fogo de chão e algumas cervejas não muito geladas, afinal de contas, caixa com isolamento térmico não era do “nosso bico”! Após o almoço fomos nos banhar no riacho que vinha da cascata em meio aquele vasto grupo de pessoas da região. Coloquei a sunga e elas foram a um modesto barraco, “se trocar”! Minutos depois vieram elas no mais belo desfile de modas em meio a selva!

Alarme geral e para minha surpresa, "elas", eram exatamente aquelas duas moças que em um domingo anterior causaram tanto tumulto, escândalo e indignação em Tramandaí. Ao vê-las, quase engoli a língua! O reboliço foi danado. Fiquei roxo de vergonha e nadei em fuga para o outro lado do rio e lá fiquei escondido dentro d'água, só com o nariz para fora... Definitivamente abandonei JED sozinho com as duas beldades!

Deu um corre-corre danado, algumas mulheres gritavam, outras arrastavam desesperadas suas crianças, nos xingavam com diversos tipos de acusação, tapavam olhos dos maridos, esses com olhar derretido sorriam e babavam ao mesmo tempo. Peças de cozinha e roupas deixadas para trás. Pior que um tufão, muito mais devastador. Deixaram um saldo de ciclone letal! Em poucos minutos o local que antes tinha muita gente, ficou num vazio silencioso com vento jogando guardanapos usados e alguns panos de pratos velhos pela paisagem, agora desoladamente deserta

Escândalo extinto, voltei calmamente ao convívio com a tríade que eu abandonara e demos por encerrado o domingo. Voltamos para casa em silêncio. Não “aproveitamos” nada da tão fulgurante companhia!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

35) Preparando um chimarrão na Feira

35) Preparando um chimarrão na Feira...


Essa é para encerrar o difícil ano de 2020. Não foi absolutamente um ano perdido, ao contrário, creio ser o mais rico, o que mais nos ensinou. Apreendemos a enfrentar dor da solidão, a saudade daqueles que a gente nem imaginava que gostava tanto e que sentiria tanta falta de seus abraços, olhares sorridentes e fraternidade explícita!

Tivemos que nos dar conta da finitude da Vida. Vivenciamos despedidas à distância. O que foi sofrido, passou como tudo na vida, nada é eterno!

Venha 2021 para continuarmos nossa caminhada com muita alegria, e apostem, vou continuar contando minhas passagens ridículas, como a que relato agora:

 

35) Preparando um chimarrão na Feira...

 

Essa eu vivenciei há pouco mais de dez anos, já um homem maduro com meus cinquenta e poucos anos. Estava acompanhado  dos amigos Garden com sua noiva Mairalyn e Anabol. Fomos ao Parque de Exposições Menino Deus em Esteio-RS, visitar a Feira Internacional de Agropecuária. O passeio transcorreu na mais absoluta normalidade, vendo cavalos, touros premiados etc., como é esperado. A Feira leva muitos fabricantes expositores de equipamentos, defensivos agrícolas e os mais diversos produtos que tem alguma coisa a ver com atividade de campo e lavoura. 

Ora, sendo exposição no Rio Grande do Sul, não podia faltar o chimarrão! Óbvio que o fabricante da matéria prima da nossa tradicional bebida, estava lá:
Ao passarmos por uma tenda de um fabricante de erva mate, despertou-me grande curiosidade com o formato com que as “meninas modelo” apresentavam seu trabalho através de desenhos ornamentando a erva em cuias. Cuias eram coberta de erva com apenas um orifício para a bomba e um infindável tipo de desenhos na superfície da erva! Muita criatividade! Na verdade – comum nesses eventos – é que lindas modelos trabalhavam aquela Arte com grande habilidade e uma gentileza encantadora!

Eu, muito interessado – estava mais para "assanhado", oferecido - pedi mais e mais informações. Em excesso fazendo com que a instrução demorasse mais que o habitual enquanto "eu babava" com elas ao meu redor. A mesura era tanta, que meus parceiros constrangidos com minha espontaneidade, se retiraram do local e me aguardaram à uma distância razoável!

Ao me dar conta do mico que “o velho babão” pagava, encerrei, agradeci e  me retirei. Ainda num misto de faceiro e convencido, sai dando uma sequência de “tchauzinho” e abanicos até sair da tenda! Tinham pelo menos três delas que ficaram me retribuindo com olhares insinuantes e sorrisos prometedores! E eu acreditando...

Saí me sentindo cheio de glória, vaidade estimulada!

Ainda olhando para trás, ao descer o degrau do passeio não percebi uma fenda no chão onde prendi o pé, perdi o equilíbrio e para não quebrar o pé preso, me lancei para a frente me apoiando com uma mão no chão, mas o piso de chão batido com cascalho fez a mão resvalar e tive que usar a outra mão - tudo em alta velocidade - a segunda mão também não resolveu nada e fui por alguns metros levantando poeira e chamando atenção de tantos que assistiam e  dei de ombro no chão e entrei de cabeça na terra. Como bom atleta que era, me recuperei e heroicamente, já quase em pé mas com o corpo inclinado para a frente, fiquei tonto perdi o equilíbrio, “tastaviei” dei ainda uns quatro passos largos a frente, tropeçando  cai de corpo inteiro no chão! Perdi a feroz batalha contra a Lei da Gravidade!

Cabeça e ombro enterrados na terra, fui levantando lentamente, com os cabelos cheios de terra cuspindo areia! Nada demais, talvez uns 100 gramas, suficientes para fabricar meio tijolo, pois areia misturada com saliva fica.... Deixa prá lá!!!

Um vexame histórico para ninguém botar defeito! Umas quarenta pessoas assistiram aquele espetáculo. Uns se assustaram, muitos riam com tamanho reboliço e baderna de um homem só!

Levantei meio grogue, assoprei um pouco o pó para enxergar alguma coisa. Não olhei para trás. Não queria nem ver a reação das meninas se divertindo com meu fiasco. Procurei retomar o prumo ainda tonto com o sacolejar que o cérebro levou, procurei ver onde estavam meus amigos, pois tinha perdido os de vista!

Lá estavam eles há uns oito metros me aguardando – para minha sorte os três estavam de costas – não viram o desastre.

Fui me batendo e tirando a terra da roupa, ainda roxo de vergonha me aproximei lentamente até recuperar a respiração ofegante. Eles ainda de costas, arrisquei comentar com um tom dando pouca importância ao ocorrido:

- Olhem só o que me aconteceu: - Tropecei na saída da tenda e...

Eles explodiram em gargalhadas e assim se mantiveram por longos minutos, antes de eu falar mais uma palavra! Tinham assistidos a tudo! Com pena de mim, viraram de costas apenas para me poupar! Era tudo o que eles queriam ouvir! Que glória! Que vergonha! Que merda!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

34)-O Testicocéfalo

 34) O Testicocéfalo


Em Jaguari havia um conterrâneo alegre, descontraído e simpático rapaz de nome John Forest. Muito conhecido e reconhecido pelas suas exitosas aventuras sexuais e larga experiência no trato amoroso com as empregadas domésticas, aliás, sua especialidade! Jovens que vinham da colônia tentar a vida na cidade eram imediatamente detectadas pelo conquistador de corações e “adjacências”! Raras as que escaparam de sua abordagem libidinosa. Seu critério de seleção não era dos mais apurados. Dizem que sua exigência básica é que elas tivessem genitália feminina! Só! “Traveco”, nem pensar!

Um dia o John Forest foi acometido de apendicite. Hospitalizado teve que se submeter à cirurgia de urgência. Até aí nada demais, acontece que o Hospital de Caridade era administrado por uma Congregação Religiosa, trabalhada exclusivamente por freiras, desde funções executivas, administrativas, enfermagem etc. As auxiliares de enfermagem, que fazem a parte menos sofisticadas da saúde, eram executadas por “juvenistas”, moças que futuramente se sagrariam freiras e usariam o “Hábito Tradicional”. Como o próprio nome diz, são jovens e algumas, bem bonitas conforme a Natureza lhes agraciava.

Vamos ao que interessa: - A cirurgia: No momento em que preparavam o John para o procedimento, cuja incisão é feita próximo à virilha, veio uma “juvenista” fazer sua depilação!  Moça graciosa e com encantador sorriso:

- Bom dia seu John! Vamos depilar as partes?!

John apesar de ser o Grande Conquistador da Cidade, era encabulado acima da conta. Quando a moça se aproximou de seu leito e levantou a vestimenta do paciente - própria para cirurgia – suas partes íntimas ficaram totalmente expostas. A moça trabalha com tranquilidade e grande delicadeza, quase com carinho e naturalmente movimentando as partes íntimas do John para que a depilação fosse completa.

Nesse momento passa pela cabeça do João, como um raio, a hipótese de uma inadequada ereção! Ele pensa quase em voz alta:

- Não! Isso não pode acontecer comigo agora, pelo menos não agora! Pela-amor-de-deus, não!

Agora cá entre nós homens, sabemos que a paudurescência não é necessariamente uma ação voluntária, não há um controle que possamos acionar como se fosse um simples botão com “on/in”! Se fosse possível, mas não é.

Hummm! Está aí um útil alvo para a ciência desenvolver! Que tal?

Desculpa, foi apenas uma ilação. Voltemos à cirurgia: - John olha fixo para o canto do teto do quarto tentando pensar em outra coisa. Seu membro continua a manifestar movimentação de intumescimento. John quer evitar o provável vexame a todo custo. Morde um dedo da mão para através da dor conter seu natural impulso sexual, nada. Começa a assoviar, cantarolar. Nada dá resultado. Para seu desespero a moça pega delicadamente seu membro, dizem que de expressiva dimensão, isto é, um cara "avantajado" mesmo! Ela,  com suas frágeis e delicadas mãos, até onde eu sei, não usava luvas, algo talvez julgado desnecessário naquela época... Trocando-o de lado para outro a prosseguir a depilação. Esse toque foi muito além de qualquer controle possível ao pobre John. Em segundos está hasteada a bandeira! Impossível disfarçar sua natural manifestação erétil! John cobre seu rosto vermelho e "fervendo" com o travesseiro tamanho sua vergonha!

A moça percebendo toda aquela entusiasmada manifestação, não dá a mínima demonstração de irregularidade, não meche um músculo de seu rosto. Mantém um meigo e discreto sorriso invejavelmente tranquila! Toma um grosso volume de algodão, encharca-o em éter e passa fartamente no muito “faceiro membro” do John!

A ação gelada do éter, faz com que aquilo que era enorme e imponente, desabe morto, anestesiado, mole, uma verdadeira “geleia de pênis”, inútil que se deita sobre sua barriga desfalecido, tornando inesquecível sua internação hospitalar!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

33) Cumi!

33) Meus estimados leitores,

Volto a falar de uma de tantas viagens para minha Terra Natal. Foram tantas e muitas com as gostosas  aventuras decorrentes desse longo trecho de estrada ruim. Hoje seleciono uma delas, que divido, além da precariedade das rodovias, algo que já estávamos até acostumado, a falta de infra estrutura adequada com os postos de gasolina, lanchonetes etc... 

O melhor de tudo isso, eram as companhias que eu escolhia a partilhar dessa aventura!


33) Cumi!      

Na primeira metade da década de 70 eu fazia Faculdade de Administração de Empresas em Porto Alegre, mas ainda tinha muita saudade de Jaguari, dos meus queridos amigos de lá, meu irmão Sérgio e em especial aos meus Velhos Pais! Sempre que fosse possível, ia a Jaguari passar o final de semana com a Família e amigos, como já contei em crônicas anteriores. Como o trabalho exigia dedicação permanente, as escapadinhas para “casa” se davam em breves finais de semanas, cujo sacrifício de sair em viagem, para cumprir 404 quilômetros, metade asfalto e metade buracos e pedras de estrada de chão, só poderia ocorrer após as 23h00min nas noites de sexta-feira, após a Faculdade!

Nandinho, já incluído em contos anteriores, além de velho amigo, morava junto comigo. Também era colega de faculdade e na mesma situação, adorava visitar seus velhos em Jaguari. Dupla perfeita com a mesma vontade, mesma grana – que era pouca – e mesmos ideais sonhadores!

Fazíamos essa aventura de mais de seis horas de estrada, como disse, sofridas e poderia piorar ainda mais com chuva, que aí beirava a loucura, mas sempre com muita alegria. Habitualmente fazíamos um lanche frugal antes da aula e o jantar, aquele de encher o bucho de um pós-adolescente, acontecia depois da aula, , em plena estrada é claro!

Em viagem esse jantar, que nos pegava faminto, era retardado ao máximo com o objetivo de lá adiante distrair o cansaço e nos manter sem sono. Isso acontecia bem mais tarde que o habitual, porque a inegável emoção da saída em viagem nos abrandava o apetite. Lá pela uma ou duas da madrugada a fome vinha furiosa, então jantávamos a bordo. Não era bem um jantar, mas sanduiche talvez uns pastéis faziam o renascer em meio à estrada. No período em que Nandinho foi militar da aeronáutica, trabalhava no cassino dos oficiais e aí o lanche vinha de lá!

Restaurantes abertos no meio do percurso eram raríssimos e implicava em investimento provavelmente pouco suportado pela dupla, se é que me entendem...

Numa destas oportunidades, Norbi, meu sobrinho de uns cinco anos, foi junto. Por essa razão, minha cunhada Su fez um “farnel” para levarmos, pelo que agradecemos entusiasmadamente! 

- Norbi já jantou. Fiz uns sanduiches e uns pasteizinhos para vocês lancharem durante a viagem! Espero que gostem!

Um pacote enorme com uma bela quantidade de sanduíches – pareciam muito gostosos, presumi – e outros quitutes! Lá pela madrugada, quando a fome apertou, o Fernando olha pra trás, vê o Norbi, que ouvia tudo atentamente viajando o tempo todo em pé, com suas mãos apoiadas nos nossos bancos, que eram de sua altura, e ordena:

- Dá o lanche Norbi!

Ao que ele responde com uma adorável voz meiga, fininha, própria de criança tão amada que era. Criança nessa idade nos deixa inebriado de carinho e ternura:

- Cumi!

- Tá legal! Que bom que já comeu guri! Agora nós vamos comer, dá daí os sanduíches!

Norbi responde novamente com tom de voz mais fininho ainda, quase um miado:

- Cumi!

Nandinho incrédulo, enlouquecido examina o banco traseiro desesperado e não vê vestígio algum do pacotão de sanduíches! Talvez alguns farelos de pão espalhados junto com o pano de pratos e papeis da embalagem do NOSSO farnel.

- Comeu tudo seu bosta?

- Hum, hum!

Ele assentiu com a cabeça!

- Fausto, eu não acredito que esse monstro do teu sobrinho tenha comido todo nosso jantar. Puta-qui-pariu! Não podia ter feito isso conosco! Que merda tchê!

O danado ANTES tão amado, tinha devorado tudo! Não dava para acreditar mesmo que um menininho tão pequenino, tão franzino, mesmo que já tivesse jantado - conforme sua própria mãe nos afirmou - tinha “agasalhado” todo aquele pacotão de lanche feito para  todos nós! Nosso jantar se foi. Ficamos completamente na mão, famintos. Pior: Àquela época – como já disse - não havia nenhum recurso de lanchonetes à beira da estrada, restaurante, muito menos um “general store” de hoje em postos de gasolina.

Paramos de falar. Silêncio sepulcral na cabine. Acabou a alegria da viagem. Com fome e calados até chegar às casas na alta madrugada! 

Esse Norbi ainda me paga!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

32) Essa é a tal de Tecnologia!

Meus estimados amigos e leitores,

A crônica de hoje eu não a vivenciei, como as que de costume relato. Também não li. Me foi relatado por um dos componentes da "roda de assuntos diversos", de uma boa e honrada Família do interior de Jaguari, na qual dou total crédito, caso contrário sequer publicaria!

Durante essas "rodas", saem pérolas preciosas no diálogo, na discussão e a boa dose de Sabedoria, quando um Ancião se pronuncia. Enquanto o assunto não entra em pescarias ou caçadas, a verdade permeia os assuntos de forma generosa. Ouve-se histórias que se perpetuam em nossos pensamentos e se tivermos atitude de bom ouvinte, obtém-se Sabedoria Pura, pelo que eu acredito fazer parte na crônica a seguir!

Aprecio muito comentários dos que me prestigiam com suas pacientes leituras!


32) Essa é a tal de Tecnologia!

Me revelaram - jurando verdade - que lá por setembro de 1969 no Chapadão, distrito de Jaguari e área de produção de muita uva e portanto, vinhos coloniais, estava reunida uma numerosa família de italianos, obviamente debaixo de um parreiral após o almoço num bom domingo de primavera.

A conversa corria solta entre os mais jovens – todos os homens – porque as mulheres ficavam lá dentro da casa terminando os afazeres da cozinha. Afirmar que aquele mundo era machista, é chover no molhado!

Pois o assunto do dia era a chegada do Homem a Lua, que fora presenciado há poucos dias pelos raros aparelhos de televisão – em preto & branco – da Região. Não precisa ter a imaginação muita apurada, para antever que um grupo de italianos, depois de muito vinho qualquer assunto se torna polêmico, seja ele qual for.  Os da ala da esquerda, afirmavam com toda a veemência possível que era pura invenção e gritavam:

- Truque de cinema! Invenção mentirosa dos americanos, porco dio!

 Diziam aos berros, emparelhando o pescoço com os ombros e rosto vermelho como tomate maduro! O grande mérito das acaloradas discussões "Ítalo-etílicas", é de que jamais ultrapassam a divisória da gritaria com o "vias de fato!" Podem encerrar o domingo DE MAL  com o irmão, primo, cunhado... No domingo seguinte o Abençoado Almoço de Domingo se repete com o mesmo calor humano, fraternidade e entusiasmo de todos. O encontro é quase um movimento Religioso e por algumas vezes no ano, o Padre responsável pela Paróquia é o principal convidado! E para tanto, semanas antes a contribuição para construção da Capela é reforçada e não se fala absolutamente nada que desabone o Pároco! Pelo menos nessa época...

O polêmico assunto da chegada na Lua de Neil Armstrong e Edwin Aldrin volta à pauta:

- Toca tu lá vê no cinema que os bandido dê-lhe tomá tiro pelas venta e não acontece nada, tudo mentira!

Os mais conscientes defendiam a evolução da tecnologia e que a chegada do Homem a Lua era um fato verdadeiro e consumado e só um burro não aceitava...

-  Burro é a tua nona!

A discussão ia aquecendo cada vez mais e mais como toda a boa discussão entre italianos e seus descendentes.  “Mama,  nona, il culo”, já incluídos na troca de elogios! Ameaças do tipo “te cago a pau” já tinha rolado.

Até Brizola já tinha sido lembrado como prova de que americano mente! Foi então que um pacificador, prevendo que o pau ia correr, chamou a intervenção do Chefe da Clã, que até aquele momento, só ouvia!

- O que o senhor acha disso tudo, nono? Não são tudo uns mintiroso fiá-da-puta?!

Silêncio de todos. O nono, muito bem sentado, só escutando, mastigando a própria dentadura – chapa no caso -  no lento balançando sua cadeira de vime, estava impávido! Com seus quase noventa anos de vida e uns cem quilos de porte físico, preparava seu cigarro de palha esmagando fumo crioulo com seus "dedões grossos como parafuso de patrola", unhas bem crescidas e pretas - imundas na verdade – continuava amassando aquele fumo rançoso e velho que acabara de picar. Com essa interpelação, após aquele silêncio que preanunciava resposta bem pensada, trovejou afinal a Voz da Sabedoria:

- Ah vá lá porco Judas! Essa é a tal de tecnologia! Depois que inventaram a máquina de debulhá milho, eu não duvido de mais nada, éco!

 Diante da tamanha Sabedoria, contestação invariavelmente vetada, afinal de contas o velho sabia tudo,  se encerra a discussão e voltam a falar de como gosta de uma polenta  e como está gorda a prima Maria do Escapulário!